Resultados da Copasa 2T26: receita sobe e lucro recua

Os resultados da Copasa 2T26 revelam uma companhia que conseguiu ampliar receita, geração operacional de caixa e investimentos, mas que, ao mesmo tempo, passou a sentir com mais intensidade os efeitos do aumento do endividamento e das despesas financeiras.

Entre abril e junho de 2026, a receita líquida de água, esgoto e resíduos sólidos atingiu R$ 1,95 bilhão, crescimento de 8,9% sobre o mesmo trimestre de 2025. O EBITDA ajustado avançou ainda mais: chegou a R$ 762,1 milhões, alta anual de 11,7%, levando a margem EBITDA ajustada de 38% para 39%. Entretanto, o lucro líquido ajustado caiu 4,8%, para R$ 275,5 milhões, enquanto o lucro líquido contábil recuou 21,5%, para R$ 227,1 milhões. (InfoMoney⁠)

A combinação desses números traz uma mensagem especialmente relevante para profissionais do saneamento: a operação apresentou evolução, mas o custo financeiro passou a consumir parcela maior do resultado final.

Além disso, a Copasa acelerou fortemente sua agenda de expansão. Somente no primeiro semestre de 2026, o Capex alcançou aproximadamente R$ 1,54 bilhão, crescimento de 27% na comparação anual. Os recursos estão sendo aplicados em sistemas de água e esgoto, renovação de redes, redução de perdas, segurança hídrica e modernização operacional. (Notícias Copasa⁠)

Principais números dos resultados da Copasa 2T26

Os resultados da Copasa 2T26 podem ser resumidos pelos seguintes indicadores:

  • Receita líquida: R$ 1,95 bilhão, alta de 8,9%;
  • EBITDA ajustado: R$ 762,1 milhões, avanço de 11,7%;
  • Margem EBITDA ajustada: 39%, contra 38% no 2T25;
  • Lucro líquido ajustado: R$ 275,5 milhões, queda de 4,8%;
  • Lucro líquido contábil: R$ 227,1 milhões, redução de 21,5%;
  • Capex no primeiro semestre: R$ 1,54 bilhão, alta de 27%;
  • Volume medido de água: 173 milhões de m³, crescimento de 1%;
  • Volume medido de esgoto: 124 milhões de m³, avanço de 3,6%;
  • Cobertura de esgoto: 80,1%, ante 78,2% no ano anterior;
  • Dívida líquida: aproximadamente R$ 8,18 bilhões. (InfoMoneyAttachment.png)

Portanto, avaliar apenas a queda do lucro poderia conduzir a uma interpretação incompleta. Os indicadores mostram que a atividade principal de saneamento cresceu e ganhou margem. O principal ponto de atenção aparece depois da geração operacional de resultado.

Receita cresce com tarifa e maior volume medido

Um dos principais motores dos resultados da Copasa 2T26 foi a combinação entre reajuste tarifário e crescimento do volume faturável.

A terceira Revisão Tarifária Periódica resultou em efeito tarifário médio de 6,56%, refletido nas tarifas praticadas pela companhia em 2026. Paralelamente, o volume medido agregado de água e esgoto apresentou crescimento de aproximadamente 2,1%. (Arsae MG⁠)

A receita líquida de água alcançou cerca de R$ 1,26 bilhão, aumento de 8,4%, enquanto a receita de esgoto chegou a aproximadamente R$ 667,7 milhões, expansão de 10,3%. (InfoMoney⁠)

Esse comportamento mostra como diferentes áreas das companhias de saneamento estão diretamente conectadas ao resultado financeiro.

Não basta produzir água.

É necessário medir corretamente, reduzir submedição, cadastrar adequadamente clientes, executar leituras com qualidade, combater irregularidades, manter hidrômetros dentro de padrões adequados e transformar o serviço efetivamente prestado em receita corretamente faturada.

Por isso, os resultados da Copasa 2T26 também reforçam a importância estratégica das equipes comerciais, operacionais, de engenharia, tecnologia, regulação, manutenção e atendimento.

Hidrômetros ganham importância na estratégia

A Copasa informou que substituiu aproximadamente 654 mil hidrômetros nos últimos 12 meses, incluindo equipamentos inteligentes e medidores de maior precisão. A companhia também registra índice de hidrometração de 100%. (Notícias Copasa⁠)

Esse movimento possui impacto muito maior do que simplesmente trocar equipamentos.

Hidrômetros mais novos e adequadamente dimensionados ajudam a diminuir perdas aparentes, aumentar a qualidade da medição, identificar alterações de consumo, melhorar o faturamento e gerar informações mais confiáveis para decisões operacionais.

Consequentemente, a modernização da medição tende a aproximar áreas historicamente tratadas separadamente dentro das empresas de saneamento.

A gestão comercial passa a fornecer dados para a operação. A operação influencia o faturamento. A tecnologia ajuda a detectar anomalias. E a engenharia utiliza essas informações para direcionar investimentos.

Essa integração tende a se tornar cada vez mais importante em empresas que buscam simultaneamente eficiência, universalização e sustentabilidade financeira.

Perdas de água caem para 35%

Outro destaque dos resultados da Copasa 2T26 está no combate às perdas de água.

Segundo a companhia, aproximadamente R$ 156 milhões foram destinados ao programa de redução de perdas durante o primeiro semestre. O índice de perdas na distribuição ficou em cerca de 35%, redução de 2,6 pontos percentuais em relação a junho de 2025. (Notícias Copasa⁠)

Entretanto, existe uma observação técnica importante: parte da alteração também está relacionada à adequação metodológica do indicador, com incorporação do consumo autorizado não faturado conforme critérios regulatórios.

Ainda assim, o esforço operacional permanece relevante.

Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, por exemplo, está prevista a renovação ou substituição de 351 quilômetros de redes de água e ramais prediais, associada a ações como controle de pressão e redução de vazamentos. (Notícias Copasa⁠)

A agenda nacional também está tornando o controle de perdas cada vez mais rigoroso. A Norma de Referência nº 15/2025 da ANA estabeleceu diretrizes para diagnóstico, gestão, controle e monitoramento das perdas de água, inclusive com balanço hídrico padronizado. (Serviços e Informações do Brasil⁠)

Além disso, os parâmetros federais utilizados para acesso a determinados recursos trabalham com trajetória de redução para 30% e 263 litros por ligação por dia entre 2026 e 2032, chegando a 25% e 216 litros por ligação por dia a partir de 2033. (Serviços e Informações do Brasil⁠)

Portanto, reduzir perdas deixou definitivamente de ser apenas uma boa prática operacional. Trata-se de uma questão técnica, financeira, regulatória e ambiental.

Esgotamento sanitário continua avançando

Os resultados da Copasa 2T26 também mostram evolução no esgotamento sanitário.

O volume medido de esgoto avançou 3,6% e atingiu aproximadamente 124 milhões de metros cúbicos no trimestre. Ao mesmo tempo, a cobertura de esgoto alcançou 80,1%, ante 78,2% no segundo trimestre de 2025. (InfoMoney⁠)

O número é relevante porque a universalização do esgotamento sanitário continua sendo um dos maiores desafios do setor brasileiro.

A Norma de Referência nº 8/2024 da ANA estabelece que as metas progressivas dos serviços devem conduzir ao cumprimento dos objetivos de universalização até, no máximo, 31 de dezembro de 2033. Para abastecimento de água, a referência nacional é atendimento de pelo menos 99% da população, enquanto o Marco Legal estabelece também a meta de 90% para coleta e tratamento de esgoto. (Serviços e Informações do Brasil⁠)

Nesse contexto, cada ponto percentual adicional de cobertura exige obras, novas ligações, ampliação de sistemas, capacidade de tratamento, operação, manutenção e relacionamento comercial com novos usuários.

A universalização, portanto, não termina com a conclusão da obra.

Ela depende do trabalho contínuo dos profissionais de saneamento para transformar infraestrutura instalada em serviço efetivamente prestado.

EBITDA cresce, mas lucro recua: por quê?

Talvez esse seja o ponto mais interessante dos resultados da Copasa 2T26.

Se a receita subiu 8,9% e o EBITDA ajustado avançou 11,7%, por que o lucro ajustado caiu 4,8%?

Uma das principais respostas está no resultado financeiro.

O resultado financeiro líquido ficou negativo em aproximadamente R$ 168,1 milhões, deterioração de 64,2% frente ao resultado negativo de R$ 102,4 milhões do segundo trimestre de 2025. Entre os fatores mencionados estão maiores despesas com juros, aumento do endividamento, inflação e pagamentos relacionados à obtenção de waivers junto a credores durante o processo societário da companhia. (InfoMoney⁠)

É justamente nesse ponto que EBITDA e lucro precisam ser analisados separadamente.

O EBITDA ajuda a observar a capacidade operacional do negócio antes de despesas financeiras, impostos, depreciação e amortização.

Já o lucro líquido considera também o custo da dívida.

Assim, uma empresa pode apresentar melhoria operacional e, ainda assim, registrar redução no lucro final caso o custo de financiamento cresça em velocidade superior.

Foi exatamente essa dinâmica que ganhou peso nos resultados da Copasa 2T26.

Dívida chega a R$ 8,18 bilhões

A dívida líquida da companhia chegou a aproximadamente R$ 8,18 bilhões ao final de junho. Na comparação com o mesmo período de 2025, quando estava em torno de R$ 5,85 bilhões, o aumento foi próximo de 40%.

A relação dívida líquida sobre EBITDA dos últimos 12 meses avançou de aproximadamente 2 vezes para 2,8 vezes. A dívida bruta chegou a cerca de R$ 9,57 bilhões, enquanto caixa e equivalentes estavam próximos de R$ 1,38 bilhão. (InfoMoney⁠)

O crescimento do endividamento, isoladamente, não significa deterioração operacional.

Companhias de saneamento precisam realizar investimentos elevados e de longa maturação. Redes, adutoras, estações de tratamento, reservatórios, interceptores e sistemas de produção demandam grandes volumes de capital antes de começarem a gerar benefícios econômicos.

Entretanto, quanto maior a dívida, maior tende a ser a importância da disciplina financeira, do planejamento do Capex e da capacidade de transformar investimentos em ganho operacional e receita.

Esse será um indicador importante para acompanhar nos próximos balanços.

Capex de R$ 1,54 bilhão coloca execução no centro da estratégia

Ao mesmo tempo em que o endividamento aumentou, a Copasa acelerou significativamente os investimentos.

Foram aproximadamente R$ 1,54 bilhão aplicados entre janeiro e junho de 2026, alta de 27% sobre o primeiro semestre de 2025. (UOL Economia⁠)

Nesse cenário, a qualidade da execução passa a ser tão importante quanto o volume de recursos disponibilizados.

Planejamento de obras, fiscalização contratual, gestão de medições, cumprimento de cronogramas, controle de materiais, gestão ambiental, comissionamento e entrada efetiva dos ativos em operação tornam-se fundamentais.

Esse aspecto valoriza diretamente os profissionais de saneamento que trabalham no planejamento, projetos, fiscalização, operação, manutenção e gestão de contratos.

Investimento anunciado não produz sozinho redução de perdas ou aumento de cobertura.

O resultado aparece quando equipes conseguem converter orçamento em infraestrutura funcionando.

Rio Manso amplia segurança hídrica da Grande BH

Entre os projetos destacados está a ampliação do Sistema Rio Manso.

O empreendimento completo prevê aproximadamente 12 quilômetros de adutoras de água tratada e investimento próximo de R$ 400 milhões, com conclusão prevista para o primeiro semestre de 2027. (Notícias Copasa⁠)

Uma etapa já entregue recebeu aproximadamente R$ 87 milhões e compreende cerca de três quilômetros de adutoras com diâmetro de 1.800 milímetros.

Segundo a Copasa, a intervenção possibilita aumento de vazão da ordem de 700 a 1.000 litros por segundo e incremento estimado entre 60 milhões e 86 milhões de litros de água por dia disponíveis para distribuição na Região Metropolitana de Belo Horizonte. (Notícias Copasa⁠)

Para profissionais do setor, esses números traduzem melhor a dimensão operacional do investimento.

Não se trata apenas de R$ 87 milhões aplicados.

Trata-se de capacidade adicional de transporte, maior flexibilidade hidráulica e reforço da segurança de abastecimento de uma região metropolitana com elevada concentração populacional.

Energia e produtos químicos pressionam custos

Embora o EBITDA ajustado tenha crescido, alguns componentes de custos apresentaram pressão.

As despesas com energia elétrica aumentaram aproximadamente 11,5%, enquanto os gastos com materiais de tratamento e laboratório cresceram cerca de 14% na comparação anual. (InfoMoney⁠)

Esse comportamento merece atenção porque energia e produtos químicos estão entre os componentes mais importantes da estrutura de custos de companhias de água e esgoto.

Consequentemente, iniciativas como eficiência energética, automação de bombeamento, controle operacional de pressão, otimização de processos de tratamento e contratação eficiente de energia podem gerar impactos financeiros relevantes.

A própria Copasa informa expansão do uso de energia proveniente do mercado livre e de usinas fotovoltaicas. (Notícias Copasa⁠)

Portanto, eficiência operacional e eficiência financeira caminham cada vez mais juntas.

Eventos não recorrentes também afetaram o trimestre

Outro cuidado necessário ao interpretar os resultados da Copasa 2T26 é separar o desempenho recorrente de eventos extraordinários.

Foram reconhecidos aproximadamente R$ 61,7 milhões em itens considerados não recorrentes, dos quais R$ 60 milhões estão relacionados a um termo de autocomposição decorrente de mesa de conciliação com o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais e R$ 1,7 milhão a seguro associado à oferta pública de ações. (UOL Economia⁠)

Por esse motivo, existe diferença relevante entre EBITDA contábil e EBITDA ajustado.

O EBITDA contábil ficou em aproximadamente R$ 700,4 milhões, alta de 2,7%, com margem de 35,9%. Já o EBITDA ajustado atingiu R$ 762,1 milhões e margem de 39%. (InfoMoney⁠)

Para uma análise técnica adequada, ambos precisam ser considerados.

O indicador ajustado ajuda a observar melhor a operação recorrente. Entretanto, o indicador contábil mostra os impactos que efetivamente passaram pelas demonstrações financeiras.

Renovação dos contratos amplia horizonte de operação

Outro elemento importante para a sustentabilidade futura está na atualização dos contratos de prestação.

A companhia informou ter celebrado 43 contratos dentro do novo modelo contratual e regulatório, equivalentes a aproximadamente 37,5% da receita líquida anual.

Como consequência, o prazo médio ponderado das concessões abrangidas pela carteira da empresa teria avançado de aproximadamente 13 para 29 anos. (InfoMoney⁠)

Para uma empresa intensiva em infraestrutura, duração contratual é variável fundamental.

Quanto maior a segurança sobre o período de prestação, maior tende a ser a capacidade de estruturar investimentos com retorno de longo prazo, desde que contratos, metas e mecanismos regulatórios estejam adequadamente definidos.

O que os resultados da Copasa 2T26 ensinam ao setor

Os resultados da Copasa 2T26 oferecem uma fotografia bastante representativa dos desafios das grandes companhias brasileiras de saneamento.

A primeira mensagem é que crescimento de receita precisa vir acompanhado de eficiência operacional.

A segunda é que a universalização exige aumento expressivo do investimento.

A terceira é que Capex financiado por dívida aumenta a necessidade de disciplina financeira.

Além disso, redução de perdas, renovação de hidrômetros, eficiência energética, expansão do esgoto e modernização de redes mostram que o saneamento moderno depende cada vez mais da integração entre engenharia, operação, gestão comercial, tecnologia, regulação e finanças.

Finalmente, existe um elemento que não aparece isoladamente em nenhuma linha do balanço: os profissionais responsáveis por fazer todos esses indicadores acontecerem.

São operadores, engenheiros, técnicos, agentes comerciais, leituristas, analistas, laboratoristas, profissionais ambientais, especialistas em automação, equipes de manutenção, gestores de contratos, equipes de atendimento, profissionais de tecnologia e dezenas de outras funções.

Sem pessoas capacitadas, bilhões de reais em investimentos não se transformam em água disponível, esgoto tratado, redução de perdas ou melhoria do atendimento.

Copasa entra em uma fase de execução intensa

A conclusão dos resultados da Copasa 2T26 não deve ser resumida simplesmente como “lucro em queda”.

A operação mostrou crescimento.

A receita avançou.

A margem EBITDA ajustada melhorou.

O volume medido aumentou.

A cobertura de esgoto evoluiu.

Os investimentos aceleraram.

E as ações de redução de perdas e modernização ganharam escala. (Notícias Copasa⁠)

Por outro lado, o aumento do endividamento e das despesas financeiras cria uma pressão que precisará ser acompanhada com atenção.

A equação para os próximos períodos será, portanto, transformar o grande volume de investimentos em mais eficiência, maior cobertura, redução de perdas, geração de caixa e qualidade de serviço.

É exatamente nessa transformação que o conhecimento e a capacidade de execução dos profissionais de saneamento se tornam decisivos.

Fontes