Um hidrômetro furtado pode custar muito mais a uma companhia de saneamento do que o preço de um equipamento novo. Além da reposição, a ocorrência pode provocar vazamentos, interrupções no abastecimento, deslocamentos emergenciais de equipes, perda de faturamento e insatisfação dos consumidores. Para enfrentar esse problema, a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) está apostando em uma mudança na fabricação dos medidores: a utilização de plásticos de engenharia de alta resistência no lugar de componentes metálicos com valor comercial para reciclagem.
A estratégia, apresentada pela companhia em 19 de outubro de 2026, busca reduzir o incentivo econômico ao furto. Ao diminuir a presença de metais valorizados no mercado de sucata, a empresa pretende tornar o hidrômetro menos atrativo para quem retira equipamentos com a intenção de revendê-los.
A iniciativa ganha relevância quando observada em conjunto com o programa de renovação da micromedição da Sanepar. Em 2025, a companhia substituiu 364 mil hidrômetros e estabeleceu como meta a troca de aproximadamente 380 mil equipamentos em 2026. Esses números representam o programa geral de renovação, e não exclusivamente a implantação de medidores com carcaça plástica.
Entretanto, a experiência paranaense levanta uma questão estratégica para todo o saneamento brasileiro: será que as companhias estão avaliando adequadamente quanto custa manter equipamentos que possuem valor para o mercado ilegal de metais?
A resposta envolve engenharia de materiais, segurança patrimonial, desempenho metrológico, gestão comercial e uma oportunidade frequentemente ignorada na administração dos sistemas de abastecimento.
Como funcionam os hidrômetros de plástico adotados pela Sanepar?
A mudança tecnológica está relacionada principalmente à composição dos componentes do equipamento.
Tradicionalmente, muitos hidrômetros utilizam carcaças fabricadas com ligas metálicas, especialmente materiais à base de cobre, como o latão. Essas ligas apresentam resistência mecânica e características adequadas ao uso hidráulico, mas também possuem valor comercial para reaproveitamento.
Esse valor acaba criando um incentivo para o furto, sobretudo quando o equipamento está instalado em locais de fácil acesso.
Nos hidrômetros de plástico, parte dessa composição é substituída por polímeros de engenharia. São materiais desenvolvidos para suportar esforços mecânicos, exposição à água e condições específicas de operação.
Segundo as informações divulgadas pela Sanepar, os novos equipamentos incorporam:
- Carcaça: plástico de engenharia de alta resistência, com baixo interesse comercial para revenda como sucata.
- Turbina: materiais poliméricos, como poliestireno ou poliacetal, caracterizados pelo baixo peso e pela resistência à corrosão.
- Cúpula: vidro temperado, desenvolvido para oferecer resistência às condições ambientais e dificultar danos por violação.
A utilização de polímeros não significa, entretanto, que qualquer plástico possa substituir o metal.
Os materiais precisam apresentar resistência à pressão hidráulica, estabilidade dimensional, segurança para contato com água potável e comportamento adequado diante de variações de temperatura.
Também é necessário avaliar a resistência das conexões roscadas, especialmente durante a instalação e a manutenção.
Uma carcaça que apresenta bom desempenho em condições normais pode sofrer danos quando submetida a torque excessivo ou a esforços inadequados.
Por isso, a decisão sobre o material precisa considerar o conjunto completo do hidrômetro, e não apenas o interesse em evitar furtos.
O problema é antigo: a Sanepar já buscava soluções em 2013
A notícia de outubro de 2026 não representa o primeiro movimento da Sanepar para enfrentar os furtos de medidores.
Em abril de 2013, a companhia anunciou testes com caixas de proteção para hidrômetros, desenvolvidas com policarbonato resistente.
Na ocasião, a empresa informou que, somente em 2012, haviam sido registrados:
2.649
Furtos de hidrômetros
Ocorrências em 2012
41.806
Consertos em cavaletes
Ocorrências em 2012
Fonte: Sanepar, divulgação de 25/04/2013. Os consertos em cavaletes não devem ser interpretados como furtos.
Naquele momento, a solução proposta concentrava-se na proteção física.
O projeto previa a instalação inicial de cinco mil caixas em seis áreas de operação, incluindo Curitiba, Londrina/Cambé, Guarapuava, Apucarana, Cascavel e Umuarama.
A estrutura permitia a visualização do medidor, enquanto o acesso ao equipamento ficava restrito às equipes autorizadas por meio de um mecanismo específico de abertura.
Não foi localizado, nas publicações consultadas, um resultado quantitativo que permita medir a eficácia desse piloto.
Ainda assim, a comparação demonstra uma evolução importante na forma de enfrentar o problema.
Em 2013, a estratégia divulgada estava concentrada em dificultar o acesso ao equipamento. Em 2026, a comunicação da companhia destaca também a redução do interesse econômico pelo material.
São medidas complementares.
Uma protege fisicamente o ativo. A outra procura reduzir o incentivo para retirá-lo.
A oportunidade mais relevante está na combinação dessas duas estratégias, com uma terceira dimensão: a gestão inteligente das ocorrências.
Também é necessário observar que os 2.649 furtos registrados em 2012 são dados históricos. Não representam o número atual de ocorrências na companhia, nem permitem calcular uma redução percentual até 2026.
A Sanepar considera as ocorrências atuais escassas, mas não apresentou, na notícia analisada, uma série estatística recente suficiente para comprovar o efeito isolado da mudança de material.
O impacto financeiro vai muito além do valor do hidrômetro
Uma análise econômica limitada ao preço de aquisição dificilmente consegue representar o prejuízo real de um furto.
Quando um hidrômetro desaparece, a companhia pode precisar mobilizar uma equipe, deslocar veículo, interromper o abastecimento, substituir conexões, reparar o cavalete e regularizar o cadastro comercial.
Além disso, dependendo da condição em que o ramal foi deixado, pode ocorrer vazamento contínuo até a execução do reparo.
A consequência é especialmente preocupante quando o furto acontece durante a madrugada e somente é identificado horas depois.
A água perdida nesse período já passou pelos processos de captação, tratamento, bombeamento e distribuição.
Portanto, existe um custo de produção associado ao volume desperdiçado.
Entretanto, é necessário distinguir duas situações:
Perda real: ocorre quando a retirada do equipamento provoca vazamento, resultando em água efetivamente desperdiçada.
Perda aparente: pode ocorrer quando existe consumo não registrado por ausência, falha ou manipulação do medidor, sem que necessariamente exista vazamento.
As duas condições exigem procedimentos diferentes de identificação, contabilização e tratamento.
Há ainda custos administrativos, de atendimento e de recomposição dos serviços.
O impacto financeiro pode ser avaliado por meio do custo total por ocorrência, considerando aquisição, materiais acessórios, mão de obra, deslocamento, reparos, perdas de água e demais despesas comprováveis.
Essa informação é decisiva para comparar soluções.
Um medidor de material diferente pode apresentar preço de aquisição maior, mas ainda representar uma alternativa financeiramente vantajosa se reduzir a frequência das reposições ou os danos associados às ocorrências.
Por outro lado, a substituição não deve ser considerada automaticamente econômica.
O desempenho, a vida útil e a frequência real de furtos precisam entrar no cálculo.
Uma licitação de R$ 41 milhões mostra a escala da micromedição
A dimensão financeira desse tipo de decisão aparece em um processo de aquisição da própria Sanepar.
O Pregão Eletrônico nº 1354/2026, homologado em 11 de agosto de 2026, contemplou 360 mil hidrômetros volumétricos, com vazão permanente Q3 de 2,5 m³/h, relação metrológica R250, visor inclinado e diâmetro nominal DN 20.
Referência de contratação — Sanepar, 2026
R$ 41.000.400
Valor máximo previsto no processo de aquisição
360 mil
Hidrômetros previstos
R$ 113,89
Valor máximo médio por unidade, calculado a partir do edital
O valor máximo não representa necessariamente o desembolso efetivo. A descrição pública consultada não comprova que todos os medidores dessa contratação possuam carcaça plástica.
O exemplo evidencia como pequenas diferenças no custo unitário podem ganhar proporções relevantes quando multiplicadas por centenas de milhares de equipamentos.
Também demonstra por que as áreas de suprimentos, engenharia, micromedição e gestão comercial precisam trabalhar de maneira integrada.
Para uma aquisição desse porte, a avaliação de alternativas deve considerar:
O preço unitário e as condições de fornecimento; a aprovação metrológica; a resistência do material; a produtividade de instalação; o desempenho em baixas vazões; a disponibilidade de peças; e o custo esperado de manutenção e substituição.
A proteção contra furtos pode tornar-se mais um critério de análise, desde que acompanhado por especificações objetivas e tecnicamente justificáveis.
O que outras companhias brasileiras estão fazendo?
A experiência da Sanepar não deve ser observada isoladamente.
Outras empresas brasileiras adotam estratégias relacionadas ao mesmo problema, incluindo proteção física, conscientização de estabelecimentos recicladores e procedimentos de atendimento às vítimas.
Copasa: combater o mercado que recebe materiais furtados
A Copasa apresenta uma abordagem interessante: atuar sobre a cadeia de comercialização dos materiais.
Em novembro de 2025, a companhia divulgou sua participação em uma iniciativa da associação Recicla com Ética, em Belo Horizonte.
O encontro reuniu recicladores, representantes de ferros-velhos, órgãos de segurança pública e empresas privadas.
A proposta era ampliar o conhecimento sobre a origem dos equipamentos e incentivar a identificação e a devolução de materiais pertencentes às concessionárias.
O raciocínio é simples.
Se o mercado de reciclagem deixa de adquirir peças furtadas, diminui a possibilidade de comercialização ilegal.
Esse modelo apresenta uma vantagem: pode ser utilizado mesmo enquanto a empresa ainda possui milhares de hidrômetros metálicos instalados.
A iniciativa também demonstra que o combate aos furtos não depende exclusivamente das áreas de manutenção ou segurança patrimonial.
Departamentos jurídicos, equipes comerciais e unidades de relacionamento institucional podem participar da construção de parcerias.
O resultado quantitativo da iniciativa sobre o número de furtos, entretanto, não foi informado na publicação consultada.
Casan: proteção do equipamento e integração com a segurança pública
A Casan também enfrenta furtos de hidrômetros.
Em agosto de 2026, a companhia informou a ocorrência recorrente desse problema na Grande Florianópolis, especialmente envolvendo equipamentos de maior porte, cuja composição pode incluir quantidades superiores de metais.
Uma das medidas adotadas é o abrigo-padrão utilizado desde 2015.
A estrutura possui compartimento plástico, porta de policarbonato transparente e sistema de lacre de proteção.
A companhia também orienta o registro de boletim de ocorrência policial, utilizado no procedimento de comunicação e reposição do equipamento furtado.
O caso oferece duas lições.
A primeira é que a proteção física continua relevante, mesmo quando existem materiais menos atrativos para furto.
A segunda é que o registro adequado da ocorrência pode apoiar a identificação de áreas críticas e a atuação integrada com autoridades policiais.
Para companhias com grande extensão territorial, informações georreferenciadas sobre furtos permitem identificar concentrações de ocorrências e priorizar ações preventivas.
Benchmarking internacional: Joanesburgo já substituía hidrômetros metálicos
Um dos exemplos internacionais mais diretamente comparáveis ao da Sanepar está na África do Sul.
A Johannesburg Water, responsável pelo abastecimento na cidade de Joanesburgo, enfrenta há anos problemas envolvendo furtos e vandalismo de infraestrutura hidráulica.
A empresa identificou o valor comercial de metais como um dos fatores associados à retirada de hidrômetros.
Em 2014, a administração municipal já informava a utilização de medidores plásticos em substituições destinadas a enfrentar problemas técnicos e reduzir a atratividade para furtos.
O impacto econômico foi apresentado com maior clareza em uma publicação oficial de 2019.
Segundo a Prefeitura de Joanesburgo, no exercício anual analisado, a Johannesburg Water registrou aproximadamente 1.100 hidrômetros perdidos por furto, com prejuízo estimado de 2,1 milhões de rands, incluindo reposição e perdas de água.
Experiência internacional — Johannesburg Water
2,1 milhões de rands
Custo estimado de 1.100 medidores furtados, incluindo perdas associadas de água.
Referência histórica divulgada em 2019 pela Prefeitura de Joanesburgo; não representa um resultado financeiro de 2026.
A estratégia adotada incluía a substituição de hidrômetros de latão por equipamentos de plástico, além de iniciativas semelhantes para outros componentes da infraestrutura que possuíam valor no mercado de sucata.
O caso é importante porque demonstra que a mudança de material não é uma experiência exclusiva do saneamento brasileiro.
Mais do que isso, mostra que o prejuízo associado à retirada de medidores pode ser significativo mesmo quando o valor individual de cada equipamento parece relativamente pequeno.
Entretanto, a publicação municipal não apresenta uma avaliação estatística que isole o efeito da substituição por plástico sobre a redução de furtos.
Portanto, o benchmarking comprova a adoção da estratégia e documenta a dimensão do problema, mas não permite afirmar uma economia percentual específica decorrente da mudança de material.
A principal lição internacional é que a escolha dos materiais pode integrar a política de segurança e gestão patrimonial da companhia.
Hidrômetros de plástico medem com a mesma precisão?
Essa é uma das perguntas mais importantes para os profissionais de micromedição.
A precisão de um hidrômetro não é determinada exclusivamente pelo material externo da carcaça.
O desempenho depende do princípio de medição, da construção do equipamento, das condições hidráulicas, da faixa de vazões e da conformidade com os requisitos metrológicos.
Um hidrômetro mecânico com carcaça polimérica pode apresentar desempenho adequado, assim como um equipamento metálico pode sofrer desgaste e submedição ao longo do tempo.
Da mesma forma, o uso de plástico não garante, por si só, maior precisão.
No Brasil, a Portaria Inmetro nº 155/2022 estabelece requisitos técnicos e metrológicos aplicáveis aos medidores para consumo de água potável fria e água quente.
Entre os parâmetros importantes estão a vazão permanente, identificada por Q3, e a relação entre vazões, identificada por R.
A relação R corresponde à divisão da vazão permanente Q3 pela vazão mínima Q1.
Por exemplo, um hidrômetro Q3 de 2,5 m³/h com R250 apresenta vazão mínima de referência Q1 de 0,01 m³/h, equivalente a 10 litros por hora.
Isso não significa que o equipamento medirá perfeitamente qualquer quantidade de água.
O significado é que existe uma faixa metrológica de operação definida, com limites de erro estabelecidos pela regulamentação.
Em sistemas com consumidores de baixo consumo, a sensibilidade em pequenas vazões pode ser especialmente relevante.
Por esse motivo, a substituição de hidrômetros deve considerar simultaneamente as características do material e a capacidade de medir adequadamente o perfil de consumo da ligação.
Esse cuidado evita um erro comum: selecionar um equipamento apenas pelo preço ou pela resistência física, sem avaliar sua adequação metrológica.
Redução de perdas: como a mudança se relaciona à regulação?
A discussão também se conecta às diretrizes nacionais de gestão de perdas.
Em dezembro de 2025, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) aprovou a Norma de Referência nº 15/2025, por meio da Resolução ANA nº 275/2025.
A norma estabelece diretrizes para a redução progressiva e o controle das perdas nos sistemas de distribuição de água.
Entre os elementos previstos estão a padronização do diagnóstico, a elaboração de planos de gestão e o acompanhamento de perdas reais e aparentes.
Embora a norma não determine a substituição generalizada de medidores metálicos por plásticos, seu conteúdo reforça a necessidade de decisões fundamentadas em diagnósticos e análises de custo-benefício.
Nesse contexto, o furto de hidrômetros merece atenção por representar um evento que pode gerar tanto perda física quanto falha de medição.
As empresas devem identificar corretamente os volumes afetados, evitando interpretações inadequadas do balanço hídrico.
Também precisam distinguir perdas por vandalismo de outras causas, como deterioração de redes, vazamentos em ramais, fraudes ou submedição.
A identificação adequada ajuda a direcionar investimentos para as medidas que efetivamente apresentam maior retorno.
O que os gestores devem observar antes de mudar o material?
Adotar hidrômetros de plástico de maneira indiscriminada pode criar novos problemas se os equipamentos não forem adequados às condições locais.
Uma estratégia tecnicamente consistente deve considerar pelo menos quatro dimensões.
1. Resistência mecânica e durabilidade
A carcaça precisa suportar as pressões previstas para o sistema, incluindo situações transitórias.
Devem ser avaliados os efeitos de golpes de pressão, esforços de montagem, impactos externos, exposição solar e envelhecimento do material.
A instalação exige procedimentos adequados de aperto das conexões e utilização de acessórios compatíveis.
2. Desempenho metrológico
A seleção deve considerar a vazão característica dos consumidores e a faixa metrológica do equipamento.
É necessário avaliar a possibilidade de submedição, especialmente em imóveis com consumo reduzido ou instalações internas que favoreçam pequenas vazões.
3. Segurança da instalação completa
Mesmo com carcaça polimérica, o conjunto hidráulico pode continuar utilizando registros, conexões ou outras peças metálicas.
Assim, a retirada do valor comercial da carcaça não elimina necessariamente o interesse por todo o conjunto.
A análise deve abranger medidor, cavalete, conexões, proteção física e localização da instalação.
4. Custo durante a vida útil
O menor preço inicial não corresponde obrigatoriamente à melhor alternativa econômica.
É recomendável considerar a vida útil esperada, a frequência de manutenção, a precisão ao longo do uso, a possibilidade de reparo e os custos de descarte.
A substituição antecipada de equipamentos em boas condições apenas pela mudança de material também exige avaliação econômica específica.
Como uma companhia pode aplicar a experiência da Sanepar?
A experiência pode servir de referência para a implantação de um programa estruturado de prevenção de furtos e proteção da micromedição.
Um caminho recomendado é começar por um diagnóstico territorial.
A companhia pode utilizar os registros de atendimento, ordens de serviço e ocorrências policiais para identificar bairros ou setores com maior incidência de furtos.
Em seguida, deve caracterizar os equipamentos afetados.
A análise pode verificar se existem diferenças relevantes entre medidores metálicos e poliméricos, considerando o número de equipamentos instalados de cada tipo.
Esse detalhe é importante porque comparar apenas quantidades absolutas de furtos pode gerar conclusões erradas.
Uma região com muito mais hidrômetros metálicos naturalmente pode apresentar maior quantidade de ocorrências, mesmo que o risco individual seja semelhante.
O indicador mais apropriado para comparação deve considerar a exposição dos equipamentos, por exemplo, a quantidade de furtos por mil medidores instalados em determinado período.
A partir desse diagnóstico, é possível estruturar um projeto-piloto.
O modelo pode incluir setores com elevada incidência de furtos, nos quais sejam instalados hidrômetros de plástico com aprovação metrológica e proteção física adequada.
Um segundo conjunto de áreas comparáveis pode continuar utilizando a solução convencional durante o período de avaliação.
Nesse caso, o acompanhamento deve considerar diferenças de localização, perfil dos consumidores, exposição dos medidores e outras medidas de segurança.
Os principais indicadores recomendados são:
- Taxa de furtos por mil hidrômetros instalados, por tipo de material.
- Custo médio de reposição, incluindo equipe, deslocamento e materiais.
- Tempo médio entre a comunicação do furto e a regularização.
- Volume estimado de água perdido por ocorrências com vazamento.
- Frequência de avarias e necessidade de manutenção.
- Desempenho metrológico e reclamações de consumidores após a substituição.
Essas informações permitem avaliar se a alternativa apresenta desempenho suficiente para justificar uma ampliação.
Ao mesmo tempo, as equipes comerciais podem utilizar os registros para identificar inconsistências cadastrais decorrentes de equipamentos retirados ou substituídos.
O sistema de gestão precisa registrar o número de série retirado, o equipamento instalado, a leitura de referência, o motivo da troca e a data da intervenção.
Essa rastreabilidade reduz riscos de inconsistências de faturamento e facilita auditorias.
Um problema pouco percebido: furtos podem comprometer a qualidade do cadastro comercial
Além do prejuízo operacional, o furto de hidrômetros representa um risco para a qualidade das informações comerciais.
Quando um medidor é retirado e substituído sem o registro correto dos dados, podem surgir divergências entre a situação física da ligação e as informações presentes no sistema.
Entre as consequências estão leituras incompatíveis, inconsistências de consumo, faturamento incorreto e dificuldade para reconstruir o histórico do equipamento.
Também existe o risco de uma ligação permanecer temporariamente sem medição regular, caso a substituição não seja realizada de maneira tempestiva.
Esse problema reforça a importância da integração entre os sistemas de ordens de serviço, gestão de ativos e faturamento.
Para profissionais comerciais, a preocupação não deve se limitar ao atendimento da solicitação.
É necessário garantir que a solução física seja acompanhada pela regularização cadastral.
Uma ordem de serviço concluída no campo, mas não refletida adequadamente no sistema comercial, pode continuar produzindo efeitos negativos por vários ciclos de faturamento.
A qualidade da micromedição depende tanto do equipamento instalado quanto da integridade das informações associadas a ele.
O que pode dar errado na substituição por hidrômetros de plástico?
A mudança apresenta oportunidades, mas também limitações.
Uma delas é considerar que o uso de polímeros elimina completamente os furtos.
Isso não é correto.
Equipamentos podem continuar sendo retirados por vandalismo, tentativas de fraude ou interesse em componentes metálicos da instalação.
Outra possibilidade é o surgimento de falhas prematuras quando o material não apresenta características adequadas às condições de operação.
Também deve ser considerada a diversidade de produtos disponíveis no mercado.
Existem diferentes formulações de polímeros, processos de fabricação e soluções de reforço estrutural. Portanto, não é apropriado tratar todos os hidrômetros de plástico como se apresentassem desempenho idêntico.
Além disso, os impactos ambientais precisam ser analisados durante todo o ciclo de vida.
A menor quantidade de metal não significa automaticamente menor impacto ambiental.
A fabricação do polímero, sua durabilidade, a possibilidade de reciclagem e o destino após a substituição precisam entrar na avaliação.
Outro ponto sensível está na aceitação dos consumidores.
Após uma substituição, um hidrômetro mais preciso pode registrar volumes que anteriormente não eram integralmente medidos por equipamentos desgastados.
Isso pode resultar em aumento do consumo faturado, mesmo sem mudança no uso efetivo da água.
A comunicação precisa explicar a finalidade da substituição e oferecer mecanismos adequados para esclarecer dúvidas ou contestar medições.
Oportunidades: a próxima evolução pode estar na combinação de tecnologias
A experiência da Sanepar também permite enxergar uma tendência mais ampla.
A evolução da micromedição não está limitada à troca dos materiais utilizados na carcaça.
O setor dispõe de alternativas envolvendo hidrômetros volumétricos, ultrassônicos, sensores de violação e sistemas de leitura remota.
A combinação dessas soluções pode ampliar a capacidade de identificar problemas.
Por exemplo, equipamentos com comunicação remota podem fornecer dados de consumo sem depender exclusivamente da leitura presencial.
Em determinadas arquiteturas, interrupções de comunicação, alertas de violação ou comportamentos anormais de consumo podem contribuir para a identificação de ocorrências.
Entretanto, a capacidade de detectar a retirada física do equipamento depende de funcionalidades específicas. Nem todo hidrômetro inteligente possui sensores de violação ou mecanismos que identifiquem furtos.
O mesmo cuidado vale para as caixas de proteção.
Uma estrutura reforçada pode reduzir a facilidade de acesso, mas precisa permitir leitura, inspeção e manutenção em condições adequadas.
A melhor solução poderá variar entre bairros, municípios e perfis de consumidores.
Locais com histórico de furtos, grande exposição dos equipamentos ou dificuldade de deslocamento das equipes podem justificar investimentos diferentes daqueles realizados em regiões com baixa incidência.
Por isso, a tendência mais promissora não é necessariamente substituir todos os medidores por uma única tecnologia.
É desenvolver uma política de micromedição orientada por risco, desempenho e custo total de operação.
Lições para profissionais de saneamento
A análise da experiência paranaense, associada aos casos de Minas Gerais, Santa Catarina e Joanesburgo, oferece ensinamentos aplicáveis a diferentes estruturas de saneamento.
A primeira lição é que a engenharia de materiais pode resolver problemas que aparentemente pertencem apenas à segurança patrimonial.
Reduzir a atratividade econômica de um equipamento pode ser tão importante quanto dificultar fisicamente seu acesso.
A segunda está na necessidade de enxergar os custos de maneira integrada.
Uma ocorrência de furto envolve profissionais de diferentes áreas, desde o atendimento ao cliente até a manutenção, a micromedição e a gestão comercial.
Quando esses custos são acompanhados separadamente, o prejuízo total pode permanecer invisível.
A terceira lição envolve a importância do conhecimento das equipes de campo.
Leituristas, técnicos de manutenção e profissionais responsáveis pela substituição de hidrômetros possuem informações práticas sobre padrões de furtos, locais vulneráveis, dificuldades de instalação e recorrência de avarias.
Essas observações podem ajudar a definir requisitos para futuras aquisições e orientar projetos de prevenção.
A quarta é que soluções tecnológicas devem ser avaliadas com indicadores.
A percepção de que determinado material é mais resistente ou menos atrativo não substitui uma análise comparativa baseada em ocorrências reais.
Por fim, há uma lição para a gestão estratégica.
Uma mudança aparentemente simples, como substituir o material de uma carcaça, pode influenciar contratos de aquisição, produtividade, perda de água, satisfação do consumidor e confiabilidade do faturamento.
Reconhecer essas conexões é uma competência cada vez mais relevante para quem administra empresas de saneamento.
Conclusão: o hidrômetro precisa ser tratado como ativo estratégico
A decisão da Sanepar de utilizar materiais com menor valor comercial para reciclagem representa mais do que uma alteração na fabricação de hidrômetros.
Ela evidencia uma mudança na forma de abordar um problema antigo.
Em vez de depender exclusivamente de medidas de segurança e reposição após os furtos, a estratégia procura atuar também sobre o incentivo econômico associado à retirada do equipamento.
A experiência internacional de Joanesburgo demonstra que essa abordagem já foi aplicada em outro contexto operacional, enquanto iniciativas da Copasa e da Casan mostram a importância das medidas complementares.
Entretanto, a comprovação dos benefícios exige acompanhamento.
Ainda são necessários dados que permitam comparar a incidência de furtos, os custos operacionais e o desempenho metrológico dos diferentes equipamentos ao longo do tempo.
Os hidrômetros de plástico representam uma alternativa tecnicamente relevante, mas seu valor estratégico estará nos resultados que as companhias conseguirem demonstrar.
Para o futuro do setor, a principal oportunidade está em transformar a política de aquisição e substituição de medidores em um processo integrado de gestão de ativos.
Isso significa deixar de avaliar apenas quanto custa comprar um hidrômetro e passar a considerar quanto custa instalá-lo, protegê-lo, mantê-lo, utilizá-lo para faturamento e substituí-lo ao final de sua vida útil.
Quando essa visão orienta as decisões, a micromedição deixa de ser apenas uma atividade de registro de consumo.
Passa a contribuir diretamente para a eficiência econômica, a redução de perdas e a confiabilidade dos serviços prestados.
E é nesse ponto que uma inovação aparentemente simples pode produzir resultados importantes para uma companhia de saneamento.
Fontes e referências
1. Sanepar — Companhia de Saneamento do Paraná
Você Sabia? Novos hidrômetros são feitos de material para desestimular furtos.
Publicação: 19 de outubro de 2026.
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2. Sanepar — Companhia de Saneamento do Paraná
Sanepar renova seu parque de hidrômetros com substituição de 380 mil equipamentos em todo o Paraná.
Publicação: 17 de abril de 2026.
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3. Sanepar — Companhia de Saneamento do Paraná
Caixa de Proteção de Hidrômetros será testada pela Sanepar.
Publicação: 25 de abril de 2013.
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4. Sanepar — Companhia de Saneamento do Paraná
Com novas tecnologias, hidrômetros atuais são resistentes ao frio, mas exigem outros cuidados.
Publicação: 22 de junho de 2026.
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5. Sanepar — Sistema de Licitações
Pregão Eletrônico nº 1354/2026 — Aquisição de hidrômetros.
Homologação informada: 11 de agosto de 2026.
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6. Copasa — Companhia de Saneamento de Minas Gerais
Copasa reforça parceria contra furto em encontro de reciclagem consciente.
Publicação: 27 de novembro de 2025.
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7. Casan — Companhia Catarinense de Águas e Saneamento
Serviço de utilidade pública: Orientação sobre furto de hidrômetro.
Publicação: 11 de agosto de 2026.
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8. City of Johannesburg — Prefeitura de Joanesburgo, África do Sul
City loses over R50 million annually to theft and vandalism.
Publicação: 2019. Contém dados específicos sobre furtos de hidrômetros e custos da Johannesburg Water.
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9. City of Johannesburg — Prefeitura de Joanesburgo
T-Codes Project to Address Technically Faulty Meters.
Publicação: 19 de março de 2014.
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10. ANA — Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico
Resolução ANA nº 275/2025 — Norma de Referência nº 15/2025: Gestão de redução progressiva e controle de perdas de água.
Publicação: 18 de dezembro de 2025.
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11. Inmetro — Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia
Portaria nº 155, de 30 de março de 2022 — Regulamento Técnico Metrológico consolidado para medidores de água potável fria e água quente.
Publicação no Diário Oficial da União: 31 de março de 2022.
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12. Sabesp — Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo
Controle de Perdas — Conceitos, ações de combate e gestão das perdas reais e aparentes.
Página institucional consultada em outubro de 2026.
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