Uma tubulação de PVC sem fio-guia, enterrada há décadas e com cadastro impreciso, pode transformar um serviço simples em rompimento de rede, retrabalho, recomposição de pavimento e horas de desabastecimento. É exatamente nesse tipo de situação que o georradar no saneamento pode mudar a forma de planejar e executar intervenções.
A tecnologia, conhecida internacionalmente como Ground Penetrating Radar — GPR, envia ondas eletromagnéticas ao subsolo e analisa as reflexões produzidas pelas diferenças entre os materiais encontrados. Dessa forma, pode revelar tubulações, cabos, estruturas, vazios e outras anomalias sem a necessidade de abrir previamente o pavimento. A Federal Highway Administration dos Estados Unidos destaca que o GPR é aplicável à localização e ao mapeamento de utilidades subterrâneas e pode detectar, em condições adequadas, tubulações metálicas, PVC e concreto.
Para uma companhia de saneamento, entretanto, comprar um georradar não significa simplesmente colocar o equipamento em um veículo e enviá-lo para a rua.
O verdadeiro ganho aparece quando o GPR é integrado ao cadastro técnico, GIS, topografia, localização eletromagnética, sondagens de confirmação e procedimentos de obra.
E há uma segunda questão igualmente importante: qual equipamento escolher? IDS GeoRadar, GSSI, Leica Geosystems, MALÅ e Radiodetection estão entre os fabricantes que merecem entrar em uma análise técnica de aquisição, mas cada solução atende melhor a um tipo de operação.
O que é georradar e o que ele realmente enxerga
O georradar transmite energia eletromagnética para o solo. Quando essa energia encontra materiais com características elétricas diferentes, parte do sinal retorna para a antena.
Uma tubulação atravessada perpendicularmente pelo equipamento normalmente produz no radargrama uma assinatura parecida com uma hipérbole. Vários cruzamentos sucessivos permitem associar esses pontos e estimar o traçado da rede.
Esse princípio explica uma vantagem decisiva do georradar no saneamento: diferentemente de localizadores eletromagnéticos tradicionais, o GPR não depende necessariamente de o alvo ser metálico ou possuir um fio-guia.
A FHWA classifica a resposta típica do GPR como forte para metal, de média a forte para PVC e concreto, embora ressalte que o desempenho seja altamente dependente das condições locais.
Isso interessa especialmente às companhias brasileiras, que possuem grandes extensões de redes em PVC, PEAD, fibrocimento e concreto.
Mas existe uma limitação fundamental.
O GPR não “enxerga” o subsolo como uma câmera.
Ele registra reflexões eletromagnéticas que precisam ser interpretadas.
Uma hipérbole pode representar uma tubulação, um cabo, uma pedra, uma estrutura enterrada ou outra descontinuidade. Por isso, uma única passagem raramente deveria ser tratada como prova definitiva da existência de uma rede.
A experiência do operador continua sendo parte da tecnologia.
Profundidade não é o único critério de compra
Um erro recorrente em especificações de georradar é comparar equipamentos apenas pela profundidade anunciada pelo fabricante.
A física trabalha contra essa simplificação.
Antenas de frequência mais baixa normalmente penetram mais profundamente, porém entregam menor resolução. Frequências mais altas produzem imagens mais detalhadas, mas com menor alcance. Soluções multifrequência e multicanal procuram reduzir esse compromisso.
Além disso, argilas, solos muito úmidos e ambientes eletricamente condutivos podem atenuar fortemente o sinal.
Consequentemente, um equipamento divulgado comercialmente como capaz de alcançar vários metros pode ter desempenho significativamente inferior em determinada condição de campo.
Para uma companhia de saneamento, portanto, a pergunta correta não deveria ser:
“Qual georradar alcança maior profundidade?”
Deveria ser:
“Qual configuração consegue localizar com confiabilidade os ativos que predominam na nossa rede, nos nossos solos e nas profundidades em que normalmente trabalhamos?”
Essa mudança de pergunta evita compras tecnicamente inadequadas.
Guia rápido: como usar o georradar em uma companhia
Uma operação madura de georradar no saneamento pode ser organizada em nove etapas.
1. Começar pelo cadastro, não pelo radar. Antes da ida ao campo, devem ser carregados os mapas existentes, GIS, projetos, as built, profundidades conhecidas, materiais, diâmetros, registros, poços de visita e informações das demais concessionárias.
2. Definir claramente a pergunta de campo. O objetivo pode ser localizar uma rede antes de um reparo, mapear interferências para HDD, confirmar um ramal, atualizar o cadastro, identificar uma tubulação abandonada ou investigar uma área inteira. Cada objetivo exige densidade de levantamento diferente.
3. Fazer reconhecimento visual. Registros, tampões, caixas, hidrômetros, PVs, bocas de lobo e marcas anteriores oferecem pistas valiosas sobre alinhamentos.
4. Utilizar métodos complementares. Tubulações metálicas ou com cabo-guia podem ser rastreadas com localizadores eletromagnéticos. Redes acessíveis podem receber sondas. O georradar entra como mais uma camada de evidência.
5. Realizar passagens transversais. Para encontrar uma tubulação, o levantamento deve cruzar seu provável alinhamento. Em investigações detalhadas, linhas em duas direções ajudam a reduzir ambiguidades. A FHWA recomenda levantamentos sistemáticos e observa que grades mais fechadas aumentam a resolução do levantamento.
6. Calibrar profundidade e propriedades do terreno. Profundidade calculada pelo radar depende da velocidade de propagação da onda no solo. Quando existe uma tubulação conhecida ou uma sondagem disponível, ela pode funcionar como referência para melhorar a interpretação.
7. Procurar continuidade, não uma única hipérbole. Uma rede real tende a aparecer sucessivamente em vários perfis. A combinação dos pontos fornece direção, profundidade aproximada e maior confiança.
8. Georreferenciar o resultado. GNSS, RTK ou topografia permitem transformar a descoberta de campo em ativo corporativo. Caso contrário, a companhia resolve o problema daquela obra e perde a informação para a próxima equipe.
9. Confirmar pontos críticos antes de escavar. Onde o risco for alto — HDD, grandes adutoras, travessias, energia, gás ou escavações profundas — a investigação geofísica deve ser complementada por sondagem, exposição controlada ou outro método de confirmação.
O último item merece destaque: georradar reduz incerteza; ele não elimina incerteza.
O exemplo da Sabesp: GPR não trabalha sozinho
Um documento recente associado a obras da Sabesp na Vila Romana, em São Paulo, apresenta uma abordagem que resume bem essa filosofia.
Antes das intervenções, o procedimento prevê avaliação dos cadastros, levantamento de campo e uso de georradar operado por profissional especializado. O processo também inclui sondagens amostrais, inspeção de caixas e poços, localização eletromagnética para determinadas redes e confirmação por cavas quando necessário.
A lição é relevante.
A companhia não transforma o georradar em “oráculo” do subsolo. Ele faz parte de um sistema de redução de risco.
Isso se torna ainda mais importante em métodos não destrutivos, como a Perfuração Horizontal Direcional — HDD. Nesses casos, um erro de localização de algumas dezenas de centímetros pode gerar colisão com outra infraestrutura enterrada.
Sanepar: tecnologia para evitar rompimentos
A utilização do GPR por companhias brasileiras não é recente.
A Sanepar já apresentou aplicação do equipamento para determinar previamente o caminhamento de redes e ramais de água. O objetivo declarado era evitar rompimentos durante obras de esgoto, drenagem e intervenções de outras concessionárias, além de reduzir abertura desnecessária de valas.
Esse caso revela uma aplicação frequentemente subestimada.
O retorno de um georradar não precisa vir apenas de grandes projetos.
Um único rompimento evitado pode significar menos perda de água, menos horas de equipe, menos material, menos pavimentação, menos reclamações, menor risco de acidentes e menor impacto no abastecimento.
Copasa usa georradar para localizar redes
Em 2023, a Copasa divulgou a utilização de georradar na regional de Araxá.
Segundo a companhia, o equipamento passou a ser empregado para localizar tubulações de água ou esgoto sem perfuração prévia. A empresa relatou uso em Guarda dos Ferreiros para localização de redes durante mudanças de setorização e destacou a possibilidade de utilizar as informações para melhorar o cadastro georreferenciado e a programação das manutenções.
Há outro detalhe interessante: a Copasa mencionou a possibilidade de integrar a tecnologia com outras soluções utilizadas na investigação de perdas.
Isso ajuda a separar duas funções que frequentemente são confundidas.
Localizar a tubulação e localizar o vazamento não são necessariamente a mesma tarefa.
Georradar detecta vazamento?
Pode contribuir, mas o assunto exige cautela.
A literatura científica demonstra que alterações de umidade, vazios e modificações das propriedades dielétricas do solo provocadas por vazamentos podem alterar o sinal do GPR. Estudos recentes continuam avançando em técnicas de processamento para identificar essas assinaturas.
Entretanto, revisões técnicas ainda apontam limitações relacionadas a tipo de solo, diferenciação entre objetos enterrados e interpretação das anomalias.
Portanto, para uma companhia de saneamento, a estratégia mais prudente continua sendo combinar tecnologias.
O georradar pode localizar a tubulação e identificar anomalias de interesse. Geofones, correlacionadores, loggers acústicos, balanço hídrico, pressão, vazão e outros métodos podem complementar a investigação do vazamento.
Georradar não deveria simplesmente substituir o geofone.
Em muitos cenários, os dois respondem a perguntas diferentes.
CESAN já prevê mapeamento de interferências com georadar
Documentos técnicos da Cesan também demonstram a incorporação da tecnologia à rotina contratual.
Em prescrições técnicas de serviços, aparece um item específico de “mapeamento de interferências com utilização de georadar”, medido por extensão efetivamente executada.
Essa abordagem oferece uma lição interessante para outras empresas: nem toda companhia precisa começar comprando equipamentos.
Uma primeira fase pode contratar levantamentos especializados, acompanhar a produtividade, medir resultados e criar banco de dados. Depois, com demanda comprovada e equipe treinada, pode-se analisar a internalização do serviço.
Austrália mostra como transformar GPR em governança de dados
Um dos benchmarks internacionais mais úteis vem da Water Corporation, responsável por serviços de água no oeste da Austrália.
Seu Utility Locating Guideline estabelece classes de qualidade para localização de utilidades, procedimentos de campo, metadados, arquivos digitais e métodos de confirmação. O documento aceita GPR entre as técnicas de investigação e prevê inclusive o emprego de sistemas multicanais quando são necessárias informações adicionais em levantamentos de vias.
Mas o ponto mais importante está na hierarquia da informação.
Para a classe de maior confiabilidade destinada à construção, a companhia exige exposição da utilidade e medição direta. Ou seja: mesmo uma empresa que incorpora GPR à sua metodologia não transforma a profundidade calculada eletronicamente em verdade absoluta.
Essa é provavelmente uma das principais lições para empresas brasileiras.
O futuro não está apenas em mapear redes. Está em informar o grau de confiança daquele mapa.
Da marca de tinta ao GIS corporativo
Uma companhia que utiliza georradar apenas para pintar uma linha no asfalto aproveita somente parte do investimento.
O resultado deveria alimentar o cadastro técnico.
Idealmente, cada levantamento deveria registrar pelo menos coordenadas, profundidade estimada, material provável ou conhecido, diâmetro quando disponível, método utilizado, data da inspeção, operador, equipamento, grau de confiança e evidências de confirmação.
Esse conceito é coerente com padrões internacionais como ASCE 38-22 e ASCE 75-22, criados respectivamente para investigação/documentação de utilidades existentes e registro/intercâmbio de dados de infraestrutura. A ASCE enfatiza que pesquisa documental, geofísica e levantamento de campo devem trabalhar de forma integrada.
O Reino Unido segue lógica semelhante com a PAS 128:2022, que organiza procedimentos de detecção, verificação e localização de redes enterradas e reforça treinamento, pós-processamento e avaliação da precisão.
Para companhias que discutem GIS, BIM e gêmeos digitais, essa conexão é estratégica.
Sem melhorar a qualidade do dado subterrâneo, o chamado “digital twin” corre o risco de ser apenas uma representação sofisticada de um cadastro impreciso.
Quais são as melhores marcas de georradar?
Não existe uma única marca ideal para todas as companhias. A escolha depende do tipo de serviço, profundidade típica das redes, produtividade necessária, capacidade de processamento e maturidade da equipe.
Entre as soluções que merecem entrar em uma avaliação técnica estão:
• IDS GeoRadar / Hexagon — Stream DP e Stream UP
Indicado principalmente para levantamentos extensivos, mapeamento 3D de utilidades enterradas e operações que exigem alta produtividade de campo. O Stream DP trabalha com arquitetura multicanal e dupla polarização, permitindo maior densidade de informações e melhor reconstrução do subsolo. É uma solução que tende a fazer mais sentido para grandes companhias, corredores urbanos complexos, projetos de engenharia e levantamentos sistemáticos de redes.
• GSSI — UtilityScan DF e UtilityScan Pro
A GSSI é uma das marcas mais tradicionais do mercado de georradar. O UtilityScan DF combina duas frequências, permitindo analisar simultaneamente alvos mais rasos e mais profundos. Essa característica aumenta a versatilidade em áreas onde coexistem ramais, redes principais e diferentes tipos de interferências subterrâneas. Pode ser uma opção interessante para companhias que buscam equilíbrio entre desempenho, robustez e diversidade de aplicações.
• Leica Geosystems — DSX
O Leica DSX foi desenvolvido especificamente para detecção e mapeamento de utilidades subterrâneas. Um de seus principais diferenciais está na simplificação do fluxo de trabalho, desde a coleta em campo até a geração de mapas 2D e 3D. A integração com soluções de posicionamento e topografia também favorece a incorporação dos dados ao cadastro técnico e ao GIS da companhia.
• MALÅ / Guideline Geo — Easy Locator Core
A MALÅ possui forte tradição em geofísica aplicada e oferece soluções com foco em facilidade de operação. O Easy Locator Core aposta em interface intuitiva, recursos de interpretação assistida e integração com softwares de pós-processamento. Pode ser particularmente interessante para equipes que estão iniciando a utilização do georradar e precisam reduzir a curva de aprendizagem sem abrir mão de recursos técnicos relevantes.
• Radiodetection — LMX200
O LMX200 foi desenvolvido para localização de utilidades subterrâneas e pode complementar localizadores eletromagnéticos tradicionais. O equipamento é especialmente útil quando existem redes não metálicas, como PVC, fibrocimento, drenagem e determinadas tubulações de esgoto. Seu perfil favorece operações de campo voltadas à localização rápida antes de escavações, manutenções e intervenções em vias urbanas.
Essa relação deve ser entendida como shortlist técnica, e não como ranking absoluto.
Para uma grande companhia que pretende mapear quilômetros de vias e produzir modelos tridimensionais densos, sistemas multicanais como a linha Stream podem justificar o investimento.
Para uma regional que pretende localizar redes antes de manutenções e reduzir escavações exploratórias, um equipamento portátil e simples pode gerar resultado melhor.
E, para uma companhia que ainda não possui geofísicos ou técnicos treinados, facilidade de operação e suporte local podem pesar mais que uma especificação extremamente avançada.
O que deveria constar em uma especificação de compra
A aquisição deveria analisar muito mais do que antena e profundidade.
Devem entrar na avaliação a capacidade de detectar diferentes materiais, faixa ou arquitetura de frequências, polarização, produtividade de campo, GNSS/RTK, integração topográfica, exportação para CAD e GIS, acesso aos dados brutos, software de pós-processamento, autonomia, peso, proteção ambiental, disponibilidade de peças, calibração, treinamento, suporte técnico no Brasil e custo total de propriedade.
Há ainda um ponto regulatório que não deveria ser ignorado. Como equipamentos GPR utilizam emissões eletromagnéticas, a área responsável pela aquisição deve verificar com fabricante ou importador a conformidade do modelo ofertado às exigências brasileiras aplicáveis de radiofrequência, certificação e homologação. A Anatel é responsável pela regulamentação do uso do espectro e mantém os requisitos relativos à certificação de produtos de telecomunicações.
Antes de uma compra relevante, um teste de campo comparativo provavelmente vale mais do que dezenas de páginas de catálogo.
Como fazer uma prova de conceito
Uma companhia poderia selecionar três ambientes reais.
Um trecho conhecido com tubulação metálica, outro com PVC ou PEAD e um terceiro com cadastro impreciso e diferentes interferências.
Os fornecedores fariam o levantamento sem conhecer previamente todas as respostas.
Depois seriam comparados tempo de execução, percentual de redes identificadas, falso-positivos, erro horizontal, erro de profundidade, facilidade de operação, processamento, integração ao GIS e necessidade de suporte do fabricante.
Em pontos previamente definidos, a companhia poderia confirmar fisicamente a posição das redes.
Isso produz uma decisão baseada no próprio território da empresa.
É muito mais relevante saber qual equipamento funciona melhor no solo da área atendida do que qual possui a ficha técnica mais impressionante.
O que pode dar errado
O maior risco é transformar uma ferramenta de redução de risco em uma nova fonte de falsa confiança.
Solos argilosos e saturados podem reduzir drasticamente a penetração do sinal. Redes muito próximas podem gerar reflexões complexas. Concreto pode apresentar contraste pequeno com determinados solos. Estruturas metálicas podem ocultar objetos localizados abaixo delas. A profundidade depende da estimativa da velocidade de propagação da onda.
Além disso, algoritmos e inteligência artificial não eliminam a necessidade de interpretação técnica.
A própria FHWA destaca que a qualidade da coleta, processamento e interpretação depende de operador experiente e que o GPR funciona melhor como tecnologia complementar, não como solução universal.
Por isso, o treinamento provavelmente tem importância equivalente à escolha do hardware.
Oportunidade pouco percebida: transformar manutenção em cadastro
Toda vez que uma companhia abre uma vala, uma informação rara aparece diante da equipe: a posição real da infraestrutura.
Diâmetro, material, profundidade, conexão, registro, derivação e condição física ficam visíveis.
Se essa informação não for registrada corretamente antes do fechamento da vala, a empresa perde uma oportunidade que talvez só volte a aparecer décadas depois.
Nesse sentido, o georradar no saneamento deve fazer parte de uma estratégia maior de melhoria contínua do cadastro.
GPR identifica.
A escavação confirma.
GNSS registra.
O GIS preserva.
E a próxima equipe trabalha com menos incerteza.
Lições para quem trabalha no saneamento
O principal aprendizado não é que toda companhia precisa comprar imediatamente um georradar.
É que a gestão moderna de redes enterradas exige diminuir a distância entre o que o cadastro diz que existe e o que realmente está no subsolo.
Para equipes de manutenção, isso significa menos escavação tentativa e erro.
Para engenharia, menos interferências durante projetos.
Para perdas, melhor conhecimento do traçado da rede.
Para cadastro técnico, novas informações georreferenciadas.
Para segurança, menor risco de atingir energia, gás ou outras infraestruturas.
Para gestão, menos retrabalho e maior previsibilidade.
E, para o profissional de campo, muda a natureza do trabalho: não basta saber operar um equipamento. É necessário combinar conhecimento de redes, geofísica, topografia, interpretação de dados e experiência operacional.
É justamente aí que a tecnologia valoriza — e não substitui — o conhecimento de quem conhece a rede.
Conclusão
O georradar no saneamento tende a ocupar espaço cada vez maior à medida que companhias avançam em métodos não destrutivos, digitalização do cadastro, GIS, BIM, automação e gestão de ativos.
Mas o investimento mais inteligente não é simplesmente comprar o equipamento mais sofisticado.
É construir um processo.
Cadastro prévio, levantamento geofísico, técnicas complementares, operador treinado, confirmação de pontos críticos, georreferenciamento, classificação da confiança da informação e atualização do GIS precisam funcionar como uma cadeia única.
Experiências brasileiras de Sanepar, Copasa, Sabesp e Cesan mostram que a tecnologia já possui aplicações concretas no setor. Padrões e operadores internacionais mostram o passo seguinte: transformar a localização subterrânea em dado corporativo rastreável e com nível de confiabilidade conhecido.
A pergunta estratégica para uma companhia de saneamento, portanto, não deveria ser apenas “qual georradar comprar?”.
Deveria ser:
“Quanto custa continuar escavando, projetando e mantendo redes sem saber com suficiente confiança o que existe debaixo do solo?”
Fontes e referências
Federal Highway Administration — FHWA
Underground Utilities – Ground-Penetrating Radar (GPR)
Descrição técnica, desempenho por material, frequências, metodologia e limitações.
Acessar fonte oficial da FHWA
American Society of Civil Engineers — ASCE
Standard Guideline for Investigating and Documenting Existing Utilities — ASCE/UESI/CI 38-22
2022.
Consultar ASCE 38-22
British Standards Institution — BSI
PAS 128:2022 — Underground utility detection, verification and location
30 de abril de 2022.
Consultar PAS 128:2022
Sanepar — Companhia de Saneamento do Paraná
Pesquisas serão apresentadas no maior congresso do setor de saneamento — aplicação de GPR para localização de redes e ramais.
Acessar publicação da Sanepar
Copasa — Companhia de Saneamento de Minas Gerais
Publicação sobre utilização de georradar na regional de Araxá.
24 de abril de 2023.
Sabesp
Plano de Gestão Socioambiental de Obras — Vila Romana — procedimentos de avaliação de interferências, georradar, localização eletromagnética e sondagens.
Cesan — Companhia Espírito-santense de Saneamento
Prescrições Técnicas de Serviços — item de mapeamento de interferências com georadar.
Water Corporation — Western Australia
GL283 Utility Locating Guideline
Versão de 17 de novembro de 2024.
GSSI — Geophysical Survey Systems, Inc.
UtilityScan DF — Locate and Map Underground Utilities.
Consultar GSSI UtilityScan DF
IDS GeoRadar / Hexagon
Stream DP — 3D Utility Mapping.
Consultar IDS GeoRadar Stream DP
Leica Geosystems
Leica DSX Utility Detection Solution.
Consultar Leica DSX
Guideline Geo / MALÅ
MALÅ Easy Locator Core.
Consultar MALÅ Easy Locator Core
Radiodetection
LMX200 Ground Penetrating Radar.
Consultar Radiodetection LMX200
Measurement — Elsevier
Meng, Xu et al. Leakage detection and localization of buried water pipe using ground penetrating radar.
2025.
Water — MDPI
Water Leak Detection: A Comprehensive Review of Methods, Challenges, and Future Directions.
2024.
Anatel — Agência Nacional de Telecomunicações
Regulamentação de radiofrequência e certificação de produtos.
Regulamentação de radiofrequência
Certificação de produtos



