Iguá Sergipe supera 18 mil ligações com Projeto Se Liga

Mais de 18 mil novas ligações de água desde março de 2026. Esse é um dos resultados mais recentes do Projeto Se Liga, iniciativa da Iguá Sergipe que está levando equipes diretamente aos bairros e comunidades para identificar imóveis ainda não integrados corretamente à rede pública.

A dimensão do programa, entretanto, vai muito além do número anunciado em agosto.

A estratégia faz parte de uma operação que pretende regularizar 250 mil ligações e, simultaneamente, ampliar o atendimento, reduzir irregularidades e melhorar o controle sobre a água distribuída em Sergipe. A iniciativa também coloca em evidência uma atividade frequentemente menos visível ao público: o trabalho realizado diariamente por técnicos, agentes comerciais, encanadores, fiscais, equipes de cadastro, atendimento, planejamento e profissionais de operação. 

Nesse sentido, o Projeto Se Liga representa uma importante lição para o setor: construir redes é fundamental, porém transformar infraestrutura disponível em atendimento efetivo exige profissionais preparados para chegar até cada imóvel.


18 mil ligações mostram a importância da busca ativa

Segundo informações divulgadas pela Iguá Sergipe em 7 de agosto de 2026, a intensificação das atividades do Projeto Se Liga, iniciada em março, já havia resultado em mais de 18 mil novas ligações.

A atuação recente alcançou moradores de 16 municípios citados pela concessionária:

  • Aracaju;
  • Barra dos Coqueiros;
  • Nossa Senhora do Socorro;
  • Amparo do São Francisco;
  • Aquidabã;
  • Campo do Brito;
  • Canindé do São Francisco;
  • Carira;
  • Gararu;
  • Itabaiana;
  • Lagarto;
  • Monte Alegre;
  • Nossa Senhora da Glória;
  • Nossa Senhora das Dores;
  • Propriá;
  • Poço Redondo.

Nas localidades atendidas, as equipes percorrem bairros e comunidades, realizam visitas técnicas e identificam imóveis que apresentam possibilidade de integração ao sistema público. Além disso, existe um componente de orientação aos moradores, inclusive sobre regularização e programas sociais, como a Tarifa Social. 

Portanto, não se trata simplesmente de aguardar que o consumidor solicite uma ligação.

O modelo incorpora busca ativa, algo particularmente relevante para companhias que precisam transformar cobertura física de rede em atendimento efetivamente prestado.


Ter rede na rua não significa ter população atendida

Esse ponto merece atenção especial dos profissionais do saneamento.

Uma tubulação instalada diante de uma residência não significa, automaticamente, que aquele imóvel esteja devidamente conectado, cadastrado, medido e faturado.

Consequentemente, existe diferença entre disponibilidade da infraestrutura e utilização efetiva do serviço.

Para que uma nova ligação entre em operação adequadamente, diferentes etapas podem ser necessárias, como identificação do imóvel, análise da disponibilidade da rede, vistoria, execução do ramal, instalação do padrão, implantação ou regularização da medição, atualização cadastral e orientação do usuário.

É justamente nessa última milha que o Projeto Se Liga ganha importância.

O resultado depende da integração entre diversas áreas. Assim, engenheiros e operadores garantem as condições hidráulicas; profissionais comerciais trabalham cadastro e relacionamento; equipes de campo identificam irregularidades e oportunidades de conexão; profissionais sociais orientam famílias; enquanto planejamento, tecnologia e controle transformam as informações coletadas em decisões.

É um trabalho coletivo.


Projeto Se Liga também está relacionado às perdas de água

Outro aspecto estratégico aparece nos documentos corporativos da concessionária.

No relatório referente ao primeiro trimestre de 2026, a Iguá informou que o Projeto Se Liga continuava executando serviços voltados tanto à regularização de ligações irregulares quanto à implantação de novas ligações de água.

Segundo o documento, essas ações contribuíam para ampliar o índice de atendimento e reduzir perdas em 72 sedes municipais de Sergipe

Esse detalhe muda significativamente a leitura do programa.

A iniciativa não deve ser interpretada apenas como expansão da carteira comercial. Ela também está ligada à eficiência operacional.

Uma ligação irregular pode provocar problemas como consumo não contabilizado, dificuldade de controle cadastral, distorções nos balanços de água e redução da confiabilidade das informações utilizadas pela companhia.

Além disso, quando volumes produzidos e distribuídos não aparecem corretamente na medição dos consumidores, aumenta a dificuldade de compreender onde estão as perdas do sistema.

Por isso, a regularização comercial pode funcionar como uma importante ferramenta de gestão de perdas aparentes.


De 50% para 25%: Sergipe tem uma meta desafiadora para perdas

O desafio torna-se ainda mais relevante quando são observadas as metas da concessão.

O Manual do Cliente da Iguá Sergipe aprovado pela Agrese informa uma meta de redução das perdas de água de aproximadamente 50% para 25% em oito anos

Essa redução não depende de uma única solução.

Certamente será necessário combater vazamentos, melhorar redes, controlar pressões, modernizar sistemas, ampliar setorização e aperfeiçoar a gestão operacional. Entretanto, as perdas aparentes também precisam entrar na estratégia.

É justamente nesse componente que atividades de regularização cadastral, combate às ligações clandestinas, melhoria da medição e identificação de usuários assumem papel relevante.

Consequentemente, programas como o Projeto Se Liga podem contribuir para que o volume de água distribuído seja cada vez melhor conhecido.

Para gestores de saneamento, existe uma lição importante: combater perdas não é responsabilidade exclusiva da operação. Comercial, cadastro, medição, fiscalização e atendimento também fazem parte da solução.


Meta é regularizar 250 mil ligações

O tamanho potencial da iniciativa fica mais evidente quando analisado o planejamento divulgado pela Iguá.

Em abril de 2026, a concessionária informou que o Projeto Se Liga deverá ser responsável pela regularização de 250 mil ligações. A empresa relacionou explicitamente essa iniciativa ao fortalecimento do abastecimento e ao combate ao furto de água. 

Portanto, as mais de 18 mil novas ligações divulgadas em agosto representam um avanço expressivo, porém fazem parte de uma frente operacional muito maior.

Também é importante diferenciar os indicadores.

As 18 mil ligações anunciadas em agosto referem-se a novas ligações realizadas desde março, segundo a comunicação da empresa. Já a meta de 250 mil ligações divulgada anteriormente está relacionada a regularizações planejadas pelo projeto. Dessa forma, os números não devem ser tratados como se representassem exatamente o mesmo indicador. 

Essa distinção é essencial em qualquer análise técnica.


Regularização pode melhorar também a eficiência comercial

Quando uma ligação é corretamente incorporada à base comercial, surgem impactos que vão além do atendimento ao cidadão.

Primeiramente, melhora-se a qualidade cadastral. Em seguida, aumenta-se a capacidade de medir corretamente o consumo. Além disso, torna-se possível associar o volume consumido a uma unidade usuária conhecida.

Consequentemente, podem surgir benefícios em diferentes indicadores:

Melhor cadastro: imóveis anteriormente desconhecidos ou inadequadamente cadastrados passam a integrar corretamente a base.

Maior cobertura de medição: ligações regularizadas podem ter sua medição estruturada de acordo com as regras da concessionária.

Melhor balanço hídrico: volumes que anteriormente poderiam aparecer como consumo não autorizado passam a ser conhecidos.

Maior previsibilidade da demanda: conhecer melhor quantos usuários realmente utilizam determinada rede ajuda no planejamento operacional.

Fortalecimento da receita: consumo efetivamente prestado e corretamente medido pode ser convertido em faturamento legítimo.

Portanto, o Projeto Se Liga mostra como gestão comercial e operação hidráulica estão cada vez mais conectadas.


Tarifa Social ajuda a tornar a regularização sustentável

Existe ainda outra variável fundamental: a capacidade de pagamento.

A própria estratégia de campo inclui orientação sobre programas sociais disponíveis. Isso é importante porque ampliar formalmente o acesso ao saneamento sem considerar a realidade econômica das famílias pode criar novos problemas, como inadimplência ou retorno à informalidade.

Em abril de 2026, a Iguá informou que a Tarifa Social já atendia mais de 100 mil famílias em Sergipe e que a ampliação projetada deveria alcançar mais de 15% da população do estado, com descontos de até 50% na conta de água. 

Assim, regularização, inclusão tarifária e atualização cadastral precisam caminhar juntas.

Para as áreas comerciais das companhias de saneamento, esse modelo reforça a necessidade de utilizar inteligência de dados para identificar simultaneamente imóveis não conectados e famílias potencialmente elegíveis às tarifas sociais.


Projeto Se Liga faz parte de uma transformação maior em Sergipe

O programa também precisa ser compreendido dentro do novo modelo do saneamento sergipano.

A Iguá iniciou a operação plena no estado em 1º de maio de 2025. A concessão tem duração de 35 anos e abrange distribuição de água e coleta e tratamento de esgoto em 74 dos 75 municípios de Sergipe

O modelo mantém uma divisão relevante de responsabilidades.

De acordo com o Manual do Cliente aprovado pela Agrese, a Deso permanece responsável pela captação e tratamento da água na maior parte da área, enquanto a água tratada é repassada à Iguá para distribuição. Em Carmópolis, Estância e São Cristóvão, a concessionária possui gestão integral, incluindo captação e tratamento. 

A Agrese, por sua vez, exerce o papel de regulação e fiscalização dos serviços. 

Portanto, existe uma cadeia institucional que exige integração entre produção, distribuição, operação comercial e regulação.


Cobertura de água deverá chegar a 99% até 2033

O contrato traz metas ambiciosas.

Conforme informações oficiais utilizadas pela Agrese, a concessão pretende elevar a cobertura de água tratada de aproximadamente 90% para 99% até 2033.

No esgotamento sanitário, a meta apresentada é elevar a coleta de cerca de 35% para 90% no mesmo horizonte. Além disso, como mencionado anteriormente, as perdas deverão cair de aproximadamente 50% para 25%. 

Esses números ajudam a compreender por que novas ligações e regularizações são estratégicas.

Universalização não significa somente construir centenas de quilômetros de redes.

Significa garantir que a infraestrutura chegue até a população e que os imóveis sejam efetivamente conectados.


R$ 6,3 bilhões em investimentos e R$ 500 milhões em 2026

A dimensão financeira também é significativa.

A concessão prevê aproximadamente R$ 6,3 bilhões em investimentos durante os 35 anos, além de R$ 4,5 bilhões referentes à outorga. 

Somente para 2026, foram anunciados aproximadamente R$ 500 milhões em investimentos, incluindo:

  • 103 novos sistemas de bombeamento;
  • 50 novos reservatórios;
  • mais de 57 quilômetros de novas adutoras;
  • 426 quilômetros de ampliação das redes de água e esgoto.

Segundo a empresa, essas intervenções deverão beneficiar mais de 910 mil pessoas. 

Esse contexto mostra que o Projeto Se Liga funciona paralelamente à ampliação física da infraestrutura.

De um lado, são construídas redes, reservatórios e adutoras. Do outro, equipes precisam transformar essa infraestrutura em atendimento real.


O profissional de saneamento é quem transforma rede em serviço

Grandes números de investimentos costumam ganhar as manchetes. Entretanto, existe uma etapa decisiva que acontece longe dos anúncios.

É o profissional que entra em cada rua.

É a equipe que identifica um imóvel ainda sem ligação adequada. É quem verifica a rede disponível, analisa o cadastro, conversa com o morador, executa o ramal, instala o padrão, orienta sobre a utilização correta e alimenta os sistemas comerciais.

Além disso, existem profissionais trabalhando em planejamento, hidráulica, cadastro técnico, geoprocessamento, atendimento, faturamento, medição, controle de perdas, fiscalização, assistência social, segurança do trabalho e regulação.

Sem essas pessoas, quilômetros de tubulação podem permanecer apenas como infraestrutura disponível.

Com profissionais preparados e processos bem estruturados, a rede passa a representar água efetivamente chegando ao usuário.

Esse talvez seja um dos aspectos mais importantes revelados pelo Projeto Se Liga.


O que outras companhias podem aprender com o Projeto Se Liga

A experiência em Sergipe apresenta algumas práticas que podem ser observadas por gestores de outras empresas de saneamento.

A primeira delas é a importância da busca ativa de clientes não conectados. Esperar exclusivamente pela solicitação do consumidor pode retardar a utilização de redes já disponíveis.

A segunda é integrar expansão de atendimento e redução de perdas. Quando ligação, cadastro e medição são tratados conjuntamente, os benefícios podem alcançar tanto o usuário quanto a eficiência da companhia.

A terceira é aproximar equipes comerciais e operacionais. O atendimento começa no território e precisa continuar dentro dos sistemas corporativos.

Além disso, programas de tarifa social devem acompanhar a regularização. Dessa maneira, a formalização do serviço torna-se mais sustentável para famílias vulneráveis.

Finalmente, os indicadores precisam ser acompanhados cuidadosamente. Quantidade de ligações executadas, economias ativas, cobertura, hidrometração, volumes faturados, perdas aparentes e adesão à Tarifa Social podem oferecer uma visão muito mais completa sobre os resultados.


Da universalização da infraestrutura à universalização do atendimento

O avanço do Projeto Se Liga evidencia uma mudança importante na forma de enxergar a universalização.

Durante muitos anos, grande parte da discussão do saneamento ficou concentrada na expansão física das redes. Entretanto, os próximos avanços do setor exigirão atenção crescente à chamada última milha.

A rede precisa existir.

Mas também precisa haver ligação.

A ligação precisa estar cadastrada.

O consumo precisa ser medido.

O usuário precisa receber atendimento.

E famílias vulneráveis precisam ter mecanismos que permitam sua permanência sustentável no sistema.

As mais de 18 mil novas ligações realizadas desde março de 2026 mostram que essa etapa pode ganhar escala quando existe atuação organizada em campo. Ao mesmo tempo, a meta de regularizar 250 mil ligações demonstra o tamanho do desafio que ainda existe em Sergipe. 

Por trás desses números estão milhares de horas de trabalho de profissionais do saneamento.

São essas equipes que transformam tubulações, hidrômetros, cadastros e sistemas em algo muito mais importante: serviço público efetivamente entregue à população.


Fontes