Neste domingo, 4 de outubro de 2026, 158.765.543 eleitoras e eleitores estão aptos a escolher presidente, governadores, deputados e dois senadores por estado e pelo Distrito Federal. Para quem trabalha com água e esgoto, há um detalhe que transforma as eleições e saneamento em uma discussão muito mais concreta: os próximos governantes assumirão quando restarão apenas sete anos para o prazo de universalização estabelecido para 2033. (Tribunal Superior Eleitoral)
O governo federal e os governos estaduais escolhidos nas urnas administrarão quatro desses sete anos. Em outras palavras, cerca de 57% do período restante entre janeiro de 2027 e o fim de 2033 transcorrerá durante o próximo mandato executivo. E a influência política vai ainda além: 54 das 81 cadeiras do Senado estão em disputa, para mandatos de oito anos. Os senadores eleitos em 2026 atravessarão todo o período restante até a meta de universalização. (Senado Federal)
Por isso, para o saneamento, esta eleição não diz respeito apenas a quem administrará governos. Ela pode influenciar qual modelo de financiamento será priorizado, como serão tratadas concessões e empresas estaduais, quais mudanças legislativas poderão avançar, quanto dinheiro chegará aos projetos, como será conduzida a política regulatória e quanta previsibilidade existirá para investimentos que duram décadas.
Mas existe um ponto igualmente importante: a eleição não apaga contratos, metas regulatórias, normas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) nem obras já contratadas. E compreender essa diferença entre aquilo que pode mudar e aquilo que precisa continuar talvez seja uma das questões mais importantes para o saneamento brasileiro depois das urnas.
Eleições e saneamento: o primeiro equívoco é olhar apenas para Brasília
A eleição de 2026 não escolhe prefeitos. Portanto, não haverá hoje uma substituição generalizada dos titulares municipais dos serviços de saneamento de interesse local.
A Lei nº 11.445/2007 estabelece que municípios e Distrito Federal exercem a titularidade dos serviços quando o interesse é local. Em regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões onde há compartilhamento efetivo de instalações operacionais, a titularidade é exercida conjuntamente pelo estado e pelos municípios, conforme a legislação aplicável. (Planalto)
Isso torna a governança do setor particularmente complexa.
O presidente da República não decide sozinho o modelo de saneamento de uma cidade. Um governador também não pode simplesmente redefinir qualquer serviço municipal por decisão administrativa. Prefeituras continuam exercendo competências importantes.
Ainda assim, presidente, governadores e Congresso dispõem de instrumentos capazes de modificar profundamente o ambiente no qual empresas públicas e privadas operam.
O governo federal influencia programas de financiamento, recursos orçamentários, FGTS, políticas nacionais, decretos, prioridades ministeriais e proposições legislativas. O Congresso pode alterar leis que estruturam o setor. Os estados são protagonistas em processos de regionalização e, quando controladores de companhias estaduais, têm influência relevante sobre sua estratégia, governança e estrutura societária.
É aí que eleições e saneamento se encontram.
A corrida para 2033 está longe de terminar
Os números ajudam a dimensionar o desafio.
Segundo dados do SINISA 2025 divulgados pela ANA, 84,1% da população total brasileira é atendida com abastecimento de água, equivalentes a aproximadamente 174 milhões de pessoas. No esgotamento sanitário, 62,3% da população total possui atendimento por rede coletora. Entre a população rural, a cobertura informada é muito menor: 22,9% para abastecimento de água e apenas 4,8% para rede de esgoto. (Serviços e Informações do Brasil)
A legislação estabelece como referência para 2033 atendimento de 99% da população com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto. (Serviços e Informações do Brasil)
Portanto, a discussão não é apenas política.
É uma corrida de engenharia, financiamento, licenciamento, contratação, execução de obras, conexão de clientes, expansão de redes, eficiência comercial, redução de perdas e fortalecimento regulatório.
Construir uma estação não basta. A rede precisa chegar às ruas. O imóvel precisa ser conectado. A estrutura tarifária precisa sustentar o sistema. O prestador precisa faturar e arrecadar. As perdas precisam ser controladas. Os ativos precisam ser mantidos. E as agências precisam conseguir medir se aquilo que estava previsto no contrato realmente foi entregue.
É justamente nesse ponto que os resultados das urnas podem produzir efeitos durante muitos anos.
O próximo governo encontrará uma máquina de investimentos já em movimento
Qualquer análise séria sobre eleições e saneamento precisa evitar a ideia de que o setor começa novamente em janeiro de 2027.
Há obras, financiamentos, concessões e contratos em andamento.
O Ministério das Cidades informou que as seleções do Novo PAC destinadas ao saneamento alcançaram R$ 22,1 bilhões em 2025 e somavam R$ 61 bilhões em seleções desde 2023. Considerando iniciativas efetivamente contratadas, o ministério informou 1.251 empreendimentos e R$ 27,6 bilhões em recursos federais. (Serviços e Informações do Brasil)
A própria arquitetura financeira mostra como decisões de hoje atravessam governos.
Nas seleções de 2026 para abastecimento de água e esgotamento sanitário, por exemplo, estão disponíveis recursos onerosos do FGTS, com possibilidade de amortização de até 20 anos e carência de até 48 meses. Podem participar entes e prestadores públicos e também concessionárias privadas, conforme as condições do programa. (Serviços e Informações do Brasil)
Ou seja: um empreendimento contratado em determinado governo pode continuar sendo executado, financiado e amortizado durante vários governos seguintes.
A gestão pública madura começa quando essa continuidade deixa de ser vista como projeto de determinado governante e passa a ser tratada como política de infraestrutura.
Governadores podem deixar decisões que durarão 35 ou 40 anos
Os exemplos recentes mostram por que as eleições estaduais são especialmente relevantes.
Em Pernambuco, a concessão parcial regionalizada dos serviços de água e esgoto estruturada com apoio do BNDES prevê aproximadamente R$ 19,1 bilhões em investimentos e atendimento de cerca de 8 milhões de pessoas. Os contratos têm horizonte de 35 anos e metas associadas à universalização. (Agência de Notícias BNDES)
No Pará, a estruturação regionalizada envolveu concessões com bilhões de reais em investimentos e contratos de longo prazo. Somente os blocos A, B e D licitados em 2025 previam R$ 15,2 bilhões em investimentos; o Bloco C acrescentou uma previsão de R$ 3,6 bilhões. (Agência de Notícias BNDES)
Esses exemplos não significam que concessão privada seja necessariamente a solução para todos os estados, assim como empresa estatal não representa automaticamente melhor ou pior desempenho.
A lição é outra.
Uma decisão estruturante tomada dentro de um mandato de quatro anos pode definir investimentos, tarifas, metas e responsabilidades por três ou quatro décadas.
Por isso, a pergunta tecnicamente relevante não é simplesmente “público ou privado?”.
É: qual modelo consegue garantir investimento, eficiência, segurança jurídica, acesso à população vulnerável, capacidade operacional, fiscalização e cumprimento das metas?
Essa é uma discussão muito mais útil para o setor.
O Congresso eleito hoje também estará dentro da estação de tratamento
A relação entre eleições e saneamento muitas vezes é concentrada nos cargos do Executivo. Mas parte significativa das regras nasce ou passa pelo Legislativo.
Deputados e senadores podem discutir alterações no marco legal, tributação, orçamento, licenciamento, financiamento de infraestrutura, política ambiental, recursos hídricos, mudanças climáticas e diferentes mecanismos de parceria público-privada.
Há ainda uma relação menos percebida com a regulação.
Indicações presidenciais para a Diretoria da ANA passam pela apreciação do Senado. Em 2025, por exemplo, o Senado aprovou indicações para cargos de direção da Agência. (Senado Federal)
Isso importa porque a ANA ganhou, a partir da Lei nº 14.026/2020, a atribuição de editar normas de referência para a regulação do saneamento.
Em setembro de 2026, a Agência informava já ter publicado 15 Normas de Referência, das quais 14 estavam vigentes. O conjunto abrange temas que chegam diretamente à rotina das companhias e dos reguladores. (Serviços e Informações do Brasil)
Em 2025 foi publicada, por exemplo, a Norma de Referência nº 15, voltada à redução e ao controle progressivo de perdas de água. Em agosto de 2026 entrou em vigor a Norma de Referência nº 16, sobre contabilidade regulatória dos serviços de água e esgoto. (Serviços e Informações do Brasil)
Portanto, decisões tomadas em Brasília podem posteriormente aparecer no orçamento de investimentos, nos indicadores da operação, nos sistemas contábeis, nas revisões tarifárias e até na rotina das equipes de campo.
O maior risco é transformar ciclos políticos em ciclos de descontinuidade
Toda democracia pressupõe alternância de poder. O problema começa quando a alternância política provoca reinício permanente do planejamento técnico.
Saneamento possui uma característica incômoda para a lógica eleitoral: seus melhores projetos frequentemente demoram mais que um mandato para produzir todos os resultados.
Uma grande adutora pode exigir anos entre projeto, licenciamento, desapropriações, financiamento e construção.
Uma estação de tratamento de esgoto precisa ser acompanhada de redes coletoras, interceptores e ligações domiciliares.
Programas de redução de perdas exigem setorização, macromedição, controle de pressão, renovação de redes, gestão de ativos, combate a fraudes e melhoria da micromedição.
Transformações comerciais dependem de dados, tecnologia e mudanças culturais.
A tentação de abandonar projetos pouco visíveis para iniciar obras com maior retorno político imediato pode produzir um custo enorme para as empresas.
Para profissionais e gestores, talvez essa seja uma das principais mensagens desta eleição: continuidade técnica não significa ausência de mudança política.
Significa preservar bons projetos, indicadores confiáveis, contratos válidos, planejamento de longo prazo e conhecimento institucional mesmo quando prioridades legítimas de governo são alteradas.
O que o mundo ensina sobre eleições e saneamento
A experiência internacional oferece uma comparação interessante.
Na Inglaterra e no País de Gales, a Ofwat, reguladora econômica do setor de água, estabelece ciclos regulatórios plurianuais. No ciclo PR24, os controles e compromissos abrangem o período de 2025 a 2030.
O pacote regulatório prevê £104 bilhões em investimentos durante cinco anos, incluindo £44 bilhões destinados a nova infraestrutura e recursos. As empresas possuem metas de desempenho, e resultados melhores ou piores podem gerar incentivos ou penalidades financeiras. (Ofwat)
O modelo britânico enfrenta seus próprios problemas e não deve ser tratado como solução pronta para o Brasil. A crise financeira de algumas utilities e os problemas ambientais registrados no país demonstram, inclusive, que regulação sofisticada não elimina riscos.
A lição aproveitável é institucional: planejamento de investimento e metas precisam atravessar calendários eleitorais.
Estudos do Banco Mundial sobre regulação de água e saneamento também destacam a importância de mandatos regulatórios claros, autonomia, mecanismos de prestação de contas, dados confiáveis e separação entre formulação de política, regulação e prestação dos serviços. (Centro de Recursos PPP)
O Brasil caminha nessa direção ao ampliar as normas de referência da ANA, a produção de informações pelo SINISA e a profissionalização das entidades reguladoras. O desafio da próxima administração será fortalecer esse processo, e não permitir que decisões essencialmente técnicas sejam substituídas por intervenções de curto prazo.
O que muda na prática dentro das companhias
Uma mudança de orientação governamental pode chegar à rotina de uma companhia de diversas maneiras.
Um programa federal de financiamento pode tornar economicamente viável uma obra que estava parada. Uma alteração no planejamento estadual pode antecipar determinada concessão. Uma nova estratégia para a empresa estatal pode modificar prioridades de investimento.
Mudanças tarifárias ou políticas de subsídio repercutem diretamente na gestão comercial.
Novos requisitos regulatórios exigem sistemas de informação mais robustos.
Políticas de redução de perdas podem redirecionar recursos para macromedidores, válvulas redutoras de pressão, telemetria, substituição de hidrômetros e renovação de redes.
Metas de expansão do esgotamento exigem mais que engenharia: demandam cadastro atualizado, comunicação com clientes, adesão às redes disponíveis, faturamento correto e acompanhamento das ligações.
Consequentemente, a discussão sobre eleições e saneamento chega ao engenheiro, ao operador, ao analista comercial, ao profissional de TI, ao regulador, ao jurídico, ao especialista em contratos, ao atendente e ao gestor financeiro.
A política define parte do ambiente. São os profissionais que precisam transformar decisões em serviço funcionando.
O que gestores e profissionais deveriam observar
Para avaliar propostas relacionadas a eleições e saneamento, a discussão técnica pode ser organizada em oito perguntas:
- Universalização: existe estratégia objetiva para alcançar 99% de água e 90% de esgoto ou apenas uma meta genérica?
- Financiamento: de onde virá o dinheiro e qual será a combinação entre orçamento, FGTS, financiamento, capital próprio e investimento privado?
- Tarifa: como garantir equilíbrio econômico-financeiro sem excluir famílias vulneráveis?
- Perdas: existe programa estruturado para reduzir água produzida e não faturada?
- Regulação: haverá fortalecimento das agências e aplicação das normas de referência da ANA?
- Governança: empresas e órgãos terão autonomia técnica, indicadores e cobrança por desempenho?
- Continuidade: projetos tecnicamente sólidos em andamento serão preservados mesmo quando iniciados por outra administração?
- Cliente: expansão de infraestrutura será acompanhada por ligação efetiva, atendimento, cadastro, faturamento, canais digitais e política social?
Essas perguntas dizem muito mais sobre a possibilidade real de melhorar o saneamento do que slogans sobre estatização, privatização ou obras isoladas.
A eleição não termina quando a urna é fechada
Existe ainda uma oportunidade pouco percebida.
Depois das eleições, profissionais de saneamento podem contribuir para elevar o nível da discussão pública.
Isso significa acompanhar planos plurianuais, orçamentos estaduais e federais, contratos, indicadores do SINISA, planos municipais, revisões tarifárias, normas da ANA, consultas públicas, metas dos prestadores e programas de investimento.
O saneamento produz uma quantidade crescente de dados.
Se gestores, técnicos, universidades, entidades profissionais, imprensa especializada e sociedade utilizarem esses dados para comparar promessa, investimento e resultado, será cada vez mais difícil substituir desempenho mensurável por narrativa política.
Essa evolução também valoriza quem trabalha no setor.
Uma rede não reduz perdas porque um governante anunciou um programa. Ela reduz perdas quando profissionais projetam setores de medição, controlam pressões, identificam vazamentos, substituem ativos e acompanham indicadores.
Uma concessão não universaliza o esgoto porque um contrato foi assinado. É necessário projetar, licenciar, construir, operar, fiscalizar e conectar usuários.
Uma companhia estatal também não alcança eficiência apenas por permanecer pública. É preciso governança, investimento, profissionais qualificados, metas e cobrança de resultados.
É nessa execução que política pública vira saneamento.
Conclusão: 2033 começa nas urnas, mas termina na execução
As eleições e saneamento estão conectadas porque o próximo ciclo político coincide com o período mais crítico da corrida brasileira pela universalização.
Os eleitos em 2026 encontrarão um setor muito diferente daquele de uma década atrás: marco legal reformulado, normas nacionais de referência em expansão, contratos bilionários, programas federais de financiamento, regionalização, presença crescente de operadores privados, companhias públicas em transformação e uma quantidade muito maior de dados disponíveis para medir desempenho.
A pergunta central, portanto, não deveria ser apenas qual grupo político vencerá.
Deveria ser quanto o próximo ciclo institucional conseguirá transformar planejamento em rede instalada, rede instalada em cliente conectado, investimento em melhoria do serviço e metas contratuais em resultados verificáveis.
Governos passam. Uma adutora pode operar durante meio século. Uma estação de tratamento pode atender gerações. Uma concessão assinada hoje pode continuar quando várias eleições já tiverem sido esquecidas.
O principal aprendizado das eleições e saneamento é justamente esse: política define rumos, mas saneamento exige continuidade.
Para quem trabalha no setor, acompanhar aquilo que acontece depois das urnas será tão importante quanto acompanhar a eleição.
Porque, a partir de 2027, o relógio para 2033 ficará ainda mais rápido.
Fontes e referências
Tribunal Superior Eleitoral — TSE
Calendário Eleitoral 2026 — 4 de outubro, primeiro turno.
Consulta em outubro de 2026.
Acessar fonte
Tribunal Superior Eleitoral — TSE
Central das Eleições 2026 — datas, cargos e eleitorado.
2026.
Acessar fonte
Presidência da República — Planalto
Lei nº 11.445/2007 — Diretrizes nacionais para o saneamento básico, texto compilado.
Atualizada pela Lei nº 14.026/2020.
Acessar a Lei nº 11.445/2007
Ministério das Cidades
Marco Legal do Saneamento.
Consulta em outubro de 2026.
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Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico — ANA
Água e Desenvolvimento: o papel da ANA na universalização do saneamento.
Setembro de 2026.
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Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico — ANA
Normas de Referência para o Saneamento Básico.
Consulta em outubro de 2026.
Acessar normas da ANA
Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico — ANA
Norma de Referência nº 16/2026 — contabilidade regulatória.
31 de agosto de 2026.
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Ministério das Cidades
Brasil tem ano de investimentos e avanços em saneamento básico.
14 de janeiro de 2026, atualização em junho de 2026.
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Ministério das Cidades
Novo PAC Seleções 2026 — abastecimento de água e esgotamento sanitário.
2026.
Abastecimento de água
Esgotamento sanitário
BNDES
Concessão de saneamento em Pernambuco — resultado do leilão.
18 de dezembro de 2025, atualização em maio de 2026.
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BNDES
Concessões de saneamento no Pará — investimentos e universalização.
2025.
Acessar fonte
Senado Federal
Eleitor escolherá dois senadores em 2026; 54 das 81 vagas estão em disputa.
14 de julho de 2026.
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Ofwat — Water Services Regulation Authority
PR24 — Price Review 2024 e determinações para 2025–2030.
Consulta em outubro de 2026.
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Ofwat — Water Services Regulation Authority
PR24 Reconciliations — £104 bilhões em investimentos previstos para o período regulatório.
Consulta em outubro de 2026.
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Banco Mundial
Water Supply and Sanitation Policies, Institutions, and Regulation: Adapting to a Changing World.
Consulta em outubro de 2026.
Acessar estudo



