Sanepar: água industrial poupa 637 milhões de litros/mês

A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) informou que seu sistema de água industrial em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, permite preservar até 637 milhões de litros de água potável por mês. Operando há 25 anos, a estrutura fornece água não potável para cinco grandes empresas, evitando que processos industriais utilizem um recurso tratado com os padrões exigidos para o consumo humano.

O resultado chama a atenção pelo volume, mas revela uma estratégia ainda mais relevante para as companhias de saneamento: produzir e comercializar água com qualidade adequada à finalidade de uso, sem necessariamente submetê-la a todos os processos de potabilização.

Na prática, essa abordagem pode reduzir custos de tratamento, aliviar a demanda sobre sistemas de abastecimento público, melhorar a segurança hídrica e criar oportunidades comerciais com grandes consumidores industriais.

A experiência também levanta uma questão estratégica: quantas companhias brasileiras continuam utilizando água potável em processos industriais que poderiam operar com água de outra especificação?

A resposta pode representar uma oportunidade importante de transformação operacional e comercial do saneamento brasileiro.

Sanepar preserva até 637 milhões de litros por mês

A Estação de Tratamento de Água Industrial de Araucária (ETAIA), implantada há aproximadamente 25 anos, tornou-se uma alternativa de abastecimento para empresas que necessitam de grandes volumes de água em seus processos produtivos.

Segundo informações divulgadas pela Sanepar em 13 de outubro de 2026, a estrutura atende cinco grandes consumidores de diferentes segmentos econômicos, incluindo siderurgia, indústria madeireira, fertilizantes e geração de energia.

O fornecimento destina-se principalmente a processos de resfriamento industrial.

A água passa por tratamento simplificado, com remoção de partículas sólidas e correção de pH, mas não recebe as mesmas etapas de desinfecção e fluoretação utilizadas no abastecimento público convencional.

Isso permite oferecer uma solução específica para determinadas demandas industriais, preservando a capacidade de produção de água potável para outros usos.

637 milhões

Litros por mês, segundo a Sanepar

5 empresas

Grandes consumidores atendidos

25 anos

De operação em 2026

191 bilhões

Litros preservados, conforme estimativa histórica

Fonte dos dados: Sanepar, comunicado de 13/10/2026. O volume de água potável poupada representa uma estimativa de substituição por água industrial, não necessariamente uma medição direta da economia efetiva na rede pública.

O volume mensal equivale a aproximadamente 21,2 milhões de litros por dia, considerando um mês de 30 dias.

Em termos hidráulicos, representa uma vazão média aproximada de 246 litros por segundo.

Caso o volume mensal informado fosse mantido durante 12 meses, o fornecimento anual corresponderia a aproximadamente 7,64 bilhões de litros de água industrial.

A companhia também estima que a estação tenha contribuído para preservar aproximadamente 191 bilhões de litros ao longo de 25 anos.

Entretanto, existe uma distinção importante: o volume histórico é apresentado como estimativa. Não é possível afirmar, apenas com os dados divulgados, que toda essa quantidade corresponda a uma redução comprovada no consumo da rede pública, pois isso dependeria das fontes alternativas que cada indústria utilizaria na ausência do sistema.

Essa diferença entre fornecimento industrial e economia efetivamente comprovada é fundamental para avaliar projetos de segurança hídrica.

Como funciona a água industrial da Sanepar

O diferencial da ETAIA está na adequação do tratamento às características exigidas pelos consumidores.

A estação recebe água do rio Iguaçu, conforme registrado no histórico institucional da Sanepar, e realiza operações voltadas à remoção de sólidos e ao condicionamento da água para determinados usos industriais.

Em uma estação convencional de água potável, o tratamento precisa atender aos requisitos sanitários definidos para consumo humano. Dependendo da qualidade da água bruta, isso envolve coagulação, floculação, decantação, filtração, desinfecção, correções químicas e controle rigoroso de qualidade.

Na ETAIA, o processo divulgado pela companhia é mais simples.

A filtração retira areia e partículas em suspensão, enquanto a correção de pH ajuda a adequar a água ao uso industrial e a reduzir riscos relacionados à corrosão.

A ausência de determinadas etapas do tratamento convencional pode reduzir o consumo de produtos químicos e os custos operacionais. Entretanto, tratamento simplificado não significa ausência de exigências de qualidade.

A composição da água precisa ser compatível com equipamentos, tubulações, trocadores de calor e sistemas de resfriamento.

Além disso, a descrição pública da ETAIA não deve ser interpretada como uma especificação técnica completa para qualquer indústria.

Água industrial não é necessariamente água de reúso

Essa distinção é fundamental.

Água industrial é aquela fornecida ou preparada para processos produtivos, com características de qualidade determinadas pela finalidade de utilização.

Pode ser produzida a partir de água superficial, água subterrânea ou outras fontes devidamente autorizadas.

Água de reúso é água residuária recuperada e tratada para uma nova utilização. No saneamento, uma das principais possibilidades é aproveitar efluentes de estações de tratamento de esgoto.

A Resolução nº 54/2005 do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) estabelece conceitos e modalidades para o reúso direto não potável, incluindo aplicações industriais.

A ETAIA, conforme as informações publicadas sobre a sua captação no rio Iguaçu, caracteriza-se como um sistema de produção de água industrial a partir de manancial superficial. Portanto, não deve ser confundida com uma estação que recupera diretamente efluentes de esgoto tratados.

Essa diferenciação também muda a interpretação ambiental.

O fornecimento de água industrial pode preservar água de melhor qualidade e reduzir a demanda sobre estações de potabilização.

Entretanto, quando a água industrial é captada de um rio, continua existindo uma retirada de recursos hídricos.

Já o reúso de efluentes tratados pode reduzir a necessidade de novas captações e criar um aproveitamento adicional para a água que já passou pelo sistema de esgotamento sanitário.

São estratégias complementares, mas com balanços hídricos diferentes.

O aspecto técnico que merece atenção: resfriamento não é geração de vapor

A notícia da Sanepar destaca o fornecimento de água industrial principalmente para resfriamento de equipamentos e caldeiras.

Existe, contudo, uma distinção técnica relevante entre água utilizada para resfriamento e água destinada à alimentação de caldeiras.

Em sistemas de resfriamento, a água pode circular por trocadores de calor ou torres de resfriamento, retirando energia térmica dos equipamentos.

Nessas aplicações, parâmetros como sólidos suspensos, dureza, pH, alcalinidade, sílica e tendência à formação de depósitos precisam ser avaliados.

Já a água que efetivamente alimenta uma caldeira para produção de vapor pode exigir tratamento muito mais rigoroso, incluindo abrandamento, desmineralização ou osmose reversa, conforme a pressão de operação e a especificação do equipamento.

Isso ocorre porque sais e outras impurezas podem provocar incrustações, corrosão, formação de espuma e problemas na geração de vapor.

Portanto, a água industrial produzida por filtração e correção de pH não pode ser considerada automaticamente adequada para alimentação de qualquer caldeira.

A aplicação precisa ser definida por engenharia e sustentada por análises laboratoriais e requisitos de qualidade específicos.

Essa é uma lição importante para companhias que pretendem expandir o fornecimento de água industrial: não existe uma qualidade única de água que atenda, com eficiência e segurança, a todos os processos produtivos.

Por que a água industrial pode melhorar a segurança hídrica

Em muitas cidades, grandes consumidores industriais estão conectados às mesmas redes que abastecem residências, estabelecimentos comerciais, hospitais e serviços públicos.

Quando uma indústria consome volumes elevados, a concessionária precisa considerar essa demanda no dimensionamento de captações, estações de tratamento, reservatórios, adutoras e redes de distribuição.

Dependendo da configuração hidráulica, o consumo industrial pode influenciar pressões, vazões, níveis de reservatórios e a capacidade de atendimento durante os períodos de maior demanda.

Uma alternativa de fornecimento não potável pode reduzir essa dependência, especialmente quando utiliza infraestrutura segregada.

No caso da ETAIA, a Sanepar destaca que o atendimento industrial evita a necessidade de compartilhar determinadas estruturas de distribuição com grandes consumidores.

O benefício potencial envolve três dimensões.

A primeira é a capacidade de abastecimento. Reduzir a demanda industrial sobre o sistema potável pode liberar capacidade para outros consumidores ou adiar investimentos em expansão.

A segunda é a flexibilidade operacional. Sistemas com fontes e estruturas diferenciadas podem oferecer mais alternativas de gestão em situações de manutenção, crescimento da demanda e escassez hídrica.

A terceira é econômica. Uma água que não necessita atingir todos os padrões de potabilidade pode ter custo de produção inferior, desde que as exigências industriais sejam atendidas.

Entretanto, a economia não é automática.

Uma rede industrial exclusiva também exige investimentos, bombeamento, manutenção, monitoramento, reservação e estrutura comercial.

Por isso, a viabilidade depende de uma avaliação completa do ciclo de vida do projeto.

O que os dados nacionais revelam sobre o potencial

Um levantamento divulgado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), em agosto de 2026, mostra o peso da indústria na utilização dos recursos hídricos brasileiros.

Segundo a Agência, em 2024 o setor industrial respondeu por aproximadamente 9,9% da vazão retirada para usos consuntivos no Brasil, equivalente a 207,3 metros cúbicos por segundo.

A indústria aparece atrás da agricultura irrigada e do abastecimento urbano nesse indicador.

Os números demonstram que a gestão da demanda industrial não é um assunto restrito a contratos com grandes clientes. Trata-se também de planejamento hídrico e desenvolvimento econômico.

A ANA destaca que a intensidade do consumo varia conforme o setor, a tecnologia e as práticas de gestão.

Indústrias de celulose, petróleo, alimentos, bebidas, siderurgia e produtos químicos, por exemplo, podem apresentar processos e necessidades de qualidade muito diferentes.

Isso significa que o potencial de fornecimento de água industrial não pode ser identificado apenas pelo volume faturado pela concessionária.

É necessário compreender onde a água é utilizada, qual qualidade é exigida e quais processos poderiam operar com outra fonte.

Uma indústria pode consumir grandes volumes de água potável, mas utilizar apenas uma parcela em atividades que realmente exigem essa qualidade.

A identificação dessa diferença constitui a primeira oportunidade de negócio.

Como outras companhias brasileiras estão enfrentando o desafio

Sabesp e Aquapolo: água de reúso para o polo petroquímico

Uma das referências brasileiras mais importantes é o Aquapolo, projeto desenvolvido na Região Metropolitana de São Paulo.

O empreendimento, inaugurado em 2012, utiliza efluentes tratados da Estação de Tratamento de Esgoto ABC para produzir água destinada principalmente à indústria.

O projeto foi estruturado em parceria com a Sabesp e o setor privado, sendo atualmente apresentado pela Aquapolo como uma parceria com a GS Inima Industrial.

Segundo a documentação da Sabesp, a unidade foi concebida para alcançar 1.000 litros por segundo. Documentos institucionais anteriores registram capacidade instalada de 650 litros por segundo, enquanto a comunicação mais recente da Aquapolo informa capacidade de até 1.000 litros por segundo.

Essa diferença evidencia a necessidade de distinguir capacidade de projeto, capacidade instalada, vazão efetivamente produzida e volume comercializado.

A solução utiliza tecnologias avançadas, incluindo ultrafiltração e osmose reversa, para adequar a água às especificações industriais.

O fornecimento ocorre por infraestrutura dedicada às empresas da região.

A comparação com a Sanepar mostra duas abordagens tecnológicas diferentes:

A ETAIA utiliza água captada em manancial superficial e recebe tratamento compatível com determinados usos industriais.

O Aquapolo utiliza efluente de esgoto tratado como matéria-prima para produzir água reciclada com características específicas.

Nos dois casos, a estratégia central é reduzir a dependência industrial da água potável. Porém, as origens, tecnologias, investimentos e exigências de monitoramento são diferentes.

A principal lição do Aquapolo está na integração entre tratamento de esgoto, tecnologia de purificação, infraestrutura dedicada e contratos industriais de longo prazo.

GS Inima Industrial Triunfo: diferentes qualidades para diferentes processos

Outro exemplo diretamente comparável à experiência de Araucária está no Polo Petroquímico do Sul, em Triunfo, no Rio Grande do Sul.

A GS Inima Industrial Triunfo fornece diferentes especificações de água às empresas do complexo.

Entre os produtos estão água clarificada, empregada em processos de troca térmica; água desmineralizada, utilizada na geração de vapor; e água potável, necessária para consumo humano e outras finalidades compatíveis.

A empresa informa tratar aproximadamente 1.700 litros por segundo em suas instalações, considerando as diferentes qualidades produzidas.

O caso demonstra uma possibilidade importante de evolução comercial: em vez de vender somente água potável, o operador pode estruturar um portfólio de soluções hídricas.

Uma mesma indústria pode contratar água clarificada para resfriamento, água desmineralizada para caldeiras e água potável para instalações administrativas.

Essa diferenciação permite adequar custos e qualidade à função de cada produto.

Para companhias estaduais e concessionárias privadas, o modelo oferece um aprendizado: grandes consumidores podem demandar soluções completas, e não apenas uma ligação de água com tarifa industrial.

Cagece: esgoto tratado como recurso para a indústria

No Ceará, a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) desenvolve iniciativas de reúso destinadas ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém.

O projeto Reúso CIPP prevê o aproveitamento de efluentes tratados, com infraestrutura de bombeamento e produção de água de reúso para atividades industriais.

A Cagece também apresenta iniciativas empresariais voltadas ao fornecimento de utilidades industriais e à gestão de efluentes.

O contexto regional é relevante.

Em áreas sujeitas a períodos prolongados de escassez, a substituição de água convencional por água de reúso pode aumentar a disponibilidade de recursos para usos prioritários.

Entretanto, os projetos exigem compatibilizar produção de efluentes, demanda industrial, qualidade, distância de transporte e investimentos.

Diferentemente da ETAIA, cuja operação já possui histórico de 25 anos, os projetos cearenses descritos nas fontes consultadas incluem estruturas e etapas de desenvolvimento específicas. Portanto, seus benefícios projetados não devem ser apresentados como volumes já efetivamente produzidos.

A lição central está no planejamento integrado entre saneamento, política industrial e gestão de recursos hídricos.

A própria Sanepar prepara uma nova etapa

Um desenvolvimento especialmente relevante é o Chamamento Público nº 001/2026, lançado pela Sanepar para selecionar um parceiro estratégico na área de água de reúso e saneamento industrial.

A iniciativa prevê o desenvolvimento de oportunidades associadas à implantação e à operação de ativos de reúso, incluindo o aproveitamento de efluentes de estações de tratamento de esgoto.

O plano referencial avaliou unidades de tratamento de esgoto da companhia e identificou alternativas para o desenvolvimento de projetos.

A proposta contempla modelagem técnica, comercial, regulatória e econômico-financeira, com possibilidade de constituição de uma Sociedade de Propósito Específico.

Em 14 de outubro de 2026, o chamamento constava como em julgamento na página oficial da Sanepar, com resultado final previsto para 16 de outubro, conforme o cronograma publicado.

Não se trata, portanto, de uma ampliação já comprovadamente em operação, mas de uma iniciativa de estruturação de novos negócios.

O aspecto mais significativo é que a companhia já possui experiência em água industrial convencional e estuda ampliar sua atuação para o mercado de reúso de efluentes tratados.

A combinação dessas duas estratégias pode permitir um portfólio mais diversificado, atendendo diferentes demandas do setor produtivo.

Benchmarking internacional: o que o Brasil pode aprender

Singapura: água reciclada como política industrial

Em Singapura, a produção de água para usos industriais faz parte da estratégia nacional de segurança hídrica.

A agência pública PUB desenvolveu o programa NEWater, que transforma efluentes tratados em água purificada por meio de processos avançados, incluindo microfiltração, osmose reversa e desinfecção.

A água produzida possui qualidade elevada e é utilizada principalmente por indústrias, especialmente na fabricação de semicondutores, e em sistemas de resfriamento de edifícios e instalações produtivas.

A distribuição aos consumidores industriais ocorre por redes específicas.

A experiência demonstra que o conceito de água industrial não significa necessariamente oferecer um produto de qualidade inferior. Significa produzir água com as características exigidas por cada aplicação.

Em determinados processos, a qualidade requerida pode até superar os padrões normalmente necessários para o consumo humano.

Singapura também avançou na gestão da demanda.

A PUB estabeleceu, para determinados novos empreendimentos industriais com consumo anual a partir de 60 mil metros cúbicos, requisitos de reciclagem aplicáveis desde janeiro de 2024.

No caso de novas fábricas de semicondutores abrangidas pela regra, a exigência inclui uma taxa mínima de reciclagem de 50%.

A comparação com o Brasil revela uma diferença de abordagem.

Enquanto a experiência de Araucária demonstra a viabilidade de fornecer água industrial por infraestrutura dedicada, Singapura combina fornecimento especializado, reciclagem interna, planejamento urbano e exigências de eficiência para determinados empreendimentos.

A principal lição é que a segurança hídrica depende tanto da capacidade de produzir água quanto da capacidade de reduzir a necessidade de novas captações.

Estados Unidos: cinco qualidades de água em um mesmo sistema

Na Califórnia, o West Basin Municipal Water District desenvolveu uma das experiências internacionais mais relevantes de produção de água reciclada para diferentes finalidades.

A Edward C. Little Water Recycling Facility, localizada em El Segundo, produz cinco tipos de água, ajustados às necessidades de clientes industriais, comerciais e outros usuários.

Entre as aplicações estão irrigação, resfriamento industrial, alimentação de caldeiras e recarga de aquíferos.

A infraestrutura utiliza diferentes combinações de tratamento, incluindo nitrificação, filtração por membranas e osmose reversa.

Segundo o operador, a instalação produz aproximadamente 30 milhões a 40 milhões de galões de água reciclada por dia, equivalentes a cerca de 114 milhões a 151 milhões de litros diários.

O West Basin informa que mais de US$ 750 milhões foram investidos, ao longo do desenvolvimento de seu programa de reciclagem, com recursos locais, estaduais e federais. Esse montante representa investimentos acumulados no programa, não o custo de implantação de uma única unidade equivalente à ETAIA.

O projeto também atende refinarias, que necessitam de especificações distintas para torres de resfriamento e geração de vapor.

A principal inovação é comercial e tecnológica.

O operador não vende simplesmente água não potável. Ele oferece produtos hídricos diferenciados, com padrões de qualidade associados ao uso final.

Para as companhias brasileiras, isso sugere uma oportunidade de estruturar serviços para grandes consumidores com maior valor agregado, incorporando tratamento especializado e monitoramento de qualidade.

Impactos financeiros: a economia não está apenas no tratamento

O fornecimento de água industrial pode gerar benefícios financeiros importantes, mas esses resultados precisam ser avaliados com critérios econômicos adequados.

O primeiro benefício potencial é a diferença entre os custos de produção da água potável e os custos de uma água industrial de especificação menos exigente.

Essa diferença pode envolver consumo de produtos químicos, energia, tratamento de resíduos e manutenção.

Entretanto, não é tecnicamente correto presumir que a água industrial será sempre mais barata.

A necessidade de bombeamento, adutoras exclusivas, tratamentos complementares e garantias contratuais de continuidade pode alterar significativamente a estrutura de custos.

O segundo benefício é a possível liberação de capacidade em sistemas potáveis.

Quando um grande consumidor deixa de utilizar determinada rede ou estação, pode haver redução da demanda de pico e postergação de investimentos.

Esse ganho, porém, precisa ser demonstrado por modelagem hidráulica e planejamento de capacidade. O simples deslocamento de volume não significa necessariamente que uma obra será evitada.

O terceiro benefício está na geração de receitas.

Uma companhia que fornece apenas água potável pode identificar oportunidades para oferecer água industrial, água desmineralizada ou reúso de efluentes tratados.

O mercado potencial envolve contratos com indústrias de grande porte, podendo incluir compromissos de volume mínimo, qualidade, disponibilidade e investimentos compartilhados.

Mas existe um risco comercial pouco discutido.

Quando um consumidor migra da água potável para um produto industrial mais barato, a companhia pode reduzir seu faturamento tradicional sem necessariamente aumentar seu resultado econômico.

Isso torna indispensável avaliar margem de contribuição, receita incremental, custos evitados e remuneração dos ativos.

Como calcular se um projeto é viável

Uma avaliação econômico-financeira consistente deve considerar o investimento inicial, a demanda contratada, o custo total de produção, as despesas comerciais, a distribuição, os tributos e o risco de inadimplência ou redução de consumo.

O custo unitário da água industrial deve incluir não apenas o tratamento, mas também a parcela correspondente à infraestrutura de captação, adução, reservação e distribuição.

Um projeto aparentemente atraente pode perder viabilidade quando a indústria está distante da estação produtora.

Por outro lado, um agrupamento de consumidores industriais próximos pode diluir investimentos e tornar a solução economicamente interessante.

O caso de Araucária reforça a importância de avaliar a localização dos empreendimentos e a concentração da demanda.

A notícia divulgada pela Sanepar não apresenta investimento original atualizado, custo operacional por metro cúbico, tarifa contratada ou resultado financeiro específico da ETAIA.

Consequentemente, não há base suficiente para calcular a economia financeira efetivamente obtida pela companhia.

Esse cuidado diferencia a análise econômica de uma simples conversão de litros preservados em valores monetários.

Impactos comerciais: uma nova abordagem para grandes consumidores

A experiência da Sanepar oferece uma oportunidade especialmente relevante para equipes comerciais.

Tradicionalmente, o relacionamento das companhias com grandes consumidores concentra-se em contratos, consumo faturado, medição, cobrança, negociações e atendimento técnico.

O fornecimento de água industrial amplia essa relação.

A empresa de saneamento passa a compreender o processo produtivo do cliente, seus riscos operacionais, as necessidades de qualidade e a importância da continuidade do abastecimento.

Isso exige uma gestão comercial consultiva.

O primeiro passo é identificar consumidores com elevada demanda e avaliar quais parcelas poderiam ser atendidas por uma fonte alternativa.

Em seguida, a equipe deve conhecer a origem da água utilizada pelo cliente, incluindo sistemas públicos, poços, captações próprias e recirculação interna.

Também precisa compreender o histórico de consumo, as perspectivas de expansão, as exigências ambientais e os custos atuais de abastecimento.

A partir dessas informações, a companhia poderá desenvolver propostas específicas.

Uma indústria que utiliza água potável para sistemas de resfriamento pode representar uma oportunidade diferente daquela que já possui captação própria e necessita de tratamento complementar.

Da mesma forma, uma empresa com grande geração de efluentes pode ter interesse em soluções integradas de tratamento e reúso.

O grande consumidor deixa de representar apenas um volume faturado e passa a ser uma oportunidade de gestão integrada da água.

Essa transformação exige integração entre áreas comerciais, engenharia, operação, tecnologia, planejamento e gestão ambiental.

Regulação: água industrial e reúso exigem cuidados distintos

A expansão desse mercado precisa observar a legislação aplicável à utilização dos recursos hídricos e às atividades de saneamento.

A Lei nº 9.433/1997, que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos, estabelece regras para o uso da água e prevê outorga para determinadas captações superficiais e subterrâneas.

O instrumento permite ao poder público controlar quantitativa e qualitativamente os usos dos recursos hídricos.

Isso significa que a implantação de uma estação industrial não elimina a necessidade de observar autorizações, condições de captação, disponibilidade hídrica e exigências ambientais.

A Lei nº 11.445/2007, atualizada pelo Marco Legal do Saneamento de 2020, também estabelece princípios relacionados à eficiência, sustentabilidade, conservação dos recursos naturais e estímulo ao reúso de efluentes sanitários.

No campo específico do reúso, a Resolução CNRH nº 54/2005 apresenta diretrizes gerais para práticas não potáveis.

Em 2026, a ANA realizou consulta e audiência públicas sobre uma proposta de norma de referência para o reúso não potável de água proveniente de efluentes do esgotamento sanitário.

As fontes oficiais consultadas confirmam a realização dessas etapas participativas, mas não permitem afirmar que a proposta tenha sido aprovada definitivamente até a data desta reportagem.

É importante destacar que tal proposta trata de reúso de efluentes sanitários, não de todo fornecimento de água industrial proveniente de captação convencional.

Para as empresas de saneamento, existem quatro questões que precisam ser esclarecidas na estruturação de cada empreendimento: a competência regulatória, a titularidade e autorização da atividade, o tratamento contratual e tarifário e as responsabilidades sobre a qualidade da água fornecida.

A resposta pode variar conforme a natureza do serviço, os contratos existentes e a regulamentação local.

Portanto, novos modelos de fornecimento industrial não devem ser estruturados com base apenas nas regras aplicáveis ao abastecimento público convencional.

O que pode dar errado: os principais riscos técnicos

A utilização de água não potável traz benefícios, mas exige controles específicos.

Um dos riscos está na conexão indevida entre redes industriais e redes de água potável.

Essa situação pode permitir contaminação por refluxo ou interligação inadequada.

Por isso, as instalações precisam de separação física, identificação das tubulações, dispositivos de proteção quando aplicáveis e procedimentos de inspeção.

Outro risco envolve a qualidade inadequada para o processo produtivo.

Água com dureza elevada, por exemplo, pode favorecer incrustações em superfícies de troca térmica.

Já o controle insuficiente de corrosão pode reduzir a vida útil de tubulações e equipamentos.

Também existem riscos microbiológicos.

Sistemas de resfriamento evaporativo podem produzir aerossóis, tornando necessário avaliar agentes como a bactéria Legionella e adotar estratégias específicas de controle.

As diretrizes técnicas da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) e as orientações dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) mostram a importância desses cuidados.

Portanto, não se deve interpretar a ausência de desinfecção na estação de origem como autorização para dispensar controles microbiológicos nas instalações industriais.

O tratamento necessário depende do sistema, do contato humano potencial e das exigências sanitárias e operacionais aplicáveis.

Além disso, a segurança hídrica de uma estação industrial precisa contemplar falhas de bombeamento, interrupções de energia, variações da qualidade da água bruta e períodos de estiagem.

Como outras companhias podem aplicar o modelo

A experiência de Araucária não precisa ser reproduzida integralmente para gerar resultados.

Em algumas cidades, a solução poderá ser uma estação de água industrial convencional.

Em outras, uma unidade de reúso instalada próxima a uma estação de tratamento de esgoto poderá apresentar melhor viabilidade.

Também podem existir oportunidades de pequenas estruturas destinadas a parques industriais ou contratos com consumidores específicos.

Uma metodologia prática de implantação deve começar pelo diagnóstico da demanda.

1. Identificar os maiores consumidores industriais

A companhia pode utilizar dados cadastrais, comerciais e de micromedição para localizar clientes industriais de maior consumo.

O levantamento deve considerar volume, regularidade de demanda, localização e potencial de crescimento.

2. Mapear a utilização da água dentro da indústria

Uma avaliação técnica deve identificar os usos que exigem qualidade potável e aqueles que admitem especificações diferentes.

Essa etapa pode envolver balanços hídricos, inspeções, entrevistas e análise do processo produtivo.

3. Avaliar as fontes disponíveis

O planejamento deve considerar mananciais superficiais, disponibilidade subterrânea legalmente autorizada, efluentes tratados e outras alternativas adequadas.

É necessário analisar disponibilidade, distância, qualidade, riscos ambientais e concorrência com outros usos.

4. Definir as especificações de qualidade

O operador e o cliente devem estabelecer os parâmetros necessários ao processo industrial.

Isso inclui limites físico-químicos e microbiológicos pertinentes, procedimentos de monitoramento e responsabilidades pelo condicionamento complementar.

5. Construir um modelo econômico e comercial

O projeto deve avaliar investimentos, despesas operacionais, receitas, vida útil, riscos e exigências contratuais.

A comparação precisa considerar também o cenário sem o empreendimento.

6. Implantar uma solução-piloto quando necessário

Projetos com incertezas sobre qualidade, consumo ou aceitação industrial podem se beneficiar de etapas de demonstração.

Ensaios e monitoramento permitem validar a solução antes de investimentos maiores.

7. Medir os resultados com indicadores consistentes

Depois da implantação, é necessário acompanhar a quantidade fornecida, a qualidade entregue, a disponibilidade operacional, os custos e os volumes efetivamente substituídos de outras fontes.

Esse último aspecto é indispensável para demonstrar benefícios ambientais de maneira confiável.

Quais indicadores devem entrar no painel de gestão

Companhias interessadas em criar programas de água industrial precisam medir mais do que a produção mensal.

A eficiência depende da capacidade de relacionar resultados hidráulicos, ambientais, financeiros e comerciais.

Entre os indicadores recomendados estão a disponibilidade da estação, o volume faturado, o volume perdido no sistema industrial, a conformidade da qualidade da água, o custo unitário de produção e a margem por contrato.

Também devem ser acompanhados a energia consumida por metro cúbico, o cumprimento das especificações dos clientes e a disponibilidade das fontes hídricas.

No campo ambiental, um indicador relevante é o volume comprovadamente substituído de água potável.

Esse dado não deve ser automaticamente igualado ao volume de água industrial vendido.

Uma metodologia mais rigorosa precisa estabelecer qual seria a fonte utilizada pelo consumidor na ausência do projeto.

Outra informação importante é a redução efetiva da captação de água em mananciais destinados ao abastecimento público.

Esses indicadores permitem avaliar a contribuição real da solução para a segurança hídrica.

Lições para os profissionais de saneamento

O caso da Sanepar demonstra que a inovação nem sempre depende de uma tecnologia recentemente desenvolvida.

A ETAIA possui 25 anos de histórico operacional e utiliza uma estratégia baseada em adequar o tratamento à finalidade de uso.

O valor dessa experiência está na combinação entre conhecimento técnico, planejamento hídrico e relacionamento com consumidores industriais.

Para profissionais da operação, a lição está na importância de conhecer as características da água e compreender como elas influenciam a eficiência e a durabilidade dos equipamentos.

Para engenheiros e equipes de projetos, o aprendizado envolve dimensionar soluções a partir da demanda real, evitando tanto tratamentos desnecessários quanto especificações insuficientes.

Para gestores comerciais, surge a oportunidade de desenvolver contratos diferenciados, compreender o processo produtivo dos clientes e estruturar novos produtos.

Para equipes de planejamento, a experiência reforça a necessidade de integrar crescimento industrial, disponibilidade de mananciais, expansão urbana e capacidade dos sistemas existentes.

Para profissionais de regulação e áreas jurídicas, fica evidente a importância de estabelecer regras claras para atividades que ultrapassam o fornecimento tradicional de água potável.

E, para a alta gestão, o principal desafio é transformar oportunidades identificadas pelas equipes técnicas em projetos financeiramente viáveis, ambientalmente responsáveis e operacionalmente seguros.

O futuro da água industrial nas companhias de saneamento

A tendência mais relevante não é simplesmente multiplicar estações de tratamento industrial.

É desenvolver sistemas capazes de oferecer diferentes soluções hídricas para diferentes demandas.

Isso poderá incluir produção convencional de água não potável, reúso de efluentes, tratamento avançado, redes industriais dedicadas, recirculação e contratos integrados de utilidades.

A digitalização também pode contribuir.

Medição contínua, sensores de qualidade, sistemas supervisórios e modelos de previsão de consumo podem melhorar a gestão da oferta e reduzir riscos contratuais.

A adoção de tecnologias digitais, entretanto, deve estar vinculada a problemas concretos, como redução de custos, controle da qualidade, detecção de anomalias e planejamento de capacidade.

Outro movimento possível é a ampliação da participação de empresas de saneamento em empreendimentos industriais compartilhados.

Parcerias podem permitir a distribuição de investimentos e riscos entre operadores, investidores e consumidores.

A experiência recente da Sanepar com a estruturação de uma parceria para reúso industrial indica que esse tipo de oportunidade já integra o planejamento de novos negócios de companhias brasileiras.

Mas a expansão precisa preservar a missão essencial das prestadoras: assegurar serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário adequados à população.

Projetos industriais devem complementar a atividade principal, e não comprometer investimentos necessários à universalização ou à qualidade dos serviços públicos.

Conclusão: a maior oportunidade está em utilizar a água certa para cada finalidade

A experiência da Sanepar em Araucária mostra que o fornecimento de água industrial pode contribuir para preservar recursos de melhor qualidade, atender demandas produtivas e oferecer alternativas à utilização de água potável em processos que não exigem esse padrão.

O volume de até 637 milhões de litros mensais apresentado pela companhia demonstra a escala que esse tipo de solução pode alcançar.

Entretanto, o principal aprendizado está além da quantidade produzida.

A comparação com o Aquapolo, a GS Inima Industrial Triunfo, Singapura e o West Basin revela que companhias e operadores podem desenvolver modelos muito diferentes, com tecnologias, fontes e especificações adequadas aos consumidores atendidos.

A oportunidade estratégica não é tratar menos água indiscriminadamente. É tratar cada volume de água com a qualidade necessária, pelo custo adequado e com segurança operacional e ambiental.

Para as empresas brasileiras, isso exige aproximar áreas comerciais, operacionais, engenharia, tecnologia, regulação e planejamento.

Também exige avançar no conhecimento sobre os grandes consumidores, compreender suas demandas produtivas e avaliar alternativas de fornecimento com rigor técnico e financeiro.

A água industrial representa uma possibilidade concreta de diversificação de negócios, mas seus benefícios dependem da capacidade de demonstrar resultados.

A principal pergunta para as companhias deixa de ser apenas quanto de água conseguem produzir.

Passa a ser também quanto de água potável poderia deixar de ser utilizada em atividades que não precisam dela — e como transformar essa possibilidade em segurança hídrica, eficiência e valor para a sociedade.

Fontes e referências

As referências abaixo foram consultadas na apuração. As fontes institucionais sobre projetos e capacidades representam informações publicadas pelos respectivos operadores, enquanto as análises e recomendações de gestão são interpretações técnicas desenvolvidas a partir desses materiais.

– Sanepar — Companhia de Saneamento do Paraná. Sanepar poupa 637 milhões de litros de água potável por mês com sistema industrial. 13 de outubro de 2026. Acessar publicação⁠.

– Sanepar. Nossa História. Registro institucional sobre a implantação da Estação de Tratamento de Água Industrial Araucária e a captação no rio Iguaçu. Acessar histórico⁠.

– Sanepar. Água de Reúso e Saneamento Industrial — Chamamento Público nº 001/2026-DIN. 2026. Consultar edital e informações oficiais⁠.

– Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico — ANA. Água e indústria: monitoramento, outorgas e gestão hídrica no Brasil. 13 de agosto de 2026. Acessar estudo e análise⁠.

– Sabesp. Subprodutos de Esgotos — Água de Reúso. Informações institucionais sobre a produção e o aproveitamento de água de reúso. Acessar publicação⁠.

– Aquapolo Ambiental. Sobre nós. Características técnicas, capacidade de produção e abastecimento industrial do Polo Petroquímico do ABC. Acessar publicação⁠.

– GS Inima Brasil. GS Inima Industrial Triunfo. Informações sobre tratamento e fornecimento de água clarificada, desmineralizada e potável ao Polo Petroquímico do Sul. Acessar publicação⁠.

– Cagece — Companhia de Água e Esgoto do Ceará. Reúso CIPP. Projeto de reúso industrial para o Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Acessar projeto⁠.

– West Basin Municipal Water District — Estados Unidos. Facilities — Edward C. Little Water Recycling Facility. Infraestrutura, tecnologias e capacidades de fornecimento de diferentes tipos de água reciclada. Acessar informações técnicas⁠.

– Ministry of Sustainability and the Environment — Singapura. Water — NEWater. Descrição da política hídrica, tecnologias e aplicações industriais. Acessar publicação oficial⁠.

– PUB — Singapore’s National Water Agency. New recycling requirements. Março de 2023. Exigências de reciclagem de água para novos empreendimentos de determinados setores industriais. Acessar comunicado⁠.

– Conselho Nacional de Recursos Hídricos — CNRH. Resolução nº 54, de 28 de novembro de 2005. Diretrizes gerais para reúso direto não potável de água. Consultar resolução oficial⁠.

– Presidência da República. Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997. Política Nacional de Recursos Hídricos. Consultar legislação⁠.

– Presidência da República. Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007 — texto compilado. Diretrizes nacionais para o saneamento básico. Consultar legislação⁠.

– Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico — ANA. Audiência pública reúne representantes do setor para discutir reúso não potável de água de esgoto. 26 de fevereiro de 2026. Acessar publicação⁠.

– United States Environmental Protection Agency — EPA. 2012 Guidelines for Water Reuse. Setembro de 2012. Diretrizes técnicas sobre tecnologias, controle de qualidade e gestão de riscos no reúso. Acessar documento técnico⁠.

– Centers for Disease Control and Prevention — CDC. Environmental Infection Control — Water. Orientações técnicas sobre sistemas de resfriamento, formação de aerossóis e riscos microbiológicos. Acessar publicação⁠.