Saneamento nos debates das eleições 2026

O saneamento nas eleições 2026 começou a ganhar uma dimensão que vai muito além da tradicional promessa de “levar água e esgoto”. Nos primeiros debates estaduais realizados no domingo, 9 de agosto, surgiram discussões envolvendo privatização, concessões, universalização, segurança hídrica, ampliação de redes de esgoto, tratamento, tarifas, adutoras, perdas de água e até resiliência diante das mudanças climáticas.

Entretanto, o levantamento nacional também mostrou um dado relevante: em diversos estados onde os desafios de saneamento são enormes, o assunto praticamente não entrou no centro do debate político.

A rodada promovida pela Band ocorreu em 12 estados e no Distrito Federal: Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Paraíba, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e São Paulo, além do DF. 

Sob o ponto de vista técnico, São Paulo apresentou discussões sobre Sabesp, universalização, tarifas, tratamento de esgoto, barragens e segurança hídrica. No Piauí, falta de água, adutoras e a concessão dos serviços ganharam espaço. Na Paraíba, esgoto chegando às praias e a responsabilidade da Cagepa entraram diretamente no confronto. No Ceará, apareceu uma meta objetiva de ampliação do saneamento. Já no Paraná, a capacidade dos sistemas de água e esgoto do litoral entrou na discussão.

Consequentemente, o saneamento nas eleições 2026 começa a revelar uma questão que interessa diretamente aos profissionais do setor: não basta anunciar bilhões de reais. É necessário saber onde o recurso será aplicado, quais indicadores serão utilizados, quem será responsável pela operação e, principalmente, como a infraestrutura será mantida depois da inauguração.

O saneamento deixou de ser apenas uma pauta de obras

Durante décadas, discursos eleitorais sobre saneamento foram frequentemente resumidos à construção de adutoras, estações e quilômetros de redes. Porém, a realidade atual é muito mais complexa.

A legislação estabelece a meta de atendimento de 99% da população com água potável e de 90% com coleta e tratamento de esgoto até 31 de dezembro de 2033. Além disso, os contratos precisam considerar metas relacionadas à continuidade do abastecimento, redução de perdas e melhoria dos processos de tratamento. 

Portanto, atingir a universalização exige muito mais do que construir rede.

É necessário cadastrar os usuários, implantar ligações, garantir pressão adequada, ampliar produção de água, elevar capacidade de reservação, instalar estações elevatórias, tratar o esgoto coletado, reduzir perdas, controlar ativos, manter equipamentos, monitorar qualidade e criar capacidade financeira para sustentar tudo isso durante décadas.

É justamente nesse ponto que o saneamento nas eleições 2026 precisa ser observado pelos profissionais do setor.

São Paulo coloca Sabesp, tarifa e segurança hídrica no debate

Em São Paulo, Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas apresentaram posições distintas sobre a desestatização da Sabesp.

Haddad criticou a política de privatizações e questionou aspectos relacionados à venda da companhia. Tarcísio, por outro lado, defendeu o modelo adotado e o relacionou à capacidade de acelerar investimentos e universalizar os serviços. 

A tarifa também apareceu.

Na checagem realizada pela Agência Lupa, confirmou-se que, após a desestatização, houve redução imediata de 10% nas tarifas social e vulnerável, 1% na tarifa residencial padrão e 0,5% nas categorias comercial e industrial. Portanto, é importante diferenciar esses percentuais de afirmações genéricas sobre redução tarifária. 

Além disso, foram citados durante o debate investimentos de aproximadamente R$ 8,5 bilhões em saneamento na Baixada Santista. Também apareceram intervenções envolvendo nova adutora, reservatórios e ampliação de sistemas. 

Porém, talvez a parte tecnicamente mais interessante tenha sido a associação entre saneamento e segurança hídrica.

Foram mencionadas barragens, interligações entre sistemas produtores, reservação, recuperação de mananciais e estruturas de contenção de enchentes.

Entre os projetos citados está a barragem de Pedreira, com investimento superior a R$ 1 bilhão e capacidade anunciada de reservação de cerca de 85 bilhões de litros. Também foram citadas interligações entre as bacias do Juqueri e Jundiaí e entre Billings e Alto Tietê. 

Ainda segundo informações apresentadas no debate, estavam em implantação 15 novas estações de tratamento de esgoto e quatro unidades passariam por modernização. 

Assim, o saneamento nas eleições 2026 em São Paulo aproximou três assuntos que deveriam ser tratados de forma integrada: água, esgoto e resiliência climática.

Segurança hídrica exige mais do que construir barragens

Para o profissional de saneamento, segurança hídrica significa reduzir a possibilidade de uma população ficar sem água mesmo diante de secas, falhas operacionais, contaminação de mananciais ou eventos climáticos extremos.

Uma barragem pode aumentar a disponibilidade de água. Entretanto, sozinha, ela não resolve o abastecimento.

São necessários captação, bombeamento, adução, tratamento, energia elétrica, reservação, controle de pressão, redes de distribuição e equipes preparadas para operar o sistema.

Além disso, interligar sistemas produtores permite transferir água de uma região para outra quando determinado manancial enfrenta maior pressão.

É por esse motivo que redundância é tão valorizada tecnicamente.

Um sistema muito dependente de uma única captação, adutora, estação ou linha de transmissão elétrica fica mais vulnerável. Já um sistema interligado consegue responder melhor às contingências.

Piauí coloca falta de água no centro da discussão

No Piauí, o saneamento nas eleições 2026 assumiu uma característica diferente.

O problema apresentado foi extremamente básico e, ao mesmo tempo, crítico: localidades que ainda dependem de caminhões-pipa ou enfrentam abastecimento irregular.

Uma das perguntas feitas durante o debate tratou explicitamente da precariedade do abastecimento em diferentes regiões do estado. Joel Rodrigues defendeu, entre outras medidas, implantação de adutora ligada à Barragem do Estreito e utilização de poços já perfurados que necessitariam de equipamentos. 

Além disso, a concessão dos serviços anteriormente associados à Agespisa entrou diretamente na discussão.

Aqui existe uma distinção técnica fundamental.

Embora participantes do debate tenham utilizado expressões como “venda” e “privatização da Agespisa”, a estrutura oficial é de concessão regionalizada dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

O projeto prevê concessão por 35 anos e investimentos estimados em R$ 8,6 bilhões. Desse montante, aproximadamente R$ 2,7 bilhões foram projetados para universalização de água, R$ 4,3 bilhões para universalização do esgoto e R$ 1,5 bilhão para reinvestimentos. 

As metas apresentadas na modelagem incluem atendimento de água superior a 99% em oito anos, atendimento de esgoto superior a 90% em 15 anos e redução do índice de perdas para menos de 30% em oito anos. 

Portanto, o debate piauiense colocou uma questão essencial: onde investir primeiro?

Água ou esgoto: por que essa escolha é mais complexa do que parece

Um candidato questionou durante o debate a distribuição dos investimentos da concessão, argumentando que grandes adutoras necessárias a determinadas regiões não estariam contempladas da maneira considerada adequada. 

Do ponto de vista técnico, a discussão é legítima e precisa ser analisada sem simplificação política.

Uma região com abastecimento precário pode exigir grandes obras de produção e transporte de água. Por outro lado, cidades que já possuem abastecimento relativamente consolidado podem ter enorme déficit de coleta e tratamento de esgoto.

Consequentemente, priorizar somente água pode retardar a universalização do esgotamento. Priorizar apenas esgoto, entretanto, pode não resolver crises de abastecimento.

A solução passa por planejamento regionalizado, análise de disponibilidade hídrica, projeção populacional, diagnóstico de ativos, estudos hidráulicos, capacidade de pagamento e definição transparente do CAPEX.

CAPEX é o investimento utilizado para construir ou modernizar ativos de longa duração, como adutoras, reservatórios, estações, redes e equipamentos.

Paraíba leva esgoto nas praias para o confronto eleitoral

Na Paraíba, o saneamento nas eleições 2026 apareceu de maneira extremamente concreta.

Efraim Filho questionou Cícero Lucena sobre ocorrências de esgoto em áreas de praia de João Pessoa. Na resposta, Cícero relacionou o problema ao crescimento e adensamento urbano e criticou a expansão considerada insuficiente das redes, atribuindo responsabilidade à Cagepa e ao governo estadual. 

Esse episódio demonstra um desafio comum em cidades que crescem rapidamente.

Uma rede projetada para determinado número de habitantes pode se tornar insuficiente quando surgem prédios, novos bairros e maior densidade populacional.

Além disso, episódios de extravasamento podem envolver diferentes causas: rede sobrecarregada, infiltração indevida de água de chuva, elevatórias fora de operação, obstruções, ligações irregulares e até conexões clandestinas entre drenagem e esgotamento.

Portanto, identificar responsabilidades exige diagnóstico técnico.

PPP da Paraíba mostra quanto custa expandir esgotamento

Embora a PPP do esgotamento seja um tema mais amplo da campanha e não deva ser confundida com a discussão específica ocorrida no domingo, ela ajuda a dimensionar o tamanho financeiro do desafio paraibano.

A estrutura prevê aproximadamente R$ 3 bilhões de investimentos em 25 anos, envolvendo 85 municípios. A Cagepa permanece pública, enquanto o parceiro privado assume obrigações previstas no contrato de concessão administrativa. 

A modelagem técnica detalha aproximadamente R$ 3 bilhões de CAPEX, incluindo cerca de R$ 1,26 bilhão para redes coletoras, R$ 520,7 milhões para ligações domiciliares, R$ 272,1 milhões para ETEs, R$ 208,8 milhões para elevatórias e R$ 325,9 milhões para substituição de hidrômetros. 

A projeção também contempla aproximadamente 566 mil novas ligações e um custo médio de CAPEX de cerca de R$ 5,3 mil por nova ligação no conjunto modelado. 

Isso demonstra por que universalizar saneamento demanda planejamento financeiro de longo prazo.

Ceará apresenta meta de 90% até 2033

No Ceará, Elmano de Freitas afirmou durante o debate que pretende ampliar a cobertura de saneamento para 90% da área atendida pela Cagece até 2033. Ciro Gomes contestou números apresentados pelo adversário em diferentes áreas, enquanto concentrou sua resposta em outros aspectos de infraestrutura e políticas sociais. 

A meta de 90% merece atenção porque se aproxima da referência nacional estabelecida para esgotamento sanitário.

Contudo, para os profissionais do setor, uma pergunta é indispensável:

90% de quê?

Cobertura física de rede não é necessariamente igual a atendimento efetivo.

A Norma de Referência nº 8/2024 da ANA estabelece indicadores de cobertura e atendimento e determina que o monitoramento seja realizado por município. Para a universalização, não basta apenas existir rede disponível; é necessário acompanhar efetivamente os domicílios atendidos. 

Essa diferença parece pequena, porém é decisiva operacionalmente.

Paraná traz o desafio da sazonalidade no litoral

No Paraná, Requião Filho afirmou durante o debate que faltam investimentos em água e esgoto no litoral e defendeu investimentos durante todo o ano, em vez de concentração apenas próxima à temporada de verão. 

A declaração levanta um problema técnico conhecido pelas companhias de saneamento: população flutuante.

Municípios turísticos podem possuir 50 mil moradores durante grande parte do ano e receber centenas de milhares de pessoas em períodos específicos.

Isso altera drasticamente:

demanda de água;

vazão de esgoto;

pressão das redes;

produção das ETAs;

necessidade de reservação;

carga das ETEs;

consumo de energia;

quantidade de equipes de manutenção.

Por isso, o planejamento não pode considerar apenas a população residente.

É necessário trabalhar com cenários de pico, histórico de consumo, ocupação imobiliária, eventos, meteorologia e dados de mobilidade.

Maranhão menciona saneamento dentro da infraestrutura

No Maranhão, Saulo Arcângeli incluiu saneamento entre os investimentos públicos defendidos para enfrentar pobreza e deficiência de infraestrutura. Posteriormente, ao discutir infraestrutura, reforçou que o conceito deveria incluir escolas, hospitais e saneamento. 

Entretanto, não apareceram na cobertura analisada metas quantitativas detalhadas relacionadas à Caema, perdas, cobertura, tarifa, água ou esgoto.

Assim, o saneamento nas eleições 2026 no Maranhão apareceu como política de infraestrutura, porém ainda sem detalhamento técnico suficiente para permitir avaliação de custo ou execução.

Rio Grande do Sul discute enchentes, mas pouco saneamento

No Rio Grande do Sul, enchentes estiveram entre os assuntos do debate entre Gabriel Souza, Juliana Brizola, Luciano Zucco e Marcelo Maranata. 

Entretanto, na cobertura analisada, não foi identificada discussão suficientemente detalhada sobre Corsan, esgotamento sanitário, abastecimento, perdas ou drenagem para atribuir propostas específicas aos participantes.

Essa ausência merece atenção técnica.

Depois dos grandes eventos climáticos enfrentados pelo estado, temas como redundância de captações, proteção de ETAs, elevação de painéis elétricos, geradores, reservação, contingência, drenagem e recuperação rápida de redes deveriam ocupar espaço relevante na agenda de infraestrutura.

Rio de Janeiro concentra debate em segurança

No Rio de Janeiro ocorreu situação semelhante.

Apesar de o estado possuir um dos maiores processos de reorganização dos serviços de saneamento do país, a cobertura detalhada do debate mostrou forte concentração em segurança pública e recuperação de áreas controladas pelo crime organizado. 

Não foi localizada discussão detalhada sobre Cedae, concessões, tarifas, perdas, expansão do esgoto ou universalização.

Para o setor, a ausência chama atenção justamente porque o Rio possui grandes contratos de concessão e metas bilionárias de investimento que terão impacto sobre milhões de usuários.

Amazonas, Bahia, Goiás, RN e DF: saneamento ficou fora do centro

O Amazonas teve debate com discussão principalmente sobre saúde, educação, administração pública, segurança e questões sociais. A cobertura disponível não apresenta saneamento como um eixo relevante. 

Na Bahia, ACM Neto, Jerônimo Rodrigues e Ronaldo Mansur participaram do debate, mas a documentação analisada não permitiu identificar uma discussão estruturada sobre Embasa, perdas, tarifas, universalização ou concessões. 

Em Goiás, também houve debate entre candidatos, mas não foi localizada discussão técnica relevante sobre Saneago ou universalização. 

No Rio Grande do Norte, o debate reuniu quatro candidaturas, porém a cobertura disponível não apontou CAERN, abastecimento ou esgotamento como assuntos centrais. 

No Distrito Federal, saúde e segurança apareceram entre os principais assuntos previstos e discutidos, sem que Caesb ou saneamento ganhassem destaque equivalente nas fontes consultadas. 

Portanto, o saneamento nas eleições 2026 também pode ser analisado pelas ausências.

Como transformar promessa eleitoral em projeto de saneamento

Independentemente do modelo escolhido pelo governo eleito, a implantação de uma política séria de saneamento passa, normalmente, por algumas etapas fundamentais.

Primeiro, precisa existir um diagnóstico confiável. É necessário saber quantos habitantes realmente são atendidos, quantos imóveis possuem ligação, onde estão as redes, qual é a condição dos ativos, quais áreas sofrem intermitência e onde estão as maiores perdas.

Depois, deve ser produzido o planejamento.

Isso envolve projeção populacional, balanço hídrico, modelagem hidráulica, projetos de engenharia, licenciamento ambiental, desapropriações, definição do CAPEX e planejamento do OPEX.

Em seguida, precisam ser assegurados financiamento e contratação.

Finalmente, entram execução, fiscalização, operação e monitoramento de metas.

A etapa mais longa, porém, começa depois que a obra termina: operar corretamente durante décadas.

É justamente nessa fase que os profissionais do saneamento assumem papel decisivo.

As ferramentas que transformam metas em operação

Companhias modernas utilizam um conjunto crescente de tecnologias para transformar quilômetros de redes e milhares de equipamentos em sistemas controláveis.

Uma das principais ferramentas é o SCADA, sistema que recebe informações de sensores e permite supervisionar bombas, reservatórios, pressões, vazões e outras variáveis em tempo real.

A Cagepa inaugurou em 2026 um Centro de Controle Operacional e automação para a Grande João Pessoa com investimento de aproximadamente R$ 28 milhões. O sistema integra sensores, controladores lógicos programáveis, SCADA e Internet das Coisas. Segundo a companhia, a automação pode contribuir para redução do consumo de energia nas estações de bombeamento e melhoria do controle de perdas. 

Outra ferramenta essencial é o GIS ou SIG, Sistema de Informação Geográfica.

Ele transforma redes, válvulas, hidrantes, elevatórias, adutoras, ramais e clientes em ativos georreferenciados.

Nos documentos da parceria da Cagece, por exemplo, estão previstos Centros de Controle Operacional, automação e Sistema de Gerenciamento de Informações Georreferenciadas. 

A Sanepar também informa utilização de SCADA e telemetria combinados com algoritmos de inteligência artificial para identificação de anomalias e direcionamento de ações operacionais. 

Já a Sabesp utiliza Centros de Controle Operacional para monitoramento 24 horas de sistemas de abastecimento e também apresenta iniciativas digitais como o Integra 4.0 dentro de sua estratégia operacional. 

Porém, nenhuma dessas tecnologias opera sozinha.

Um alarme só produz valor quando alguém entende o processo, interpreta o comportamento hidráulico, identifica a causa provável e toma a decisão correta.

O profissional de saneamento continua sendo a principal inteligência do sistema

O avanço do saneamento nas eleições 2026 mostra que tecnologia, concessões e bilhões em investimentos ganharam espaço no debate público.

Ainda assim, existe um elemento frequentemente esquecido no discurso político: pessoas.

Uma ETA não funciona apenas porque foi construída. Uma ETE não atinge eficiência simplesmente porque recebeu equipamentos modernos. Um sistema SCADA não reduz perdas sozinho. Um hidrômetro inteligente não corrige cadastro automaticamente. Uma adutora não permanece disponível sem inspeção e manutenção.

Operadores, engenheiros, técnicos, químicos, eletromecânicos, laboratoristas, profissionais comerciais, equipes de manutenção, atendentes, especialistas em perdas e gestores são responsáveis por transformar infraestrutura em serviço público.

Além disso, são esses profissionais que acumulam conhecimento operacional construído durante anos.

Por isso, qualquer proposta consistente para o setor deveria incluir formação, retenção de conhecimento, segurança do trabalho, capacitação tecnológica e fortalecimento das equipes.

O que ainda faltou nos debates

Apesar dos avanços observados, muitos temas fundamentais ficaram praticamente ausentes.

Perdas de água receberam pouca atenção.

Micromedição e teleleitura também.

Quase não houve aprofundamento sobre tarifa social, eficiência energética, reúso, gestão de lodo, manutenção preditiva, segurança cibernética, gestão de ativos, ligações factíveis de esgoto, inadimplência ou qualificação profissional.

Drenagem urbana apareceu de maneira mais indireta, principalmente quando enchentes e resiliência climática foram discutidas.

Resíduos sólidos, por sua vez, tiveram presença ainda menor.

Portanto, o saneamento nas eleições 2026 avançou, mas ainda existe distância entre o discurso político e a complexidade enfrentada diariamente dentro das companhias.

Saneamento nas eleições 2026 precisa ser medido por resultados

A discussão sobre modelo público ou privado deverá continuar durante toda a campanha. Contudo, para uma avaliação técnica, o modelo jurídico não pode ser o único parâmetro.

Companhias públicas podem apresentar eficiência elevada ou problemas graves. Concessionárias privadas também podem apresentar bom desempenho ou dificuldades.

Consequentemente, o que realmente precisa ser acompanhado são indicadores.

Entre eles estão continuidade do abastecimento, qualidade da água, cobertura, atendimento, tratamento de esgoto, perdas, eficiência energética, reclamações, tempo de atendimento, tarifa, investimentos realizados e cumprimento das metas contratuais.

Além disso, contratos precisam possuir regulação robusta, fiscalização independente e dados confiáveis.

A tecnologia pode ajudar enormemente nesse processo.

Entretanto, novamente, os profissionais do saneamento permanecem no centro da execução.

O saneamento nas eleições 2026 começa, portanto, a ocupar espaço político compatível com sua importância para saúde pública, desenvolvimento econômico e qualidade de vida. O próximo avanço necessário é fazer com que os debates deixem de discutir apenas bilhões, obras e modelos societários e passem a responder perguntas mais difíceis: quanto será efetivamente entregue, em quanto tempo, com qual indicador, com qual tarifa, com qual nível de qualidade e com quais profissionais responsáveis por manter o sistema funcionando depois que as câmeras forem desligadas.

Fontes