Profissionais de Saneamento com Orgulho de Julho

O saneamento costuma ser apresentado por meio de obras, indicadores, investimentos e metas de universalização. Entretanto, por trás de cada rede implantada, conta emitida, manancial protegido ou decisão de manutenção existem profissionais de saneamento transformando conhecimento técnico em serviços essenciais para a população.

Em julho de 2026, três reconhecimentos ajudaram a demonstrar a diversidade dessas contribuições. A homenagem ao Dia do Leiturista destacou uma atividade indispensável para o faturamento e o relacionamento com o cliente. A geóloga Ester Amelia Assis Mendes recebeu o Prêmio Crea-PR Engenheira Enedina Alves Marques. Além disso, o grupo responsável pelo Sagal Esgoto, da Sanepar, conquistou um prêmio internacional pela aplicação de inteligência geográfica à gestão das redes coletoras.

Os casos possuem naturezas diferentes. O Dia do Leiturista é uma homenagem profissional, o prêmio de Ester é individual e o reconhecimento ao Sagal Esgoto foi concedido ao projeto e à companhia. Ainda assim, todos ajudam a mostrar a força dos profissionais de saneamento que atuam no Brasil.

Dia do Leiturista reconhece uma função estratégica

Celebrado em 20 de julho, o Dia do Leiturista valoriza quem percorre ruas, bairros, áreas rurais, condomínios e comunidades para registrar o consumo indicado nos hidrômetros.

Embora a atividade pareça simples à primeira vista, a leitura é uma das etapas mais sensíveis do processo comercial. Um número registrado incorretamente pode gerar uma fatura incompatível, reclamação, retrabalho, revisão de conta, perda de receita e insatisfação do cliente.

Por outro lado, uma leitura confiável permite identificar mudanças de consumo, indícios de vazamento interno, hidrômetros parados, possíveis irregularidades, imóveis desocupados e obstáculos de acesso ao equipamento. Portanto, os leituristas não apenas coletam números. Eles funcionam como uma importante presença da companhia no território.

A Copasa informou que realiza mais de 4,5 milhões de leituras e emissões de contas por mês nos municípios atendidos em Minas Gerais. Somente na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o volume se aproxima de 1,5 milhão de leituras mensais. Esses números demonstram a dimensão operacional e comercial do trabalho executado pelos leituristas. 

Como funciona uma leitura moderna de hidrômetro

O processo normalmente começa com a geração das rotas no sistema comercial. Cada profissional recebe uma carga contendo os imóveis, matrículas, endereços, leituras anteriores, médias de consumo e informações necessárias para cumprir o roteiro.

Em campo, o leiturista confirma a matrícula, verifica o hidrômetro e registra os números correspondentes ao volume consumido. Em sistemas mais modernos, também são coletadas a localização geográfica, a data, o horário e uma fotografia do equipamento.

Em seguida, o sistema compara a leitura atual com o histórico do imóvel. Quando o consumo está muito acima ou abaixo do padrão, uma crítica automática pode impedir a emissão imediata da conta. Dessa forma, a informação é verificada antes que uma cobrança potencialmente incorreta chegue ao cliente.

A Copasa declarou que vem substituindo equipamentos de coleta e adotando georreferenciamento dos leituristas, registro de fotografias, telemetria e autoleitura. Além disso, o Projeto Faturamento On-line permite transmitir as leituras em tempo real, reduzindo riscos de perda de dados e faturamentos pela média. 

Consequentemente, a tecnologia não elimina a importância dos profissionais de saneamento. Pelo contrário, aumenta a capacidade de controle, comprovação e análise do trabalho executado.

Quais ferramentas são utilizadas na leitura

As companhias de maior porte geralmente estruturam o processo com cinco componentes principais:

Sistema comercial integrado: reúne cadastro, consumo, faturamento, cobrança, atendimento e histórico da unidade consumidora.

Dispositivo móvel de coleta: pode ser um coletor robusto, smartphone ou terminal específico, normalmente equipado com GPS e câmera.

Aplicativo de campo: apresenta a rota, recebe a leitura, registra ocorrências, coleta fotos e envia informações ao sistema central.

Impressora portátil: permite a impressão e entrega imediata da conta quando o modelo operacional utiliza faturamento em campo.

Telemetria ou medição inteligente: transmite o consumo automaticamente, reduzindo a necessidade de acesso físico ao hidrômetro em determinados imóveis.

A autoleitura também funciona como alternativa para situações em que o hidrômetro está dentro do imóvel ou apresenta dificuldade recorrente de acesso. Nesse modelo, o próprio cliente informa o consumo pelos canais digitais da companhia, geralmente acompanhado de fotografia.

Quanto custa modernizar o processo de leitura

Não existe um custo único por leitura ou por implantação. O valor depende da quantidade de imóveis, concentração urbana, distância entre localidades, necessidade de transporte, modelo de contratação, entrega simultânea das contas e nível de tecnologia exigido.

O orçamento deve considerar equipamentos móveis, impressoras, chips de dados, sistemas, integração, suporte, reposição, treinamento e gestão das rotas. Quando há telemetria, também são necessários módulos de comunicação, hidrômetros compatíveis, plataformas de dados e manutenção dos equipamentos instalados.

Em contratos terceirizados, o pagamento costuma ser estruturado por leitura realizada ou por conjunto de atividades. Entretanto, o menor preço unitário não representa necessariamente a solução mais econômica. Uma operação barata, mas com alto índice de leituras pela média, contas reemitidas e reclamações, pode gerar custos indiretos maiores.

Por isso, companhias que pretendem valorizar os profissionais de saneamento precisam combinar tecnologia, capacitação, metas de qualidade e remuneração contratual coerente com as dificuldades de cada território.

Ester Amelia Assis Mendes representa segurança hídrica

A geóloga Ester Amelia Assis Mendes, gerente de Recursos Hídricos da Sanepar, foi uma das homenageadas pelo Prêmio Crea-PR Engenheira Enedina Alves Marques 2026. A entrega ocorreu em 6 de julho e reconheceu profissionais de diferentes modalidades das Engenharias, da Agronomia e das Geociências.

O prêmio, organizado pelo Comitê Mulheres do Crea-PR, celebra trajetórias marcadas por competência técnica, liderança, inovação e contribuição para a sociedade. Ester foi reconhecida na Câmara Especializada de Engenharia Química, Geologia e Minas. 

Com mais de 30 anos de experiência, a profissional atua na integração entre recursos hídricos, gestão ambiental e saúde. Na Sanepar, trabalha com riscos relacionados aos mananciais e lidera a implementação do Plano de Segurança da Água por meio do Programa Água Segura nos municípios atendidos pela companhia no Paraná. 

Pouco antes, em 23 de junho, Ester também havia recebido o Prêmio Mulher InspirAÇÃO 2026 do Senge-PR pelo Programa Água Segura. Como essa cerimônia aconteceu em junho, o reconhecimento considerado especificamente para julho é o Prêmio Crea-PR Engenheira Enedina Alves Marques. 

Como funciona um Plano de Segurança da Água

Um Plano de Segurança da Água adota uma abordagem preventiva. Em vez de depender somente da análise realizada após o tratamento, a estratégia procura reconhecer riscos desde o manancial até a chegada da água ao consumidor.

Inicialmente, são identificadas as possíveis fontes de contaminação da bacia hidrográfica, como ocupação irregular, atividades agrícolas, lançamento de efluentes, acidentes e alterações no uso do solo.

Posteriormente, são avaliadas as barreiras existentes na captação, tratamento, reservação e distribuição. Cada risco deve ser associado a medidas de controle, responsáveis, indicadores e procedimentos de resposta.

O geoprocessamento permite localizar áreas vulneráveis, relacionar informações ambientais e acompanhar mudanças no território. Assim, o conhecimento produzido por Ester demonstra como os profissionais de saneamento podem integrar ciência, planejamento e operação para proteger o abastecimento.

Sagal Esgoto conquista reconhecimento internacional

Em 13 de julho de 2026, a Sanepar recebeu o Special Achievement in GIS, conhecido como SAG Award, pelo Sagal Esgoto — Sistema de Análise e Gestão de Ativos Lineares de Esgoto.

A premiação foi entregue durante a Conferência de Usuários da Esri, em San Diego, nos Estados Unidos. A Sanepar foi a única representante brasileira entre os premiados daquela edição. Os SAG Awards reconhecem organizações indicadas por lideranças da Esri e distribuidores que estabeleceram novos precedentes na comunidade de sistemas de informação geográfica. 

O Sagal Esgoto foi desenvolvido pela Diretoria de Operações da Sanepar em conjunto com a empresa Imagem e com apoio da Gerência de Tecnologia da Informação.

A representação da companhia reuniu Paulo Celso Teixeira Marini, Tiago Tomio Kametani, Christiano Marchiorato Dobignies e Anderson Schamne. Cada profissional contribuiu em frentes relacionadas à concepção, engenharia, apresentação, tecnologia e estruturação do sistema. Portanto, o reconhecimento deve ser entendido como uma conquista coletiva dos profissionais de saneamento envolvidos no projeto. 

Como funciona o Sagal Esgoto

O sistema combina uma análise multicritério com um ambiente de Sistema de Informações Geográficas. O método utilizado é o AHP, sigla em inglês para Processo de Análise Hierárquica.

De forma simples, o AHP permite comparar critérios e atribuir pesos conforme a importância de cada um. No caso de uma rede de esgoto, podem ser analisados idade da tubulação, material, ocorrências de obstrução, extravasamentos, reclamações, manutenção, número de clientes atendidos e impacto operacional.

Depois disso, as informações são associadas aos trechos da rede no mapa. Cada segmento recebe uma classificação ou pontuação de criticidade.

Como resultado, a companhia consegue visualizar onde estão os maiores riscos e direcionar inspeções, manutenções, substituições e investimentos. Em vez de atuar somente depois de uma falha, torna-se possível antecipar decisões.

Segundo a divulgação da premiação, o Sagal Esgoto cruza informações de consumidores e serviços para avaliar a saúde das redes coletoras. A plataforma permite planejar intervenções com maior precisão, reduzir custos operacionais e melhorar a priorização dos investimentos. 

Ferramentas usadas na gestão geográfica das redes

O caso da Sanepar foi desenvolvido em ambiente GIS associado à tecnologia Esri. Plataformas como ArcGIS permitem representar tubulações, poços de visita, estações elevatórias, válvulas e demais ativos sobre mapas digitais.

O ArcGIS Utility Network, por exemplo, permite armazenar os dados em geodatabases corporativas, disponibilizá-los no ArcGIS Enterprise e acessá-los pelo computador, navegador ou dispositivo móvel. Também suporta bancos como Oracle, SQL Server, SAP HANA e PostgreSQL. 

Além disso, existem alternativas de código aberto, como o QGIS. O software pode ser utilizado gratuitamente e possui recursos para visualização, edição e análise de dados espaciais. Entretanto, licença gratuita não significa projeto sem custo. Ainda serão necessários servidores, banco de dados, integração, desenvolvimento, saneamento cadastral, suporte e treinamento. 

Nas plataformas comerciais, o custo costuma variar conforme os tipos de usuários, funcionalidades, processamento, armazenamento e ambiente escolhido. A Esri trabalha com categorias de acesso para visualização, coleta de campo, criação de mapas e análises avançadas. Portanto, o orçamento depende da quantidade e do perfil dos usuários. 

Como implantar uma ferramenta semelhante

A implantação deve começar pelo problema operacional, e não pela compra do software.

1. Definição do objetivo: deve-se estabelecer se o sistema priorizará obstruções, extravasamentos, renovação de redes, manutenção preventiva ou planejamento de investimentos.

2. Organização dos dados: cadastro técnico, ordens de serviço, reclamações, idade dos ativos, materiais e informações comerciais precisam ser revisados.

3. Construção dos critérios: engenheiros, técnicos, operadores e profissionais de tecnologia devem definir quais fatores representam risco e como serão ponderados.

4. Desenvolvimento de um piloto: recomenda-se iniciar em uma bacia de esgotamento ou unidade operacional com bom histórico de dados.

5. Integração: o GIS precisa conversar com os sistemas comercial, operacional, manutenção e atendimento.

6. Validação em campo: as prioridades apontadas pelo modelo devem ser confrontadas com inspeções e conhecimento das equipes locais.

7. Escalonamento: somente depois dos ajustes, a solução deve ser expandida para outras áreas.

A orientação técnica da Esri também reforça a necessidade de limpar os dados, documentar a migração, mapear integrações, testar em ambiente separado e capacitar as equipes antes da entrada em produção. 

Quanto custa uma plataforma de inteligência geográfica

O custo do Sagal Esgoto não foi divulgado nas fontes consultadas. Consequentemente, qualquer valor atribuído ao projeto sem documentação oficial seria apenas especulação.

Em uma implantação semelhante, os principais componentes financeiros são licenciamento ou desenvolvimento, servidores, banco de dados, integração, migração cadastral, consultoria, treinamento e manutenção.

Além disso, o maior custo pode estar na correção das informações existentes. Redes sem coordenadas confiáveis, ativos duplicados e trechos sem vínculo com ordens de serviço exigem trabalho técnico antes que qualquer algoritmo produza resultados adequados.

Por isso, uma implantação econômica deve começar pequena, aproveitar sistemas já contratados e demonstrar ganhos mensuráveis. Entre os indicadores possíveis estão redução de extravasamentos, diminuição das manutenções emergenciais, aumento das ações preventivas e melhoria na aplicação dos investimentos.

Reconhecimento fortalece o futuro do setor

Os três destaques de julho mostram que os resultados do saneamento dependem de diferentes competências.

O leiturista representa o trabalho de campo, a precisão comercial e o contato cotidiano com a população. Ester Amelia representa a ciência aplicada à proteção dos mananciais e à segurança da água. Já o grupo do Sagal Esgoto representa a integração entre operação, engenharia, gestão de ativos e tecnologia.

Valorizar os profissionais de saneamento ajuda a disseminar boas práticas, preservar conhecimento e estimular novas soluções. Além disso, o reconhecimento fortalece o sentimento de pertencimento e mostra às novas gerações que o setor oferece espaço para desenvolvimento técnico, liderança e inovação.

Quando uma companhia apresenta apenas o troféu, mas não identifica as pessoas responsáveis pelo resultado, perde-se uma oportunidade de construir referências profissionais. Portanto, divulgar as equipes é tão importante quanto anunciar a conquista institucional.

A iniciativa “Profissionais de Saneamento com Orgulho”, do Saneamento Pro, busca justamente ampliar essa visibilidade. Ao reconhecer os profissionais de saneamento, o setor passa a celebrar não apenas grandes projetos, mas também o trabalho diário que mantém o abastecimento, o faturamento, o atendimento e o esgotamento sanitário funcionando.

Fontes