O saneamento de 2030 já começou
As tecnologias no saneamento que devem ganhar relevância até 2030 não pertencem a um futuro distante. Inteligência artificial já procura vazamentos no Paraná. Hidrômetros conectados começam a alterar a gestão comercial no Rio Grande do Sul. Automação em tempo real avança no Ceará. Água de reúso abastece indústrias em São Paulo. No exterior, utilities e fornecedores já trabalham com gêmeos digitais, recuperação de nutrientes, controle inteligente de redes e sistemas descentralizados.
O contexto ajuda a entender a urgência. O SINISA 2025 informa atendimento por rede de água a 84,1% da população brasileira e atendimento por rede coletora de esgoto a 62,3%. Enquanto isso, a legislação estabelece metas de 99% para água potável e 90% para coleta e tratamento de esgoto até o fim de 2033, além de metas relacionadas a perdas, continuidade e processos de tratamento.
Isso significa que tecnologia não pode ser tratada apenas como agenda de inovação.
Ela terá de contribuir para resolver problemas concretos: universalizar mais rápido, produzir água com menos perdas, reduzir OPEX, aumentar produtividade, faturar corretamente, recuperar ativos, melhorar a experiência do cliente e operar sistemas cada vez mais complexos.
A questão estratégica para as companhias, portanto, não é simplesmente quais equipamentos comprar. É outra: quais capacidades tecnológicas realmente conseguem transformar decisões e resultados?
É justamente essa diferença que separa uma utility digitalizada de uma utility verdadeiramente inteligente.
Por que as tecnologias no saneamento devem acelerar
O Banco Mundial inclui entre as ferramentas da transformação digital das utilities medição inteligente, sensoriamento remoto, integração de dados, GIS, manutenção preditiva, detecção ativa de vazamentos, plataformas de software e cibersegurança.
A instituição também destaca sensores, inteligência artificial, smart meters e gêmeos digitais como instrumentos capazes de atuar ao longo do ciclo da água.
Mas existe um ponto frequentemente subestimado: a transformação não começa pela IA. Começa pelo dado.
Uma companhia que possui cadastros inconsistentes, sensores sem manutenção, sistemas comerciais desconectados do operacional e ordens de serviço mal encerradas pode adquirir algoritmos sofisticados e continuar tomando decisões ruins.
Por isso, as tecnologias no saneamento que devem produzir mais valor até 2030 tendem a combinar quatro elementos: instrumentação, dados confiáveis, capacidade analítica e ação operacional.
É nesse cenário que dez frentes merecem atenção especial.
1. Inteligência artificial: da reação para a antecipação
A primeira transformação não será um robô comandando uma estação de tratamento. Será muito mais pragmática.
A inteligência artificial começa a encontrar padrões difíceis de perceber manualmente em milhares ou milhões de registros de pressão, vazão, vibração, energia, consumo, manutenção, qualidade da água e comportamento comercial.
Com isso, uma companhia pode caminhar da pergunta “o que aconteceu?” para perguntas mais valiosas: “o que provavelmente acontecerá?” e “qual intervenção deve ser priorizada?”
A experiência brasileira já mostra aplicações concretas.
Em Cascavel, a Sanepar informou que uma solução da startup Stattus4, utilizando IA e escuta avançada, encontrou 1.100 vazamentos após inspeções em aproximadamente 900 quilômetros de tubulações durante um ano. Desses, 600 eram vazamentos ocultos.
A Iguá, por sua vez, informou em 2025 utilizar gestão preditiva e algoritmo proprietário para identificação de fraudes por padrões de consumo. Segundo a companhia, os ganhos financeiros associados ao programa passaram de R$ 2,6 milhões para R$ 7,5 milhões mensais. Como se trata de resultado divulgado pela própria empresa, o número deve ser entendido como dado corporativo, e não como produtividade automaticamente reproduzível em outras concessões.
A inteligência artificial também começa a entrar no atendimento. Em junho de 2026, a Caesb lançou a Iná, solução de IA generativa desenvolvida internamente para serviços como segunda via, débitos, histórico de consumo e acompanhamento de solicitações.
Para o gestor, a lição é clara: IA no saneamento não é uma única tecnologia. É uma camada analítica que pode atravessar operação, manutenção, perdas, faturamento, combate a fraudes e relacionamento com clientes.
2. Gêmeos digitais: testar antes de mexer no sistema real
Um gêmeo digital é uma representação dinâmica de um ativo ou sistema físico alimentada por modelos e dados reais.
Em saneamento, isso pode significar representar virtualmente uma ETA, ETE, estação elevatória, rede de distribuição ou sistema de esgoto para testar cenários sem precisar experimentá-los primeiro na infraestrutura real.
A International Water Association já documentou aplicações operacionais de gêmeos digitais para apoio à decisão em redes de esgoto e instalações de recuperação de recursos.
Na prática, o conceito permite perguntar:
O que acontecerá com as pressões se determinada válvula for fechada? Como uma elevatória reagirá a uma mudança de vazão? Qual combinação reduz energia sem comprometer qualidade? Como uma estação se comportará durante determinada condição crítica?
A SUEZ já oferece comercialmente soluções desse tipo combinadas com dados de SCADA, sensores, IoT e inteligência artificial. A empresa divulga potenciais reduções de até 25% em custos operacionais e 30% no consumo energético em determinadas aplicações; são números informados pelo fornecedor e, portanto, devem ser avaliados caso a caso, não tratados como garantia universal de desempenho.
O grande valor dos gêmeos digitais não está na visualização 3D. Está na possibilidade de transformar operação em experimentação controlada.
3. Hidrômetros inteligentes e IoT: faturamento vira sensor
Durante décadas, o hidrômetro teve uma função central: registrar consumo para faturamento.
Com IoT e telemetria, ele passa a exercer outra função: gerar inteligência sobre o cliente e sobre a rede.
Em dezembro de 2025, a Corsan anunciou implantação de hidrômetros inteligentes com transmissão remota de volume e vazão, alertas relacionados ao abastecimento e acompanhamento de consumo. O plano divulgado previa 900 pontos ainda naquele ano e expectativa de chegar a 50 mil consumidores até 2027.
A mudança é significativa para a gestão comercial.
Com leitura mais frequente, uma companhia pode identificar consumo anormal antes do fechamento da próxima fatura, alertar sobre possível vazamento interno, reduzir impedimentos de leitura, acompanhar grandes clientes e melhorar a análise de perdas aparentes.
Isso altera inclusive a experiência do consumidor. Em vez de descobrir um problema ao receber uma conta muito acima do padrão, o cliente pode ser informado antes.
Entre todas as tecnologias no saneamento, a medição inteligente talvez seja uma das que mais aproxima operação e área comercial.
O hidrômetro deixa de ser apenas “o equipamento que gera a conta” e passa a ser um nó de informação da companhia.
4. IA, acústica e satélite contra perdas de água
Detectar vazamentos sempre foi uma atividade intensiva em campo. O problema é particularmente difícil quando a água não aflora.
Agora, diferentes tecnologias estão sendo combinadas: sensores acústicos, pressão, vazão, IoT, georreferenciamento, imagens, modelos de IA e sensoriamento remoto.
A Sanepar informou em 2026 que utiliza dados de satélite para identificar sinais associados a água tratada no solo, além de esferas inteligentes para inspeção de adutoras, hidrofones IoT e algoritmos de IA. Segundo a companhia, uma das soluções de sensoriamento remoto alcançou mais de 80% de assertividade em suas aplicações — novamente, um resultado corporativo que depende das condições do projeto.
A Copasa também relatou testes de sensores conectados à nuvem para identificar padrões sutis de pressão e possíveis vazamentos em Araxá. Em seu balanço sobre 2025, a empresa associou a redução de perdas também a tecnologias de satélite, inteligência artificial, substituição de hidrômetros e redes.
O ganho mais importante é mudar a lógica da pesquisa.
Em vez de enviar equipes para procurar indiscriminadamente ao longo de grandes extensões de rede, a tecnologia pode indicar onde a probabilidade de perda é maior, aumentando produtividade da pesquisa e direcionando melhor mão de obra especializada.
5. Robôs e visão computacional nas redes de esgoto
As redes coletoras apresentam um desafio particular: grande parte do ativo está enterrada, possui acesso difícil e pode operar durante décadas sem que sua condição estrutural seja conhecida adequadamente.
É justamente aí que robótica e visão computacional ganham espaço.
Uma revisão científica publicada em 2026 analisou 183 trabalhos sobre inspeção robotizada de esgotos publicados entre 2011 e 2025. O levantamento identifica avanços em fusão de sensores, localização, controle inteligente e gêmeos digitais, mas também limitações de processamento, interoperabilidade e confiabilidade das comunicações.
Outra revisão de 2025 analisou a aplicação de visão computacional à identificação de defeitos em imagens de inspeção de redes.
O potencial é expressivo.
Um crawler pode percorrer a tubulação coletando imagens e outros dados. Algoritmos podem auxiliar na identificação de trincas, raízes, deformações, corrosão ou obstruções e posteriormente contribuir para a classificação de criticidade.
Isso não elimina o especialista.
Ao contrário: a tecnologia amplia a quantidade de quilômetros que uma equipe especializada consegue avaliar e permite direcionar sua atenção para os defeitos mais relevantes.
Até 2030, essa interação entre máquina e conhecimento técnico tende a ser mais importante do que a ideia de simplesmente substituir inspeções humanas.
6. Reúso avançado: o efluente começa a competir com o manancial
Entre as tecnologias no saneamento, poucas representam mudança conceitual tão grande quanto o reúso avançado.
O modelo tradicional é linear: captar, tratar, distribuir, coletar, tratar novamente e lançar o efluente.
O reúso transforma parte desse fluxo em ciclo.
Singapura é uma das principais referências mundiais. O sistema NEWater utiliza processos de microfiltração ou ultrafiltração, osmose reversa e desinfecção ultravioleta. A água produzida atende principalmente usos industriais e de refrigeração, além de ser utilizada indiretamente para abastecimento potável por meio de reservatórios.
No Brasil, o Aquapolo é o benchmark mais evidente. O empreendimento, parceria entre GS Inima Industrial e Sabesp, informa capacidade de produção de até 1.000 litros por segundo de água reciclada para atendimento industrial na Região Metropolitana de São Paulo.
A oportunidade vai além da segurança hídrica.
O reúso pode criar um novo produto comercial para companhias de saneamento, particularmente onde há grandes consumidores industriais próximos de ETEs.
Mas o negócio depende de qualidade, regularidade, distância de transporte, infraestrutura dedicada, preço competitivo, licenciamento e contratos de longo prazo.
O erro seria considerar água de reúso apenas como tecnologia de tratamento. Ela também é produto, infraestrutura e modelo de negócio.
7. MABR: mais tratamento com menor dependência de aeração
A aeração está entre os elementos mais relevantes do consumo energético de processos biológicos convencionais.
O MABR — Membrane Aerated Biofilm Reactor — procura mudar a forma como o oxigênio chega aos microrganismos.
Em vez de depender apenas da dispersão de bolhas no tanque, membranas permeáveis transferem oxigênio diretamente para um biofilme que cresce em sua superfície.
Revisões científicas apontam o MABR como tecnologia promissora para remoção biológica de nitrogênio com maior eficiência energética, além de destacar sua possibilidade de intensificar estações existentes. Ao mesmo tempo, estudos recentes alertam para desafios relacionados a controle do biofilme, modelagem, estabilidade operacional e ampliação de escala.
Essa distinção é importante.
MABR não deve ser vendido ao gestor como solução mágica que automaticamente reduzirá determinado percentual de energia. Carga afluente, configuração do processo, transferência de oxigênio, temperatura, nutrientes e operação influenciam o resultado.
Mas a tecnologia merece atenção porque ataca dois desafios simultaneamente: energia e capacidade de tratamento.
Em ETEs pressionadas por crescimento de vazão ou limites mais rigorosos de nitrogênio, essa combinação pode se tornar especialmente relevante.
8. ETE deixa de tratar resíduos e passa a recuperar recursos
O conceito internacional de Water Resource Recovery Facility propõe algo aparentemente simples, mas transformador: olhar para o esgoto não apenas como algo que precisa ser removido, e sim como fluxo contendo recursos.
Segundo o Departamento de Energia dos Estados Unidos, águas residuárias podem ser fontes de água reutilizável, energia, nitrogênio, fósforo e outros materiais. O metano gerado na digestão pode ser capturado para produzir energia, enquanto fósforo e nitrogênio podem ser recuperados em produtos como a estruvita.
Essa mudança cria uma nova pergunta para projetos de ETE:
quanto custa tratar um metro cúbico de esgoto?
continua sendo relevante.
Mas outra pergunta começa a aparecer:
quanto valor pode ser recuperado desse metro cúbico?
No Brasil, há espaço para ampliar aproveitamento de biogás, biossólidos, água de reúso e nutrientes. A viabilidade, contudo, dependerá da escala, logística, qualidade dos produtos, demanda regional, regulação e custo de transformação.
Até 2030, as ETEs mais avançadas tendem a ser avaliadas não apenas pela remoção de carga poluidora, mas também por eficiência energética, emissões e recuperação de recursos.
9. Saneamento descentralizado: nem tudo precisa chegar a uma grande ETE
Universalizar saneamento em áreas densamente urbanizadas já é complexo. Em localidades isoladas ou ocupações dispersas, transportar esgoto por quilômetros pode se tornar economicamente muito mais difícil.
É nesse espaço que sistemas descentralizados e modulares ganham interesse.
No Water Hub do instituto suíço Eawag, águas residuárias são separadas e tratadas localmente para estudar recuperação de água, nutrientes e energia. A própria instituição ressalta que sistemas centralizados, descentralizados e híbridos apresentam vantagens e limitações e deverão coexistir.
Esse ponto é decisivo para o Brasil.
Saneamento descentralizado não significa abandonar redes públicas ou grandes ETEs. Significa parar de assumir que a mesma arquitetura será economicamente ótima para qualquer território.
Novos loteamentos, empreendimentos industriais, comunidades rurais e localidades muito afastadas podem demandar configurações diferentes.
O valor da tecnologia estará, portanto, na possibilidade de combinar escala, modularidade, tratamento local e reúso onde isso produzir melhor resultado de ciclo de vida.
10. Controle autônomo em tempo real
A última fronteira é também aquela que exige mais cautela.
Sensores já permitem acompanhar pressão, vazão, nível e qualidade. Automação já permite ligar equipamentos ou controlar processos. A etapa seguinte é criar sistemas capazes de escolher continuamente a melhor estratégia operacional diante das condições observadas.
Uma pesquisa publicada na npj Clean Water em 2025 avaliou aprendizado por reforço multiagente para coordenar rede de drenagem, estações de tratamento e corpos receptores. Em simulações, a abordagem reduziu em aproximadamente 25,4% os volumes de alagamento e extravasamento e em 18% a carga de poluentes no rio em relação às estratégias de referência utilizadas no estudo. O resultado é experimental e baseado em ambiente de modelagem; não deve ser confundido com comprovação de desempenho generalizável em utilities reais.
Esse cuidado é fundamental.
Controle autônomo em saneamento envolve ativos críticos, saúde pública, segurança operacional e responsabilidade regulatória.
Até 2030, o cenário mais plausível não é uma ETE “sem operadores”. É uma operação na qual algoritmos analisam centenas de variáveis, propõem ou executam ações dentro de limites predefinidos e mantêm profissionais supervisionando exceções e decisões críticas.
A tecnologia muda o trabalho; não elimina a responsabilidade técnica.
O Brasil já está construindo parte dessa infraestrutura
Há uma característica importante nessa transformação: várias tecnologias no saneamento dependem de uma camada anterior de automação.
A Cagece informou investimento superior a R$ 15 milhões em 2025 para automatizar sistemas de abastecimento, monitorando pressão, vazão, reservatórios e equipamentos.
No mesmo ano, a companhia e o SENAI lançaram uma chamada de inovação que incluía otimização preditiva de ETAs com IA e distritos virtuais de medição para redução de perdas.
A Copasa relatou R$ 3,3 milhões aplicados somente em 2024 na automação de sistemas do Alto Paranaíba, beneficiando mais de 288 mil pessoas.
Esses casos mostram algo menos chamativo do que “IA”, mas estrategicamente mais importante: é preciso instrumentar a companhia antes de torná-la inteligente.
O que muda na prática para as empresas de saneamento
A principal transformação não será tecnológica. Será organizacional.
Operação, comercial, engenharia, manutenção, tecnologia da informação, laboratório, atendimento e planejamento passam a depender cada vez mais dos mesmos dados.
Um alerta de vazamento obtido por hidrômetro inteligente pode ser simultaneamente:
um problema operacional, porque representa água perdida;
um problema comercial, porque altera consumo e faturamento;
um problema de atendimento, porque pode gerar reclamação;
e um problema financeiro, porque afeta receita e custo.
As fronteiras internas ficam menos rígidas.
Por isso, comprar sensores sem redefinir processos pode gerar apenas mais telas para serem monitoradas.
O que gestores devem observar antes de investir
Para avaliar tecnologias no saneamento, três perguntas precisam vir antes da compra.
A primeira é: qual problema de negócio ou de operação será resolvido?
A segunda: qual indicador deverá mudar?
A terceira: o processo interno será capaz de agir sobre o dado produzido?
Um algoritmo que identifica vazamento em minutos pouco vale se a ordem de serviço levar quatro dias para chegar ao campo.
Um hidrômetro inteligente perde parte do valor se o sistema comercial não consegue gerar alertas preventivos ao cliente.
Um gêmeo digital perde capacidade se os dados cadastrais da rede estiverem desatualizados.
Essa talvez seja a maior lição para 2030: a tecnologia mais avançada pode continuar subordinada ao processo mais fraco da empresa.
O que pode dar errado
A corrida tecnológica também traz riscos.
O primeiro é transformar prova de conceito em política corporativa antes de comprovar resultado.
Outro é comparar percentuais divulgados por fornecedores ou projetos específicos sem considerar condições locais.
Há ainda questões de interoperabilidade, dependência tecnológica, qualidade dos dados, capacitação, manutenção de sensores e cibersegurança. O próprio programa Digital Water do Banco Mundial inclui cibersegurança entre os componentes da transformação digital das utilities.
Além disso, quanto mais automatizada uma companhia se torna, maior a importância de definir claramente quem valida modelos, quem pode alterar parâmetros, quais decisões podem ser automatizadas e como eventos anormais serão auditados.
Transformação digital também é governança.
A profissão de saneamento também vai mudar
Tecnologia não reduz a importância do conhecimento de saneamento. Ela aumenta.
Um algoritmo pode indicar que determinado setor apresenta comportamento anormal. Ainda será necessário compreender hidráulica para interpretar o fenômeno.
Uma câmera pode classificar uma trinca. Alguém precisará avaliar criticidade e estratégia de reabilitação.
Um gêmeo digital pode produzir dez cenários. Um profissional precisará decidir qual deles é operacional, financeiro e socialmente aceitável.
A principal competência do futuro será combinar conhecimento técnico tradicional com interpretação de dados e visão de negócio.
Engenheiros, operadores, técnicos, analistas comerciais e gestores que entenderem essa integração terão influência cada vez maior nas decisões das companhias.
Conclusão: a tecnologia vencedora será a que melhora indicadores
Até 2030, dificilmente haverá uma única tecnologia capaz de “revolucionar” sozinha o saneamento.
A mudança deve vir da convergência.
IA analisará dados produzidos por IoT. Hidrômetros inteligentes alimentarão sistemas comerciais e modelos de perdas. Gêmeos digitais usarão dados operacionais para simular decisões. Robôs ajudarão a transformar redes enterradas em ativos conhecidos. Reúso e recuperação de recursos mudarão a lógica econômica das ETEs. Sistemas descentralizados ampliarão o cardápio de alternativas para universalização. Controle em tempo real aproximará a operação do modelo preditivo.
Mas as tecnologias no saneamento mais importantes não serão necessariamente as mais sofisticadas.
Serão aquelas capazes de demonstrar resultado em indicadores como água economizada, energia reduzida, receita recuperada, tempo de atendimento, continuidade, qualidade, vida útil dos ativos ou população atendida.
O saneamento de 2030 provavelmente terá muito mais sensores, dados e algoritmos.
Ainda assim, a diferença entre uma empresa apenas digital e uma empresa realmente eficiente continuará dependendo de algo profundamente humano: a capacidade de transformar informação em decisão — e decisão em execução.
Fontes e referências
Ministério das Cidades — SINISA 2025: Abastecimento de Água
Dados de atendimento por rede de abastecimento de água, ano de referência 2024.
Acessar fonte oficial
Ministério das Cidades — SINISA 2025: Esgotamento Sanitário
Dados de atendimento por rede coletora de esgoto, 2025.
Acessar fonte oficial
Presidência da República — Lei nº 14.026/2020
Metas de universalização dos serviços de saneamento.
Acessar legislação
Banco Mundial — Digital Water
Soluções digitais para utilities de água e esgoto.
Acessar fonte
International Water Association — Operational Digital Twins in the Urban Water Sector
10 de março de 2021.
Acessar estudo
Sanepar — IA em Cascavel para detecção de vazamentos
26 de novembro de 2025.
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Sanepar — Smart Water e tecnologias para redução de perdas
2026.
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Corsan — Implantação de hidrômetros inteligentes com IoT
12 de dezembro de 2025.
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Cagece — Investimento em automação de sistemas de abastecimento
9 de dezembro de 2025.
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Cagece e SENAI Ceará — SANUP
25 de agosto de 2025.
Acessar fonte
Copasa — Testes de sensores e IA contra perdas em Araxá
27 de outubro de 2025.
Acessar fonte
Caesb — Iná, IA generativa para atendimento
2026.
Acessar fonte
Aquapolo Ambiental — Água reciclada para uso industrial
Página institucional consultada em setembro de 2026.
Acessar fonte
PUB Singapore — NEWater
Processos de membranas, osmose reversa e UV e aplicações da água produzida.
Acessar fonte
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Acessar fonte
Eawag — Water Hub at NEST
Saneamento descentralizado e recuperação local de recursos.
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Li, Chen et al. — Robotic technologies for sewer inspection
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Water Research — Feasibility and application of MABR for industrial wastewater treatment
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Huang et al. — Integrated real-time control using multi-agent reinforcement learning
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Acessar estudo



