Hidrômetros com telemetria: o salto digital do Sanep

O Sanep começou a instalar, em setembro de 2026, os primeiros hidrômetros com telemetria de Pelotas, iniciando uma mudança que pode parecer apenas tecnológica, mas que atinge diretamente faturamento, perdas, atendimento ao cliente e produtividade das equipes comerciais.

O primeiro objetivo é bastante concreto: diminuir a dependência da leitura presencial e reduzir cobranças calculadas pela média quando o leiturista não consegue acessar o hidrômetro. Mas o potencial da tecnologia vai muito além. A própria autarquia prevê utilizar os dados para identificar consumos atípicos e vazamentos e, posteriormente, permitir que os usuários acompanhem melhor o próprio consumo. (Sanep)

O ponto mais estratégico, porém, está no passo seguinte. O Sanep informou que pretende inserir as especificações dos hidrômetros com telemetria em seu caderno de encargos, fazendo com que novos empreendimentos imobiliários de Pelotas sejam preparados para esse modelo de leitura. Na prática, isso pode transformar um projeto piloto em uma nova exigência de infraestrutura para a expansão urbana da cidade. (Sanep)

A experiência merece atenção de gestores de saneamento porque toca em uma das fronteiras mais importantes da transformação digital das utilities: deixar de descobrir o comportamento do cliente apenas uma vez por mês e começar a transformar medição em informação operacional.

O que o Sanep está implantando

A iniciativa foi viabilizada por meio de uma medida compensatória junto à construtora ACPO. Os novos aparelhos possuem um módulo de transmissão destinado a conectar os dados de medição ao sistema comercial do Sanep.

Neste primeiro momento, o foco declarado é acelerar o processo de leitura. Após o período de testes, a autarquia pretende avaliar novas funcionalidades. (Sanep)

A comunicação oficial não informa, entretanto, quantos medidores fazem parte da primeira etapa, qual o valor econômico da implantação, qual tecnologia de comunicação está sendo utilizada, a frequência de transmissão dos dados, a autonomia prevista das baterias ou os indicadores que determinarão se o piloto foi bem-sucedido.

Essa ausência não invalida a iniciativa. Pelo contrário: mostra quais informações serão especialmente importantes quando o Sanep decidir se deve ampliar o projeto.

Pelotas possui um sistema relevante em escala municipal. Em 2025, o próprio Sanep informou captar água em cinco mananciais e tratar mais de 100 milhões de litros por dia para abastecer a cidade. Inserir uma camada digital na medição dos consumidores pode, portanto, produzir efeitos que ultrapassam a simples modernização do trabalho de leitura. (Sanep)

Hidrômetros com telemetria não são apenas hidrômetros novos

Existe uma diferença importante entre modernizar o equipamento de medição e construir uma infraestrutura de medição inteligente.

Um hidrômetro convencional mede o volume consumido e exige que alguém obtenha a leitura diretamente no equipamento.

Na leitura automática, conhecida internacionalmente como AMR — Automated Meter Reading — a informação pode ser capturada remotamente, inclusive por equipamentos próximos ao imóvel ou por sistemas do tipo walk-by ou drive-by. A equipe continua percorrendo determinada área, mas não precisa visualizar cada mostrador.

Em uma estrutura mais avançada, conhecida como AMI — Advanced Metering Infrastructure — o medidor, a comunicação, os sistemas de armazenamento e as plataformas analíticas formam uma infraestrutura integrada. Os dados podem ser enviados de maneira frequente para a companhia e utilizados para faturamento, detecção de vazamentos, gestão de demanda e relacionamento com o cliente.

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, a EPA, destaca justamente essa evolução: enquanto o AMR automatiza a coleta da leitura, a AMI permite obter dados frequentes ou praticamente em tempo real e utilizá-los para melhorar faturamento, detecção de vazamentos e gestão dos recursos hídricos. (US EPA)

No caso de Pelotas, as informações públicas disponíveis confirmam a instalação de hidrômetros com telemetria e a integração pretendida com o sistema comercial, mas ainda não permitem classificar o projeto como uma infraestrutura AMI completa.

A distinção é importante porque telemetria é o início da transformação, não necessariamente o seu estágio final.

O primeiro impacto está dentro da gestão comercial

O benefício mais imediato provavelmente aparecerá no processo de leitura e faturamento.

Quando o hidrômetro está dentro de um imóvel, atrás de um portão, em local obstruído ou simplesmente inacessível no momento da visita, pode não ser possível registrar o consumo efetivamente medido.

A Norma de Referência nº 11/2024 da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico estabelece que o prestador deve monitorar o consumo por hidrômetro e determina que, quando a leitura não puder ser realizada, a cobrança seja feita com base na média aritmética de consumo conforme critérios definidos pela entidade reguladora infranacional. (Serviços e Informações do Brasil)

Portanto, reduzir leituras impossibilitadas significa reduzir uma situação que gera trabalho administrativo e pode deteriorar a experiência do cliente.

Quando uma conta é faturada por média durante determinado período e posteriormente ocorre uma leitura real, podem surgir diferenças de consumo, necessidade de acerto, reclamações, solicitações de revisão e deslocamentos de equipes.

É justamente nesse ponto que hidrômetros com telemetria deixam de ser apenas equipamentos de campo e passam a ser ferramentas de gestão comercial.

Menos leitura inacessível pode significar menor incidência de faturamento estimado, menor necessidade de tratamento manual de exceções e maior rastreabilidade da origem da fatura.

Telemetria também conversa diretamente com perdas de água

Outro ganho potencial está nas perdas aparentes.

A Norma de Referência nº 15/2025 da ANA, dedicada à redução e ao controle de perdas, define perdas aparentes como volumes consumidos e não corretamente registrados por motivos que incluem submedição dos hidrômetros, erros de leitura, fraudes, consumos não autorizados e falhas cadastrais. (Serviços e Informações do Brasil)

A mesma norma cita expressamente telemetria, medição inteligente, sensores de pressão e vazão, modelos de previsão de vazamentos e ferramentas de georreferenciamento como tecnologias que podem fazer parte dos planos de gestão de perdas das prestadoras. (Serviços e Informações do Brasil)

Isso muda a perspectiva sobre o projeto.

Medir melhor não é apenas faturar melhor. É conhecer melhor o balanço hídrico.

Se a companhia possui boa macromedição na entrada de determinado setor e também aumenta a qualidade e frequência da micromedição dos clientes, melhora a capacidade de compreender a diferença entre aquilo que entrou no sistema e aquilo que efetivamente foi consumido e registrado.

Essa granularidade pode ajudar a separar problemas de perdas físicas, erros de medição, comportamentos de consumo e eventuais irregularidades.

Vazamentos: onde a frequência da informação muda o jogo

Imagine uma residência cujo consumo normal seja relativamente estável. Durante a madrugada, quando normalmente quase não existe utilização, passa a ocorrer consumo contínuo durante várias horas.

Uma leitura mensal mostraria apenas que aquele cliente consumiu mais naquele mês.

Um sistema com dados horários pode perceber que existe vazão durante praticamente toda a madrugada.

Essa diferença é decisiva.

O sistema pode gerar um alerta para investigação de possível vazamento interno. Não significa que o algoritmo tenha comprovado a existência do vazamento, mas o comportamento anormal passa a ser detectado muito antes da próxima fatura.

É justamente uma das funcionalidades previstas pelo Sanep para os hidrômetros com telemetria. (Sanep)

O ganho para a experiência do cliente pode ser expressivo: em vez de descobrir um vazamento quando recebe uma conta muito acima do esperado, o usuário pode ser avisado enquanto o problema ainda está acontecendo.

O benchmark mais próximo está no próprio Rio Grande do Sul

A Corsan oferece uma comparação especialmente interessante porque está no mesmo Estado.

Em dezembro de 2025, a companhia informou que havia iniciado a implantação de hidrômetros inteligentes com IoT e telemetria, inicialmente com foco também em grandes consumidores.

Segundo a empresa, o dispositivo transmite informações de volume e vazão e permite acompanhamento remoto, além da geração de alertas relacionados ao abastecimento.

A meta divulgada era instalar 900 pontos ainda em 2025 e chegar a 50 mil consumidores até 2027. (Corsan)

O caso mostra uma possível trajetória para Pelotas: começar com aplicações onde o ganho econômico ou operacional é mais evidente, validar tecnologia e integração e posteriormente ampliar a escala.

Essa estratégia evita um erro frequente em projetos digitais: instalar milhares de dispositivos antes de saber exatamente como transformar os dados coletados em resultado.

Copasa mostra que modernização pode ocorrer em etapas

Outro exemplo brasileiro recente vem de Minas Gerais.

Em Jubaí, distrito de Conquista, a Copasa substituiu 170 hidrômetros convencionais por equipamentos ultrassônicos. O investimento informado foi superior a R$ 110 mil.

Segundo a companhia, a modernização permite acompanhar diariamente o consumo da localidade e melhora a capacidade de identificação de perdas. A própria Copasa informou que pretende avaliar, em uma etapa posterior, tecnologia para transmissão virtual das leituras.

Também está prevista a substituição de outros 250 equipamentos em Perdizes, com investimento próximo de R$ 170 mil. (Notícias Copasa)

A experiência é relevante porque mostra que medição inteligente não precisa necessariamente ser implantada em uma única etapa.

Pode-se modernizar primeiro a qualidade metrológica do parque, preparar os equipamentos para transmissão e somente depois ampliar a conectividade.

Caesb já testou milhares de pontos de telemetria

No Distrito Federal, a Caesb também acumulou experiência com medição remota.

Em relatório de gestão referente a 2022, a companhia registrou projeto piloto envolvendo condomínios e uma área do Lago Norte. No Jardins Mangueiral, foram atendidos 423 usuários e, no Lago Norte, foram implantados 6.263 pontos de telemetria.

A finalidade declarada envolvia produtividade, modernização do faturamento, gestão do consumo, desenvolvimento de novos serviços e controle de perdas. (Caesb)

A experiência reforça uma mudança conceitual importante: o retorno de um projeto desse tipo não deve ser calculado exclusivamente pela economia com leituristas ou deslocamentos.

O benefício pode aparecer simultaneamente em faturamento, controle de perdas, atendimento, gestão de grandes clientes e redução de retrabalho.

Aegea experimentou outra arquitetura de comunicação

A Águas Guariroba, operação da Aegea em Campo Grande, desenvolveu uma solução de telemetria voltada ao monitoramento de grandes consumidores.

O projeto utiliza smartphones para captar e transmitir dados dos equipamentos através de uma rede colaborativa. Segundo a empresa, a solução foi utilizada para melhorar sensoriamento, medição e processos comerciais. (Revista Aegea)

Esse caso evidencia outra decisão que companhias precisarão tomar: não existe uma única arquitetura tecnológica para hidrômetros com telemetria.

Dependendo da densidade urbana, localização dos medidores, cobertura de telecomunicações, volume de dados e frequência desejada, diferentes modelos de comunicação podem ser economicamente mais adequados.

Por isso, interoperabilidade tende a ser mais importante do que simplesmente escolher a tecnologia aparentemente mais sofisticada.

Singapura mostra o que acontece quando o piloto vira infraestrutura nacional

O exemplo internacional mais avançado entre os casos pesquisados vem da PUB, agência nacional de águas de Singapura.

A primeira fase do programa implantou cerca de 300 mil hidrômetros inteligentes em imóveis residenciais, comerciais e industriais.

Os aparelhos registram automaticamente o consumo várias vezes ao dia e transmitem os dados para a PUB por uma rede digital. Os consumidores podem acessar informações de consumo em plataforma própria, incluindo detalhamento horário, definir metas e receber alertas de vazamentos ou consumo elevado. (Publicações do Governo)

O contrato da primeira fase não envolveu apenas a compra do hidrômetro. O escopo incluiu instalação, infraestrutura de comunicação, sistemas de tecnologia da informação e operação e manutenção durante 15 anos. (Publicações do Governo)

Essa é talvez uma das principais lições para companhias brasileiras.

O verdadeiro projeto não é comprar um hidrômetro.

É construir todo o ecossistema de medição.

Reino Unido mostra que o dado pode virar água economizada

A Anglian Water, no Reino Unido, atingiu em julho de 2026 mais de 1,5 milhão de medidores inteligentes conectados.

Segundo a companhia, aproximadamente 70% de seus clientes já conseguem acompanhar o próprio consumo e receber alertas de vazamentos. A empresa estima que a estratégia contribua para reduzir em mais de 18 milhões de litros por dia o volume de água necessário ao abastecimento. (Anglian Water)

Em dezembro de 2025, a Anglian Water havia informado que seu sistema já identificara mais de 600 mil vazamentos em propriedades de clientes desde 2021. (Anglian Water)

São resultados divulgados pela própria companhia e, portanto, devem ser interpretados dentro desse contexto. Ainda assim, mostram uma mudança importante: quando milhões de medições passam a ser analisadas continuamente, a micromedição deixa de servir apenas para faturar.

Ela passa a fazer parte da estratégia de gestão da demanda.

Sydney prepara uma substituição de 1,6 milhão de medidores

A Sydney Water segue direção semelhante.

A utility australiana informa que pretende substituir 1,6 milhão de medidores mecânicos na região metropolitana de Sydney por medidores inteligentes.

Enquanto o sistema tradicional é lido aproximadamente uma vez a cada três meses, os novos equipamentos enviam dados horários. A companhia utiliza essas informações para detectar padrões anormais e alertar os clientes sobre possíveis vazamentos. (Sydney Water)

O projeto também explicita uma questão que crescerá no Brasil à medida que os sistemas se tornarem mais conectados: segurança e privacidade.

A Sydney Water informa que os dados são digitalizados e criptografados antes da transmissão. (Sydney Water)

A discussão sobre dados precisa começar antes da expansão

Quando uma companhia conhece apenas o consumo mensal de um imóvel, possui uma fotografia.

Quando passa a receber dados horários, possui um padrão comportamental.

Dependendo da frequência da informação, podem ser inferidos períodos de maior utilização, ausência de consumo, consumo noturno contínuo e diversas outras características daquele ponto de abastecimento.

Se essas informações estiverem associadas a uma pessoa identificada ou identificável, entram no universo de tratamento de dados pessoais regulado pela Lei Geral de Proteção de Dados — LGPD. A lei se aplica tanto a pessoas jurídicas privadas quanto públicas. (Presidência da República)

Isso significa que a ampliação da telemetria precisa caminhar junto com governança de acessos, segurança dos sistemas, políticas de retenção, rastreabilidade e gestão de incidentes.

A transformação digital aumenta a capacidade operacional, mas também amplia a superfície de risco cibernético.

A telemetria não elimina a metrologia

Existe ainda outro ponto frequentemente esquecido.

Conectar um hidrômetro não significa que o equipamento passará a medir corretamente para sempre.

A Norma de Referência nº 11/2024 da ANA estabelece que os medidores de água devem ser certificados pelo Inmetro e atender às normas técnicas aplicáveis. (Serviços e Informações do Brasil)

O Inmetro informa ainda que, segundo a regulamentação metrológica aplicável, medidores em uso devem passar por verificação subsequente dentro dos intervalos definidos pela regulamentação, atualmente não superiores a sete anos contados da instalação. (Serviços e Informações do Brasil)

Portanto, telemetria, gestão do parque de hidrômetros, dimensionamento correto, curva de precisão, manutenção e substituição por idade continuam sendo partes da mesma estratégia.

Um dado transmitido perfeitamente por um medidor que submede continua sendo um dado errado.

O que pode dar errado

O risco mais comum é transformar o projeto em uma compra de equipamentos.

Uma companhia instala milhares de dispositivos, começa a receber milhões de registros e descobre que não possui processos preparados para tratá-los.

Também podem surgir falhas de comunicação, zonas sem cobertura, baterias descarregadas, equipamentos incompatíveis com futuras plataformas, dependência excessiva de determinado fornecedor, inconsistências entre a telemetria e o sistema comercial e excesso de alarmes sem equipes capazes de investigá-los.

Há ainda riscos físicos.

O próprio Sanep registrou, em junho de 2025, 75 ocorrências de furto de hidrômetros em Pelotas até o dia 27 daquele mês. A autarquia estimava custo próximo de R$ 200 entre peças e reposição de cada aparelho, somando aproximadamente R$ 15 mil naquele período. (Sanep)

Equipamentos mais sofisticados exigirão que proteção física, rastreabilidade e prevenção de fraude façam parte da estratégia de expansão.

O que gestores deveriam medir no piloto de Pelotas

Para saber se os hidrômetros com telemetria realmente justificam expansão, o piloto pode ser acompanhado por indicadores objetivos:

  • percentual de leituras recebidas corretamente; disponibilidade da comunicação; redução das contas faturadas por média; custo por leitura antes e depois da implantação; quantidade de vazamentos ou consumos anormais detectados; tempo entre alerta e comunicação ao cliente; percentual de falsos positivos; impacto na recuperação de volume faturado; quantidade de reclamações relacionadas à leitura; tempo gasto no tratamento de exceções; vida útil projetada das baterias; custo de manutenção; compatibilidade com diferentes marcas de hidrômetros; disponibilidade dos dados no sistema comercial; economia de deslocamentos; e prazo estimado de retorno econômico da solução.

Esse conjunto de informações permitiria avaliar o projeto sob três dimensões simultâneas: eficiência operacional, resultado comercial e experiência do cliente.

Profissionais de campo continuam sendo fundamentais

Uma leitura equivocada da automação seria imaginar que a tecnologia simplesmente substitui pessoas.

Na prática, ela muda o tipo de atividade realizada.

Quanto mais automatizada a leitura, maior tende a ser a necessidade de profissionais capazes de interpretar exceções, validar alarmes, analisar anomalias, verificar instalações, combater fraudes, diagnosticar problemas de medição e transformar dados em decisões.

O valor deixa de estar apenas em percorrer milhares de imóveis registrando números e passa a estar em compreender os poucos pontos que o sistema identifica como anormais.

Isso exige conhecimento hidráulico, comercial, tecnológico e de relacionamento com o cliente.

A transformação digital do saneamento não elimina a experiência de campo. Ela aumenta o valor dessa experiência quando o profissional consegue utilizá-la junto com os dados.

O movimento mais estratégico do Sanep pode estar nos novos empreendimentos

A decisão do Sanep de inserir requisitos de telemetria no caderno de encargos merece atenção especial.

Retrofit é caro.

Em uma cidade existente, é necessário substituir equipamentos, adaptar caixas, verificar cobertura de comunicação, instalar infraestrutura e integrar milhares de pontos.

Quando um empreendimento novo já nasce preparado para hidrômetros com telemetria, parte desse custo pode ser eliminada.

A expansão urbana passa a incorporar infraestrutura digital desde a origem.

Ao longo de vários anos, isso pode criar uma base crescente de unidades conectadas sem exigir uma grande substituição simultânea do parque existente.

É uma estratégia semelhante à observada em outras infraestruturas: construir digital primeiro costuma ser mais barato do que digitalizar depois.

O próximo passo é transformar leitura em inteligência

Pelotas está apenas começando.

Os primeiros hidrômetros com telemetria não significam que a cidade tenha implantado uma rede completa de medição inteligente, e a informação disponível ainda não permite avaliar economicamente a solução.

Mas o movimento aponta para uma direção que já pode ser observada em utilities brasileiras e internacionais.

Corsan, Caesb, Copasa e Aegea experimentam diferentes caminhos de modernização da medição. Singapura, Sydney e Anglian Water mostram o estágio seguinte: milhões de medidores conectados, dados horários, alertas automáticos, portais para consumidores e uso das informações para gestão de demanda e vazamentos.

A principal lição para o setor é que a tecnologia não deveria ser avaliada pelo número de hidrômetros instalados.

O indicador mais importante é o que a companhia consegue fazer diferente depois que os dados chegam.

Se a telemetria reduzir faturamentos por média, detectar vazamentos antes da conta, melhorar a qualidade da receita, apoiar o combate às perdas, diminuir deslocamentos improdutivos e oferecer ao cliente maior controle sobre o consumo, o hidrômetro deixa de ser apenas o equipamento que determina quanto cobrar.

Ele passa a funcionar como um sensor permanente na ponta da rede.

Esse é o verdadeiro potencial dos hidrômetros com telemetria: conectar operação, gestão comercial, perdas e experiência do cliente em torno da mesma informação.

Para o saneamento brasileiro, a questão já não é apenas se a medição ficará mais digital.

A questão estratégica é quais empresas conseguirão transformar essa enorme quantidade de novos dados em decisões melhores antes das demais.

Fontes e referências

Sanep — Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas
Sanep moderniza processo de medição do consumo de água
11 de setembro de 2026
Acessar a publicação do Sanep

Sanep — Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas
Dia da Água: recurso acessível aos pelotenses é prioridade para o Sanep
21 de março de 2025
Acessar a publicação

Sanep — Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas
Sanep registra aumento de hidrômetros furtados em Pelotas
27 de junho de 2025
Acessar a publicação

ANA — Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico
Resolução ANA nº 230/2024 — Norma de Referência nº 11/2024: Condições Gerais da Prestação dos Serviços
18 de dezembro de 2024
Acessar a Norma de Referência nº 11/2024

ANA — Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico
Resolução ANA nº 275/2025 — Norma de Referência nº 15/2025: Gestão de Redução e Controle de Perdas
18 de dezembro de 2025
Acessar a Norma de Referência nº 15/2025

Inmetro — Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia
Como obter informações sobre a substituição de hidrômetro após 7 anos de uso?
Página atualizada em dezembro de 2023
Acessar orientação do Inmetro

Agesan-RS — Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento do Rio Grande do Sul
Sistema de abastecimento de água e esgoto de Pelotas é fiscalizado pela Agesan-RS
2025
Acessar a publicação da Agesan-RS

Corsan
Corsan implanta hidrômetros inteligentes e inaugura nova era de monitoramento remoto da água
12 de dezembro de 2025
Acessar a publicação da Corsan

Copasa
Copasa substitui parque de hidrômetros em Jubaí e mira redução de perdas de água no distrito
6 de agosto de 2026
Acessar a publicação da Copasa

Caesb — Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal
Relatório de Gestão 2022
Dados sobre projeto piloto de medição remota e 6.263 pontos de telemetria no Lago Norte
Acessar o Relatório de Gestão

Aegea / Águas Guariroba
Projeto Hidrômetros Inteligentes — Telemetria em Rede Colaborativa
Projeto de inovação para monitoramento remoto de grandes consumidores
Acessar a publicação da Aegea

United States Environmental Protection Agency — EPA WaterSense
Advanced Metering Infrastructure
Atualizado em 3 de setembro de 2026
Acessar material da EPA sobre AMI

PUB — Singapore’s National Water Agency
Smart Water Meter Programme
Página atualizada em 2026
Acessar o programa de medição inteligente de Singapura

PUB — Singapore’s National Water Agency
PUB appoints SP Services to install Singapore’s first 300,000 Smart Water Meters
15 de abril de 2021
Acessar o comunicado da PUB

Anglian Water
More than 1.5 million smart meters help Anglian Water prepare for the hot weather
7 de julho de 2026
Acessar o caso da Anglian Water

Sydney Water
Smart meters
Consultado em setembro de 2026
Acessar o programa da Sydney Water

Presidência da República — Brasil
Lei nº 13.709/2018 — Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD)
14 de agosto de 2018
Acessar o texto atualizado da LGPD