A tecnologia capaz de transformar efluentes tratados em uma fonte segura de abastecimento já está disponível. Entretanto, a implantação de projetos de reúso, principalmente para fins potáveis, depende de um fator que não pode ser produzido por membranas, reatores ou sistemas de desinfecção: a confiança da população.
Estudos conduzidos por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley indicam que transparência, competência institucional e experiência operacional influenciam diretamente a percepção pública sobre a água reciclada. Portanto, a confiança no reúso de água não deve ser tratada como uma campanha de marketing realizada pouco antes do início da operação.
Pelo contrário, essa confiança precisa ser construída desde os primeiros estudos de viabilidade, passando pela seleção tecnológica, pelo licenciamento, pela operação assistida e pela divulgação permanente dos resultados de qualidade da água.
A principal conclusão é clara: não basta provar que a tecnologia funciona. Também é necessário demonstrar que a companhia responsável é competente, que os controles são confiáveis, que os riscos estão sendo administrados e que a sociedade participa das decisões.
O desafio do reúso não é apenas tecnológico
O engenheiro e pesquisador David Sedlak, diretor do Berkeley Water Center, acompanha há cerca de três décadas a evolução do reúso de água nos Estados Unidos. Segundo o especialista, muitas companhias cometem o erro de acreditar que uma campanha publicitária será suficiente para convencer a população.
Entretanto, o público normalmente identifica quando uma comunicação pretende apenas persuadir. Consequentemente, campanhas excessivamente promocionais podem produzir o efeito contrário, principalmente quando não apresentam limitações, riscos, custos, alternativas ou responsabilidades.
Uma pesquisa publicada por Sedlak e outros pesquisadores analisou projetos de reúso potável na Califórnia. O trabalho foi baseado em 20 entrevistas com especialistas e em estudos aprofundados de projetos que tiveram resultados diferentes.
Alguns empreendimentos foram implantados com apoio social. Outros, embora tecnicamente consistentes, enfrentaram forte oposição pública. A diferença estava na forma como a legitimidade do projeto havia sido construída.
Os projetos mais bem-sucedidos não se limitaram à engenharia de tratamento. Eles estabeleceram regras claras, participação comunitária, monitoramento independente, procedimentos operacionais, comunicação permanente e instituições reconhecidas pela sociedade.
Por isso, a confiança no reúso de água precisa ser considerada parte da infraestrutura do empreendimento. Assim como uma estação necessita de bombas, membranas, sensores e laboratórios, também necessita de governança, prestação de contas e diálogo social.
Aceitação pública e legitimidade são conceitos diferentes
A aceitação pública geralmente é entendida como a disposição das pessoas para concordar com determinado projeto. No entanto, a legitimidade é mais ampla.
Um projeto legítimo é percebido como adequado, seguro, necessário e compatível com os valores da comunidade. Além disso, a organização responsável é considerada capaz de operar o sistema e responder a falhas.
A legitimidade pode ser compreendida em três dimensões principais.
Legitimidade prática
A população procura entender quais benefícios serão obtidos. Entre eles estão maior segurança hídrica, redução da dependência de mananciais vulneráveis, disponibilidade de água durante períodos de seca e possibilidade de crescimento econômico.
Por outro lado, também são avaliados os custos tarifários, os impactos ambientais e a existência de outras alternativas de abastecimento.
Legitimidade moral
A sociedade avalia se a decisão é correta, justa e administrada de forma responsável. Nesse ponto, tornam-se importantes a fiscalização, a proteção da saúde pública, a independência dos laboratórios, o controle dos riscos e a capacidade da companhia de admitir problemas.
Legitimidade cognitiva
O reúso começa a ser aceito quando deixa de parecer uma experiência desconhecida e passa a ser compreendido como uma prática normal da gestão hídrica.
Consequentemente, projetos em operação, visitas técnicas, demonstrações públicas e resultados históricos ajudam a transformar uma tecnologia nova em uma solução reconhecida.
Essa abordagem explica por que a confiança no reúso de água não surge apenas com a divulgação de dados técnicos. Ela depende da combinação entre benefícios compreensíveis, procedimentos confiáveis e experiências operacionais verificáveis.
Transparência precisa ir além da divulgação de resultados positivos
A transparência não significa publicar apenas os dados que apresentam conformidade. Uma política realmente transparente também explica como o sistema funciona, quais contaminantes são monitorados, quais falhas podem ocorrer e como cada situação será tratada.
Uma companhia preparada deve informar, por exemplo:
- a origem do efluente utilizado;
- as etapas de tratamento aplicadas;
- os parâmetros de qualidade monitorados;
- a frequência das análises laboratoriais;
- os limites regulatórios adotados;
- os resultados de auditorias independentes;
- as ações previstas em situações de não conformidade;
- o destino dos resíduos gerados pelo tratamento;
- os custos operacionais do sistema;
- as alternativas avaliadas antes da escolha do reúso.
Além disso, os dados devem ser apresentados em linguagem simples. Um painel público com centenas de parâmetros, sem explicação sobre os respectivos significados, pode cumprir uma exigência formal, mas não necessariamente produz entendimento.
Portanto, a confiança no reúso de água aumenta quando a informação técnica é acompanhada de contexto. O consumidor precisa compreender o que foi analisado, por que determinado parâmetro é importante e como o resultado se compara aos padrões de segurança.
Competência institucional precisa ser demonstrada
A confiança também depende da capacidade percebida da companhia de saneamento. Uma estação pode utilizar tecnologias avançadas, mas a população continuará insegura se a organização apresentar histórico de falhas, baixa transparência, atendimento deficiente ou demora para responder a reclamações.
A competência institucional deve ser demonstrada por meio de operadores capacitados, procedimentos padronizados, manutenção preventiva, laboratórios confiáveis, sistemas redundantes e planos de emergência testados.
Além disso, os responsáveis pela operação precisam conhecer não apenas os equipamentos, mas também os riscos microbiológicos, químicos e operacionais associados ao reúso.
A regulamentação californiana para reúso potável direto, em vigor desde outubro de 2024, exige critérios uniformes de proteção à saúde, avaliação por especialistas e requisitos específicos para operação e qualificação de pessoal. Esse modelo demonstra que a segurança depende tanto da tecnologia quanto da capacidade das equipes responsáveis.
Por essa razão, a confiança no reúso de água deve ser respaldada por certificações, treinamentos, auditorias, simulações de emergência e indicadores de desempenho disponíveis para a sociedade.
Experiência operacional reduz a percepção de risco
Tecnologias desconhecidas tendem a gerar maior preocupação. Entretanto, a percepção muda quando existem projetos operacionais, histórico de desempenho e instituições capazes de compartilhar experiências.
Relatório produzido nos Estados Unidos aponta que comunidades familiarizadas com projetos de reúso tendem a demonstrar maior apoio. Em regiões onde a prática ainda é considerada nova, o nível de desconfiança costuma ser mais elevado.
Isso significa que projetos-piloto e unidades demonstrativas possuem importância técnica e social. Além de validar o tratamento, essas estruturas permitem que reguladores, universidades, profissionais de saúde, jornalistas e representantes comunitários acompanhem o processo.
Visitas guiadas também ajudam a reduzir interpretações equivocadas. Quando o público observa os equipamentos, conversa com operadores e verifica resultados laboratoriais, a discussão deixa de ser baseada apenas em percepções abstratas.
Portanto, a experiência prática fortalece a confiança no reúso de água porque transforma promessas em evidências verificáveis.
Como funciona o tratamento avançado da água de reúso
O reúso potável não consiste simplesmente em direcionar o efluente de uma estação de tratamento de esgoto para a rede de abastecimento. Na prática, são utilizadas diversas barreiras de proteção.
O processo começa com um efluente que já passou pelo tratamento convencional. Dependendo do projeto, esse efluente recebe novas etapas de filtração, remoção de contaminantes e desinfecção avançada.
Um arranjo amplamente utilizado pode incluir:
Microfiltração ou ultrafiltração
Membranas com poros muito pequenos removem partículas suspensas, protozoários e grande parte das bactérias. Essa etapa também protege os processos seguintes contra incrustações e perda de desempenho.
Osmose reversa
A água é pressionada contra membranas capazes de reter sais dissolvidos, compostos orgânicos, metais e diversos contaminantes de preocupação emergente.
Embora seja altamente eficiente, a osmose reversa gera um concentrado que precisa de destinação adequada. Conforme explicado por Sedlak, sistemas desse tipo podem trabalhar com recuperação próxima de 85%. Consequentemente, aproximadamente 15% do volume alimentado permanece como corrente concentrada.
Esse material pode apresentar elevada salinidade, nutrientes, metais e contaminantes orgânicos. Portanto, sua gestão representa um dos principais desafios ambientais e econômicos do reúso potável.
Radiação ultravioleta e oxidação avançada
A radiação ultravioleta inativa microrganismos. Quando combinada com peróxido de hidrogênio, também pode degradar compostos orgânicos que eventualmente tenham ultrapassado as etapas anteriores.
Estabilização e remineralização
Depois da osmose reversa, a água apresenta baixa concentração de sais. Por isso, pode ser necessário ajustar o pH, adicionar minerais e controlar a corrosividade antes da introdução no sistema de abastecimento ou no reservatório ambiental.
Monitoramento em tempo real
Sensores acompanham pressão, vazão, turbidez, condutividade, radiação ultravioleta, integridade das membranas e outros parâmetros. Caso seja identificada uma condição inadequada, o sistema deve interromper ou desviar automaticamente a produção.
A Organização Mundial da Saúde recomenda que projetos de reúso potável utilizem uma abordagem baseada em avaliação de riscos, múltiplas barreiras, medidas de controle, monitoramento e planos de segurança da água.
Reúso potável direto e indireto
No reúso potável indireto, a água altamente tratada é direcionada para um aquífero, reservatório, rio ou outro compartimento ambiental antes de retornar ao sistema de abastecimento.
Esse compartimento funciona como uma barreira adicional, além de aumentar o tempo disponível para monitoramento e resposta operacional.
Já no reúso potável direto, a água purificada é introduzida em um sistema de abastecimento ou imediatamente antes de uma estação de tratamento de água, sem a utilização de um reservatório ambiental intermediário.
Consequentemente, o reúso direto costuma exigir controles operacionais mais rigorosos, redundâncias, resposta automática e critérios regulatórios específicos.
A explicação clara dessas diferenças é fundamental para a confiança no reúso de água, pois o público precisa conhecer o caminho percorrido pela água antes do consumo.
O exemplo de Orange County
O Groundwater Replenishment System, localizado em Orange County, é um dos principais exemplos mundiais de reúso potável indireto.
O sistema recebe efluente tratado e aplica microfiltração, osmose reversa e radiação ultravioleta combinada com peróxido de hidrogênio. Em seguida, parte da água é utilizada para recarregar o aquífero e para proteger o manancial subterrâneo contra a intrusão de água salgada.
A instalação pode produzir aproximadamente 130 milhões de galões por dia, volume equivalente a cerca de 492 milhões de litros diários. Segundo o Orange County Water District, o sistema atende indiretamente cerca de 1 milhão de pessoas e corresponde a aproximadamente 35% da demanda total de água da área atendida.
O investimento acumulado na expansão do sistema alcançou cerca de US$ 900 milhões. Entretanto, além dos equipamentos, o projeto construiu uma estratégia institucional baseada em planejamento, parceria entre organizações públicas, divulgação de informações, visitas e experiência operacional desde 2008.
Dessa maneira, Orange County demonstra que a confiança no reúso de água é resultado de um processo contínuo. A aceitação não foi produzida por uma campanha isolada, mas por anos de operação, diálogo e comprovação de desempenho.
Pesquisas recentes confirmam a importância da confiança
Uma pesquisa publicada em 2025 avaliou a percepção de moradores de uma região urbana do Arizona sobre sistemas avançados de purificação.
O levantamento reuniu 479 participantes. Apenas 36% informaram utilizar a água da torneira como principal fonte de água para beber. Ao mesmo tempo, 42% declararam que poderiam aceitar o consumo de água produzida por purificação avançada.
A aceitação foi significativamente maior para usos sem ingestão direta: 87% aceitariam a água para descarga sanitária, 86% para irrigação de jardins e 80% para banho.
Além disso, os participantes solicitaram testes independentes, oportunidades de conhecer o processo e comparações claras entre a água purificada e a água atualmente distribuída.
Os resultados mostram que as pessoas não avaliam a água reciclada isoladamente. Elas também consideram a confiança que já possuem no abastecimento convencional e nas instituições responsáveis.
Por isso, a confiança no reúso de água pode ser prejudicada quando a companhia tenta desenvolver um novo projeto sem resolver problemas existentes de qualidade, continuidade, atendimento ou transparência.
O excesso de marketing pode prejudicar o projeto
A escolha das palavras utilizadas para apresentar o reúso possui importância. Expressões depreciativas podem aumentar a sensação de repulsa, enquanto termos excessivamente promocionais podem transmitir a impressão de ocultação.
Entretanto, apenas mudar o nome da tecnologia não resolve o problema. Estudos recentes mostram que conhecimento, urgência hídrica, confiança, cultura, justiça e contexto social influenciam a aceitação.
Vídeos educativos e materiais explicativos podem aumentar o conhecimento. Porém, nem todo conteúdo produz o mesmo efeito. Informações superficiais, seletivas ou excessivamente persuasivas podem gerar dúvidas adicionais.
Assim, a comunicação deve apresentar:
- os benefícios esperados;
- os riscos identificados;
- as medidas de proteção;
- as alternativas existentes;
- os responsáveis pela fiscalização;
- os custos do empreendimento;
- os resultados laboratoriais;
- as limitações tecnológicas.
A transparência não enfraquece o projeto. Ao contrário, admitir limitações demonstra maturidade institucional e fortalece a confiança no reúso de água.
O que essa discussão representa para o Brasil
O reúso não potável já aparece em projetos industriais, urbanos e agrícolas no Brasil. Entretanto, ainda existe fragmentação regulatória, com diferentes critérios adotados por estados, municípios, órgãos ambientais e entidades reguladoras.
A Lei nº 14.026/2020 atribuiu à Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico a competência para editar normas de referência relacionadas ao reúso de efluentes sanitários tratados.
Nesse contexto, a ANA realizou consulta e audiência pública sobre uma proposta de norma de referência para o reúso não potável de água proveniente dos serviços públicos de esgotamento sanitário. O processo recebeu contribuições até 13 de março de 2026.
A proposta busca orientar titulares, prestadores, reguladores, produtores, distribuidores e usuários de água de reúso. Até a data desta apuração, não foi localizada nas fontes oficiais consultadas a publicação da versão final dessa norma.
Embora a discussão brasileira esteja concentrada principalmente no reúso não potável, os mesmos princípios institucionais são aplicáveis. Companhias que pretendem fornecer água para indústrias, lavagem urbana, irrigação, construção civil ou outros usos também precisam demonstrar qualidade, confiabilidade e capacidade operacional.
Portanto, a confiança no reúso de água será determinante para a criação de novos mercados e contratos de longo prazo no setor de saneamento.
Como estruturar um programa de confiança pública
A implantação de um projeto deve começar com um diagnóstico da relação entre a companhia e a sociedade. Níveis de satisfação, reclamações sobre qualidade da água, percepção de segurança, conhecimento sobre esgotamento sanitário e confiança nas instituições precisam ser avaliados.
Em seguida, recomenda-se estruturar as seguintes frentes:
Governança do projeto
Deve ser formado um grupo com representantes da companhia, entidade reguladora, vigilância sanitária, órgão ambiental, universidades, usuários, setor produtivo e comunidade.
Comunicação desde a fase inicial
A sociedade deve ser informada antes da definição completa da solução. Dessa forma, a participação não será percebida como uma simples tentativa de validar uma decisão já tomada.
Monitoramento independente
Universidades, laboratórios acreditados e instituições externas podem verificar os resultados e fortalecer a credibilidade.
Unidade demonstrativa
Uma planta-piloto permite validar o processo, treinar operadores, produzir dados locais e receber visitas.
Painel público de qualidade
Os principais indicadores devem ser apresentados de forma atualizada, acompanhados de explicações simples e histórico de resultados.
Plano de comunicação de incidentes
Deve ser definido antecipadamente quem comunicará uma falha, em qual prazo, por quais canais e quais medidas serão adotadas.
Pesquisa periódica de percepção
A opinião pública deve ser acompanhada ao longo do tempo. Assim, dúvidas e mudanças de percepção podem ser identificadas antes de se transformarem em oposição organizada.
Indicadores que devem ser acompanhados
Além dos parâmetros laboratoriais, um projeto moderno precisa monitorar indicadores institucionais e sociais.
Entre os principais estão o percentual de análises em conformidade, número de interrupções preventivas, tempo médio de resposta a incidentes, quantidade de auditorias externas, número de visitantes na unidade, nível de conhecimento da população, índice de confiança na companhia e percentual de usuários favoráveis ao projeto.
Também devem ser acompanhadas as reclamações, notícias publicadas, questionamentos recebidos e participação em consultas públicas.
Esses indicadores permitem avaliar se a confiança no reúso de água está aumentando ou diminuindo durante o desenvolvimento do empreendimento.
A licença social precisa fazer parte do orçamento
A resistência pública pode atrasar licenças, interromper obras, aumentar despesas jurídicas e até inviabilizar investimentos já realizados.
Consequentemente, participação social, comunicação técnica, pesquisas de percepção, unidades demonstrativas e auditorias independentes não devem ser consideradas despesas secundárias.
Essas atividades fazem parte da gestão de riscos do projeto. Portanto, precisam estar previstas no orçamento, no cronograma, na matriz de responsabilidades e nos contratos.
A ausência de planejamento social pode custar mais do que a própria estrutura necessária para manter um programa permanente de transparência.
O reúso exige uma nova postura das companhias
O futuro do reúso dependerá da integração entre engenharia, operação, regulação, comunicação, saúde pública e participação social.
Nesse cenário, a companhia de saneamento não poderá se limitar a afirmar que a água atende aos padrões. Será necessário demonstrar como o sistema alcança esse resultado, quem verifica as informações, o que acontece em caso de falha e por que o projeto foi escolhido.
A confiança no reúso de água será conquistada quando a sociedade perceber que os responsáveis pelo empreendimento estão preparados para responder perguntas difíceis, apresentar dados completos e reconhecer limitações.
A tecnologia continuará sendo essencial. Entretanto, transparência, competência e experiência definirão quais projetos serão compreendidos, legitimados e incorporados de forma sustentável à gestão dos recursos hídricos.
Fontes consultadas
- Smart Water Magazine — Entrevista com David Sedlak
- UC Berkeley — Beyond User Acceptance: A Legitimacy Framework for Potable Water Reuse in California
- Frontiers — Social Acceptability Process and Water Reuse
- Organização Mundial da Saúde — Potable Reuse: Guidance for Producing Safe Drinking-Water
- California State Water Resources Control Board — Direct Potable Reuse
- Orange County Water District — Groundwater Replenishment System
- National Library of Medicine — Public Risk Perceptions of Advanced Water Purification
- US EPA — Mainstreaming Potable Water Reuse in the United States
- ANA — Consulta pública sobre reúso não potável



