Maiores companhias de saneamento: quem lidera o mundo?

O Brasil ocupa uma posição muito mais relevante no saneamento mundial do que normalmente se imagina. Quando a comparação deixa de considerar apenas faturamento, valor de mercado ou população atendida e passa a observar a quantidade de ligações de água e esgoto, empresas brasileiras aparecem entre as maiores estruturas operacionais e comerciais do planeta.

O caso mais expressivo é o da Sabesp. No segundo trimestre de 2026, a companhia registrava aproximadamente 9,487 milhões de ligações de água e 8,230 milhões de ligações de esgoto. Somadas como relações físicas de serviço, representam cerca de 17,7 milhões de ligações de água e esgoto. A empresa abastece aproximadamente 30,6 milhões de pessoas com água e atende 27,7 milhões com coleta de esgoto em 376 municípios paulistas. 

Esse número coloca a companhia brasileira em uma dimensão excepcional mesmo diante de grandes utilities de Londres, Tóquio, Estados Unidos e outros mercados desenvolvidos.

Entretanto, existe uma questão essencial: não há um ranking internacional oficialmente padronizado das maiores companhias de saneamento por quantidade de ligações. Cada país utiliza conceitos diferentes. Por isso, qualquer comparação séria precisa separar ligações, economias, propriedades, clientes, contas e população atendida.

É exatamente nesse detalhe que se encontra a parte mais interessante da análise.

Brasil aparece entre as maiores estruturas comerciais de saneamento

A pesquisa dos dados disponíveis até setembro de 2026 indica que pelo menos três companhias brasileiras — Sabesp, Copasa e Sanepar — possuem bases comerciais compatíveis com algumas das maiores utilities de água e esgoto do mundo.

Isso significa muito mais do que tamanho institucional.

Milhões de ligações significam milhões de hidrômetros, contas emitidas, leituras, ordens de serviço, reclamações, negociações, cortes, religações, alterações cadastrais e oportunidades de recuperação de receita.

Portanto, observar as maiores companhias de saneamento também permite avaliar a complexidade enfrentada diariamente pelos profissionais responsáveis pela operação desses sistemas.

Antes do ranking: ligação não é a mesma coisa que economia

Essa diferença precisa estar clara.

Uma ligação de água representa, de maneira simplificada, a conexão física de um imóvel ou conjunto de imóveis à rede pública.

Já uma economia representa uma unidade consumidora associada àquela ligação.

Um edifício com 100 apartamentos, por exemplo, pode possuir uma única ligação predial e dezenas ou até centenas de economias, dependendo do modelo cadastral e de medição adotado.

Além disso, água e esgoto podem ser contabilizados separadamente.

Assim, uma residência atendida pelos dois serviços pode representar:

uma ligação de água + uma ligação de esgoto.

Consequentemente, quando se afirma que determinada companhia possui 17 milhões de ligações de água e esgoto somadas, isso não significa necessariamente 17 milhões de imóveis distintos.

Essa metodologia, entretanto, é extremamente útil para dimensionar a escala dos serviços prestados.

O mesmo princípio aparece no Reino Unido. Reguladores utilizam indicadores como connected properties, separando propriedades conectadas ao abastecimento de água das propriedades conectadas ao sistema de esgotamento sanitário.

Portanto, a comparação precisa ser feita entre conceitos equivalentes.

Sabesp pode estar no topo mundial por ligações comparáveis

Entre as maiores companhias de saneamento que divulgam informações diretamente comparáveis, a Sabesp ocupa uma posição extraordinária.

No 2T26 foram registradas:

9,487 milhões de ligações de água

e

8,230 milhões de ligações de esgoto.

Isso produz aproximadamente 17,717 milhões de relações de serviço quando água e esgoto são somados.

A própria Sabesp esclarece que o indicador considera ligações ativas e cadastradas. Além disso, a empresa vem executando uma expansão de escala igualmente relevante: somente no primeiro semestre de 2026 foram investidos aproximadamente R$ 7,5 bilhões, sendo que o Capex do segundo trimestre chegou a R$ 3,7 bilhões. 

Esse tamanho transforma desafios aparentemente simples em problemas de escala industrial.

Uma inconsistência cadastral de apenas 1% pode representar dezenas de milhares de registros.

Uma diferença pequena na eficiência da leitura pode atingir centenas de milhares de contas.

Da mesma forma, pequenas melhorias em arrecadação, perdas aparentes, telemedição ou produtividade das equipes podem produzir impactos financeiros gigantescos.

É nesse ponto que se evidencia a importância dos profissionais de saneamento. Sistemas dessa dimensão não funcionam apenas por causa de grandes estações ou redes extensas. Dependem da atuação integrada de profissionais comerciais, operadores, engenheiros, técnicos, analistas de dados, atendentes, fiscais, especialistas em regulação, TI e manutenção.

Thames Water: Londres mostra a dificuldade da comparação

A Thames Water é frequentemente citada entre as maiores utilities integradas do mundo. A companhia atende Londres e o Vale do Tâmisa e atualmente informa atendimento a aproximadamente 16 milhões de clientes. Sua estrutura de esgotamento sanitário é uma das maiores e mais complexas do planeta. 

Entretanto, “clientes” não significa automaticamente “ligações”.

Nos demonstrativos regulatórios britânicos, a comparação fica mais interessante. No exercício 2021/22, por exemplo, a Thames Water informava aproximadamente 3,976 milhões de propriedades conectadas ao serviço de água e 6,086 milhões conectadas ao serviço de esgoto.

Somando as duas relações de serviço, o número ultrapassava 10 milhões

Esse dado é mais antigo do que os números brasileiros utilizados na comparação e, portanto, não deve ser tratado como um ranking atual fechado. Entretanto, demonstra a ordem de grandeza da operação britânica e reforça uma conclusão: a Sabesp opera uma base física de relacionamento extraordinariamente grande mesmo quando comparada a Londres.

Copasa ultrapassa 8 milhões de ligações de serviço

Minas Gerais apresenta outro número impressionante.

Ao final de 2025, a Copasa e suas subsidiárias integrais possuíam aproximadamente 4,805 milhões de ligações de água.

No esgotamento sanitário eram outras 3,329 milhões de ligações.

Somadas, representam cerca de 8,134 milhões de ligações de serviço

Além disso, a companhia registrava aproximadamente 5,792 milhões de economias de água e 4,275 milhões de economias de esgoto.

A diferença entre ligações e economias ilustra exatamente por que comparações internacionais precisam ser feitas com cautela.

A Copasa também atendia aproximadamente 11,9 milhões de pessoas com água e 8,823 milhões com esgotamento sanitário ao final de 2025. 

Portanto, entre as maiores companhias de saneamento com números publicamente comparáveis, a empresa mineira apresenta uma escala comercial de nível internacional.

United Utilities possui quase 7 milhões de relações de serviço

No Reino Unido, outro exemplo importante é a United Utilities, responsável pelos serviços de água e esgoto no noroeste da Inglaterra.

No relatório regulatório de 2024/25 foram informadas aproximadamente 3,474 milhões de propriedades conectadas ao abastecimento de água e 3,495 milhões conectadas ao esgotamento sanitário.

A soma chega a aproximadamente 6,969 milhões de relações de serviço

Esse número ajuda a colocar a dimensão brasileira em perspectiva.

A base da Copasa, por exemplo, supera essa ordem de grandeza quando água e esgoto são analisados com a mesma lógica de relações de serviço.

Isso não significa que uma companhia seja necessariamente “maior” em todos os aspectos. Receita, ativos, volume produzido, investimentos, extensão de redes e população atendida podem produzir classificações diferentes.

Contudo, sob a perspectiva da base de ligações, o Brasil ganha enorme relevância.

Sanepar também está entre gigantes internacionais

A Sanepar terminou 2025 com 3.530.490 ligações de água e 2.652.624 ligações de esgoto.

O total alcança aproximadamente 6,183 milhões de relações de serviço

Em março de 2026, essa base já havia avançado para cerca de 3,543 milhões de ligações de água e 2,668 milhões de esgoto, mantendo a trajetória de crescimento. 

Portanto, a Sanepar também aparece na discussão sobre as maiores companhias de saneamento quando o parâmetro considerado é o relacionamento físico de água e esgoto com os usuários.

Esse aspecto merece destaque porque o tamanho comercial de uma companhia interfere diretamente na necessidade de automação.

Quanto maior a quantidade de ligações, maior se torna o valor estratégico de telemedição, inteligência artificial, detecção de anomalias de consumo, gestão automática de ordens de serviço, faturamento digital e segmentação de clientes.

Tóquio mostra por que alguns gigantes não podem ser simplesmente somados

O sistema de abastecimento de Tóquio é outro caso impressionante.

Documentação oficial do governo metropolitano japonês registra cerca de 8,08 milhões de clientes de água, atendendo aproximadamente 13,8 milhões de habitantes.

Além disso, a rede de abastecimento possui mais de 28 mil quilômetros de tubulações. 

Entretanto, o esgotamento sanitário metropolitano é administrado e reportado por estrutura própria.

Por isso, não seria correto simplesmente dobrar os 8 milhões de clientes de água para estimar uma base combinada.

Tóquio é um exemplo perfeito do motivo pelo qual não existe um ranking mundial simples das maiores companhias de saneamento.

A estrutura administrativa dos serviços varia enormemente de país para país.

Veolia é maior globalmente, mas mede outra coisa

Ao considerar população atendida, poucos grupos chegam perto da Veolia.

Em 2025, o grupo informou atendimento a aproximadamente 110 milhões de pessoas com água potável e 97 milhões com serviços de saneamento.

Também administrava milhares de plantas de produção de água e tratamento de esgoto em diferentes continentes. 

Entretanto, a Veolia não representa uma única concessionária territorial comparável diretamente à Sabesp.

Trata-se de um grupo internacional que atua por meio de contratos, concessões, operações e subsidiárias em inúmeros países.

Portanto, seria incorreto afirmar que a Veolia possui “207 milhões de ligações”.

São indicadores completamente diferentes.

Essa distinção é fundamental para qualquer análise das maiores companhias de saneamento.

SUEZ apresenta situação semelhante

A SUEZ também pertence à categoria dos grandes operadores internacionais.

Em 2025, o grupo informou fornecer água potável para aproximadamente 67 milhões de pessoas e serviços de saneamento para 36 milhões de pessoas, atuando em cerca de 40 países. 

Novamente, essa escala supera amplamente a população atendida individualmente por Sabesp, Copasa ou Sanepar.

Contudo, trata-se da soma de numerosas operações internacionais.

Logo, população atendida globalmente por um grupo multinacional não deve ser utilizada como equivalente direto ao número de ligações administradas por uma concessionária.

American Water domina o mercado regulado norte-americano

Nos Estados Unidos, a American Water é considerada a maior companhia privada regulada de água e esgoto negociada em bolsa do país quando considerados receita operacional e população atendida.

Ao final de 2025, suas utilities reguladas atendiam aproximadamente 3,6 milhões de clientes ativos, enquanto o grupo prestava serviços de água e esgoto a aproximadamente 14 milhões de pessoas em 24 estados

O conceito norte-americano de cliente também não permite simplesmente separar e somar água e esgoto como no modelo brasileiro.

Ainda assim, a comparação demonstra novamente a magnitude da base comercial das grandes companhias brasileiras.

Um ranking técnico indicativo das maiores companhias de saneamento

Considerando exclusivamente os dados públicos encontrados com metodologia suficientemente próxima de ligação ou propriedade conectada por serviço, a fotografia indicativa fica assim:

  1. Sabesp — cerca de 17,7 milhões de relações de serviço de água + esgoto, dados do 2T26.
  2. Thames Water — mais de 10 milhões na soma de propriedades conectadas a água e esgoto, considerando o dado regulatório comparável localizado de 2021/22; atualmente atende cerca de 16 milhões de clientes.
  3. Copasa — cerca de 8,13 milhões de ligações de água + esgoto, dados de 2025.
  4. United Utilities — aproximadamente 6,97 milhões de propriedades conectadas a água + esgoto, dados de 2024/25.
  5. Sanepar — aproximadamente 6,18 milhões de ligações de água + esgoto em 2025, já acima de 6,21 milhões no primeiro trimestre de 2026.

Esse não deve ser apresentado como ranking oficial mundial. Existem operadores chineses, indianos, japoneses e outras grandes utilities cujos relatórios não disponibilizam o indicador exatamente na mesma metodologia.

Porém, a evidência disponível permite afirmar com segurança que Sabesp, Copasa e Sanepar pertencem ao grupo das maiores companhias de saneamento do planeta quando a escala comercial e física das ligações é considerada.

O tamanho muda completamente a gestão comercial

Esse talvez seja o ponto mais relevante para os profissionais do setor.

Em uma companhia com milhões de clientes, um simples ganho de eficiência pode produzir resultados enormes.

Considere-se uma base de 9 milhões de ligações de água.

Melhorar a identificação de consumo não faturado em apenas uma pequena parcela da base pode gerar impacto significativo na receita.

Da mesma forma, reduzir refaturamentos, aprimorar cadastro, automatizar leituras, identificar hidrômetros subdimensionados ou envelhecidos e priorizar inspeções por inteligência artificial passam a ter enorme relevância econômica.

Por outro lado, falhas também ganham escala.

Um erro sistêmico em regra de faturamento pode atingir milhares de clientes antes de ser percebido.

Uma integração cadastral mal executada pode contaminar indicadores.

Uma falha na programação de ordens de serviço pode gerar grandes volumes de reclamações.

Consequentemente, as maiores companhias de saneamento precisam tratar dados, cadastro comercial e tecnologia com a mesma importância estratégica atribuída a adutoras, estações de tratamento e reservatórios.

Escala também muda a gestão de perdas

Outro impacto aparece nas perdas de água.

Indicadores expressos em litros por ligação por dia tornam-se particularmente relevantes quando existem milhões de ligações.

Uma redução aparentemente pequena no indicador, multiplicada por milhões de pontos de consumo durante 365 dias, pode representar volumes extremamente elevados de água.

Isso exige profissionais especializados em setorização, controle de pressão, macromedição, micromedição, pesquisa de vazamentos, balanço hídrico e gestão de perdas aparentes.

Portanto, o verdadeiro diferencial das maiores companhias de saneamento não está apenas em possuir grandes ativos.

Está na capacidade de coordenar milhares de profissionais, sistemas, contratos e decisões diariamente.

O Brasil deveria fazer mais benchmarking internacional

O levantamento também produz uma provocação importante.

Companhias brasileiras já possuem escala internacional. Logo, seus benchmarks não precisam ficar limitados ao próprio mercado nacional.

Sabesp pode comparar gestão de clientes com Thames Water.

Copasa pode estudar modelos de controle de perdas e digitalização utilizados por utilities britânicas.

Sanepar pode avaliar práticas asiáticas de automação e gestão da infraestrutura.

Da mesma forma, operadores internacionais podem estudar experiências brasileiras relacionadas à operação em municípios de tamanhos muito diferentes, tarifa social, atendimento em territórios extensos, universalização e gestão comercial de grande escala.

Os profissionais brasileiros do saneamento acumulam experiência operacional em ambientes extremamente complexos. Essa competência precisa ser mais valorizada e compartilhada internacionalmente.

A conclusão é maior do que o ranking

A principal descoberta não é simplesmente saber qual empresa ocupa primeiro, segundo ou terceiro lugar.

A informação mais relevante é perceber a dimensão que o saneamento brasileiro alcançou.

Entre as maiores companhias de saneamento com informações comparáveis, empresas brasileiras administram algumas das maiores bases de ligações de água e esgoto encontradas.

A Sabesp, com aproximadamente 17,7 milhões de relações de serviço, aparece em uma posição especialmente impressionante.

Copasa ultrapassa 8 milhões.

Sanepar supera 6 milhões.

São números que colocam os profissionais dessas companhias diante de desafios de complexidade internacional.

Por isso, discutir as maiores companhias de saneamento também significa discutir produtividade, tecnologia, conhecimento técnico, gestão comercial, engenharia, inovação, atendimento, regulação e capacidade humana.

Grandes redes precisam de grandes sistemas.

Grandes sistemas precisam de bons processos.

E, sobretudo, operações dessa escala dependem de profissionais preparados para transformar milhões de ligações em serviços confiáveis para milhões de pessoas.


Fontes

  • Sabesp — Relações com Investidores e Release de Resultados 2T26. Sabesp RI⁠Attachment.png 
  • Copasa — Demonstrações Financeiras de 2025 e Perfil Corporativo. Copasa RI⁠Attachment.png 
  • Sanepar — Relações com Investidores e dados operacionais de 2025/2026. Sanepar RI⁠Attachment.png 
  • Thames Water — Annual Performance Reports e informações corporativas. Thames Water⁠Attachment.png 
  • United Utilities — Annual Performance Report. United Utilities⁠Attachment.png 
  • Tokyo Metropolitan Government — Tokyo Waterworks. Tokyo Metropolitan Government⁠Attachment.png 
  • Veolia — resultados globais de 2025. Veolia Group⁠Attachment.png 
  • SUEZ — resultados e indicadores globais de 2025. SUEZ Group⁠Attachment.png 
  • American Water — Annual Report 2025. American Water Investor Relations⁠Attachment.png 
  • Anglian Water e Aguas Andinas — dados institucionais para comparação internacional.