Bandeira verde no saneamento: onde está a economia

A bandeira verde no saneamento pode representar uma economia relevante já em outubro para companhias que mantêm estações de bombeamento, ETAs, ETEs e outras unidades consumidoras no mercado cativo de energia. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) confirmou em 25 de setembro que outubro de 2026 terá bandeira verde, eliminando o adicional de R$ 1,885 para cada 100 kWh que estava associado à bandeira amarela. (Serviços e Informações do Brasil)

Para uma empresa que consuma 100 GWh por mês em unidades efetivamente sujeitas às bandeiras, a diferença nominal entre amarela e verde chegaria a R$ 1,885 milhão em apenas um mês, antes das particularidades tributárias e contratuais de cada unidade.

Mas o impacto mais importante talvez não esteja nesse número.

A mudança de outubro mostra por que energia elétrica deve ser tratada como variável estratégica dentro de uma companhia de saneamento. Não basta acompanhar a conta mensal: é necessário saber quais unidades estão no mercado cativo, quais migraram para o mercado livre, quanto cada sistema consome por metro cúbico produzido, quais bombas trabalham fora do ponto de melhor rendimento e quanto dinheiro está sendo consumido junto com cada metro cúbico de água perdido.

É justamente aí que a bandeira verde no saneamento deixa de ser uma notícia do setor elétrico e passa a ser uma pauta de gestão de água e esgoto.

O que aconteceu

A ANEEL anunciou que outubro de 2026 terá bandeira tarifária verde. Segundo a agência, o aumento das chuvas nas regiões Sul e Sudeste durante a transição entre períodos seco e úmido contribuiu para estabilizar os reservatórios das hidrelétricas.

Com melhores condições de geração, diminui a necessidade de acionamento de fontes mais caras, especialmente termelétricas. Consequentemente, não haverá adicional de bandeira nas unidades consumidoras enquadradas no sistema. (Serviços e Informações do Brasil)

A diferença é direta.

Na bandeira verde, o adicional é zero.

Na amarela, atualmente são cobrados R$ 0,01885 por kWh.

Na vermelha patamar 1, o adicional chega a R$ 0,04463 por kWh.

Na vermelha patamar 2, alcança R$ 0,07877 por kWh. (Serviços e Informações do Brasil)

Para grandes consumidores, alguns centavos por quilowatt-hora tornam-se rapidamente centenas de milhares ou milhões de reais.

Quanto a bandeira verde pode economizar

A matemática da mudança da bandeira amarela para a verde é relativamente simples:

Economia nominal = consumo sujeito à bandeira × R$ 0,01885/kWh

Assim, considerando apenas o adicional tarifário:

Consumo mensal sujeito à bandeira

Economia frente à bandeira amarela

1 GWh

R$ 18.850

10 GWh

R$ 188.500

50 GWh

R$ 942.500

100 GWh

R$ 1.885.000

200 GWh

R$ 3.770.000

Os valores são exemplos matemáticos e não representam a economia de uma companhia específica. Além disso, a ANEEL informa que há incidência tributária sobre as bandeiras, de modo que o impacto final na fatura depende das condições de tributação e faturamento de cada unidade consumidora. (Serviços e Informações do Brasil)

Portanto, para saber quanto a bandeira verde no saneamento efetivamente economizará, a primeira pergunta não deveria ser apenas “quanto a empresa consome?”, mas sim:

quanto desse consumo ainda está sujeito às bandeiras tarifárias?

Essa distinção é fundamental.

Nem toda companhia terá o mesmo benefício

O sistema de bandeiras é aplicado aos consumidores cativos das distribuidoras, com as exceções previstas pela regulamentação. Empresas que migraram unidades para o Ambiente de Contratação Livre, o mercado livre de energia, têm outra estrutura de contratação e de formação de custos. (Serviços e Informações do Brasil)

Isso significa que duas companhias com consumo elétrico semelhante podem sentir efeitos completamente diferentes em outubro.

Uma empresa com praticamente todas as grandes estações de bombeamento no mercado cativo pode perceber redução importante.

Outra, com grande parcela de consumo já contratada no mercado livre, terá exposição direta muito menor à bandeira verde.

Para o gestor, portanto, o primeiro trabalho é segmentar a matriz energética da companhia.

Por que energia pesa tanto no saneamento

Água não se movimenta sozinha.

A energia está presente na captação, adução, tratamento, elevação, reservação e distribuição. No esgoto, aparece nas elevatórias, aeração, mistura, desidratação, tratamento e disposição.

Dados oficiais do antigo SNIS, ano de referência 2022, ajudam a dimensionar essa escala. Os prestadores participantes informaram 12,6 TWh de consumo de energia elétrica somente nos sistemas de abastecimento de água, com índice médio nacional de 0,67 kWh por metro cúbico produzido ou importado. (Serviços e Informações do Brasil)

O indicador precisa ser interpretado com cuidado. Sistemas com grandes desníveis topográficos, captações distantes ou necessidade de recalque naturalmente consomem mais energia. Por isso, comparar uma companhia diretamente com outra pode gerar conclusões equivocadas.

Entretanto, acompanhar a própria evolução histórica do indicador é extremamente poderoso.

Se uma região produzia água a 0,65 kWh/m³ e passa a necessitar de 0,80 kWh/m³ sem alteração estrutural que justifique o aumento, alguma coisa merece investigação.

Pode existir deterioração de bombas, mudança no ponto operacional, perda excessiva de carga, aumento de pressão, vazamento, operação inadequada de reservatórios ou simplesmente uma combinação desses fatores.

A bandeira verde no saneamento não significa energia barata

Esse é um erro de interpretação importante.

Bandeira verde significa ausência do adicional de bandeira, e não congelamento ou redução de todos os componentes da tarifa de energia.

A tarifa continua incorporando custos de geração, transmissão, distribuição, encargos e outros componentes. A própria ANEEL diferencia claramente a tarifa propriamente dita das bandeiras tarifárias. (Serviços e Informações do Brasil)

Portanto, interromper programas de eficiência porque a bandeira ficou verde seria uma decisão de curto prazo.

Na verdade, outubro pode ser usado exatamente para fazer o contrário: transformar a economia conjuntural em recurso para financiar eficiência estrutural.

Sanepar mostra outra estratégia: reduzir exposição ao mercado cativo

A Sanepar oferece um exemplo relevante.

Em 2024, a companhia informou que trabalhava para migrar 450 unidades consumidoras, responsáveis por aproximadamente 74% de seu consumo total de energia, para o mercado livre. Na época, projetava cerca de R$ 50 milhões de economia ainda em 2024 e aproximadamente R$ 600 milhões até 2028 com o avanço da estratégia. (Sanepar)

O Relato Integrado de 2025 mostra a dimensão financeira da energia na operação: as despesas com energia elétrica da companhia atingiram R$ 430,2 milhões em 2025, embora tenham recuado 18,8% em comparação aos R$ 529,7 milhões registrados em 2024. (Sanepar)

O mesmo relatório informa aquisição de aproximadamente 3,08 milhões de GJ de eletricidade em 2025, equivalente a cerca de 855 GWh.

Esses números ajudam a entender por que energia deixou de ser apenas responsabilidade da manutenção elétrica e passou a ocupar a agenda financeira e estratégica das utilities.

Cagece também diversifica sua gestão energética

A Cagece mantém estratégia envolvendo mercado livre, adequações tarifárias e geração de energia.

Seu planejamento já identificava mais de 1.800 unidades consumidoras e projetos envolvendo migração para o mercado livre, tarifa branca, mudanças entre modalidades horossazonais e geração limpa. (Cagece)

O caso é particularmente interessante porque mostra que não existe uma única solução.

Uma companhia com centenas ou milhares de unidades consumidoras dificilmente deve aplicar a mesma estratégia a todas elas.

Grandes elevatórias podem justificar mercado livre.

Outras instalações podem demandar correção da demanda contratada.

Unidades menores podem apresentar oportunidades de geração distribuída.

Estações de bombeamento podem ganhar mais com automação ou troca de equipamentos do que com mudança contratual.

É essa combinação que transforma gestão de energia em gestão empresarial.

O que experiências internacionais ensinam

A experiência mundial mostra que renegociar energia é apenas uma das alternativas.

O Banco Mundial considera a eletricidade um dos maiores custos operacionais controláveis das empresas de água e esgoto e aponta que reduções de 20% a 40% no consumo ou custo energético podem ser alcançadas em determinadas utilities por meio de programas estruturados de eficiência. (Banco Mundial)

Em Monclova, no México, foram utilizados inversores de frequência, melhoria de eficiência de bombeamento, substituição de equipamentos e otimização dos horários de operação. O Banco Mundial relata redução de 23% na intensidade energética, com retorno simples do investimento de aproximadamente 1,9 ano.

Em Mostar, na Bósnia e Herzegovina, substituição e modernização de bombas, maior uso de abastecimento por gravidade e ações sobre vazamentos levaram a uma redução de aproximadamente 40% no consumo energético no período analisado.

Em Yerevan, na Armênia, intervenções em estações elevatórias, ampliação do abastecimento por gravidade e melhoria de bombas produziram, segundo o Banco Mundial, economia anual próxima de US$ 4,8 milhões, diante de investimento de US$ 16,8 milhões. (World Bank)

A principal conclusão desse benchmarking é importante para o Brasil: não existe bandeira verde capaz de produzir continuamente o mesmo resultado que uma bomba eficiente, uma rede com menor perda e uma operação energeticamente otimizada.

Reduzir perdas também é reduzir energia

Essa conexão ainda é subestimada.

Quando uma companhia capta, trata e bombeia 100 litros e perde parte desse volume antes do faturamento ou consumo autorizado, também perde a energia utilizada para movimentar essa água.

Portanto, uma ação de controle de perdas pode gerar simultaneamente economia de água, produtos químicos e energia.

O Banco Mundial inclui explicitamente redução de perdas e gestão de pressão entre as medidas capazes de melhorar o desempenho energético das utilities. (Banco Mundial)

Isso muda a forma como projetos de combate às perdas deveriam ser avaliados.

O retorno financeiro não precisa considerar apenas água recuperada e aumento potencial do faturamento. Pode incorporar também a energia que deixou de ser desperdiçada.

O impacto regulatório também merece atenção

A redução do OPEX energético beneficia imediatamente o caixa da companhia, mas seus efeitos tarifários dependem do modelo regulatório aplicável.

A Norma de Referência ANA nº 6/2024 determina que processos de revisão tarifária considerem custos necessários à prestação dos serviços em regime de eficiência, além da remuneração adequada de investimentos prudentes. (Serviços e Informações do Brasil)

Esse debate está ainda mais atual.

Em 25 de setembro de 2026, justamente no mesmo dia do anúncio da bandeira verde para outubro, a ANA informou que permanece aberta até 2 de outubro a Consulta Pública nº 3/2026 sobre a proposta de norma de referência para processos de revisão tarifária.

Entre os temas estão receita requerida, custos eficientes, investimentos prudentes, remuneração de capital e equilíbrio econômico-financeiro. (Serviços e Informações do Brasil)

Em outras palavras, eficiência energética tende a ser cada vez menos uma questão exclusivamente operacional.

Ela conversa diretamente com regulação, tarifa, competitividade, equilíbrio econômico-financeiro e capacidade de investimento.

O que gestores devem observar em outubro

A bandeira verde no saneamento cria uma boa oportunidade para fazer uma espécie de auditoria energética corporativa. Entre os pontos que merecem análise estão:

  • separar consumo cativo, mercado livre, autoprodução e geração distribuída;
  • calcular a economia real da passagem da bandeira amarela para a verde;
  • medir kWh/m³ por sistema, município, ETA, ETE e grande elevatória;
  • identificar as unidades que concentram maior consumo e maior custo;
  • comparar curvas de operação das bombas com horários de ponta e fora de ponta;
  • cruzar consumo energético com perdas de água, pressão e volumes bombeados;
  • revisar demanda contratada, fator de potência, modalidade tarifária, contratos e oportunidades de automação.

Essa análise permite descobrir algo muito mais importante do que a economia de outubro: onde está o desperdício permanente.

Bombear no horário certo pode valer tanto quanto trocar equipamento

Outra oportunidade pouco percebida está na gestão de carga.

Em sistemas com reservação suficiente, determinadas operações de bombeamento podem ser reorganizadas para evitar horários mais caros, respeitando evidentemente segurança operacional, níveis mínimos de reservação, pressão e continuidade do abastecimento.

O Banco Mundial destaca que o gerenciamento de carga pode reduzir custos significativamente porque grande parte da energia utilizada pelas utilities está associada a sistemas de bombeamento. (World Bank Blogs)

Entretanto, essa estratégia exige integração.

Centro de controle operacional, automação, engenharia, manutenção, planejamento e gestão energética precisam trabalhar sobre o mesmo modelo hidráulico.

É justamente aí que a experiência dos profissionais de operação faz diferença. Nenhum algoritmo conhece sozinho as particularidades de uma adutora, a capacidade real de um reservatório, a fragilidade de uma estação elevatória ou o comportamento diário de determinada zona de pressão.

Tecnologia melhora a decisão. Conhecimento operacional evita decisões ruins.

O que pode dar errado

A pior resposta à bandeira verde seria simplesmente concluir que “a energia ficou barata” e aumentar o consumo sem controle.

A eficiência precisa ser medida pelo resultado entregue.

Uma bomba pode consumir menos energia porque bombeou menos água. Isso não significa eficiência.

Da mesma forma, reduzir horas de funcionamento pode comprometer reservação e provocar falta d’água.

O indicador correto precisa relacionar consumo de energia com volume produzido, bombeado, coletado ou tratado, observando ainda pressão, qualidade, continuidade e condições topográficas.

Outro risco é avaliar apenas o preço do kWh e ignorar demanda contratada, multas, reativos, horário de ponta, ultrapassagens e estrutura tarifária.

Em grandes operações, esses elementos podem produzir oportunidades tão importantes quanto a própria bandeira.

A bandeira verde pode financiar eficiência permanente

Existe uma abordagem especialmente interessante para outubro.

Em vez de tratar toda redução da conta de energia como simples alívio orçamentário, a companhia pode identificar quanto economizou e direcionar parte desse ganho para projetos capazes de reduzir permanentemente o consumo.

Por exemplo: telemetria elétrica de grandes motores, análise de rendimento de conjuntos motor-bomba, substituição de equipamentos críticos, instalação de inversores de frequência, automação de reservatórios ou projetos de controle de perdas.

Assim, uma economia conjuntural ajuda a criar economia estrutural.

É uma mudança simples de lógica, mas poderosa.

Lições para quem trabalha no saneamento

A principal lição da bandeira verde no saneamento não está apenas na conta de outubro.

Ela mostra que cada estação elevatória possui também uma dimensão econômica.

Cada ponto percentual de perda física pode carregar energia desperdiçada.

Cada bomba operando longe do ponto ideal tem impacto financeiro.

Cada contrato de energia mal dimensionado reduz recursos que poderiam ser investidos na expansão, manutenção ou melhoria dos serviços.

E cada profissional que entende a relação entre hidráulica, operação e energia passa a contribuir não somente para o funcionamento do sistema, mas para a sustentabilidade financeira da empresa.

Esse conhecimento tende a se tornar ainda mais valorizado à medida que o setor avance na universalização.

Novas redes, elevatórias, ETAs e ETEs significarão também novas cargas elétricas.

Construir infraestrutura sem incorporar eficiência energética desde o projeto pode significar carregar custos desnecessários durante décadas.

Conclusão

A bandeira verde no saneamento traz uma redução objetiva para as unidades consumidoras sujeitas às bandeiras: em outubro de 2026 deixa de existir o adicional de R$ 1,885 por 100 kWh aplicado na bandeira amarela.

Para grandes companhias, o efeito pode ser relevante.

Mas essa é apenas a camada superficial da notícia.

A discussão realmente estratégica está em identificar quanto cada empresa ainda depende do mercado cativo, quanto consome por metro cúbico, quais ativos concentram energia, quanto das perdas hidráulicas também representa energia desperdiçada e quais tecnologias podem produzir economia permanente.

Sanepar, Cagece e experiências internacionais mostram caminhos diferentes, porém complementares: mercado livre, revisão tarifária, gestão de carga, automação, bombas eficientes, uso da gravidade, controle de pressão e redução de perdas.

A bandeira muda todos os meses.

Uma operação eficiente permanece.

Para as companhias de saneamento, essa talvez seja a principal mensagem de outubro: aproveitar a bandeira verde é importante; reduzir estruturalmente a quantidade de energia necessária para entregar cada metro cúbico de água e tratar cada metro cúbico de esgoto é muito mais importante.

Fontes e referências

ANEEL — Agência Nacional de Energia Elétrica
“Outubro terá bandeira verde: contas de luz sem custo extra”
25 de setembro de 2026.
Acessar a publicação da ANEEL

ANEEL — Agência Nacional de Energia Elétrica
“Sobre Bandeiras Tarifárias” — valores e regras vigentes.
Atualização consultada em setembro de 2026.
Acessar a página de bandeiras tarifárias

ANEEL — Agência Nacional de Energia Elétrica
“Perguntas Frequentes sobre Bandeiras Tarifárias” — incidência, funcionamento e consumidores abrangidos.
Acessar perguntas e respostas da ANEEL

Ministério das Cidades — SNIS
“Diagnóstico Temático – Serviços de Água e Esgoto – Visão Geral”, dados de 2022.
Consumo energético e indicador IN058.
Acessar o diagnóstico do SNIS

Sanepar
“Relato Integrado 2025”.
Publicado em março de 2026.
Acessar relatórios anuais da Sanepar

Sanepar
“Sanepar avança na entrada do mercado livre de energia elétrica”.
23 de abril de 2024.
Acessar a publicação da Sanepar

Cagece — Companhia de Água e Esgoto do Ceará
“Relatório da Administração 2022” — capítulo sobre matriz energética e projetos de eficiência.
Acessar o relatório da Cagece

Banco Mundial — Water Global Practice
“Energy Efficiency Investments in Urban Water and Wastewater Utilities”.
2019.
Acessar o estudo do Banco Mundial

Banco Mundial
“Mainstreaming Energy Efficiency Investments in Urban Water and Wastewater Utilities”.
Estudos de caso de Monclova, Mostar, Yerevan e outras utilities.
Acessar o relatório técnico

ANA — Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico
Norma de Referência nº 6/2024 — modelos de regulação tarifária para água e esgoto.
Acessar a Resolução ANA nº 183/2024

ANA — Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico
“Consulta pública sobre revisão tarifária no saneamento recebe sugestões da sociedade até 2 de outubro”.
25 de setembro de 2026.
Acessar a publicação da ANA