Uma das maiores oportunidades profissionais das próximas décadas pode estar diante de milhares de trabalhadores que já atuam dentro de companhias de saneamento.
Entretanto, existe um detalhe que costuma passar despercebido: trabalhar muitos anos na empresa não significa, necessariamente, construir uma carreira de crescimento acelerado.
Enquanto determinados profissionais passam décadas praticamente na mesma posição, outros começam a ser chamados para projetos estratégicos, assumem coordenações, gerências, superintendências, diretorias ou tornam-se referências técnicas dentro e fora da organização.
A diferença nem sempre está no diploma.
Também não está simplesmente em trabalhar mais horas.
Na maioria das vezes, existe uma combinação de competências, decisões profissionais e posicionamento que faz determinado trabalhador acumular aquilo que pode ser chamado de capital de carreira.
Isso ganha ainda mais importância no saneamento brasileiro.
A legislação estabelece como referência para 2033 o atendimento de 99% da população com água potável e de 90% com coleta e tratamento de esgoto. Além disso, contratos precisam observar indicadores relacionados à continuidade, perdas, qualidade e desempenho. Consequentemente, companhias, concessionárias, autarquias e prestadores precisarão entregar resultados cada vez mais mensuráveis.
Ao mesmo tempo, inteligência artificial, telemetria, sensoriamento, automação, análise de dados, digital twins, novos modelos tarifários, segurança cibernética e novas exigências regulatórias começam a modificar o perfil profissional necessário dentro das utilities. A International Water Association já trata a transformação digital como uma mudança estrutural do setor, enquanto pesquisas da Water Research Foundation estudam especificamente quais competências serão necessárias à força de trabalho das utilities na era digital.
Portanto, uma carreira no saneamento de alto crescimento tende a depender cada vez menos de simplesmente “esperar a próxima oportunidade” e cada vez mais de construir deliberadamente condições para ser lembrado quando essa oportunidade surgir.
A seguir estão dez estratégias pouco utilizadas que podem produzir essa diferença.
1. Tornar-se responsável por um número que realmente importa
A primeira estratégia parece simples, mas é extremamente poderosa: deixar de ser conhecido apenas pela função e começar a ser associado a um resultado.
Em uma companhia de saneamento, praticamente todas as áreas possuem indicadores críticos.
Por exemplo:
- índice de perdas;
- inadimplência;
- arrecadação;
- tempo médio de atendimento;
- produtividade de equipes;
- consumo de energia por metro cúbico;
- quantidade de ligações executadas;
- recuperação de receita;
- tempo de reparo;
- reclamações;
- retrabalho;
- eficiência de cobrança;
- índice de leitura;
- faturamento;
- eficiência de tratamento;
- disponibilidade dos sistemas.
O movimento estratégico consiste em identificar um problema relevante e tornar-se uma das pessoas que mais entendem daquele indicador.
Não basta acompanhar o número.
É necessário compreender por que ele acontece, quais variáveis interferem nele e quais ações conseguem modificá-lo.
Esse comportamento transforma a posição do profissional.
Em vez de ser visto como “alguém que executa determinada atividade”, passa a ser percebido como “alguém que ajuda a resolver determinado problema”.
Essa diferença é enorme.
O segredo pouco utilizado
Problemas difíceis possuem mais valor de carreira do que atividades confortáveis.
Portanto, assumir voluntariamente problemas relacionados a perdas, inadimplência, eficiência energética, produtividade, regulação, fraude, tempo de atendimento ou satisfação do cliente pode gerar mais capital profissional do que permanecer exclusivamente em atividades já dominadas.
A carreira no saneamento começa a acelerar quando o nome do profissional passa a aparecer associado à melhoria de indicadores importantes.
2. Conhecer a companhia inteira, e não apenas o próprio departamento
Um erro comum é construir uma carreira extremamente vertical.
O profissional conhece profundamente operação, comercial, engenharia, regulação, laboratório, manutenção, finanças ou tecnologia, porém compreende pouco sobre o restante da organização.
Para posições de maior responsabilidade, essa limitação pode se tornar um obstáculo.
Companhias de saneamento funcionam como sistemas interdependentes.
Uma decisão operacional interfere no faturamento.
Uma decisão comercial interfere no caixa.
Uma decisão de engenharia interfere na manutenção futura.
Uma decisão regulatória interfere na tarifa.
Uma decisão cadastral pode interferir nas perdas aparentes.
Uma decisão sobre pressão pode reduzir vazamentos, mas eventualmente afetar a continuidade.
Por isso, profissionais capazes de enxergar essas conexões tornam-se especialmente valiosos.
O objetivo deve ser construir um perfil semelhante ao chamado profissional em “T”: profundo em determinada especialidade, porém suficientemente amplo para conversar com outras áreas.
Mary Barra e o poder da carreira transversal
A trajetória de Mary Barra na General Motors oferece um exemplo relevante.
Ela iniciou a carreira na companhia ainda como estudante e engenheira elétrica. Posteriormente, passou por engenharia, gestão de fábrica, engenharia de manufatura, recursos humanos, desenvolvimento global de produtos, compras e cadeia de suprimentos antes de chegar ao comando da GM.
Não significa que simplesmente mudar de área provoque promoções.
Entretanto, a trajetória demonstra algo importante: experiência transversal pode ampliar consideravelmente a capacidade de tomar decisões complexas.
No saneamento, isso significa que um excelente profissional comercial ganha valor quando entende operação. Da mesma maneira, um engenheiro operacional torna-se mais completo quando compreende tarifa, cliente, faturamento, contratos e regulação.
3. Aprender regulação e finanças mesmo sem trabalhar nessas áreas
Uma das estratégias mais subestimadas para construir uma carreira no saneamento é aprender a linguagem econômica e regulatória do setor.
Poucos profissionais fazem isso profundamente.
E exatamente por isso essa competência pode se transformar em vantagem.
A expansão dos serviços de saneamento exige bilhões em investimentos. Entretanto, nenhuma companhia consegue investir indefinidamente se a operação não possuir sustentabilidade econômico-financeira.
Consequentemente, conceitos como CAPEX, OPEX, geração de caixa, tarifa, modicidade tarifária, equilíbrio econômico-financeiro, investimentos, depreciação, produtividade e retorno regulatório começam a interferir diretamente nas decisões técnicas.
Além disso, a ANA passou a editar normas de referência para temas do saneamento. A própria Norma de Referência nº 6/2024 trata dos modelos de regulação tarifária de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
Portanto, o profissional que consegue discutir simultaneamente aspectos técnicos, operacionais, comerciais, financeiros e regulatórios possui uma combinação relativamente rara.
Como isso aparece no cotidiano
Uma proposta deixa de ser apresentada apenas como:
“É necessário trocar esses equipamentos.”
E passa a ser apresentada como:
“A substituição pode reduzir perdas, diminuir manutenção corretiva, aumentar disponibilidade operacional e produzir determinada economia anual.”
A mesma solução técnica passa a conversar com a diretoria.
Essa capacidade de tradução aumenta a relevância profissional.
4. Tornar-se o tradutor entre saneamento, dados e inteligência artificial
A transformação digital está criando uma nova divisão entre profissionais.
De um lado estarão aqueles que utilizam tecnologia apenas quando algum sistema é implantado.
Do outro estarão aqueles capazes de identificar problemas de saneamento que podem ser resolvidos com tecnologia.
O segundo grupo tende a possuir uma vantagem importante.
A International Water Association mantém um programa específico dedicado ao Digital Water e destaca a utilização de ferramentas digitais para aumentar capacidade e desempenho das utilities. Além disso, a organização já discute inteligência artificial generativa e Agentic AI aplicada aos desafios das companhias de água.
Não significa que todos os profissionais precisarão se transformar em programadores.
Significa que será cada vez mais importante compreender:
- análise de dados;
- dashboards;
- inteligência artificial;
- telemetria;
- sensoriamento;
- modelos preditivos;
- automação;
- geoprocessamento;
- segurança cibernética;
- integração de sistemas;
- qualidade de dados.
O Fórum Econômico Mundial aponta que aproximadamente 39% das competências consideradas relevantes no mercado de trabalho devem mudar até 2030. Entre as competências com crescimento acelerado estão IA, big data, redes, segurança cibernética e alfabetização tecnológica. Entretanto, pensamento analítico, liderança e resiliência continuam entre as competências fundamentais.
Satya Nadella e a vantagem de enxergar a mudança antes
A trajetória de Satya Nadella na Microsoft também oferece uma referência interessante.
Antes de chegar à presidência executiva, ele passou por diferentes negócios corporativos e de consumo e liderou o grupo de Cloud and Enterprise, justamente em um período de transformação do mercado para computação em nuvem. A própria Microsoft destaca sua capacidade de atravessar diferentes tecnologias e negócios.
Para uma carreira no saneamento, a lição é clara: não basta dominar a tecnologia atual. É necessário observar quais tecnologias provavelmente modificarão o negócio nos próximos cinco ou dez anos.
5. Ir para o campo mesmo quando o trabalho acontece no escritório
Existe um tipo de conhecimento extremamente valioso que dificilmente aparece em apresentações de PowerPoint: o conhecimento operacional real.
Visitar uma estação de tratamento, acompanhar uma equipe de manutenção, observar uma rota de leitura, participar de uma inspeção, conversar com operadores ou acompanhar atendimento ao cliente pode revelar problemas que indicadores isolados não mostram.
Essa prática também gera credibilidade.
Profissionais das áreas administrativas, comerciais, financeiras, jurídicas, regulatórias, de planejamento e tecnologia podem ganhar enorme vantagem ao entender como as decisões tomadas no escritório chegam à ponta.
O contrário também funciona.
Profissionais predominantemente operacionais podem ampliar sua carreira no saneamento ao compreender processos de planejamento, orçamento, contratação, relacionamento com clientes e regulação.
O diferencial
Antes de propor uma mudança de processo, torna-se importante observar o processo funcionando.
Esse simples hábito reduz decisões desconectadas da realidade e aumenta a qualidade das propostas.
Além disso, cria algo especialmente importante para futuros líderes: respeito das equipes que executam o trabalho.
6. Procurar projetos difíceis antes de procurar cargos
Um dos erros mais comuns na gestão da própria carreira é perseguir primeiro o cargo.
Uma estratégia mais eficiente consiste em perseguir experiências que qualifiquem o profissional para cargos maiores.
Projetos de expansão, implantação de sistemas, redução de perdas, recuperação de receita, crises de abastecimento, reestruturações, auditorias, licitações, revisão de processos ou implementação regulatória podem funcionar como verdadeiras escolas de liderança.
O Center for Creative Leadership destaca que experiências desafiadoras e atribuições de desenvolvimento são importantes fontes de crescimento profissional e recomenda que líderes procurem proativamente responsabilidades que ampliem suas competências.
Estudos sobre learning agility também relacionam aprendizado a partir de experiências, busca de feedback e aplicação desse aprendizado em situações novas ao desenvolvimento de futuros líderes.
A pergunta estratégica
Em vez de perguntar somente:
“Qual cargo poderá surgir?”
Uma carreira no saneamento pode evoluir mais rapidamente quando a pergunta passa a ser:
“Qual problema estratégico permitirá demonstrar capacidade para responsabilidades maiores?”
Esse reposicionamento muda completamente a trajetória.
7. Buscar patrocinadores profissionais, não apenas mentores
Mentoria tornou-se bastante conhecida.
Sponsorship, ou patrocínio profissional, ainda é muito menos compreendido.
Existe uma diferença relevante.
Mentores aconselham.
Patrocinadores defendem o nome de determinado profissional quando ele não está presente na sala.
Segundo análises publicadas pela Harvard Business Review, patrocinadores utilizam parte de seu capital político para defender profissionais em oportunidades, projetos e posições relevantes.
Entretanto, sponsorship não deveria ser confundido com favorecimento pessoal.
Patrocínio profissional sustentável nasce principalmente de confiança.
Um gerente, superintendente, diretor ou especialista experiente dificilmente colocará sua própria reputação em risco indicando alguém que entrega pouco.
Portanto, o caminho geralmente acontece nesta ordem:
competência → entrega → confiança → visibilidade → patrocínio.
A estratégia que poucos percebem
Em vez de pedir diretamente para ser “lembrado para uma vaga”, torna-se mais eficaz entregar resultados tão consistentes que lideranças desejem incluir aquele profissional em novas responsabilidades.
A reputação começa a trabalhar mesmo quando o profissional não participa da reunião.
Esse é um dos maiores aceleradores de uma carreira no saneamento.
8. Tornar-se substituível para poder ser promovido
Pode parecer contraditório.
Entretanto, profissionais que concentram todo o conhecimento podem acabar presos à própria função.
A organização começa a pensar:
“Não é possível retirar essa pessoa daqui porque ninguém sabe fazer o que ela faz.”
O que inicialmente parece reconhecimento pode se transformar em barreira para crescimento.
Por isso, profissionais com visão de longo prazo documentam processos, desenvolvem pessoas, criam procedimentos, organizam informações e transferem conhecimento.
A Water Research Foundation trata explicitamente a documentação do conhecimento tácito de trabalhadores experientes como parte das estratégias de sucessão no setor de água.
A AWWA também destaca planejamento sucessório, desenvolvimento profissional e retenção de talentos entre os elementos estratégicos da força de trabalho das utilities.
O paradoxo da promoção
Quanto mais preparada estiver uma equipe para funcionar sem dependência excessiva de uma única pessoa, maior tende a ser a liberdade organizacional para deslocar essa pessoa para desafios maiores.
Liderar significa construir capacidade nos outros.
Por isso, ensinar pode acelerar uma carreira no saneamento mais do que guardar conhecimento.
9. Aprender a comunicar resultados como a alta administração pensa
Excelente trabalho mal comunicado frequentemente perde visibilidade.
Isso não significa fazer autopromoção exagerada.
Significa transformar informação técnica em informação útil para decisão.
Um profissional pode apresentar:
“Foram realizadas 8.432 inspeções.”
Outro pode apresentar:
“8.432 inspeções identificaram 1.240 irregularidades, recuperaram determinado volume de receita e reduziram o prazo médio de atuação em 18%.”
As duas frases descrevem trabalho.
A segunda descreve valor.
Para crescer profissionalmente, torna-se necessário aprender pelo menos cinco idiomas organizacionais:
técnico, financeiro, cliente, regulatório e estratégico.
Por exemplo, uma redução de perdas pode ser apresentada tecnicamente como economia de água.
Entretanto, também representa:
- redução da necessidade de produção;
- menor consumo energético;
- postergação de investimentos;
- maior disponibilidade hídrica;
- melhora regulatória;
- capacidade adicional para atender novos clientes.
Profissionais capazes de realizar essas conexões ocupam naturalmente discussões mais estratégicas.
É dessa forma que a carreira no saneamento deixa de depender exclusivamente da excelência na execução e passa também a envolver influência sobre decisões.
10. Construir reputação profissional fora da própria empresa
A última estratégia é uma das menos utilizadas.
Muitos excelentes profissionais passam décadas fazendo trabalhos extraordinários conhecidos apenas por um pequeno grupo de colegas.
Construir reputação profissional externa não significa revelar informações confidenciais nem buscar exposição artificial.
Significa compartilhar conhecimento técnico legítimo.
Isso pode ocorrer por meio de:
- congressos;
- artigos técnicos;
- associações profissionais;
- grupos de trabalho;
- benchmarking;
- premiações;
- palestras;
- capacitações;
- comunidades técnicas;
- estudos de caso autorizados;
- participação em projetos setoriais.
A própria IWA destaca que redes profissionais permitem colaboração internacional, desenvolvimento de carreira e aumento do perfil profissional de trabalhadores do setor de água.
O efeito multiplicador
Quando determinado especialista começa a ser reconhecido também fora da companhia, a percepção interna pode mudar.
Ele deixa de ser apenas “o profissional daquele departamento” e passa a ser considerado uma referência em determinado assunto.
Naturalmente, reputação precisa acompanhar competência.
Exposição sem conteúdo dificilmente sustenta uma carreira longa.
Entretanto, competência sem nenhuma visibilidade também pode limitar oportunidades.
Exemplos do próprio setor mostram que amplitude profissional importa
O setor internacional de água oferece exemplos relevantes.
Carla Reid trabalhou por aproximadamente duas décadas na WSSC Water, chegou a ocupar posição de Deputy General Manager, posteriormente adquiriu experiência em governos locais e retornou à utility como sua primeira mulher a ocupar a posição de General Manager/CEO.
Kishia Powell, que posteriormente assumiu a liderança da WSSC Water, acumulou experiências executivas em utilities de Atlanta, Jackson, Baltimore e DC Water. Em Atlanta, comandou uma operação de água e esgoto que atendia cerca de 1,2 milhão de clientes e possuía orçamento operacional anual de US$ 644 milhões, além de um programa de investimentos de cinco anos de US$ 1,26 bilhão.
Essas trajetórias não significam que copiar determinados movimentos produza automaticamente resultados semelhantes.
Entretanto, mostram um padrão importante: experiências variadas, exposição a problemas complexos e capacidade de atuar além de uma única especialidade aparecem repetidamente na formação de lideranças.
O profissional mais perigoso para a concorrência interna não é o que sabe tudo
O profissional mais competitivo é aquele que consegue aprender rapidamente aquilo que ainda não sabe.
Essa distinção será ainda mais importante nos próximos anos.
O Future of Jobs Report 2025 identificou pensamento analítico como competência central para 69% dos empregadores pesquisados, seguido por resiliência, flexibilidade e agilidade, citadas por 67%, e liderança e influência social, por 61%.
No setor de água, essa transformação já está sendo percebida.
A Water Research Foundation mantém projeto específico para investigar caminhos de progressão profissional no setor, mapear funções críticas e avaliar programas de capacitação e certificação.
Portanto, a vantagem deixa de estar apenas em “saber”.
Passa a estar em aprender, conectar, aplicar e ensinar.
Um modelo simples para acelerar a carreira no saneamento
As dez estratégias podem ser resumidas em cinco formas de capital profissional.
1. Capital técnico
É aquilo que o profissional realmente sabe fazer.
Sem competência técnica, a carreira dificilmente se sustenta.
2. Capital de execução
É a capacidade de transformar conhecimento em resultados mensuráveis.
Aqui aparecem redução de custos, aumento de receita, produtividade, qualidade, prazo e eficiência.
3. Capital transversal
É a capacidade de entender outras áreas e enxergar a empresa como sistema.
4. Capital relacional
É a confiança construída com colegas, equipes, gestores e lideranças.
Não se trata simplesmente de networking.
Trata-se de reputação.
5. Capital estratégico
É a capacidade de compreender para onde o setor está caminhando e preparar-se antes que determinadas competências se tornem obrigatórias.
Quanto mais esses cinco capitais se combinam, maior tende a ser a quantidade de caminhos disponíveis para a carreira no saneamento.
O plano prático dos próximos 12 meses
Uma evolução profissional consistente pode começar com um roteiro relativamente simples.
Nos primeiros três meses, torna-se recomendável identificar um indicador relevante da organização e estudá-lo profundamente.
Entre o terceiro e o sexto mês, o profissional pode buscar participação em algum projeto transversal que envolva áreas diferentes da sua rotina.
Paralelamente, torna-se importante desenvolver pelo menos uma competência emergente, como análise de dados, inteligência artificial, regulação, gestão de projetos, finanças ou liderança.
Entre seis e nove meses, os resultados obtidos precisam ser documentados de maneira objetiva.
Finalmente, entre nove e doze meses, esse conhecimento pode começar a ser compartilhado com colegas, lideranças e comunidades profissionais apropriadas.
O objetivo não deveria ser simplesmente “aparecer”.
Deveria ser tornar-se progressivamente mais útil para problemas cada vez mais importantes.
A verdadeira estratégia secreta
Nenhuma das dez estratégias depende exclusivamente de possuir cargo de chefia.
Um operador pode começar.
Um técnico pode começar.
Um agente comercial pode começar.
Um engenheiro pode começar.
Um analista pode começar.
Um atendente pode começar.
Um profissional de laboratório pode começar.
Um especialista de TI pode começar.
Um empregado recém-contratado pode começar.
Isso acontece porque desenvolvimento profissional começa antes da promoção.
O cargo normalmente aparece depois que parte das competências necessárias para exercê-lo já foi demonstrada.
E talvez esse seja o ponto mais importante de todos.
A melhor estratégia para construir uma carreira no saneamento não é tentar parecer indispensável. É tornar-se cada vez mais capaz de resolver problemas que a organização considera indispensáveis.
Os profissionais de saneamento trabalham diariamente com um dos serviços mais importantes para qualquer sociedade: água segura, coleta e tratamento de esgoto, saúde pública, qualidade ambiental e desenvolvimento econômico.
Portanto, valorizar esses profissionais também significa criar condições para que conhecimento técnico, inovação, capacidade de liderança e resultados sejam reconhecidos.
À medida que universalização, digitalização, eficiência operacional, regulação e mudanças climáticas aumentarem a complexidade do setor, profissionais capazes de conectar esses mundos provavelmente serão cada vez mais necessários.
E são justamente esses profissionais que poderão ocupar parte importante das futuras posições de liderança do saneamento.
Fontes e referências
- Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico — Norma de Referência sobre universalização: Acessar fonte
- Ministério das Cidades — Marco Legal do Saneamento: Acessar fonte
- ANA — Norma de Referência nº 6/2024 sobre regulação tarifária: Acessar fonte
- American Water Works Association — Workforce: Acessar fonte
- Water Research Foundation — Progression Pathways Across the Water Workforce: Acessar fonte
- Water Research Foundation — Competências para a era digital: Acessar fonte
- International Water Association — Digital Water Programme: Acessar fonte
- International Water Association — Digital Water e Young Water Professionals: Acessar fonte
- World Economic Forum — Future of Jobs Report 2025: Acessar fonte
- Harvard Business Review — Mentores, sponsors e desenvolvimento profissional: Acessar fonte
- Harvard Business Review — What Great Sponsors Do Differently: Acessar fonte
- Center for Creative Leadership — Developmental Assignments: Acessar fonte
- General Motors — Biografia de Mary Barra: Acessar fonte
- Microsoft — Biografia de Satya Nadella: Acessar fonte
- WSSC Water — trajetória de Carla Reid: Acessar fonte
- WSSC Water — trajetória de Kishia Powell: Acessar fonte



