Profissionais de saneamento: 30 vozes que movem o setor

O saneamento brasileiro acaba de ganhar uma fotografia pouco comum de quem efetivamente influencia suas discussões. O estudo PULSO 2026/2027 – Influência Digital e Liderança, desenvolvido pela DECK e pela Nexus, selecionou 30 perfis na categoria Água e Saneamento. Porém, a descoberta mais interessante não está apenas nos nomes escolhidos.

A análise mostra que a influência dos profissionais de saneamento está muito mais relacionada à autoridade técnica, à reputação e à capacidade de interferir no debate setorial do que ao simples número de seguidores. Ao mesmo tempo, os próprios dados revelam uma oportunidade: o setor possui elevada autoridade, mas ainda apresenta espaço considerável para ampliar produção de conteúdo, engajamento e presença digital.

Além disso, a relação é muito mais plural do que uma seleção de executivos de concessionárias privadas. Entre os reconhecidos aparecem dirigentes de grandes empresas, gestores públicos, reguladores, pesquisadores, engenheiros, especialistas, comunicadores, profissionais ligados à sustentabilidade e até uma iniciativa coletiva de conscientização.

São 29 pessoas e uma entidade, o movimento Saneamento Salva.

O PULSO não é um ranking de popularidade

Um ponto precisa ser esclarecido desde o início. Embora os 30 nomes sejam frequentemente apresentados nas redes sociais como um “ranking”, o próprio PULSO afirma expressamente que não existe classificação de primeiro a trigésimo colocado.

Os nomes aparecem em ordem alfabética. A justificativa é que influência resulta de diferentes fatores e não pode ser resumida adequadamente em uma única posição numérica. Um especialista com audiência pequena, por exemplo, pode interferir muito mais em decisões regulatórias ou empresariais do que alguém com centenas de milhares de seguidores. 

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Essa abordagem é particularmente relevante para os profissionais de saneamento, porque grande parte das decisões do setor ocorre em ambientes altamente especializados: reuniões regulatórias, associações, conselhos, universidades, eventos técnicos, empresas, agências, grupos de trabalho e ambientes institucionais.

Portanto, visibilidade e influência não são necessariamente a mesma coisa.

Como os profissionais de saneamento foram escolhidos

O PULSO analisou mais de 2 mil perfis até chegar a 630 nomes distribuídos em 21 setores da economia, com 30 selecionados por categoria. A pesquisa avaliou indicadores digitais, utilizou diferentes modelos de inteligência artificial e adicionou posteriormente análise e validação humana. 

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A metodologia considerou seis dimensões principais: afinidade, influência, reputação, conteúdo, engajamento e volume.

Primeiro, foram observados fatores como alcance, frequência de publicação, regularidade, engajamento, comportamento das audiências e consistência temática. Depois, diferentes modelos de IA ajudaram a identificar nomes recorrentes e relevantes. Finalmente, uma equipe realizou a curadoria considerando histórico profissional, reputação, aderência e capacidade efetiva de influência. 

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A base intermediária chegou a reunir entre 50 e 100 nomes por segmento antes da seleção dos 30. Portanto, aparecer entre os profissionais de saneamento escolhidos significa ter superado uma análise que buscou ir além das métricas tradicionais das redes sociais.

Quem são os 30 nomes de Água e Saneamento

A seleção oficial reúne os seguintes profissionais e iniciativas:

  1. Alexandre Thiollier — CEO da BRK Ambiental. O estudo destaca concessões, investimento privado, ESG e universalização.
  2. Aline Matulja — engenheira ambiental, com atuação em clima, justiça socioambiental, tecnologias sociais e direito à água.
  3. Ana Carolina Argolo Lucarini — gestora pública ligada à ANA, com destaque para regulação, governança hídrica e segurança jurídica.
  4. Ana Rizzo — especialista em comunicação aplicada ao saneamento e infraestrutura, reputação, concessões e ESG.
  5. Anna Luísa Beserra — fundadora da SDW, reconhecida por inovação social e tecnologias voltadas ao tratamento e acesso à água.
  6. Anselmo Leal — presidente da Águas do Rio, associado a infraestrutura, eficiência operacional e universalização.
  7. Benedito Braga — referência brasileira e internacional em recursos hídricos, governança da água e segurança hídrica.
  8. Carlos J. T. Berenhauser — CEO da Enops Engenharia, com forte atuação em redução de perdas, engenharia hidráulica e eficiência operacional. 
  9. Carlos Piani — presidente da Sabesp, reconhecido por gestão empresarial, investimentos e resultados.
  10. Christianne Dias Ferreira — presidente da ABCON SINDCON e ex-diretora da ANA, com atuação em regulação, investimentos e concessões.
  11. Débora Pierini Longo — diretora de Operações da Sabesp, ligada a redução de perdas, eficiência e gestão operacional.
  12. Édison Carlos — presidente do Instituto Aegea e uma das vozes históricas do debate sobre universalização do saneamento.
  13. Fabricio Soler — especialista jurídico em direito ambiental, resíduos sólidos, economia circular e regulação.
  14. Jerson Kelman — primeiro diretor-presidente da ANA e uma das principais referências brasileiras em hidrologia e regulação.
  15. Juliana Alencar — pesquisadora de infraestrutura verde, drenagem sustentável e soluções baseadas na natureza.
  16. Juliana Sabbatini — especialista em marketing B2B e comunicação voltada aos mercados de água, saneamento e efluentes. 
  17. Luana Siewert Pretto — presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, com forte presença na divulgação de dados e indicadores de saneamento.
  18. Marcel Sanches — executivo da Sabesp e ex-presidente nacional da ABES, associado a planejamento, inovação e universalização.
  19. Marília Carvalho de Melo — presidente da Copasa, engenheira e especialista em recursos hídricos.
  20. Pedro Leite — engenheiro e produtor de conteúdo técnico relacionado a instalações hidráulicas e capacitação profissional.
  21. Radamés Casseb — CEO da Aegea Saneamento, reconhecido por investimentos, universalização, infraestrutura e resposta a eventos climáticos.
  22. Renato Medicis — vice-presidente regional da Aegea, com atuação em tarifa social, inclusão e expansão do saneamento.
  23. René Silva — CEO da Iguá Saneamento, associado a concessões, governança, capital e posicionamento institucional. 
  24. Ricardo Hirata — professor da USP e uma das principais referências brasileiras em hidrogeologia e águas subterrâneas.
  25. Roberval Tavares — diretor da Sabesp e reconhecida liderança técnica e institucional do saneamento.
  26. Rovena Cabral — profissional da Cesan com atuação em estratégia, ESG, sustentabilidade e gestão.
  27. Saneamento Salva — movimento coletivo voltado à conscientização sobre saneamento, saúde pública e desenvolvimento.
  28. Verônica Sanchez — ex-presidente da ANA e especialista em regulação e governança hídrica.
  29. Vicente Perrone — presidente do DMAE de Porto Alegre, ligado aos temas de infraestrutura urbana, drenagem e proteção contra cheias.
  30. Wilson Bley — presidente da Sanepar, reconhecido por gestão pública, investimentos e universalização. 

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A relação demonstra como o conceito de profissionais de saneamento extrapola a operação tradicional de água e esgoto. Recursos hídricos, drenagem, clima, comunicação, direito, regulação, relacionamento institucional, perdas, infraestrutura e inovação também fazem parte desse ecossistema.

Empresas privadas têm presença forte, mas não dominam sozinhas

Uma leitura atualizada da lista mostra que dez profissionais estão diretamente vinculados à liderança de grandes operadoras privadas de saneamento: Alexandre Thiollier, Anselmo Leal, Carlos Piani, Débora Pierini Longo, Marcel Sanches, Marília Carvalho de Melo, Radamés Casseb, Renato Medicis, René Silva e Roberval Tavares.

Nesse grupo entram corretamente Sabesp e Copasa.

A Sabesp concluiu sua privatização em julho de 2024. Após a oferta de ações, a participação do Estado de São Paulo caiu para 18% do capital. A própria companhia caracteriza oficialmente 2024 como o ano de conclusão do processo de privatização. 

Já a Copasa concluiu sua oferta de desestatização em 16 de junho de 2026. A composição acionária divulgada posteriormente mostra Equatorial com 30%, fundos da Perfin com 20,11%, Estado de Minas Gerais com apenas 5,03%, ações em tesouraria com 0,28% e demais acionistas com 44,58%. Marília Carvalho de Melo permanece como diretora-presidente da companhia. 

Isso significa que, entre as 29 pessoas reconhecidas, aproximadamente 34,5% estão diretamente vinculadas a operadoras privadas.

Entretanto, reduzir o PULSO a esse grupo seria ignorar grande parte do que torna a seleção relevante.

Sanepar, Cesan e DMAE mostram a força do saneamento público

Os profissionais de saneamento ligados a operadores sob controle público também aparecem.

Wilson Bley representa a Sanepar. Embora grande parte do capital total da companhia esteja em circulação no mercado, o Estado do Paraná mantém 60,08% do capital votante, assegurando o controle. 

Rovena Cabral aparece ligada à Cesan, companhia cujo controlador continua sendo o Governo do Espírito Santo, com 99,8% das ações

Vicente Perrone representa outra configuração institucional: o DMAE de Porto Alegre é uma autarquia municipal, responsável por abastecimento de água, esgotamento sanitário e também por atribuições relacionadas ao sistema pluvial e drenagem da capital gaúcha. 

Portanto, o estudo reúne profissionais oriundos de modelos empresariais e institucionais distintos. Essa diversidade é valiosa porque o saneamento brasileiro também é diverso.

Regulação, ciência e conhecimento também exercem poder

Outro aspecto importante é a presença de nomes que não dependem de dirigir grandes concessionárias para exercer influência.

Jerson Kelman foi o primeiro diretor-presidente da ANA. Verônica Sanchez encerrou seu mandato à frente da agência em janeiro de 2026. Ana Carolina Argolo também integrou a diretoria e chegou a exercer interinamente a presidência da ANA no início de 2026. 

Ricardo Hirata representa a ciência. Professor titular do Instituto de Geociências da USP, construiu uma trajetória dedicada à hidrogeologia, gestão de recursos hídricos e águas subterrâneas. 

É justamente essa combinação que amplia o significado do reconhecimento dos profissionais de saneamento. O setor depende tanto de quem executa obras e opera sistemas quanto de quem produz conhecimento, regula serviços, estrutura investimentos, comunica resultados e desenvolve novas soluções.

Mais da metade dos selecionados são executivos

Uma leitura das classificações atribuídas pelo próprio PULSO produz outro dado relevante.

Dos 30 perfis da categoria, 16 estão classificados como executivos, o equivalente a 53,3% da seleção. Quando considerada somente a relação das 29 pessoas, excluindo a entidade Saneamento Salva, os executivos representam aproximadamente 55,2%.

Além deles, aparecem seis analistas ou consultores, três gestores públicos, dois criadores de conteúdo, uma especialista, um representante da academia e uma entidade.

Na amostra geral dos 21 setores, o relatório informa que os executivos correspondem a 43% dos perfis, enquanto especialistas representam 24,3%. Portanto, Água e Saneamento apresenta uma concentração de executivos ainda maior que a média do estudo. 

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Esse resultado ajuda a explicar por que a reputação pessoal das lideranças está se tornando cada vez mais estratégica para empresas e instituições.

O dado escondido nas notas do PULSO

Talvez o achado mais interessante apareça quando as seis notas individuais dos 30 perfis de Água e Saneamento são analisadas em conjunto.

Uma consolidação das pontuações apresentadas nas quatro páginas do relatório produz as seguintes médias, em uma escala de 1 a 5:

Afinidade: 4,93. Influência: 4,13. Reputação: 4,30. Conteúdo: 2,13. Engajamento: 1,90. Volume: 1,53.

Essas médias representam uma análise derivada das notas publicadas e não constituem um ranking criado pelos autores do PULSO. 

O contraste é expressivo.

Enquanto a afinidade média chega praticamente ao teto, produção de conteúdo, engajamento e volume ficam muito abaixo.

Nada menos que 28 dos 30 perfis receberam nota máxima em afinidade. Além disso, 13 alcançaram nota 5 em influência e 14 receberam nota máxima em reputação.

Por outro lado, somente dois perfis alcançaram nota 5 em conteúdo: Juliana Sabbatini e Wilson Bley. Na dimensão engajamento, nenhuma das 30 entradas ultrapassou nota 3. Em volume, apenas um perfil chegou a 3.

É uma radiografia particularmente importante para os profissionais de saneamento.

O saneamento tem autoridade, mas ainda comunica pouco

Os números indicam que existe enorme capital técnico e reputacional disponível no setor. Entretanto, uma parcela relevante desse conhecimento permanece pouco transformada em conteúdo recorrente.

O próprio PULSO identifica fenômeno semelhante na pesquisa geral: credibilidade aparece como ativo abundante, enquanto recorrência de publicação e interação com a audiência aparecem entre os recursos mais escassos. 

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Além disso, Água e Saneamento está entre os setores com médias de seguidores significativamente menores, ao lado de Telecomunicações, Indústria Química e Energia. 

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Isso não necessariamente representa fraqueza. Ao contrário, ajuda a mostrar que os profissionais de saneamento conseguem exercer influência mesmo em um ecossistema digital relativamente menor.

Porém, revela uma oportunidade gigantesca.

O técnico deixou de precisar ficar nos bastidores

Durante décadas, excelentes profissionais construíram carreiras no saneamento resolvendo problemas extremamente complexos sem necessariamente comunicar o conhecimento acumulado.

Redução de perdas, hidrometria, eficiência energética, faturamento, tratamento de esgoto, segurança hídrica, relacionamento com clientes, modelagem hidráulica, regulação, gestão de contratos, automação e operação são assuntos com enorme densidade técnica.

Agora, entretanto, reputação técnica e capacidade de comunicação começam a caminhar juntas.

O PULSO conclui que conteúdos educativos, análises aprofundadas, experiências de bastidores, resolução de problemas e conhecimento aplicável possuem crescente poder de engajamento qualificado. A divulgação oficial também aponta a consolidação do chamado executive advocacy, no qual lideranças passam a funcionar como vozes relevantes das próprias organizações. 

Para os profissionais de saneamento, isso representa mudança significativa. Um bom engenheiro, operador, químico, técnico, analista comercial, regulador ou gestor não precisa transformar-se em celebridade. Porém, conhecimento útil, quando compartilhado com qualidade e responsabilidade, pode ampliar a influência de toda uma carreira.

Valorizar profissionais também fortalece as companhias

Existe ainda uma consequência institucional.

Quando profissionais de saneamento explicam por que determinada obra é necessária, como uma estação funciona, quanto custa reduzir perdas, por que um sistema precisa de manutenção ou como uma decisão regulatória afeta o serviço, o setor deixa de falar apenas por meio de marcas.

Pessoas passam a traduzir organizações.

Isso ajuda a humanizar empresas que frequentemente são percebidas pela população apenas através da conta de água, da falta de abastecimento, do vazamento na rua, da obra aberta ou do atendimento recebido.

Por isso, valorizar especialistas não é somente reconhecer carreiras. Também significa construir confiança, preservar conhecimento, fortalecer reputações institucionais e aproximar o saneamento da sociedade.

Uma nova geração de referência pode estar sendo formada

O PULSO 2026/2027 mostra nomes já consolidados, mas deixa uma mensagem ainda mais relevante para milhares de profissionais de saneamento que não aparecem na relação.

Influência técnica pode ser construída.

Ela nasce de experiência, conhecimento, consistência, credibilidade e capacidade de contribuir para discussões relevantes. Portanto, um profissional que compartilha aprendizados reais sobre operação, comercial, manutenção, regulação, engenharia, inovação ou relacionamento com clientes pode gradualmente tornar-se referência.

O saneamento possui profissionais altamente especializados espalhados por companhias estaduais, concessionárias privadas, serviços municipais, agências reguladoras, universidades, empresas de engenharia, fornecedores e consultorias.

Grande parte desse conhecimento ainda não ganhou visibilidade proporcional à sua importância.

O reconhecimento dos 30 nomes do PULSO, portanto, vale menos como uma disputa sobre quem influencia mais e mais como um sinal de transformação: o conhecimento técnico do saneamento está começando a ocupar um espaço maior no debate público e profissional.

Para um setor responsável diretamente por saúde, desenvolvimento urbano, recursos hídricos, meio ambiente e qualidade de vida, essa valorização dos profissionais de saneamento merece ser celebrada — e ampliada.

Fontes

PULSO 2026/2027 – Influência Digital e Liderança, DECK + Nexus, relatório completo utilizado para identificação dos 30 perfis, metodologia e notas. 

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Nexus / FSB Holding — divulgação oficial e metodologia do PULSO 2026/2027: Acessar a fonte⁠

Sabesp — histórico e conclusão da privatização: Acessar a fonte⁠

Copasa — histórico da desestatização: Acessar a fonte⁠

Copasa — composição acionária após a operação: Acessar a fonte⁠

Sanepar — composição acionária: Acessar a fonte⁠

Cesan — estrutura e controle societário: Acessar a fonte⁠

DMAE Porto Alegre — estrutura institucional: Acessar a fonte⁠

ANA — informações sobre a Diretoria e trajetória institucional: Acessar a fonte⁠

USP — trajetória acadêmica de Ricardo Hirata: Acessar a fonte⁠