A modernização de uma Estação de Tratamento de Água não depende apenas da substituição de bombas, filtros ou equipamentos. Cada vez mais, a capacidade de enxergar o sistema em tempo real, antecipar problemas e transformar dados operacionais em decisões rápidas passa a ser tão importante quanto a infraestrutura física.
Em Ponte Nova, Minas Gerais, o Departamento Municipal de Água, Esgoto e Saneamento (DMAES) implantou um sistema de monitoramento capaz de acompanhar remotamente a operação da Estação de Tratamento de Água, as bombas e os níveis dos reservatórios. O projeto tornou possível verificar parâmetros do tratamento, acompanhar ações operacionais e identificar situações anormais sem depender exclusivamente de verificações presenciais.
Mais do que digitalização, o caso demonstra como a automação da ETA pode modificar a gestão de um sistema de abastecimento. Entretanto, também evidencia uma conclusão fundamental para o setor: tecnologia não substitui operadores, técnicos, engenheiros e equipes de manutenção. Pelo contrário, aumenta a quantidade e a qualidade das informações disponíveis para esses profissionais tomarem decisões.
ETA de Ponte Nova trata cerca de 200 litros por segundo
A ETA do DMAES utiliza água bruta captada no rio Piranga e, segundo as informações divulgadas, trabalha com vazão média próxima de 200 litros por segundo. A instalação opera continuamente e realiza o tratamento convencional necessário para transformar a água do manancial em água adequada ao abastecimento público.
O processo passa por etapas como coagulação, floculação, decantação, filtração, desinfecção, fluoretação, correção de pH e reservação.
Embora essas etapas sejam conhecidas pelos profissionais de saneamento, a dificuldade operacional está justamente na variabilidade da água bruta. Chuvas, estiagens, aumento da turbidez, sedimentos e mudanças nas características do manancial podem exigir ajustes rápidos na operação.
Consequentemente, a automação da ETA permite ampliar a capacidade de acompanhamento dessas mudanças. Dados que anteriormente poderiam depender de leituras locais passam a ficar disponíveis de forma mais rápida para operadores e gestores.
ETAWeb criou uma visão integrada da operação
O sistema utilizado pelo DMAES foi denominado ETAWeb. Conforme a descrição do projeto, a plataforma passou a permitir o acompanhamento remoto das atividades da estação.
Entre as informações e funcionalidades relatadas estavam o acompanhamento das ações dos operadores, controle de bombas, verificação da qualidade da água em tratamento e monitoramento dos níveis dos reservatórios. Além disso, existia uma ferramenta de comunicação entre usuários do sistema.
Na prática, a automação da ETA transforma diferentes equipamentos e informações operacionais em uma visão mais integrada da produção de água.
Isso é particularmente relevante em sistemas que funcionam 24 horas por dia. Durante a madrugada, por exemplo, gestores podem precisar conhecer rapidamente a situação da produção, da reservação ou de uma estação elevatória antes de decidir por uma intervenção.
Portanto, quanto melhor a informação, menor tende a ser a dependência de decisões baseadas apenas em percepção ou experiência isolada.
Reservatórios também passaram a fazer parte do sistema
Outro aspecto importante foi a integração entre tratamento e distribuição.
O projeto descrito pelo DMAES permitiu acompanhar os níveis dos reservatórios de água tratada e automatizar o funcionamento de bombas. Quando determinado reservatório atingia seu nível máximo, por exemplo, o sistema poderia interromper o bombeamento correspondente.
Além disso, situações como falhas operacionais ou falta de energia poderiam gerar alertas.
Esse ponto é especialmente relevante porque a automação da ETA produz benefícios maiores quando deixa de olhar somente para dentro da estação e começa a enxergar o sistema de abastecimento como um conjunto.
Produção, reservação, bombeamento e distribuição estão diretamente relacionados.
Uma ETA pode produzir água adequadamente e, ainda assim, ocorrer desabastecimento caso reservatórios sejam operados de maneira inadequada, elevatórias apresentem falhas ou a distribuição não esteja integrada à disponibilidade hídrica do sistema.
Dados podem ajudar a reduzir paralisações
Uma das aplicações mais interessantes descritas no projeto foi a possibilidade de estimar por quanto tempo a ETA poderia ser interrompida sem provocar falta de água para a população.
Essa decisão depende, entre outros fatores, do volume existente nos reservatórios, comportamento de consumo, vazão distribuída e condição operacional das unidades.
Consequentemente, a automação da ETA permite substituir parte da incerteza por informações mais estruturadas.
Registros relacionados ao DMAES mostram que, posteriormente, estudos operacionais permitiram paralisar temporariamente a estação durante determinadas horas, buscando economia de energia sem comprometer o abastecimento. Em uma das iniciativas divulgadas, a interrupção planejada chegou a duas horas por dia e fazia parte de ações de eficiência energética e redução de perdas.
Esse é um exemplo importante para gestores de saneamento: automação não deve ser avaliada apenas pelo custo do software ou dos sensores. O retorno pode surgir de decisões operacionais melhores.
Automação também pode melhorar a eficiência energética
Bombas representam uma parcela relevante do consumo energético de sistemas de abastecimento. Portanto, operar equipamentos no momento errado, bombear contra reservatórios praticamente cheios ou manter unidades funcionando sem necessidade pode elevar custos.
Com dados confiáveis sobre níveis, pressões, vazões e funcionamento dos conjuntos motobomba, torna-se possível aprimorar as estratégias de operação.
Assim, a automação da ETA pode contribuir para:
- reduzir bombeamentos desnecessários;
- evitar extravasamentos de reservatórios;
- identificar falhas rapidamente;
- planejar horários de funcionamento;
- acompanhar tendências de consumo;
- reduzir intervenções emergenciais;
- melhorar a comunicação entre turnos;
- criar histórico operacional para análise de desempenho.
Entretanto, dados ruins também podem gerar decisões ruins. Por isso, sensores, transmissores, macromedidores e instrumentos precisam ser calibrados, mantidos e periodicamente verificados.
Macromedição continua sendo fundamental
Esse aspecto merece atenção especial no caso de Ponte Nova.
Relatório de fiscalização do sistema recomendou a implantação de macromedição de água bruta e água tratada. O documento também registrou outorga de captação de 200 litros por segundo no rio Piranga e ocorrência histórica de picos superiores a esse valor.
Portanto, uma automação da ETA madura depende de instrumentos confiáveis.
Não basta apresentar números em uma tela. É necessário garantir que o dado representado seja tecnicamente correto.
Para profissionais do saneamento, essa diferença é essencial. Um sistema supervisório sofisticado conectado a um medidor impreciso apenas disponibiliza um erro com maior velocidade.
Consequentemente, automação, instrumentação, macromedição, manutenção e calibração precisam avançar juntas.
Qualidade da água continua acima de qualquer automação
A tecnologia também não modifica o objetivo principal de uma ETA: produzir água segura para consumo humano.
Atualmente, o padrão brasileiro é estabelecido pelo Anexo XX da Portaria de Consolidação GM/MS nº 5/2017, atualizado principalmente pelas Portarias GM/MS nº 888/2021 e nº 2.472/2021.
A regulamentação estabelece responsabilidades relacionadas ao controle da qualidade da água, monitoramento, operação, manutenção e capacitação dos profissionais envolvidos nos sistemas de abastecimento.
Portanto, a automação da ETA deve funcionar como ferramenta adicional de segurança operacional. Sensores on-line podem ampliar a velocidade da identificação de alterações, enquanto análises laboratoriais e procedimentos de controle permanecem indispensáveis.
Tecnologia aumenta a importância dos profissionais
Existe uma interpretação equivocada de que automação reduz a importância do operador de ETA. Na prática, ocorre justamente o contrário.
Quanto mais tecnologia existe, maior se torna a necessidade de profissionais capazes de interpretar alarmes, tendências, parâmetros físico-químicos, comportamento hidráulico e informações de processo.
A própria regulamentação brasileira determina a capacitação e atualização técnica dos profissionais envolvidos na produção, distribuição, armazenamento e controle da qualidade da água.
Além disso, existem exemplos concretos dessa valorização profissional. Em 2025, profissional do próprio DMAES de Ponte Nova participou da capacitação de operadores do SAAE de Viçosa, abordando operação de ETA, pontos críticos de controle, lavagem de filtros e Jar Test.
Portanto, a automação da ETA não elimina conhecimento operacional. Ela potencializa esse conhecimento.
O operador deixa de trabalhar apenas reagindo ao problema e passa a ter melhores condições de perceber tendências antes de uma ocorrência crítica.
Automação exige atenção à cibersegurança
Quanto maior a conectividade, entretanto, maior também precisa ser o cuidado com a segurança digital.
Sistemas modernos de automação industrial, como SCADA e plataformas de supervisão, conseguem monitorar sensores e comandar bombas, válvulas e outros equipamentos remotamente. Entretanto, exatamente por controlarem ativos críticos, precisam ser protegidos contra acessos indevidos, falhas de comunicação e ataques cibernéticos.
Para prestadores de saneamento, isso significa manter políticas de controle de acesso, cópias de segurança, segregação das redes operacionais, atualização de sistemas, registros de usuários e procedimentos para operação manual em situações emergenciais.
Em 2026, a agência ambiental norte-americana EPA chegou a promover exercício específico para testar a capacidade de empresas de água e esgoto continuarem operando quando telecomunicações, internet ou acesso remoto ao SCADA estivessem indisponíveis.
Portanto, digitalizar significa também preparar contingências.
O que o caso do DMAES ensina ao setor
O principal aprendizado do caso de Ponte Nova não está somente na instalação de uma plataforma de monitoramento.
A experiência mostra que a automação da ETA precisa fazer parte de uma estratégia mais ampla que una tratamento, reservação, bombeamento, distribuição, medição, eficiência energética e qualificação profissional.
Além disso, cada novo sensor deve responder a uma pergunta operacional. Cada alarme deve gerar uma ação definida. Cada indicador precisa ajudar alguém a decidir melhor.
Caso contrário, ocorre apenas a digitalização de uma operação antiga.
Quando bem aplicada, entretanto, a automação permite construir uma operação mais previsível, documentada e baseada em dados.
Modernização começa na tecnologia, mas termina nas pessoas
O saneamento está se tornando cada vez mais digital. Sistemas supervisórios, sensores on-line, telemetria, inteligência artificial e análise de dados tendem a ocupar espaço crescente nas companhias e autarquias brasileiras.
Entretanto, nenhuma dessas tecnologias produz água potável sozinha.
São operadores que percebem comportamentos incomuns. São técnicos que mantêm sensores funcionando. São laboratoristas que verificam a qualidade da água. São equipes eletromecânicas que recuperam equipamentos. São engenheiros que analisam os dados. E são gestores que transformam essas informações em decisões.
Por isso, a automação da ETA deve ser entendida como uma ferramenta de valorização profissional e fortalecimento da operação.
A estação mais moderna não é necessariamente aquela com maior quantidade de telas.
É aquela em que tecnologia, processos e profissionais trabalham juntos para entregar água segura, continuamente e com eficiência.
Nota de apuração
A página utilizada como ponto de partida aparece atualmente no portal Ponte Nova Online, porém registros correlatos apontam que o projeto descrito está associado a uma fase anterior de modernização do DMAES, próxima ao planejamento estratégico 2014-2017. Por esse motivo, a iniciativa foi analisada como case técnico, sem caracterizá-la como implantação realizada em 2026.
Fontes
Ponte Nova Online — A ETA do DMAES está mais moderna
Acessar a publicação
Ponte Nova Online — Adequação no funcionamento da ETA gera economia de energia elétrica
Acessar a publicação
ARIS/CISAB Zona da Mata — Relatório de fiscalização do sistema de Ponte Nova
Acessar o relatório técnico
Ministério da Saúde — Portaria GM/MS nº 888/2021
Acessar a norma de potabilidade
Ministério da Saúde — Norma de Qualidade da Água para Consumo Humano
Acessar a página oficial
SAAE Viçosa — Capacitação de operadores de ETA com profissional do DMAES
Acessar a publicação
US EPA — SCADA e qualidade de dados em ETAs
Acessar a referência técnica
US EPA — Cibersegurança para sistemas de água e SCADA
Acessar a referência técnica
A modernização de uma Estação de Tratamento de Água não depende apenas da substituição de bombas, filtros ou equipamentos. Cada vez mais, a capacidade de enxergar o sistema em tempo real, antecipar problemas e transformar dados operacionais em decisões rápidas passa a ser tão importante quanto a infraestrutura física.
Em Ponte Nova, Minas Gerais, o Departamento Municipal de Água, Esgoto e Saneamento (DMAES) implantou um sistema de monitoramento capaz de acompanhar remotamente a operação da Estação de Tratamento de Água, as bombas e os níveis dos reservatórios. O projeto tornou possível verificar parâmetros do tratamento, acompanhar ações operacionais e identificar situações anormais sem depender exclusivamente de verificações presenciais.
Mais do que digitalização, o caso demonstra como a automação da ETA pode modificar a gestão de um sistema de abastecimento. Entretanto, também evidencia uma conclusão fundamental para o setor: tecnologia não substitui operadores, técnicos, engenheiros e equipes de manutenção. Pelo contrário, aumenta a quantidade e a qualidade das informações disponíveis para esses profissionais tomarem decisões.
ETA de Ponte Nova trata cerca de 200 litros por segundo
A ETA do DMAES utiliza água bruta captada no rio Piranga e, segundo as informações divulgadas, trabalha com vazão média próxima de 200 litros por segundo. A instalação opera continuamente e realiza o tratamento convencional necessário para transformar a água do manancial em água adequada ao abastecimento público.
O processo passa por etapas como coagulação, floculação, decantação, filtração, desinfecção, fluoretação, correção de pH e reservação.
Embora essas etapas sejam conhecidas pelos profissionais de saneamento, a dificuldade operacional está justamente na variabilidade da água bruta. Chuvas, estiagens, aumento da turbidez, sedimentos e mudanças nas características do manancial podem exigir ajustes rápidos na operação.
Consequentemente, a automação da ETA permite ampliar a capacidade de acompanhamento dessas mudanças. Dados que anteriormente poderiam depender de leituras locais passam a ficar disponíveis de forma mais rápida para operadores e gestores.
ETAWeb criou uma visão integrada da operação
O sistema utilizado pelo DMAES foi denominado ETAWeb. Conforme a descrição do projeto, a plataforma passou a permitir o acompanhamento remoto das atividades da estação.
Entre as informações e funcionalidades relatadas estavam o acompanhamento das ações dos operadores, controle de bombas, verificação da qualidade da água em tratamento e monitoramento dos níveis dos reservatórios. Além disso, existia uma ferramenta de comunicação entre usuários do sistema.
Na prática, a automação da ETA transforma diferentes equipamentos e informações operacionais em uma visão mais integrada da produção de água.
Isso é particularmente relevante em sistemas que funcionam 24 horas por dia. Durante a madrugada, por exemplo, gestores podem precisar conhecer rapidamente a situação da produção, da reservação ou de uma estação elevatória antes de decidir por uma intervenção.
Portanto, quanto melhor a informação, menor tende a ser a dependência de decisões baseadas apenas em percepção ou experiência isolada.
Reservatórios também passaram a fazer parte do sistema
Outro aspecto importante foi a integração entre tratamento e distribuição.
O projeto descrito pelo DMAES permitiu acompanhar os níveis dos reservatórios de água tratada e automatizar o funcionamento de bombas. Quando determinado reservatório atingia seu nível máximo, por exemplo, o sistema poderia interromper o bombeamento correspondente.
Além disso, situações como falhas operacionais ou falta de energia poderiam gerar alertas.
Esse ponto é especialmente relevante porque a automação da ETA produz benefícios maiores quando deixa de olhar somente para dentro da estação e começa a enxergar o sistema de abastecimento como um conjunto.
Produção, reservação, bombeamento e distribuição estão diretamente relacionados.
Uma ETA pode produzir água adequadamente e, ainda assim, ocorrer desabastecimento caso reservatórios sejam operados de maneira inadequada, elevatórias apresentem falhas ou a distribuição não esteja integrada à disponibilidade hídrica do sistema.
Dados podem ajudar a reduzir paralisações
Uma das aplicações mais interessantes descritas no projeto foi a possibilidade de estimar por quanto tempo a ETA poderia ser interrompida sem provocar falta de água para a população.
Essa decisão depende, entre outros fatores, do volume existente nos reservatórios, comportamento de consumo, vazão distribuída e condição operacional das unidades.
Consequentemente, a automação da ETA permite substituir parte da incerteza por informações mais estruturadas.
Registros relacionados ao DMAES mostram que, posteriormente, estudos operacionais permitiram paralisar temporariamente a estação durante determinadas horas, buscando economia de energia sem comprometer o abastecimento. Em uma das iniciativas divulgadas, a interrupção planejada chegou a duas horas por dia e fazia parte de ações de eficiência energética e redução de perdas.
Esse é um exemplo importante para gestores de saneamento: automação não deve ser avaliada apenas pelo custo do software ou dos sensores. O retorno pode surgir de decisões operacionais melhores.
Automação também pode melhorar a eficiência energética
Bombas representam uma parcela relevante do consumo energético de sistemas de abastecimento. Portanto, operar equipamentos no momento errado, bombear contra reservatórios praticamente cheios ou manter unidades funcionando sem necessidade pode elevar custos.
Com dados confiáveis sobre níveis, pressões, vazões e funcionamento dos conjuntos motobomba, torna-se possível aprimorar as estratégias de operação.
Assim, a automação da ETA pode contribuir para:
- reduzir bombeamentos desnecessários;
- evitar extravasamentos de reservatórios;
- identificar falhas rapidamente;
- planejar horários de funcionamento;
- acompanhar tendências de consumo;
- reduzir intervenções emergenciais;
- melhorar a comunicação entre turnos;
- criar histórico operacional para análise de desempenho.
Entretanto, dados ruins também podem gerar decisões ruins. Por isso, sensores, transmissores, macromedidores e instrumentos precisam ser calibrados, mantidos e periodicamente verificados.
Macromedição continua sendo fundamental
Esse aspecto merece atenção especial no caso de Ponte Nova.
Relatório de fiscalização do sistema recomendou a implantação de macromedição de água bruta e água tratada. O documento também registrou outorga de captação de 200 litros por segundo no rio Piranga e ocorrência histórica de picos superiores a esse valor.
Portanto, uma automação da ETA madura depende de instrumentos confiáveis.
Não basta apresentar números em uma tela. É necessário garantir que o dado representado seja tecnicamente correto.
Para profissionais do saneamento, essa diferença é essencial. Um sistema supervisório sofisticado conectado a um medidor impreciso apenas disponibiliza um erro com maior velocidade.
Consequentemente, automação, instrumentação, macromedição, manutenção e calibração precisam avançar juntas.
Qualidade da água continua acima de qualquer automação
A tecnologia também não modifica o objetivo principal de uma ETA: produzir água segura para consumo humano.
Atualmente, o padrão brasileiro é estabelecido pelo Anexo XX da Portaria de Consolidação GM/MS nº 5/2017, atualizado principalmente pelas Portarias GM/MS nº 888/2021 e nº 2.472/2021.
A regulamentação estabelece responsabilidades relacionadas ao controle da qualidade da água, monitoramento, operação, manutenção e capacitação dos profissionais envolvidos nos sistemas de abastecimento.
Portanto, a automação da ETA deve funcionar como ferramenta adicional de segurança operacional. Sensores on-line podem ampliar a velocidade da identificação de alterações, enquanto análises laboratoriais e procedimentos de controle permanecem indispensáveis.
Tecnologia aumenta a importância dos profissionais
Existe uma interpretação equivocada de que automação reduz a importância do operador de ETA. Na prática, ocorre justamente o contrário.
Quanto mais tecnologia existe, maior se torna a necessidade de profissionais capazes de interpretar alarmes, tendências, parâmetros físico-químicos, comportamento hidráulico e informações de processo.
A própria regulamentação brasileira determina a capacitação e atualização técnica dos profissionais envolvidos na produção, distribuição, armazenamento e controle da qualidade da água.
Além disso, existem exemplos concretos dessa valorização profissional. Em 2025, profissional do próprio DMAES de Ponte Nova participou da capacitação de operadores do SAAE de Viçosa, abordando operação de ETA, pontos críticos de controle, lavagem de filtros e Jar Test.
Portanto, a automação da ETA não elimina conhecimento operacional. Ela potencializa esse conhecimento.
O operador deixa de trabalhar apenas reagindo ao problema e passa a ter melhores condições de perceber tendências antes de uma ocorrência crítica.
Automação exige atenção à cibersegurança
Quanto maior a conectividade, entretanto, maior também precisa ser o cuidado com a segurança digital.
Sistemas modernos de automação industrial, como SCADA e plataformas de supervisão, conseguem monitorar sensores e comandar bombas, válvulas e outros equipamentos remotamente. Entretanto, exatamente por controlarem ativos críticos, precisam ser protegidos contra acessos indevidos, falhas de comunicação e ataques cibernéticos.
Para prestadores de saneamento, isso significa manter políticas de controle de acesso, cópias de segurança, segregação das redes operacionais, atualização de sistemas, registros de usuários e procedimentos para operação manual em situações emergenciais.
Em 2026, a agência ambiental norte-americana EPA chegou a promover exercício específico para testar a capacidade de empresas de água e esgoto continuarem operando quando telecomunicações, internet ou acesso remoto ao SCADA estivessem indisponíveis.
Portanto, digitalizar significa também preparar contingências.
O que o caso do DMAES ensina ao setor
O principal aprendizado do caso de Ponte Nova não está somente na instalação de uma plataforma de monitoramento.
A experiência mostra que a automação da ETA precisa fazer parte de uma estratégia mais ampla que una tratamento, reservação, bombeamento, distribuição, medição, eficiência energética e qualificação profissional.
Além disso, cada novo sensor deve responder a uma pergunta operacional. Cada alarme deve gerar uma ação definida. Cada indicador precisa ajudar alguém a decidir melhor.
Caso contrário, ocorre apenas a digitalização de uma operação antiga.
Quando bem aplicada, entretanto, a automação permite construir uma operação mais previsível, documentada e baseada em dados.
Modernização começa na tecnologia, mas termina nas pessoas
O saneamento está se tornando cada vez mais digital. Sistemas supervisórios, sensores on-line, telemetria, inteligência artificial e análise de dados tendem a ocupar espaço crescente nas companhias e autarquias brasileiras.
Entretanto, nenhuma dessas tecnologias produz água potável sozinha.
São operadores que percebem comportamentos incomuns. São técnicos que mantêm sensores funcionando. São laboratoristas que verificam a qualidade da água. São equipes eletromecânicas que recuperam equipamentos. São engenheiros que analisam os dados. E são gestores que transformam essas informações em decisões.
Por isso, a automação da ETA deve ser entendida como uma ferramenta de valorização profissional e fortalecimento da operação.
A estação mais moderna não é necessariamente aquela com maior quantidade de telas.
É aquela em que tecnologia, processos e profissionais trabalham juntos para entregar água segura, continuamente e com eficiência.
Nota de apuração
A página utilizada como ponto de partida aparece atualmente no portal Ponte Nova Online, porém registros correlatos apontam que o projeto descrito está associado a uma fase anterior de modernização do DMAES, próxima ao planejamento estratégico 2014-2017. Por esse motivo, a iniciativa foi analisada como case técnico, sem caracterizá-la como implantação realizada em 2026.
Fontes
Ponte Nova Online — A ETA do DMAES está mais moderna
Acessar a publicação
Ponte Nova Online — Adequação no funcionamento da ETA gera economia de energia elétrica
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ARIS/CISAB Zona da Mata — Relatório de fiscalização do sistema de Ponte Nova
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Ministério da Saúde — Portaria GM/MS nº 888/2021
Acessar a norma de potabilidade
Ministério da Saúde — Norma de Qualidade da Água para Consumo Humano
Acessar a página oficial
SAAE Viçosa — Capacitação de operadores de ETA com profissional do DMAES
Acessar a publicação
US EPA — SCADA e qualidade de dados em ETAs
Acessar a referência técnica
US EPA — Cibersegurança para sistemas de água e SCADA
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