Águas do Brasil amplia conhecimento para 800 profissionais com multiplicadores

Mais de 800 profissionais capacitados, 22 colaboradores transformados em multiplicadores, 46 turmas realizadas, 170 horas de capacitação e 15 temas diferentes. Os números alcançados pelo Grupo Águas do Brasil em 2025 revelam uma mudança importante na forma como empresas de saneamento podem desenvolver pessoas: o conhecimento que antes permanecia concentrado em determinadas áreas ou profissionais passa a circular pela organização.

A estratégia merece atenção porque o saneamento depende intensamente de conhecimento técnico acumulado. Uma estação de tratamento de água não funciona apenas com equipamentos. Uma rede de distribuição não é operada somente com mapas e sistemas. Da mesma forma, uma área comercial não melhora seus resultados apenas com softwares. Por trás de cada processo existem profissionais que acumulam experiência, conhecem particularidades dos sistemas e aprendem diariamente a resolver situações que dificilmente aparecem integralmente em manuais.

É justamente nesse ponto que a gestão do conhecimento no saneamento ganha importância estratégica.

No Grupo Águas do Brasil, parte dessa movimentação ocorre por meio do Programa de Multiplicadores do Conhecimento. A proposta transforma profissionais da própria organização em facilitadores de treinamentos, criando condições para que experiências práticas sejam compartilhadas entre equipes e unidades.

22 profissionais compartilharam conhecimento com mais de 800 pessoas

Durante 2025, 22 multiplicadores conduziram 46 turmas, totalizando 170 horas de capacitação distribuídas em 15 temas. Mais de 800 profissionais participaram das atividades.

Os conteúdos envolveram assuntos técnicos e comportamentais, incluindo tratamento de água e esgoto, processos operacionais, legislação trabalhista, comunicação eficaz e desenvolvimento profissional.

A diversidade é relevante.

Em uma companhia de saneamento, melhorar resultados exige integração entre diferentes competências. A eficiência de uma estação pode depender de conhecimento químico, hidráulico, eletromecânico, ambiental e operacional. Entretanto, os resultados da companhia também dependem de contratos, atendimento aos clientes, faturamento, regulação, segurança, tecnologia, comunicação e gestão de pessoas.

Consequentemente, a gestão do conhecimento no saneamento não pode ficar limitada à engenharia.

Ela precisa alcançar operadores, técnicos, laboratoristas, eletricistas, equipes de manutenção, leituristas, agentes comerciais, profissionais administrativos, engenheiros, analistas, gestores e lideranças.

O conhecimento que existe dentro das companhias tem enorme valor

Existe um tipo de conhecimento particularmente importante para empresas de infraestrutura: o conhecimento tácito.

Trata-se daquele aprendizado adquirido pela experiência.

Um operador experiente, por exemplo, pode perceber uma alteração no processo antes mesmo de um indicador atingir determinado limite. Uma equipe de manutenção pode reconhecer padrões associados a uma falha recorrente. Um profissional comercial pode identificar comportamentos que normalmente antecedem aumento de inadimplência ou reclamações.

Parte desse aprendizado pode não estar formalmente documentada.

Por isso, quando um profissional experiente deixa determinada função sem que seu conhecimento tenha sido registrado ou compartilhado, a organização corre o risco de perder uma parcela relevante de sua memória operacional.

A gestão do conhecimento no saneamento procura reduzir justamente esse risco.

Ao criar multiplicadores internos, procedimentos estruturados, treinamentos, vídeos, documentos técnicos, comunidades de prática e plataformas digitais, torna-se possível transformar experiência individual em conhecimento organizacional.

Quem ensina também aprende

Um aspecto interessante do Programa de Multiplicadores do Conhecimento está na valorização dos próprios profissionais.

Entre os exemplos divulgados pelo Grupo está o laboratorista João Victor de Almeida Prado, da Águas de Votorantim, responsável pelo treinamento “Matemática aplicada ao mundo corporativo”.

Outro exemplo envolve Bruna Reis, analista de Gente e Gestão da Águas do Paraíba, que conduziu uma capacitação sobre comunicação assertiva.

A lógica altera o modelo tradicional de capacitação.

Em vez de considerar que todo conhecimento precisa obrigatoriamente vir de consultorias, instituições externas ou especialistas contratados, passa-se a reconhecer que existe conhecimento de alto valor dentro da própria companhia.

Naturalmente, treinamentos externos continuam sendo fundamentais. Entretanto, conhecimentos internos e externos podem funcionar de maneira complementar.

Assim, a gestão do conhecimento no saneamento também se transforma em instrumento de reconhecimento profissional. Um operador pode se tornar referência técnica. Um laboratorista pode compartilhar métodos. Um engenheiro pode disseminar soluções. Um profissional comercial pode ensinar boas práticas. Um gestor experiente pode contribuir para a formação de novas lideranças.

Valorizar quem conhece profundamente o saneamento é também uma forma de fortalecer o próprio setor.

UniÁguas amplia a escala da capacitação

Além dos treinamentos conduzidos pelos multiplicadores, o Grupo Águas do Brasil utiliza a UniÁguas como plataforma de aprendizagem corporativa.

Segundo as informações divulgadas, a plataforma completou um ano dessa etapa de operação reunindo aproximadamente 560 conteúdos, distribuídos entre trilhas técnicas, comportamentais e de compliance.

Em 2025, a participação chegou a 95% dos colaboradores do Grupo Águas do Brasil. Quando considerada também a operação da Rio+Saneamento, o percentual informado foi de 70%.

Também foram incorporadas trilhas relacionadas a Word, PowerPoint e Excel Essencial, além do Hub Rocks, com cursos de curta duração e benefícios relacionados a MBAs e pós-graduações.

A combinação entre treinamento presencial, profissionais multiplicadores e aprendizagem digital constitui um modelo particularmente interessante para organizações distribuídas geograficamente.

Uma companhia pode possuir dezenas de unidades operacionais, estações, escritórios, laboratórios e instalações afastadas entre si. Portanto, depender apenas de capacitações presenciais pode limitar significativamente a velocidade de disseminação do conhecimento.

Plataformas digitais aumentam a escala, enquanto multiplicadores aproximam o conteúdo da realidade operacional.

É justamente essa combinação que fortalece a gestão do conhecimento no saneamento.

A estratégia não surgiu agora

A UniÁguas possui raízes anteriores à atual plataforma digital.

Documentação apresentada ao Prêmio Nacional da Qualidade em Saneamento já descrevia a universidade corporativa estruturada em grandes blocos voltados a conteúdos institucionais, trilhas de desenvolvimento, formação de líderes e educação profissional.

Isso demonstra uma evolução gradual.

Anteriormente, a universidade corporativa concentrava programas estruturados de desenvolvimento. Posteriormente, tecnologias digitais ampliaram a capacidade de distribuição. Agora, os multiplicadores internos acrescentam uma terceira camada: a circulação horizontal do conhecimento entre profissionais.

Na prática, cria-se um ecossistema de aprendizagem.

E esse conceito tende a ser cada vez mais importante para a gestão do conhecimento no saneamento.

Por que isso importa para a operação?

Capacitação não deve ser tratada apenas como indicador de Recursos Humanos.

Quando bem estruturada, pode gerar reflexos operacionais importantes.

Entre os potenciais benefícios estão:

  • maior padronização das atividades;
  • redução de erros operacionais;
  • disseminação mais rápida de procedimentos;
  • desenvolvimento de novas lideranças;
  • redução da dependência de conhecimentos concentrados em poucas pessoas;
  • melhoria da integração entre áreas;
  • fortalecimento da segurança operacional;
  • aceleração da adoção de novas tecnologias;
  • formação de profissionais para sucessão;
  • aumento da capacidade de resolução de problemas.

No saneamento, pequenas melhorias de conhecimento podem produzir efeitos significativos.

Um procedimento de manutenção melhor disseminado pode reduzir indisponibilidades. Um treinamento sobre perdas pode melhorar a identificação de vazamentos e irregularidades. Uma capacitação comercial pode reduzir retrabalho. Uma orientação sobre tratamento pode contribuir para maior estabilidade operacional.

Por isso, a gestão do conhecimento no saneamento precisa ser observada sob a ótica da eficiência operacional.

Conhecimento também ajuda a proteger a operação

Companhias de saneamento convivem com aposentadorias, mudanças de equipes, expansão territorial, concessões, novas tecnologias e crescente digitalização.

Esse cenário aumenta um risco frequentemente subestimado: a perda de memória técnica.

Quando apenas uma ou duas pessoas conhecem determinado procedimento, sistema ou particularidade operacional, cria-se uma dependência perigosa.

Consequentemente, companhias mais maduras precisam identificar conhecimentos críticos.

Perguntas importantes passam a fazer parte da gestão:

Quais processos dependem excessivamente de profissionais específicos?

Quais conhecimentos essenciais ainda não estão documentados?

Quem substituiria determinado especialista?

Existem procedimentos operacionais atualizados?

Os treinamentos estão relacionados aos principais riscos da companhia?

O conhecimento adquirido em uma unidade consegue chegar às demais?

Essas perguntas tornam a gestão do conhecimento no saneamento uma ferramenta de gestão de riscos.

O setor brasileiro precisa ampliar a capacitação

A discussão não está restrita a uma empresa.

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico mantém ações específicas de capacitação relacionadas à gestão das águas, regulação e saneamento. A própria legislação atribui à Agência responsabilidades relacionadas ao estímulo à capacitação de recursos humanos.

A Funasa também trata capacitação, intercâmbio, produção conjunta de conhecimento, desenvolvimento institucional e transferência de tecnologias como mecanismos relevantes para melhorar a gestão dos serviços de saneamento.

Além disso, estudos ligados ao Plansab chamam atenção para a importância de avaliar a qualificação dos especialistas que atuam no setor, incluindo formação, experiência profissional e participação em treinamentos.

Portanto, existe uma mensagem convergente: infraestrutura é indispensável, porém não é suficiente.

Novas estações, redes, equipamentos, sensores, medidores inteligentes, sistemas de automação e inteligência artificial dependem de profissionais preparados para projetar, implantar, operar, analisar e manter essas soluções.

Tecnologia sem profissionais capacitados perde valor

A transformação digital tornou essa discussão ainda mais relevante.

SCADA, telemetria, inteligência artificial, modelagem hidráulica, sistemas comerciais, geoprocessamento, automação e análise de dados oferecem enorme potencial para o saneamento.

Entretanto, adquirir tecnologia não significa automaticamente obter resultado.

É preciso desenvolver pessoas.

Uma ferramenta avançada utilizada sem conhecimento adequado pode acabar funcionando apenas como uma plataforma cara para executar processos antigos.

Por outro lado, profissionais capacitados conseguem questionar processos, interpretar dados, identificar oportunidades e adaptar tecnologias às necessidades reais da operação.

Por isso, a gestão do conhecimento no saneamento deve acompanhar a transformação digital.

A própria Agenda e Roadmap Digital para o setor de saneamento destaca a capacitação empresarial como elemento necessário para ampliar qualitativamente o uso de ferramentas digitais pelos prestadores.

Como medir se a gestão do conhecimento está funcionando?

Um programa de conhecimento não deveria ser acompanhado apenas pelo número de cursos realizados.

Indicadores mais avançados podem ajudar a avaliar seus efeitos.

Entre eles:

Horas de capacitação por profissional
Permitem acompanhar a intensidade do desenvolvimento.

Percentual de profissionais capacitados
Mostra o alcance das ações.

Número de multiplicadores internos
Ajuda a avaliar a descentralização do conhecimento.

Conhecimentos críticos documentados
Indica redução de dependência individual.

Participação nas plataformas digitais
Mede engajamento.

Aplicação prática após treinamento
Avalia se o conhecimento realmente chegou ao processo.

Redução de falhas e retrabalho
Pode demonstrar impactos operacionais.

Formação de sucessores
Contribui para analisar continuidade organizacional.

Compartilhamento entre unidades
Mostra se boas práticas conseguem ultrapassar barreiras geográficas.

O nível mais avançado da gestão do conhecimento no saneamento ocorre quando o aprendizado começa a aparecer nos indicadores do negócio.

O próximo passo é transformar experiência em inteligência organizacional

Programas como o desenvolvido pelo Grupo Águas do Brasil apontam para uma evolução importante na gestão de pessoas dentro do setor.

Durante décadas, uma parcela significativa do conhecimento do saneamento foi construída no campo, nas estações, nos laboratórios, nos escritórios comerciais, nas equipes de manutenção e na resolução diária de problemas.

Esse conhecimento continua sendo um dos maiores ativos das companhias.

Entretanto, ele precisa circular.

Quando um profissional ensina outro, a organização reduz dependências. Quando uma boa prática é documentada, deixa de pertencer somente a uma equipe. Quando uma experiência local pode ser replicada em outras unidades, aumenta-se a capacidade de gerar eficiência em escala.

Nesse contexto, plataformas digitais são importantes. Universidades corporativas também. Consultorias, cursos externos e instituições de ensino continuam fundamentais.

Porém, nenhum desses instrumentos substitui completamente o conhecimento acumulado pelos próprios profissionais do saneamento.

São operadores, técnicos, laboratoristas, engenheiros, agentes comerciais, eletricistas, analistas, gestores e tantos outros profissionais que conhecem diariamente os desafios reais de levar água, coletar e tratar esgoto e manter sistemas essenciais funcionando 24 horas por dia.

Valorizar esse conhecimento significa valorizar quem sustenta diariamente os serviços de saneamento.

A experiência do Grupo Águas do Brasil reforça, portanto, uma tendência que merece ganhar escala no setor: gestão do conhecimento no saneamento não é simplesmente treinamento. É continuidade operacional, desenvolvimento profissional, inovação, segurança, produtividade e preservação da inteligência construída por milhares de profissionais ao longo de suas carreiras.

Fontes consultadas

Revista TAE — Compartilhamento de conhecimento entre os colaboradores vem ganhando força no Grupo Águas do Brasil
Acessar a reportagem da Revista TAE

Grupo Águas do Brasil — Relatórios de Sustentabilidade
Acessar os relatórios do Grupo Águas do Brasil

Funasa — Apoio à Gestão dos Sistemas de Saneamento Básico
Acessar conteúdo da Funasa

Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico — Cursos e capacitação
Acessar página de capacitação da ANA

Ministério das Cidades — Capacidade de gestão do saneamento básico em municípios brasileiros
(Serviços e Informações do Brasil⁠)

ABES — Plataforma ABES do Conhecimento
Acessar Plataforma ABES do Conhecimento

PNQS — documentação sobre a estrutura da UniÁguas
(PNQS⁠)