A próxima grande transformação nas estações de tratamento de água pode estar acontecendo quilômetros antes de a água chegar à ETA. No Rio de Janeiro, a Cedae está utilizando câmeras espectrais, sensores multiparâmetros, drones, embarcações, informações meteorológicas e um centro de controle que funciona 24 horas por dia para detectar alterações nos mananciais antes que elas atinjam as captações.
O resultado financeiro divulgado chama atenção. Segundo informações publicadas em agosto de 2026, a companhia teria reduzido em cerca de 20% os gastos anteriormente empenhados com insumos químicos e biológicos utilizados no tratamento de água, produzindo economia estimada em R$ 70 milhões em 18 meses.
Entretanto, o aspecto mais relevante para os profissionais de saneamento vai muito além dos R$ 70 milhões. A experiência demonstra como o monitoramento ambiental da água pode aproximar a gestão dos mananciais da operação das ETAs, permitindo antecipar contaminações, melhorar a dosagem de produtos químicos, reduzir riscos de paralisação e transformar grandes volumes de dados em decisões operacionais.
Ao mesmo tempo, uma análise econômica completa exige atenção aos custos do próprio sistema. Somente um dos contratos da Cedae relacionado ao monitoramento do Guandu possui valor de aproximadamente R$ 143,1 milhões por 24 meses. Outro contrato, relativo ao sistema Guapiaçu-Macacu, foi firmado por aproximadamente R$ 49,9 milhões por 12 meses.
Portanto, a inovação não deve ser interpretada simplesmente como uma câmera que economizou produtos químicos. Trata-se de uma nova arquitetura de gestão da água bruta, que integra campo, laboratório, sensoriamento, telecomunicações, inteligência operacional e profissionais altamente qualificados.
O que é o Centro de Monitoramento Ambiental da Cedae
O Centro de Monitoramento Ambiental, conhecido como CMA, foi estruturado em Botafogo, no Rio de Janeiro, para centralizar as informações provenientes das bacias responsáveis pelos dois maiores sistemas produtores da Cedae.
O primeiro é o Sistema Guandu, cuja água bruta é captada no Rio Guandu. O segundo é o Sistema Imunana-Laranjal, abastecido principalmente pelos rios Guapiaçu e Macacu, que formam o Canal de Imunana.
O CMA funciona continuamente e recebe informações provenientes de diferentes fontes.
Segundo a própria Cedae, são 36 câmeras instaladas em 14 pontos, além de mapa climático e informações atualizadas de aproximadamente dez parâmetros físico-químicos. Os dados podem ser obtidos por sensores flutuantes, drones e câmeras espectrais semelhantes às utilizadas em aplicações de sensoriamento por satélite.
Essa integração é justamente o diferencial do monitoramento ambiental da água.
Em um modelo convencional, uma alteração da água bruta pode ser percebida na captação ou já dentro do processo de tratamento. Nesse cenário, a equipe operacional tem pouco tempo para reagir.
No novo conceito, tenta-se identificar a alteração dezenas de quilômetros antes.
Assim, a sequência operacional pode se tornar:
manancial → sensores → comunicação → centro de monitoramento → interpretação → alerta → ETA → ajuste operacional.
Quanto maior a antecedência, maior tende a ser a capacidade dos profissionais de preparar o tratamento.
As “câmeras da NASA” precisam ser entendidas corretamente
A expressão chama atenção, porém pode gerar uma interpretação equivocada.
A Cedae não instalou equipamentos pertencentes à NASA.
A companhia informa que utiliza câmeras espectrais semelhantes às empregadas em aplicações de satélite da agência espacial norte-americana. Esses equipamentos conseguem analisar informações além daquilo que uma câmera convencional registra visualmente.
Enquanto uma câmera comum registra basicamente imagens no espectro visível, sensores espectrais podem analisar diferentes faixas do espectro eletromagnético.
Dependendo da tecnologia adotada, determinadas assinaturas espectrais podem ajudar a identificar mudanças relacionadas à matéria orgânica, vegetação aquática, sedimentos, algas ou outras alterações ambientais.
Entretanto, a câmera isoladamente não substitui análise laboratorial.
O valor surge quando a imagem é combinada com sensores em campo, amostragens laboratoriais, dados meteorológicos, histórico operacional e conhecimento dos profissionais responsáveis pela água.
É exatamente essa combinação que diferencia um sistema sofisticado de monitoramento ambiental da água de uma simples rede de videomonitoramento.
O que os sensores conseguem medir
Uma das ferramentas mais importantes desse tipo de arquitetura é a sonda multiparâmetro.
Ela reúne diferentes sensores em um único equipamento e consegue acompanhar simultaneamente diversas características da água.
Entre os parâmetros normalmente encontrados nesse tipo de sistema estão:
- pH;
- temperatura;
- turbidez;
- condutividade elétrica;
- oxigênio dissolvido;
- potencial de oxirredução;
- sólidos dissolvidos;
- salinidade;
- clorofila-a;
- ficocianina.
Um sistema de monitoramento automático apresentado em trabalho técnico da ABES, por exemplo, utiliza uma sonda capaz de medir simultaneamente pH, temperatura, potencial de oxirredução, oxigênio dissolvido, condutividade, salinidade, sólidos totais dissolvidos e turbidez, transmitindo dados por rede móvel.
Essa característica é fundamental porque diferentes alterações produzem diferentes sinais.
Uma elevação repentina da turbidez pode estar relacionada a chuva, erosão, ressuspensão de sedimentos ou entrada de material no manancial.
Uma alteração brusca na condutividade pode indicar mudança significativa na composição da água.
Já clorofila e ficocianina podem ajudar no acompanhamento de processos associados ao crescimento de algas e cianobactérias.
Por isso, a força do sistema não está em um parâmetro isolado, mas na correlação entre diversos indicadores.
Como o monitoramento pode economizar produtos químicos
Essa talvez seja uma das aplicações mais interessantes para quem trabalha diretamente em ETA.
O tratamento convencional depende fortemente da característica da água bruta.
Quando ocorre alteração de turbidez, pH, alcalinidade, matéria orgânica, algas ou outros componentes, a dosagem dos produtos pode precisar ser modificada.
Em uma operação sem previsão, essas alterações tendem a ser percebidas quando a água já está chegando à estação.
Consequentemente, o ajuste pode ocorrer por tentativa operacional, jar test, histórico ou experiência da equipe.
Já com monitoramento ambiental da água a montante, a ETA pode receber um aviso antecipado.
Imagine que sensores instalados 20 ou 30 quilômetros antes da captação detectem aumento crescente da turbidez provocado por uma chuva intensa.
Conhecendo a velocidade aproximada de deslocamento da massa de água, torna-se possível estimar quando essa alteração chegará à captação.
Com isso, os profissionais podem preparar:
- ajuste de coagulante;
- correção de pH;
- dosagem de alcalinizante;
- utilização de polímeros;
- estratégia de carvão ativado;
- alteração de taxas operacionais;
- mudança de pontos de dosagem;
- intensificação das análises laboratoriais.
A economia não necessariamente ocorre porque se utiliza menos produto durante toda a operação.
Ela pode surgir principalmente pela dosagem mais precisa.
Sem dados suficientes, existe tendência operacional natural de trabalhar com margens de segurança maiores. Quanto maior a incerteza sobre a água bruta, maior pode ser a margem utilizada na dosagem.
Quando a qualidade da água se torna mais previsível, a operação ganha precisão.
Os R$ 70 milhões significam retorno do investimento?
Não necessariamente.
Esse é um ponto fundamental para qualquer avaliação técnica responsável.
A reportagem publicada em 17 de agosto de 2026 informa economia próxima de R$ 70 milhões durante 18 meses, associada a uma redução de 20% dos gastos anteriormente empenhados com insumos químicos e biológicos.
Entretanto, esse número não deve ser comparado isoladamente ao custo do sistema.
A Cedae possui contratos relevantes relacionados à implantação e operação do monitoramento.
O contrato destinado à instalação, operação e manutenção do sistema de monitoramento do Guapiaçu-Macacu tem valor total publicado de R$ 49.897.876,40 para 12 meses.
Além disso, o contrato nº 052/2025 referente ao Guandu e à implantação do CMA foi celebrado por R$ 143.121.303,39, com prazo de 24 meses.
Portanto, um cálculo completo de retorno deveria considerar pelo menos:
economia química + redução de paralisações + menor risco ambiental + redução de danos reputacionais + eficiência operacional + benefícios de segurança hídrica − investimento − operação − manutenção.
Ainda assim, existe um componente que dificilmente pode ser avaliado apenas por payback tradicional: o valor econômico de evitar uma crise de abastecimento em uma região metropolitana.
Uma única ocorrência capaz de comprometer a produção de água pode gerar efeitos muito superiores ao custo direto de produtos químicos.
Monitoramento ambiental da água funciona como um sistema de alerta precoce
O conceito utilizado internacionalmente é semelhante ao de um Early Warning System, ou sistema de alerta antecipado.
A lógica é simples.
O objetivo não é necessariamente identificar imediatamente qual composto provocou determinada alteração.
O primeiro objetivo é perceber que algo mudou.
Por exemplo, determinado trecho de rio pode apresentar simultaneamente:
- aumento de condutividade;
- alteração do pH;
- mudança da turbidez;
- comportamento espectral incomum.
O sistema pode gerar um alerta.
A partir daí entram os profissionais.
Equipes de campo podem ser deslocadas, amostras podem ser coletadas, laboratórios podem executar análises específicas e a ETA pode iniciar preparação preventiva.
Ou seja, tecnologia não elimina a participação humana.
Pelo contrário.
Quanto mais sofisticada a rede de monitoramento ambiental da água, maior a necessidade de profissionais capazes de interpretar corretamente dados, distinguir alarmes reais de falsos positivos e transformar informação em decisão operacional.
Por que laboratório continua indispensável
Sensores online são extraordinários para velocidade.
Laboratórios são indispensáveis para confirmação.
Determinadas substâncias não podem ser identificadas com segurança apenas por sondas multiparâmetros.
Por isso, uma arquitetura madura utiliza camadas complementares:
sensoriamento contínuo → alerta → amostragem → laboratório → confirmação → resposta operacional.
Essa abordagem também está alinhada ao conceito de gerenciamento de risco da qualidade da água.
A legislação brasileira estabelece requisitos de controle e vigilância por meio da Portaria GM/MS nº 888/2021. A regulamentação contempla parâmetros microbiológicos, físicos e químicos e impõe acompanhamento da qualidade da água pelos responsáveis pelos sistemas de abastecimento.
Portanto, monitoramento online não substitui os controles regulamentares.
Ele adiciona uma camada poderosa de prevenção.
O papel do SCADA no saneamento moderno
Embora o sistema da Cedae tenha características específicas, outras grandes companhias utilizam uma tecnologia que já se tornou essencial no saneamento: SCADA.
SCADA significa Supervisory Control and Data Acquisition, ou Sistema de Supervisão e Aquisição de Dados.
Na prática, trata-se do software que recebe dados de sensores e controladores espalhados pelas unidades operacionais e apresenta essas informações em telas para os operadores.
O manual técnico de automação da Sanepar define SCADA como sistema capaz de coletar dados de processos geograficamente distribuídos, apresentar estados, alarmes, previsões, gráficos e relatórios e permitir supervisão, operação e controle.
A arquitetura típica pode ser representada por:
sensor → CLP/CP → telemetria → SCADA → CCO → operador.
Nas companhias modernas, o SCADA pode receber informações provenientes de:
reservatórios, elevatórias, ETAs, ETEs, boosters, macromedidores, válvulas, pressões, vazões, níveis e equipamentos eletromecânicos.
Sanepar mostra como SCADA é incorporado ao projeto
A Sanepar possui diretrizes formais para diferentes níveis de automação.
Nos sistemas de maior porte, o manual da companhia prevê sistemas de supervisão específicos para produção e distribuição, além da integração entre unidades operacionais e infraestrutura de comunicação.
Esse detalhe é extremamente importante.
Um projeto de automação não começa escolhendo sensores.
Ele começa definindo arquitetura operacional.
Quais unidades precisam ser monitoradas?
Quais variáveis são críticas?
Qual frequência de atualização é necessária?
Quais informações precisam gerar alarmes?
Quem recebe esses alarmes?
Qual ação deve ser tomada?
Somente depois dessas respostas devem ser dimensionados equipamentos e softwares.
Copasa possui plataforma própria de supervisão
Outro exemplo relevante é a Copasa.
A companhia desenvolveu o Copasis, seu Sistema Integrado de Supervisão.
Segundo a empresa, a plataforma já chegou a quase 2 mil unidades operacionais em cerca de 300 localidades, permitindo acompanhar níveis de reservatórios, elevatórias e condições de sistemas de distribuição em tempo real.
A ferramenta utiliza representação gráfica do sistema e alertas para apoiar os operadores.
Esse tipo de aplicação demonstra que diferentes companhias podem utilizar tecnologias distintas, porém a lógica permanece semelhante:
instrumentação + comunicação + plataforma supervisória + centro operacional + profissionais.
Portanto, não existe uma única “ferramenta usada pelas companhias”.
Existe um ecossistema tecnológico.
Sabesp combina sondas, amostragens e monitoramento
A Sabesp também utiliza sondas e coleta de amostras para monitoramento de mananciais, além de estruturas de automação e telemetria em sua operação. A lógica demonstra novamente que qualidade da água não depende apenas de laboratório ou somente de sensores: as duas abordagens são complementares.
Essa combinação tende a se tornar cada vez mais importante.
A evolução natural é integrar os dados ambientais aos sistemas de produção.
Assim, uma mudança detectada no manancial pode futuramente alimentar modelos capazes de prever impactos sobre a ETA.
O próximo passo é a inteligência artificial
Uma rede de monitoramento produz enormes volumes de informação.
A cada minuto podem ser registrados valores de pH, turbidez, temperatura, condutividade, oxigênio dissolvido e outros parâmetros.
Depois de meses ou anos, forma-se uma base histórica valiosa.
É exatamente nesse ponto que algoritmos de aprendizado de máquina podem ganhar relevância.
Em vez de simplesmente mostrar valores, o sistema pode aprender padrões.
Por exemplo:
“quando determinada combinação de chuva, turbidez, condutividade e temperatura ocorre, a ETA costuma demandar determinada faixa de coagulante algumas horas depois”.
O sistema pode então prever a tendência.
Isso não significa substituir o operador.
Significa entregar uma ferramenta adicional para que os profissionais tomem decisões melhores.
A inteligência artificial no saneamento tende a ser mais eficiente quando utiliza conhecimento acumulado dos próprios operadores para contextualizar os dados.
Como implantar monitoramento ambiental da água
Uma companhia interessada em implantar monitoramento ambiental da água não precisa começar necessariamente com dezenas de câmeras, drones e uma grande central.
O caminho mais seguro é modular.
1. Mapear os riscos do manancial
Primeiro devem ser identificados os principais riscos existentes.
Indústrias, lançamento de esgoto, agricultura, mineração, rodovias, barragens, ocupações urbanas e tributários críticos devem entrar nesse mapa.
2. Definir pontos estratégicos
Sensores não devem ser instalados simplesmente onde existe facilidade física.
O posicionamento precisa responder perguntas operacionais.
Quanto tempo existe entre determinado ponto e a captação?
Qual tributário representa maior risco?
Onde um acidente teria maior impacto?
3. Definir os parâmetros
Não existe um pacote universal.
Dependendo do manancial, pode ser necessário priorizar turbidez, pH, condutividade, oxigênio dissolvido, clorofila, ficocianina ou outros indicadores.
4. Implantar comunicação
O sensor sem comunicação perde grande parte do valor de alerta antecipado.
Podem ser utilizados 4G, 5G, rádio, fibra, redes IoT ou comunicação satelital, dependendo da localização.
5. Integrar ao SCADA ou plataforma de dados
Os dados precisam chegar a uma interface operacional.
Além disso, é fundamental criar tendências, alarmes e histórico.
6. Criar protocolos de resposta
Esse é um dos pontos mais esquecidos.
Um alarme sem procedimento não resolve o problema.
É preciso definir antecipadamente quem deve ser acionado, quem coleta amostra, qual laboratório realiza análise, quem comunica a ETA e quais níveis de alerta existem.
7. Treinar continuamente os profissionais
Sensores sofrem incrustação, deriva e necessidade de calibração.
Além disso, interpretação de dados exige conhecimento.
Portanto, técnicos, operadores, engenheiros, químicos, biólogos e equipes de laboratório são parte central do projeto.
Quanto custa implantar?
Não existe um valor universal.
Uma instalação simples com poucas sondas e telemetria é completamente diferente de uma arquitetura como a implantada pela Cedae.
Os custos dependem principalmente de:
- quantidade de pontos;
- distância entre unidades;
- parâmetros medidos;
- necessidade de energia solar;
- telecomunicação;
- drones;
- embarcações;
- câmeras especiais;
- infraestrutura física;
- centro de controle;
- operação 24 horas;
- manutenção;
- calibração;
- laboratório;
- software.
Por isso, copiar diretamente o modelo financeiro da Cedae provavelmente não seria adequado para uma companhia menor.
A estratégia mais eficiente tende a ser começar pelos pontos de maior risco e ampliar a rede conforme os benefícios sejam demonstrados.
Há questionamentos sobre o contrato da Cedae
Uma análise jornalística completa precisa separar tecnologia de processo de contratação.
O contrato nº 052/2025, relacionado ao monitoramento do Guandu, foi objeto de representação no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro.
O processo envolve alegações relacionadas, entre outros pontos, à habilitação e qualificação técnica da empresa vencedora, transparência e procedimentos adotados durante a licitação. O TCE-RJ conheceu a representação, e documentos do processo registram discussão sobre pedido de medida cautelar.
Isso não significa, por si só, conclusão de irregularidade.
Da mesma forma, não invalida tecnicamente o conceito de monitoramento ambiental da água.
A avaliação tecnológica e a avaliação jurídica da contratação são assuntos diferentes e devem permanecer separados.
Cedae já virou referência para outras companhias
Em abril de 2026, representantes de seis empresas de saneamento e gestão de recursos hídricos visitaram o CMA.
Participaram representantes da Embasa, Cagece, Compesa, Caesb, Caema e Cogerh.
A própria Cedae informou que representantes das companhias avaliaram as possibilidades de aplicação da tecnologia em seus respectivos sistemas.
A experiência mostra que o interesse do setor não está apenas nas câmeras.
Está no conceito de antecipação.
Para qualquer companhia que opere grandes sistemas produtores, saber o que está acontecendo com a água antes de ela chegar à ETA representa enorme vantagem operacional.
Profissionais continuam sendo a tecnologia decisiva
Apesar de sensores sofisticados, drones, software e inteligência artificial, existe um componente sem o qual nenhuma dessas tecnologias funciona: o profissional de saneamento.
É o operador que percebe quando determinado comportamento não faz sentido.
É o técnico que calibra o instrumento.
É o laboratorista que confirma o contaminante.
É o engenheiro que interpreta tendências.
É o químico que ajusta a dosagem.
É a equipe de manutenção que mantém os equipamentos disponíveis.
É a gestão que transforma informação técnica em decisão.
Portanto, digitalização não reduz a importância desses profissionais.
Ela aumenta.
Quanto maior a quantidade de dados disponíveis, mais importante se torna ter profissionais capacitados para distinguir dado de informação e informação de decisão.
Monitoramento ambiental da água pode mudar o conceito de ETA
Historicamente, o processo de tratamento costuma ser imaginado começando na captação.
A tecnologia está modificando essa percepção.
Quando sensores são instalados dezenas de quilômetros a montante e passam a influenciar decisões dentro da estação, o processo de tratamento começa, de certa forma, antes da própria ETA.
A bacia passa a fazer parte da sala de controle.
O rio deixa de ser apenas uma fonte de água bruta e passa a ser acompanhado como uma variável operacional.
Esse talvez seja o avanço mais importante proporcionado pelo monitoramento ambiental da água.
A tendência é que sistemas produtores caminhem para uma integração cada vez maior entre manancial, meteorologia, laboratório, automação, modelagem hidráulica, inteligência artificial e operação.
Nesse cenário, antecipar será cada vez mais valioso do que simplesmente reagir.
E o caso da Cedae oferece uma mensagem importante para o saneamento brasileiro: sensores e câmeras podem chamar atenção, mas o verdadeiro ganho ocorre quando a tecnologia coloca informações melhores e mais rápidas nas mãos dos profissionais responsáveis por garantir água segura para milhões de pessoas.
Fontes consultadas
- Cedae — Centro de Monitoramento Ambiental
- Cedae — Empresas conhecem o Centro de Monitoramento
- Cedae — Contratos 2025
- TCE-RJ — Acórdão sobre o Contrato nº 052/2025
- Agenda do Poder — Economia de R$ 70 milhões
- Sanepar — Manual de Projetos de Automação e SCADA
- Copasa — Sistema Integrado de Supervisão Copasis
- Sabesp — Monitoramento e cuidado com a qualidade da água
- Ministério da Saúde — Sisagua e Portaria GM/MS nº 888/2021
- ABES — Sistema autônomo de monitoramento de qualidade da água
O texto ficou acima do mínimo de 1.156 palavras e a palavra-chave “monitoramento ambiental da água” foi distribuída ao longo do conteúdo de forma natural, sem concentração artificial. Também separei claramente a eficiência técnica do sistema dos questionamentos relativos à contratação, para evitar transformar uma apuração técnica em julgamento sobre irregularidades ainda discutidas.



