Meta-descrição: Conheça 10 prestadores com atuação comprovável em redução de perdas de água, performance, DMCs, pressão, medição, dados e vazamentos.
O Brasil perdeu 39,53% da água tratada colocada nos sistemas de distribuição em 2024, segundo o Estudo de Perdas de Água 2026, do Instituto Trata Brasil e da GO Associados, elaborado a partir do SINISA. Somente as perdas físicas foram estimadas em aproximadamente 4,4 bilhões de m³ no ano. Se o país reduzisse o indicador de 39,53% para 25%, o estudo estima uma economia de 2,8 bilhões de m³ por ano e ganhos acumulados de R$ 47,3 bilhões até 2033. (Trata Brasil)
Esses números ajudam a explicar por que a redução de perdas de água está deixando de ser uma atividade isolada da operação para se transformar em uma frente estratégica de eficiência, segurança hídrica e geração de resultado.
Mas há uma mudança ainda mais importante acontecendo.
O mercado brasileiro já possui empresas capazes de assumir desde a pesquisa de vazamentos até programas complexos envolvendo Distritos de Medição e Controle (DMCs), válvulas redutoras de pressão (VRPs), renovação de redes, modelagem hidráulica, telemetria, hidrômetros, fraudes, atualização cadastral e contratos nos quais parte da remuneração depende efetivamente do volume recuperado.
A pergunta para uma companhia de saneamento, portanto, não deveria ser apenas: “quem pode procurar vazamentos?”
A pergunta mais estratégica é: qual prestador consegue atacar exatamente as causas das perdas existentes em determinado sistema e assumir responsabilidade mensurável pelo resultado?
Antes da lista: não existe um ranking financeiro confiável
É necessário fazer uma ressalva para preservar a precisão da análise.
Não existe uma base pública consolidada que apresente o faturamento das empresas brasileiras especificamente com serviços de redução de perdas de água. Muitas delas também trabalham com engenharia, operação, manutenção, energia, projetos, supervisão, obras e serviços comerciais.
Por isso, chamar objetivamente as dez empresas abaixo de “as dez maiores do Brasil”, ordenadas por receita ou quantidade de contratos, seria uma afirmação que os dados disponíveis não permitem comprovar.
O Saneamento Pro adotou, portanto, uma seleção editorial de dez prestadores relevantes, baseada em evidências públicas de atuação em redução de perdas, contratos com companhias de saneamento, amplitude de serviços, especialização técnica e participação em projetos reais.
A ordem apresentada não representa classificação financeira nem avaliação de qualidade.
Prestador
Especialidade mais evidente
Onde pode agregar valor
ENOPS Engenharia
Performance e programa integrado
Perdas reais + aparentes
COBRAPE
Engenharia e contratos de performance
DMC, VRP, redes e modelagem
ENORSUL
Operação e gestão comercial
Perdas reais + faturamento
LOG Engenharia
Engenharia operacional e performance
Programas integrados
HWater Solutions
Diagnóstico e estratégia
Balanço hídrico, NEP e modelagem
Concremat
Engenharia e gerenciamento
Modelagem e programas complexos
Sociedade Civil de Saneamento
Serviços especializados de campo
Pesquisa de vazamentos
Água Soluções
Gestão de pressão e tecnologia
VRP, telemetria e perdas reais
Vitalux-Ecoativa
Performance e eficiência
Água, infraestrutura e energia
TPF Engenharia
Supervisão e gerenciamento
Grandes programas de perdas
O que realmente precisa ser contratado para reduzir perdas
Perda de água não é um problema único.
As perdas reais correspondem principalmente à água que efetivamente escapa das redes, ramais, reservatórios e demais componentes do sistema. Já as perdas aparentes estão relacionadas a volumes consumidos que não são corretamente registrados ou faturados, como submedição de hidrômetros, fraudes, ligações clandestinas, inconsistências cadastrais e falhas de medição.
Consequentemente, trocar hidrômetros pode produzir excelente resultado em determinada cidade e quase nenhum impacto em outra. Da mesma forma, pesquisar vazamentos continuamente em uma rede operando com pressão excessiva, tubulação deteriorada e ramais de alta incidência de rompimentos pode apenas criar um ciclo interminável de encontrar e reparar vazamentos.
A própria Norma de Referência nº 15/2025 da ANA reforça essa visão. Ela determina que os prestadores estruturem Planos de Gestão de Redução e Controle de Perdas com diagnóstico, linha de base, separação entre perdas reais e aparentes, acompanhamento de macro e micromedição, cronograma físico-financeiro e justificativa técnico-econômica das ações. A norma ainda reconhece expressamente contratos de performance e tecnologias como telemetria, sensores de pressão, vazão e ruído, modelos de previsão de vazamentos, georreferenciamento e medição inteligente. (Governo Federal)
É nesse cenário que os prestadores especializados ganham relevância.
1. ENOPS Engenharia
A ENOPS talvez seja um dos exemplos mais claros de empresa brasileira posicionada especificamente para programas integrados de redução de perdas de água.
O portfólio divulgado pela companhia inclui diagnóstico, estudos, projetos, pesquisa de vazamentos, aferição de macromedidores, implantação de DMCs, controle de pressão, atualização cadastral, gestão da micromedição, atividades destinadas às perdas aparentes e contratos de performance. (Enops)
Um exemplo concreto está em Dourados, Mato Grosso do Sul.
A Sanesul contratou o Consórcio ENOLOG, formado por ENOPS e LOG Engenharia, em um contrato de performance de R$ 44,8 milhões, com objetivo de reduzir em pelo menos 15% as perdas físicas e aparentes.
O escopo mostra por que programas modernos são muito mais amplos do que procurar vazamentos: cadastro técnico georreferenciado, macromedição, micromedição, atuação sobre fraudes e ligações inativas, setorização, pesquisa ativa de vazamentos, renovação de redes, padronização de 16 mil ramais, instalação de 25 VRPs, DMCs, telemetria e modelagem hidráulica. (Sanesul)
Onde faz mais sentido: companhias que desejam contratar um pacote amplo e vincular parcela relevante do risco ao resultado obtido.
2. COBRAPE
A Companhia Brasileira de Projetos e Empreendimentos — COBRAPE — apresenta um histórico que combina planejamento, modelagem hidráulica, obras e contratos de redução de perdas.
Um caso interessante ocorreu em Itapevi, na Região Metropolitana de São Paulo, em projeto para a Sabesp. O programa envolveu uma área com cerca de 200 mil habitantes, 330 quilômetros de rede e mais de 36 mil ligações. Segundo o portfólio da própria COBRAPE, chegou-se no 15º mês a uma redução de 63,7% da “água não medida” em relação à referência utilizada no projeto. (Cobrape)
Mais recentemente, entre 2022 e julho de 2025, a empresa atuou no setor Vila Formosa, também para a Sabesp, em contrato de performance com meta de reduzir em 19,7% o volume anual de água não comercializada e recuperar aproximadamente 176 mil m³ por mês.
O contrato envolveu DMCs, VRPs, controle remoto de pressão, pesquisa de vazamentos, reparos, troca de ramais, substituição de redes e modelagem hidráulica. (Cobrape)
O diferencial desse tipo de atuação está justamente na combinação entre engenharia, operação e infraestrutura.
3. ENORSUL
A ENORSUL atua em uma fronteira particularmente interessante: a ligação entre a operação hidráulica e o resultado comercial.
A empresa apresenta entre suas áreas de atuação controle de vazões e pressões em adutoras e redes, redução de perdas físicas e recuperação dos indicadores de faturamento e arrecadação. Também atua em processos comerciais, indicadores, consumo, faturamento, cobrança e sistemas. (Enorsul)
Essa combinação é relevante porque um programa pode reduzir vazamentos e, mesmo assim, deixar dinheiro sobre a mesa por causa de hidrômetros inadequados, inconsistências cadastrais, consumos não registrados ou ligações irregulares.
Para companhias com perdas de faturamento elevadas, portanto, a análise não pode terminar no índice de perdas na distribuição.
É necessário observar volume produzido, volume autorizado, volume medido, volume faturado, consumo autorizado não faturado, submedição, fraudes e qualidade da base comercial.
Nesse tipo de diagnóstico, empresas capazes de transitar entre operação e área comercial podem possuir vantagem.
4. LOG Engenharia
A LOG aparece em um dos contratos brasileiros mais didáticos para compreender a transformação do mercado de perdas: o contrato ENOLOG com a Sanesul.
A participação conjunta com a ENOPS em Dourados coloca a empresa dentro de um programa que vai da infraestrutura à recuperação comercial e que atrela remuneração a desempenho. (Sanesul)
O caso também ensina algo para os gestores: determinados projetos são grandes demais para serem tratados como uma única contratação tradicional de mão de obra.
Quando se combinam redes, ramais, VRPs, DMCs, medição, cadastro, fraude, modelagem e telemetria, consórcios especializados podem reunir competências complementares e reduzir a fragmentação do projeto.
Entretanto, isso aumenta a importância da governança contratual. A companhia contratante precisa saber exatamente quem responde pela linha de base, pelo dado, pela intervenção, pela medição do resultado e pela manutenção posterior.
5. HWater Solutions
Nem toda companhia precisa começar comprando equipamentos ou executando obras.
Em vários sistemas, o primeiro investimento deveria ser descobrir onde está a perda e qual é seu nível economicamente justificável.
É justamente nesse espaço que empresas de consultoria especializada, como a HWater, podem ter papel importante.
Em trabalho realizado para a Copasa, a HWater descreve uma auditoria operacional envolvendo Montes Claros e uma zona de abastecimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte. A metodologia incluiu avaliação de modelos hidráulicos, balanços hídricos Top-Down e Bottom-Up e definição do chamado Nível Econômico de Perdas (NEP). (HWater)
O NEP responde a uma pergunta fundamental: até que ponto financeiramente vale a pena reduzir as perdas?
Levar um sistema de 50% para 35% pode ter retorno extraordinário. Passar de 18% para 15%, porém, pode exigir investimentos muito maiores para recuperar cada metro cúbico adicional.
Esse tipo de análise evita um problema recorrente: perseguir uma meta percentual sem considerar o custo marginal da água recuperada.
6. Concremat
A Concremat representa outro perfil de prestador: uma empresa de engenharia capaz de atuar na estruturação, modelagem e gerenciamento de programas complexos.
Em fevereiro de 2025, o consórcio Concremat/HWater iniciou projeto com a Caesb destinado ao aprimoramento da gestão e do controle de perdas no Distrito Federal. Entre as frentes divulgadas estavam modelagem hidráulica, tratamento de dados de micromedição, predição de vazamentos, ciência de dados e aplicação de balanços hídricos. (HWater)
Esse exemplo sinaliza uma tendência importante.
A redução de perdas de água tende a se tornar progressivamente mais orientada por dados. Quanto melhor for a capacidade de transformar pressão, vazão, consumo, histórico de manutenção, idade da rede e informações cadastrais em decisão operacional, menor será a dependência de ações generalizadas.
Em vez de pesquisar vazamentos em toda a cidade com a mesma frequência, por exemplo, a companhia pode concentrar equipes onde a probabilidade e o impacto econômico sejam maiores.
7. Sociedade Civil de Saneamento — SCS
Há também espaço relevante para empresas especializadas na execução intensiva de serviços de campo.
A Sociedade Civil de Saneamento Ltda. aparece em contratações recentes da Sanepar voltadas especificamente ao controle ativo de vazamentos.
Na Licitação Eletrônica nº 255/2025, concluída pela Sanepar, a empresa venceu lote de aproximadamente R$ 2,568 milhões para detecção de vazamentos, verificação de estanqueidade e medições de vazão e pressão na área da Gerência Regional de Campo Mourão. (Licitacoes Sanepar)
Esse tipo de fornecedor possui função diferente de um integrador de contrato de performance.
Uma companhia que já tenha boa setorização, macromedição, equipe de engenharia, estratégia consolidada e sistemas de dados pode não precisar terceirizar todo o programa. Pode necessitar apenas de capacidade adicional e especializada de pesquisa ativa de vazamentos.
Essa diferença é fundamental na especificação do objeto.
8. Água Soluções
Pressão é uma das variáveis mais poderosas — e frequentemente subestimadas — na gestão de perdas reais.
Quanto maior a pressão, maior tende a ser a vazão de diversos tipos de vazamento e maior pode ser a frequência de novos rompimentos. Entretanto, reduzir pressão indiscriminadamente também pode prejudicar o abastecimento e gerar reclamações.
A Água Soluções trabalha justamente com controle e otimização de pressão, telemetria, balanço hídrico, monitoramento de vazão e pressão e soluções para perdas reais e aparentes. (Agua Solucoes)
Uma contratação da Sanepar oferece evidência prática dessa especialização. Na Licitação Eletrônica nº 28/2024, a empresa foi vencedora de contrato de aproximadamente R$ 1,88 milhão para serviços técnicos envolvendo sistema automático de controle de pressão com moduladores de VRPs na área de Curitiba Sul, especificamente voltado à redução de perdas reais. (Licitacoes Sanepar)
O aprendizado é relevante: VRP não deveria ser tratada simplesmente como um equipamento instalado na rede. O ganho está na estratégia de controle, instrumentação, comunicação, monitoramento dos pontos críticos, manutenção e ajuste contínuo.
9. Vitalux-Ecoativa
A Vitalux-Ecoativa apresenta outro modelo relevante para companhias interessadas em desempenho e eficiência.
Segundo a empresa, desde 2000 são estruturados projetos ligados à redução de perdas de água, saneamento e eficiência energética, inclusive por meio de contratos de performance e estruturas de financiamento. (Vitalux Eco)
Seu histórico institucional registra trabalhos em redução de perdas físicas para empresas como Sabesp, Cagepa, Cedae, Saneago, Sanasa e outros operadores. Como se trata de informação divulgada pela própria empresa, deve ser interpretada como referência de portfólio e não como avaliação independente de desempenho. (Vitalux Eco)
A combinação entre água e energia merece atenção.
Cada metro cúbico que é captado, tratado, bombeado e posteriormente perdido carrega consigo não apenas água, mas energia, produtos químicos, mão de obra e capacidade instalada.
Por isso, programas que analisam perdas hídricas e eficiência energética conjuntamente podem identificar retorno econômico que não aparece quando cada área trabalha isoladamente.
10. TPF Engenharia
A TPF apresenta um perfil diferente dos executores de campo: gerenciamento, supervisão e fiscalização de grandes programas.
Entre 2022 e 2025, o Consórcio Concremat/TPF atuou na supervisão do programa de redução de perdas da Cagece nos setores hidráulicos de Messejana e Castelão, em Fortaleza.
O programa previa redução de pelo menos 20% dos patamares de perdas e envolvia 29 DMCs, UTRs, linhas de reforço, CCO, hidrômetros, substituição de redes e ramais, pesquisa de vazamentos, regularização de usos não autorizados, cadastro e modelagem hidráulica. A execução das intervenções foi atribuída ao Consórcio ENOPS-RESTOR DMC/CE. (TPF Engenharia)
O caso é importante porque demonstra que reduzir perdas também exige fiscalização especializada.
Em projetos de dezenas de milhões de reais, não basta contratar quem executa. A companhia precisa verificar qualidade das medições, obras, modelos, DMCs, estanqueidade, metas, documentação e efetividade das intervenções.
O benchmarking brasileiro mostra que fornecedor não substitui gestão
Um dos melhores exemplos nacionais de continuidade é Campinas.
O Programa de Controle de Perdas de Água da Sanasa foi iniciado em 1994. Entre 1994 e 2022, o Índice de Perdas na Distribuição informado pela companhia caiu de 37,7% para 20,19%, enquanto o Índice de Perdas de Faturamento passou de 34,6% para 10,73%.
A estratégia combina cadastro técnico, TI, telemetria, setorização, macromedição, monitoramento de pressão e vazão, modelagem hidráulica, pesquisa de vazamentos, micromedição, combate a irregularidades, manutenção, controle de pressão e renovação da infraestrutura. (SANASA)
Essa experiência ensina talvez a lição mais importante de toda a reportagem:
nenhum prestador terceirizado substitui um programa permanente de gestão de perdas dentro da companhia.
O fornecedor acrescenta tecnologia, especialistas, capacidade de execução e eventualmente financiamento ou compartilhamento de risco. Mas a inteligência sobre o sistema precisa permanecer com o operador.
A Cesan também avançou no modelo de performance. Seu Relato Integrado de 2024 registra contrato de R$ 118,8 milhões para Vitória, Guarapari e Viana, com meta de reduzir em 20% o volume perdido e remuneração associada ao cumprimento da meta. (CESAN)
O movimento deixa claro que contratos de resultado estão saindo do campo experimental.
O mundo mostra até onde contratos de performance podem chegar
O modelo não é exclusividade brasileira.
O Banco Mundial reúne experiências internacionais de contratos baseados em desempenho para redução de Non-Revenue Water — NRW, ou água não faturada. A instituição destaca que esses contratos podem ser particularmente úteis quando a companhia não possui capital, equipamentos, capacidade técnica suficiente ou enfrenta grande passivo operacional. Também alerta que o modelo não serve para qualquer situação: causas, custos, benefícios e regras contratuais precisam estar claramente definidos. (Centro PPP)
Kuala Lumpur oferece um dos exemplos mais impressionantes.
Segundo estudo de caso disponibilizado pelo Banco Mundial, um contrato de performance reduziu a água não faturada em 198 milhões de litros por dia, reparou mais de 11 mil vazamentos, substituiu 119 mil hidrômetros e estabeleceu mais de 220 áreas de medição. O custo informado foi de aproximadamente US$ 110 milhões, enquanto uma nova oferta de 198 milhões de litros por dia teria custo de referência próximo de US$ 200 milhões. (Centro PPP)
A comparação muda a lógica econômica do problema.
Água recuperada pode funcionar, em determinados sistemas, como uma nova fonte virtual de abastecimento.
Antes de construir outra captação, estação ou adutora, deve-se perguntar quanto custaria disponibilizar a mesma quantidade de água reduzindo perdas.
Como escolher prestadores para redução de perdas de água
A melhor empresa não é necessariamente aquela que possui a maior equipe, o maior número de equipamentos ou o maior contrato.
É aquela cuja capacidade corresponde às causas predominantes do sistema.
Para uma companhia com 45% de perdas, macromedição deficiente e cadastro hidráulico desatualizado, iniciar pela substituição maciça de hidrômetros pode ser prematuro.
Em outra cidade, com rede relativamente nova, baixa ocorrência de rompimentos e grande parque de hidrômetros envelhecidos, uma grande obra de redes pode apresentar retorno inferior a um programa de micromedição.
Em um terceiro sistema, perdas elevadas podem estar concentradas em poucas zonas de pressão.
Por isso, antes da contratação, deveriam ser respondidas algumas perguntas essenciais:
- Qual parcela estimada das perdas é real e qual é aparente? A linha de base é confiável? A macromedição possui precisão suficiente? Existem DMCs ou condições para implantá-los? Quais pressões mínima, média e máxima são observadas? Qual é a idade e o histórico de falhas de redes e ramais? Qual é o desempenho metrológico dos hidrômetros? E, finalmente, quanto vale economicamente cada metro cúbico recuperado?
A contratação deveria nascer dessas respostas — e não do catálogo de soluções do fornecedor.
Contrato de performance pode mudar a relação com fornecedores
Uma das mudanças mais relevantes é a possibilidade de deixar de pagar exclusivamente por insumos.
No contrato convencional, paga-se, por exemplo, por quilômetros pesquisados, quantidade de hidrômetros instalados, redes substituídas ou equipes disponibilizadas.
No contrato de performance, parte do risco é transferida ao contratado e a remuneração passa a depender do resultado previamente definido.
A Norma de Referência nº 15/2025 da ANA reconhece expressamente essa possibilidade ao prever contratos de performance ou eficiência cuja remuneração seja condicionada a metas de desempenho. (Governo Federal)
Isso parece simples, mas exige engenharia contratual sofisticada.
Quem mede o volume recuperado? Qual período forma a linha de base? Como corrigir crescimento populacional? Como tratar mudanças de pressão? E se a produção diminuir? E se ocorrer racionamento? Como separar efeito do contratado de intervenções realizadas pela própria companhia?
Sem metodologia robusta de medição e verificação, um contrato de performance pode transformar uma discussão hidráulica em disputa contratual.
O que pode dar errado
O maior risco é contratar uma solução antes de compreender o problema.
Outro erro é criar DMCs apenas fisicamente, sem garantir estanqueidade dos limites e confiabilidade dos macromedidores. Nesse cenário, existe um “DMC no mapa”, mas não um verdadeiro distrito mensurável.
O mesmo vale para VRPs instaladas sem acompanhamento dos pontos críticos, hidrômetros substituídos apenas por idade, pesquisas de vazamentos feitas repetidamente em redes estruturalmente deterioradas e combate a fraudes conduzido sem integração com cadastro e área social.
Há ainda o risco de dependência tecnológica.
Software, telemetria, algoritmos e plataformas devem gerar conhecimento transferível para a companhia. Um projeto que produz bons números enquanto o fornecedor está presente, mas cuja operação não consegue ser sustentada posteriormente, possui benefício limitado.
Por isso, treinamento e transferência de conhecimento deveriam fazer parte da própria entrega.
A regulação vai aumentar a pressão por resultados
A publicação da Norma de Referência nº 15/2025 da ANA muda o contexto institucional da redução de perdas de água.
A norma exige planos de gestão por município, baseados em diagnóstico, indicadores, linhas de base e justificativa técnico-econômica. Também prevê acompanhamento pelas entidades reguladoras infranacionais, sendo que a verificação de determinadas obrigações começa em 20 de maio de 2028, com escalonamento conforme porte e índice de perdas. (Governo Federal)
Isso tende a produzir um efeito importante no mercado.
Companhias que hoje tratam perdas como conjunto disperso de ordens de serviço poderão precisar demonstrar que possuem estratégia estruturada, metas, custos, indicadores e resultados verificáveis.
Consequentemente, o mercado de engenharia, consultoria, instrumentação, gestão de pressão, medição inteligente, ciência de dados e contratos de performance tende a ganhar importância.
Oportunidade pouco percebida: perdas podem financiar eficiência
Uma companhia não deveria avaliar um projeto apenas pelo custo de implantação.
O valor econômico da água recuperada pode aparecer em várias frentes simultaneamente: aumento de volume faturável, redução de captação, menor consumo de energia, redução de produtos químicos, postergação de expansão de sistemas produtores e maior disponibilidade para atender novas ligações.
Há ainda um benefício estratégico.
Em localidades próximas da capacidade máxima de produção, recuperar água dentro do próprio sistema pode liberar volume para crescimento urbano sem construir imediatamente uma nova estrutura de produção.
É justamente por isso que o exemplo de Kuala Lumpur é tão relevante.
O investimento não foi comparado apenas ao “custo de reparar vazamentos”. Foi confrontado com o custo de criar nova disponibilidade hídrica. (Centro PPP)
Lições para gestores e profissionais de saneamento
A principal competência necessária nos próximos anos provavelmente não será conhecer um equipamento específico.
Será conseguir diagnosticar corretamente o sistema e montar o portfólio de intervenções que entrega o maior resultado por real investido.
Isso exige integrar profissionais de operação, engenharia, comercial, manutenção, cadastro, micromedição, automação, TI, suprimentos, contratos e regulação.
O operador de campo percebe comportamentos que nenhum dashboard mostra. A equipe comercial identifica anomalias de consumo invisíveis à operação hidráulica. O engenheiro de rede entende pressões e setorização. O profissional de dados consegue transformar milhões de registros em prioridade de intervenção.
A verdadeira redução de perdas surge quando essas competências trabalham juntas.
Prestadores como ENOPS, COBRAPE, ENORSUL, LOG, HWater, Concremat, SCS, Água Soluções, Vitalux e TPF podem adicionar capacidade técnica e velocidade a diferentes partes desse processo.
Mas não existe fornecedor que resolva sozinho um programa de perdas mal diagnosticado e mal governado.
Conclusão: comprar resultado, e não apenas serviço
O Brasil possui um mercado mais sofisticado de redução de perdas de água do que muitas companhias ainda utilizam.
Já é possível contratar pesquisa especializada, controle inteligente de pressão, DMCs, modelagem, ciência de dados, substituição orientada de hidrômetros, regularização comercial, renovação de infraestrutura, supervisão independente e programas completos remunerados por performance.
A escolha deveria começar pelo problema, não pelo fornecedor.
Quando o sistema possui diagnóstico consistente, linha de base confiável e metas economicamente justificadas, a terceirização pode acelerar resultados e compartilhar riscos.
Quando essas condições não existem, contratar mais tecnologia ou mais equipes pode apenas produzir atividade sem garantir eficiência.
Para os profissionais de saneamento, a mudança é igualmente relevante: reduzir perdas deixou definitivamente de ser uma especialidade restrita à pesquisa de vazamentos.
É uma disciplina que conecta engenharia hidráulica, operação, manutenção, ativos, faturamento, cadastro, tecnologia, economia, contratos e regulação.
As companhias que entenderem essa integração terão maior chance de transformar água hoje perdida em disponibilidade hídrica, receita, eficiência operacional e capacidade para atender novos clientes.
E talvez essa seja a forma mais correta de avaliar qualquer prestador listado nesta reportagem: não pelo volume de serviços que consegue executar, mas pelo volume sustentável de água e receita que consegue ajudar a recuperar.
Fontes e referências
ANA — Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico
Resolução ANA nº 275/2025 — Norma de Referência nº 15/2025
18 de dezembro de 2025
Acessar a Resolução nº 275/2025
Instituto Trata Brasil / GO Associados
Estudo de Perdas de Água 2026 — SINISA 2024
Junho de 2026
Acessar o estudo
Instituto Trata Brasil / GO Associados
Release — Perdas de Água 2026
Junho de 2026
Acessar o release técnico
ENOPS Engenharia
Nossos Serviços — contratos de performance, perdas e engenharia
Consulta em outubro de 2026
Acessar a fonte
Sanesul
Sanesul inova com Contrato de Performance para combate de perdas de água
18 de maio de 2021
Acessar a publicação da Sanesul
COBRAPE
Programa de Redução de Perdas Globais — Itapevi/Sabesp
Portfólio institucional
Acessar o projeto de Itapevi
COBRAPE
Redução do volume perdido e implantação de DMCs — Vila Formosa/Sabesp
Projeto executado entre 2022 e 2025
Acessar o projeto Vila Formosa
ENORSUL Serviços em Saneamento
Desenvolvimento Operacional
Consulta em outubro de 2026
Acessar a fonte
HWater Solutions
Auditoria Operacional para Redução e Controle de Perdas de Água na Copasa
1º de julho de 2022
Acessar o estudo de caso
HWater Solutions
Contrato entre HWater, Caesb e Concremat foca na redução de perdas
5 de fevereiro de 2025
Acessar o projeto
Sanepar
Licitação Eletrônica nº 255/2025 — detecção de vazamentos e medições de vazão e pressão
Processo concluído
Consultar a contratação
Sanepar
Licitação Eletrônica nº 28/2024 — sistema automático de controle de pressão e VRPs
Processo concluído
Consultar a contratação
Água Soluções
Soluções para perdas reais, aparentes, pressão e telemetria
Consulta em outubro de 2026
Acessar a fonte
Vitalux-Ecoativa
Soluções e histórico de projetos no saneamento
Consulta em outubro de 2026
Acessar a fonte institucional
Vitalux-Ecoativa
Histórico institucional e projetos
Consulta em outubro de 2026
Acessar o histórico
TPF Engenharia
Redução de perdas nos sistemas de abastecimento de Messejana e Castelão — Cagece
Projeto 2022–2025
Acessar o estudo de caso
Sanasa Campinas
Programa de Controle de Perdas de Água
Dados consolidados até 2022
Acessar o programa da Sanasa
Cesan
Relato Integrado e Demonstrações Contábeis 2024
2025
Acessar o relatório da Cesan
World Bank Group
Contracting Tools for Non-Revenue Water Reduction
Consulta em outubro de 2026
Acessar o material do Banco Mundial
World Bank Group
Ensuring Water Supply in Kuala Lumpur
1º de janeiro de 2018
Acessar o estudo de caso



