BNDES triplica aprovações de investimentos em saneamento

O volume anual de investimentos em saneamento aprovados pelo BNDES passou de aproximadamente R$ 2,5 bilhões para R$ 7,8 bilhões desde 2020, segundo informação apresentada pelo superintendente de Infraestrutura do banco, Felipe Borim, durante o CNN Talks Infra Saneamento, realizado em 15 de setembro de 2026. É um crescimento superior a três vezes em seis anos. (CNN Brasil)

O dado é expressivo. Mas, para quem trabalha no setor, existe uma informação ainda mais importante por trás dele: o BNDES deixou de atuar no saneamento apenas como uma fonte tradicional de empréstimos de longo prazo.

Hoje, o banco participa da estruturação de concessões e PPPs, financiamento direto, garantias, coordenação e aquisição de debêntures, combinação de diferentes fontes de recursos e atração de capital privado.

Isso muda a discussão.

A pergunta já não é apenas quanto dinheiro existe para financiar saneamento. A questão passa a ser: as companhias brasileiras estão preparadas para transformar essa disponibilidade de capital em projetos executáveis, obras concluídas, redução de perdas, expansão de redes e novos clientes efetivamente conectados?

É justamente nesse ponto que começa a segunda metade da corrida até 2033.

O que aconteceu

De acordo com a informação apresentada pelo BNDES no evento da CNN, as aprovações anuais relacionadas ao saneamento avançaram de cerca de R$ 2,5 bilhões por ano para R$ 7,8 bilhões desde a aprovação da Lei nº 14.026/2020, que atualizou o Marco Legal do Saneamento. (CNN Brasil)

A legislação estabeleceu que os contratos de saneamento devem buscar, até 31 de dezembro de 2033, atendimento de 99% da população com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto, além de metas relacionadas à continuidade do abastecimento, redução de perdas e melhoria dos processos de tratamento. (Planalto)

Paralelamente, o BNDES ampliou sua carteira de projetos estruturados.

O Hub de Projetos do próprio banco informa que, entre 2020 e o primeiro trimestre de 2026, foram realizadas licitações estruturadas pelo BNDES em estados como Alagoas, Rio de Janeiro, Amapá, Ceará, Sergipe, Pará e Pernambuco.

Somados os projetos já licitados e aqueles em estruturação, o banco apontava potencial de aproximadamente R$ 154 bilhões em investimentos e atendimento de cerca de 63 milhões de pessoas. (BNDES Hub de Projetos)

Esse número não significa R$ 154 bilhões de recursos próprios do BNDES. Trata-se do investimento potencial associado aos projetos cuja modelagem passou ou está passando pelo banco.

Essa distinção é fundamental.

Aprovação não significa dinheiro já colocado na obra

Existe outra diferença importante para interpretar corretamente o crescimento dos investimentos em saneamento associados ao BNDES.

No vocabulário financeiro do banco, aprovação e desembolso representam etapas diferentes.

O próprio BNDES explica que o valor aprovado corresponde ao valor integral da operação aprovada, enquanto o desembolso representa os recursos efetivamente liberados ao longo da execução do projeto. (Portal de Dados Abertos do BNDES)

Portanto, a evolução de R$ 2,5 bilhões para R$ 7,8 bilhões não significa que esse segundo valor tenha necessariamente sido transformado integralmente em obras naquele mesmo exercício.

Entre aprovação e infraestrutura funcionando existem várias etapas: contratação, projetos executivos, licenciamento, desapropriações, licitações, mobilização de empresas, aquisição de equipamentos, execução física e finalmente entrada em operação.

Para gestores de saneamento, essa diferença é decisiva.

O próximo gargalo brasileiro pode deixar de ser apenas a disponibilidade de financiamento e passar a ser a capacidade de executar rapidamente uma carteira de investimentos muito maior.

O tamanho do desafio explica a necessidade de mais capital

Os indicadores nacionais mostram por que o crescimento do financiamento é necessário.

Dados divulgados pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico com base no SINISA 2025 indicam atendimento por rede de abastecimento de água para 84,1% da população brasileira. No esgotamento sanitário, 62,3% da população total é atendida com rede coletora. As diferenças regionais e, principalmente, entre áreas urbanas e rurais permanecem relevantes. (Serviços e Informações do Brasil)

Ao mesmo tempo, estudo do Instituto Trata Brasil e da GO Associados aponta que o país investiu R$ 29,1 bilhões em saneamento em 2024, equivalente a cerca de R$ 137 por habitante.

A estimativa apresentada no estudo é de que seriam necessários aproximadamente R$ 48 bilhões por ano para avançar no ritmo exigido pelas metas de universalização. (Trata Brasil)

Os valores não devem ser comparados diretamente com os R$ 7,8 bilhões de aprovações do BNDES, porque possuem conceitos e períodos diferentes.

Ainda assim, eles ajudam a dimensionar a questão.

A universalização não poderá depender de uma única fonte de recursos. Será necessária uma combinação de geração de caixa das companhias, tarifas, recursos públicos, FGTS, BNDES, bancos multilaterais, debêntures, mercado de capitais e capital privado.

E é justamente essa combinação que começa a aparecer nos projetos recentes.

O BNDES está mudando a engenharia financeira do saneamento

O modelo tradicional de financiamento de infraestrutura poderia ser resumido de maneira simples: uma companhia preparava determinado projeto e tomava um empréstimo de longo prazo.

Esse modelo continua existindo, mas a estrutura financeira dos investimentos em saneamento está se tornando mais sofisticada.

O programa BNDES Saneamento para Todos, por exemplo, utiliza recursos do FGTS e pode apoiar abastecimento de água, esgotamento sanitário, desenvolvimento institucional, redução de perdas, manejo de águas pluviais e outras modalidades. A participação do banco pode chegar a 95% em determinadas operações. (BNDES)

Além disso, debêntures tornaram-se instrumentos cada vez mais relevantes.

A legislação brasileira permite o uso de debêntures incentivadas e de infraestrutura em projetos considerados prioritários, incluindo projetos de saneamento. O Ministério das Cidades informa que projetos ligados aos quatro componentes do saneamento podem ser enquadrados nessa estrutura. (Planalto)

Na prática, surge uma espécie de ecossistema financeiro.

O BNDES pode financiar uma parcela do investimento, apoiar uma emissão de dívida, reduzir determinados riscos, oferecer garantia ou combinar recursos com outras fontes.

Corsan mostra como diferentes fontes podem ser combinadas

Um exemplo ocorreu no Rio Grande do Sul.

Em dezembro de 2025, o BNDES anunciou a aprovação de R$ 2,015 bilhões para a Corsan, destinados à ampliação do abastecimento de água e da coleta e tratamento de esgoto em 60 municípios, envolvendo uma população de quase 3 milhões de habitantes.

A operação combinou recursos do EcoInvest e debêntures incentivadas, entre outros componentes financeiros. (Agência de Notícias BNDES)

O caso é importante porque mostra uma tendência que provavelmente será cada vez mais comum no setor.

Grandes programas de universalização dificilmente dependerão de uma única fonte.

A capacidade de estruturar capital com diferentes custos, prazos e riscos pode tornar-se tão importante quanto a própria engenharia hidráulica do empreendimento.

Sanasa conecta financiamento a redução de perdas

Outro exemplo ajuda a mostrar que financiamento de longo prazo não precisa estar limitado à expansão de cobertura.

Em fevereiro de 2026, o BNDES aprovou R$ 251,75 milhões para a Sanasa, em Campinas, destinados principalmente à melhoria do sistema de abastecimento e à redução de perdas.

O programa prevê implantação de aproximadamente 201,8 quilômetros de tubulações e renovação de 17.701 ligações de água, com benefício estimado para aproximadamente 140 mil habitantes.

Do financiamento, R$ 114 milhões vieram do EcoInvest e R$ 137,75 milhões de linhas do próprio BNDES. (Agência de Notícias BNDES)

Essa experiência oferece uma lição importante.

Investimentos em saneamento não precisam produzir retorno apenas por meio de novas tarifas provenientes da expansão.

Projetos de redução de perdas podem melhorar produtividade, diminuir custos de produção e bombeamento, postergar ampliações de sistemas e disponibilizar água já produzida para atender novos consumidores.

Para áreas de operação, engenharia e gestão comercial, essa integração passa a ser estratégica.

Teresópolis mostra outra combinação financeira

Em Teresópolis, no Rio de Janeiro, o BNDES anunciou apoio de R$ 286 milhões para expansão e modernização do abastecimento de água e implantação do primeiro sistema de esgotamento sanitário do município.

A operação foi estruturada com aproximadamente R$ 250 milhões em debêntures incentivadas, R$ 31 milhões via EcoInvest e R$ 5 milhões do BNDES Finem. (Agência de Notícias BNDES)

Mais do que o valor, chama atenção a arquitetura financeira.

É um exemplo concreto daquilo que o mercado internacional costuma chamar de combinação de fontes ou blended finance: recursos com características diferentes são organizados para viabilizar um investimento maior.

Estruturar bons projetos também virou parte da política de financiamento

O BNDES atua ainda antes da contratação do crédito.

Na Paraíba, por exemplo, o banco estruturou a PPP de esgotamento sanitário vencida pela Acciona em maio de 2026.

O projeto prevê aproximadamente R$ 3 bilhões de investimentos, abrangendo 85 municípios e cerca de 1,65 milhão de pessoas. A modelagem prevê contrato de 25 anos. (Agência de Notícias BNDES)

Em Pernambuco, outra concessão estruturada pelo BNDES prevê cerca de R$ 19,1 bilhões em investimentos, com população potencialmente beneficiada próxima de 8 milhões de habitantes. (Agência de Notícias BNDES)

Esse papel de estruturação talvez seja tão relevante quanto o financiamento.

Um projeto tecnicamente mal definido, com matriz de riscos inadequada, metas pouco claras, tarifas inconsistentes ou informações deficientes pode ter dificuldades para atrair investidores independentemente da quantidade de dinheiro disponível no mercado.

Capital existe, mas projeto bancável não nasce sozinho

Esse é um dos pontos menos percebidos na discussão sobre investimentos em saneamento.

Instituições financeiras não financiam simplesmente uma estação de tratamento ou uma rede coletora.

Elas financiam fluxos de caixa capazes de sustentar aquela infraestrutura.

Isso envolve demanda, tarifa, arrecadação, inadimplência, custos operacionais, CAPEX, indicadores de desempenho, riscos regulatórios, garantias, governança e capacidade de execução.

Por isso, áreas aparentemente distantes da engenharia financeira passam a influenciar diretamente a capacidade de financiamento.

Cadastro comercial ruim, macromedição deficiente, perdas elevadas, baixa hidrometração, inadimplência crescente, contratos frágeis ou ativos mal cadastrados podem deteriorar a qualidade econômica de um projeto.

O financiamento começa muito antes da reunião com o banco.

Ele começa na qualidade da gestão da companhia.

Regulação passa a influenciar diretamente o acesso ao capital

O Marco Legal também ampliou o papel da regulação.

A ANA recebeu competência para produzir normas de referência relacionadas, entre outros temas, a universalização, qualidade dos serviços, tarifas, perdas de água e contabilidade regulatória. (Serviços e Informações do Brasil)

A Norma de Referência nº 8/2024 estabeleceu diretrizes relacionadas às metas progressivas de universalização e ao sistema de avaliação de seu cumprimento. A própria resolução destaca a relação entre acesso a recursos federais e observância das normas de referência. (Serviços e Informações do Brasil)

Mais recentemente, a ANA publicou a Norma de Referência nº 16/2026, voltada à contabilidade regulatória e ao controle patrimonial dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário. A norma pretende melhorar a comparabilidade das informações e o acompanhamento econômico-financeiro dos prestadores. (Serviços e Informações do Brasil)

Para quem trabalha com ativos, contabilidade, regulação e planejamento, essa evolução tem relação direta com financiamento.

Quanto melhor a informação sobre ativos, custos e desempenho, menor tende a ser a incerteza sobre o negócio.

E redução de incerteza é um dos elementos capazes de reduzir o custo de capital.

O Brasil também está acessando capital multilateral

O BNDES não está sozinho nesse processo.

Em novembro de 2025, o Banco Interamericano de Desenvolvimento aprovou a linha SANEA+, voltada ao saneamento sustentável, resiliente e inclusivo no Brasil.

O programa possui valor de até US$ 2 bilhões e busca apoiar universalização, eficiência operacional, redução das desigualdades regionais e resiliência climática. (Inter-American Development Bank)

A International Finance Corporation também concedeu à Sabesp um empréstimo vinculado à sustentabilidade de até R$ 1,06 bilhão, associado ao programa Integra Tietê.

Nesse modelo, as condições financeiras estão associadas a indicadores relacionados à conexão de domicílios à coleta e ao tratamento de esgoto. (IFC)

Aqui aparece outra tendência importante: o custo do dinheiro pode passar a depender cada vez mais do desempenho ambiental, operacional e social da companhia.

O que o mundo está fazendo

A experiência internacional mostra que o desafio brasileiro não é exclusivo.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE, destaca que infraestrutura de água exige capital de longo prazo e que a ampliação do investimento comercial depende de ambiente regulatório, planejamento e capacidade financeira dos operadores.

Seu trabalho mais recente também aponta crescimento do uso de títulos e instrumentos de mercado para financiar infraestrutura hídrica. O próprio Brasil aparece entre os exemplos internacionais de emissão de dívida por companhias de saneamento. (OECD)

Na Europa, o Banco Europeu de Investimento, EIB, exerce papel comparável ao de um grande banco público de desenvolvimento.

Somente em 2025, o EIB informou ter fornecido aproximadamente € 5 bilhões para projetos relacionados à água, beneficiando cerca de 32 milhões de pessoas. Seu programa de resiliência hídrica prevê aproximadamente € 15 bilhões em financiamento entre 2025 e 2027. (Banco Europeu de Investimento)

A semelhança com a trajetória brasileira é relevante.

Em ambos os casos, o banco público não atua simplesmente substituindo o mercado privado. Ele ajuda a oferecer capital de longo prazo, estruturar operações e tornar projetos mais financiáveis.

Estocolmo mostra como financiamento e tecnologia podem caminhar juntos

Em março de 2026, o EIB anunciou empréstimo de aproximadamente € 470 milhões para Estocolmo, destinado à modernização do sistema de esgotamento sanitário.

O projeto inclui expansão da estação de tratamento de Henriksdal, construção de infraestrutura de transporte de esgoto e utilização de tecnologia avançada de membranas.

Segundo o EIB, a modernização deverá permitir redução de aproximadamente 40% na descarga de nitrogênio no Mar Báltico, além da captura de microplásticos. (Banco Europeu de Investimento)

O exemplo oferece uma lição importante ao Brasil.

Financiamento de infraestrutura não precisa significar apenas ampliar quilômetros de rede.

Pode financiar simultaneamente capacidade, qualidade de tratamento, eficiência energética, digitalização e desempenho ambiental.

Madri financia perdas, digitalização e reúso

O mesmo banco concedeu em 2025 um empréstimo de € 430 milhões à Canal de Isabel II, empresa pública responsável pelo ciclo da água na região de Madri.

Entre os projetos previstos estão modernização do abastecimento, redução de perdas, digitalização da infraestrutura, melhoria da eficiência energética e expansão do reúso. (Banco Europeu de Investimento)

A comparação é especialmente útil para operadores brasileiros.

Ao buscar financiamento, um programa de investimentos pode ganhar qualidade quando deixa de ser apenas uma lista de obras e passa a representar uma transformação integrada do sistema.

O que pode dar errado

Mais dinheiro não garante automaticamente melhor saneamento.

Existe risco de o setor acelerar contratações sem ampliar na mesma proporção sua capacidade de engenharia, fiscalização e gerenciamento.

Também existe risco de projetos mal estruturados reduzirem a competição.

Levantamento publicado pela CNN Brasil com dados da Radar PPP apontou que 42% das licitações de água e esgoto analisadas desde o Marco Legal tiveram apenas um concorrente e 20% tiveram dois. (CNN Brasil)

A própria PPP da Paraíba, apesar de sua escala, recebeu proposta única. (Agência de Notícias BNDES)

Isso não invalida o modelo, mas reforça a importância de estudar cuidadosamente barreiras de entrada, matriz de riscos, garantias, exigências técnicas, tamanho dos blocos e condições econômicas.

Capital disponível e concorrência saudável são problemas diferentes.

Impactos para as empresas de saneamento

Para as companhias, a expansão dos investimentos em saneamento tende a ampliar simultaneamente oportunidades e exigências.

Na engenharia, aumenta a necessidade de projetos executivos, gestão de ativos, planejamento de obras e fiscalização.

Na operação, novas redes e estações exigem equipes, energia, manutenção, automação e capacidade operacional permanente.

Na área financeira, cresce a necessidade de avaliar custo de capital, endividamento, geração de caixa e fontes alternativas de financiamento.

Na regulação, ativos e custos precisarão estar cada vez mais documentados.

Na área comercial, universalização significa transformar infraestrutura construída em clientes efetivamente conectados, cadastrados, medidos, faturados e atendidos.

Esse último ponto merece atenção.

Uma rede de esgoto construída sem adesão dos imóveis pode cumprir uma meta física sem entregar integralmente os benefícios ambientais, sanitários e econômicos esperados.

Portanto, expansão de infraestrutura e gestão comercial precisam caminhar juntas.

O que gestores devem observar

Para transformar o novo ciclo de capital em resultados, algumas perguntas deveriam entrar definitivamente na agenda de gestão:

  • Existe carteira de projetos madura? Licenciamento, projetos, desapropriações e orçamento precisam acompanhar a disponibilidade financeira.
  • A empresa consegue executar o CAPEX contratado? Aprovar financiamento não significa conseguir transformar recursos em ativos no prazo previsto.
  • Perdas estão integradas ao plano de investimentos? Produzir mais água nem sempre é a alternativa economicamente mais eficiente.
  • Os ativos estão corretamente cadastrados? Regulação, contabilidade e financiamento dependerão cada vez mais da qualidade patrimonial.
  • A área comercial acompanha a expansão física? Novas redes precisam resultar em ligações, faturamento e arrecadação.
  • Há indicadores capazes de demonstrar o resultado do investimento? Cobertura, continuidade, perdas, eficiência energética, qualidade, adesão ao esgoto e satisfação do cliente precisam estar associados ao CAPEX.

Uma oportunidade pouco percebida: financiamento premia boa gestão

Talvez essa seja uma das principais lições para profissionais do setor.

A disponibilidade de capital pode parecer um tema restrito à diretoria financeira. Não é.

Uma operação de crédito depende da capacidade de a companhia mostrar que sabe planejar, executar, operar e recuperar economicamente seus investimentos.

Isso envolve engenheiros, operadores, equipes comerciais, reguladores, especialistas ambientais, contadores, profissionais de tecnologia, compras, jurídico e atendimento ao cliente.

É exatamente por isso que o crescimento dos investimentos em saneamento pode aumentar o valor estratégico dos profissionais que conhecem profundamente os processos da companhia.

Quanto maior o programa de investimentos, maior será a necessidade de pessoas capazes de transformar recursos financeiros em desempenho operacional mensurável.

Conclusão

O salto das aprovações do BNDES de aproximadamente R$ 2,5 bilhões para R$ 7,8 bilhões por ano é um sinal claro de mudança de escala no financiamento do setor. (CNN Brasil)

Entretanto, o dado mais importante talvez não seja o crescimento isolado desse número.

O Brasil está formando uma arquitetura financeira mais diversificada para os investimentos em saneamento, envolvendo bancos públicos, FGTS, mercado de capitais, debêntures, instituições multilaterais, concessões, PPPs, garantias e recursos próprios das companhias.

Ao mesmo tempo, o BNDES está assumindo um papel que combina financiamento e estruturação de projetos, com carteira que alcança dezenas de bilhões de reais e milhões de usuários potenciais. (BNDES Hub de Projetos)

Mas capital sozinho não universaliza o saneamento.

Será necessário transformar bilhões aprovados em projetos executivos, licitações, tubulações, estações, medidores, redução de perdas, ligações de esgoto e serviços funcionando todos os dias.

A segunda metade do caminho até 2033 poderá ser menos uma corrida para encontrar dinheiro e cada vez mais uma corrida para executar bem o dinheiro disponível.

Para as empresas, isso significa fortalecer planejamento, engenharia, gestão de ativos, regulação, operação e gestão comercial.

Para os profissionais de saneamento, a mensagem é ainda mais direta: a próxima fase do setor exigirá capacidade de conectar financiamento, infraestrutura e resultado.

É aí que os investimentos em saneamento deixam de ser apenas bilhões anunciados e começam, de fato, a virar universalização.

Fontes e referências

CNN Brasil
“BNDES triplicou aprovação de investimentos em saneamento desde marco legal”
15 de setembro de 2026
Acessar a reportagem da CNN Brasil

BNDES — Hub de Projetos
Perfil setorial de saneamento e carteira de projetos estruturados pelo banco
Consulta em setembro de 2026
Acessar o Hub de Projetos do BNDES

BNDES — Dados Abertos
Estatísticas de consultas, aprovações e desembolsos do Sistema BNDES
Atualização consultada em setembro de 2026
Acessar os dados do BNDES

Presidência da República — Planalto
Lei nº 14.026, de 15 de julho de 2020 — atualização do Marco Legal do Saneamento
15 de julho de 2020
Acessar a Lei nº 14.026/2020

Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico — ANA
“Água e Desenvolvimento: o papel da ANA na universalização do saneamento”
26 de agosto de 2026
Acessar a publicação da ANA

Instituto Trata Brasil / GO Associados
Dados do estudo “Avanços do Marco Legal do Saneamento Básico no Brasil de 2026”
2026
Acessar dados sobre investimentos e universalização

BNDES
“BNDES aprova R$ 2 bi para ampliar tratamento de esgoto em 60 cidades gaúchas”
2 de dezembro de 2025
Acessar a publicação sobre a Corsan

BNDES
“BNDES aprova R$ 251,7 mi para melhorias no abastecimento de água em Campinas”
12 de fevereiro de 2026
Acessar a publicação sobre a Sanasa

BNDES
“Com R$ 286 milhões do BNDES, Teresópolis terá primeiro sistema de esgotamento sanitário”
16 de outubro de 2025
Acessar a publicação sobre Teresópolis

BNDES
“Com concessão estruturada pelo BNDES, Acciona vence leilão de saneamento da Paraíba”
15 de maio de 2026
Acessar o projeto da Paraíba

BNDES
“Com concessão estruturada pelo BNDES, Pátria e Consórcio BRK-Acciona vencem leilão de saneamento em Pernambuco”
18 de dezembro de 2025
Acessar o projeto de Pernambuco

Ministério das Cidades
Perguntas frequentes sobre financiamento, debêntures e política federal de saneamento
Consulta em setembro de 2026
Acessar informações do Ministério das Cidades

Presidência da República — Planalto
Lei nº 14.801, de 9 de janeiro de 2024 — debêntures de infraestrutura
9 de janeiro de 2024
Acessar a Lei nº 14.801/2024

ANA — Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico
Norma de Referência nº 8/2024 — metas progressivas de universalização
8 de maio de 2024
Acessar a NR nº 8/2024

ANA — Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico
Norma de Referência nº 16/2026 — contabilidade regulatória
31 de agosto de 2026
Acessar a publicação da NR nº 16/2026

Banco Interamericano de Desenvolvimento — BID
Sustainable, Resilient and Inclusive Sanitation Program in Brazil — SANEA+
Aprovado em 26 de novembro de 2025
Acessar o projeto SANEA+

International Finance Corporation — IFC
Empréstimo vinculado à sustentabilidade para a Sabesp
19 de novembro de 2024
Acessar a publicação da IFC

OECD — Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico
“Financing Water Security”
2026
Acessar o estudo da OECD

European Investment Bank — EIB
Empréstimo de € 470 milhões para modernização do sistema de esgoto de Estocolmo
26 de março de 2026
Acessar o projeto de Estocolmo

European Investment Bank — EIB
Empréstimo de € 430 milhões para infraestrutura hídrica da Canal de Isabel II, Madri
11 de março de 2025
Acessar o projeto de Madri

CNN Brasil / Radar PPP
“Saneamento básico avança, mas leilões têm baixa concorrência”
31 de março de 2026
Acessar a reportagem sobre concorrência nos leilões