Zeólitas elevam eficiência no tratamento de água

A presença de ferro e manganês na água representa um problema recorrente para sistemas de abastecimento, sobretudo quando a captação ocorre em poços profundos ou em mananciais situados em regiões geologicamente ricas nesses minerais. Embora esses elementos sejam encontrados naturalmente no solo e nas rochas, concentrações elevadas podem alterar a cor, o sabor e o odor da água, além de provocar manchas, depósitos e incrustações.

Nesse cenário, as zeólitas modificadas surgem como uma alternativa promissora para elevar a eficiência do tratamento. Esses materiais podem atuar por troca iônica, adsorção, filtração e, dependendo da modificação aplicada, oxidação catalítica. Como resultado, torna-se possível remover ferro e manganês com maior seletividade, reduzir a dependência de reagentes e tornar determinadas unidades do saneamento mais compactas.

Entretanto, a aplicação não deve ser tratada como uma simples substituição do meio filtrante. O desempenho depende da qualidade da água bruta, do tipo de zeólita, da granulometria, do pH, da concentração dos metais, da existência de matéria orgânica e das condições hidráulicas do filtro.

Por que ferro e manganês preocupam o saneamento?

O ferro e o manganês podem alcançar a água durante o contato com rochas, sedimentos e solos. Em aquíferos com pouco oxigênio dissolvido, esses metais tendem a permanecer em formas solúveis, principalmente como Fe²⁺ e Mn²⁺. Por isso, uma água aparentemente transparente na saída de um poço pode adquirir coloração amarelada, alaranjada, marrom ou escura depois de entrar em contato com o ar ou com agentes oxidantes.

Quando ocorre a oxidação, formam-se partículas insolúveis que podem se depositar nos filtros, reservatórios e tubulações. Consequentemente, surgem reclamações relacionadas à aparência da água, manchas em roupas, alteração de sabor e presença de sedimentos.

No Brasil, o padrão organoléptico estabelecido para a água destinada ao consumo humano adota valores máximos de 0,3 mg/L para ferro e 0,1 mg/L para manganês. Esses limites estão relacionados principalmente à aceitabilidade da água e aos efeitos desses elementos sobre a aparência, o sabor e o funcionamento dos sistemas. (Serviços e Informações do Brasil⁠)

Mesmo quando não existe risco imediato associado a baixas concentrações, a percepção do consumidor pode ser fortemente afetada. Para a população, uma água escura ou com partículas dificilmente será considerada segura. Portanto, o problema também se transforma em desafio comercial, institucional e reputacional para as empresas de saneamento.

Além disso, o acúmulo de depósitos pode:

  • reduzir a seção útil das tubulações;
  • aumentar a perda de carga;
  • prejudicar válvulas, hidrômetros e equipamentos;
  • favorecer desprendimentos durante mudanças de pressão;
  • aumentar a frequência de descargas na rede;
  • elevar o consumo de água em lavagens;
  • ampliar os custos de manutenção;
  • gerar reclamações de água suja.

Assim, a remoção eficiente de ferro e manganês não se limita ao atendimento laboratorial. Ela influencia diretamente a operação, a continuidade do abastecimento e a confiança dos consumidores.

O que são zeólitas?

As zeólitas são materiais cristalinos e microporosos formados principalmente por silício, alumínio e oxigênio. Sua estrutura apresenta canais e cavidades capazes de alojar água e diferentes íons.

Uma comparação simples pode ajudar na compreensão: a zeólita funciona como uma estrutura mineral cheia de passagens microscópicas. Nessas passagens, determinados íons podem ser retidos, enquanto outros são liberados. Esse processo é conhecido como troca iônica.

A substituição parcial de silício por alumínio na estrutura gera cargas negativas. Para equilibrá-las, ficam presentes cátions, como sódio, cálcio ou potássio. Quando a água atravessa o material, alguns desses cátions podem ser trocados por contaminantes de interesse, incluindo formas dissolvidas de ferro e manganês.

As zeólitas podem ser naturais ou sintéticas. As naturais são extraídas de depósitos minerais e podem apresentar variações de pureza, composição e capacidade de troca. As sintéticas, por sua vez, são produzidas com maior controle sobre estrutura, tamanho dos poros e características químicas.

Para o saneamento, essa diferença é importante. Uma zeólita natural de baixo custo pode ser adequada para determinada aplicação, enquanto uma zeólita sintética ou intensamente modificada pode ser necessária quando a água apresenta condições mais exigentes.

O que diferencia uma zeólita modificada?

Uma zeólita modificada é um material natural ou sintético que passou por tratamentos destinados a melhorar seu desempenho. As modificações podem aumentar a quantidade de sítios ativos, alterar a carga superficial, ampliar a seletividade ou incorporar propriedades catalíticas.

Segundo especialistas ouvidos pela Revista TAE, determinados materiais modificados podem apresentar capacidade de adsorção significativamente superior à observada nas zeólitas naturais sem tratamento. Entretanto, esse desempenho não deve ser generalizado, pois depende do material, do processo de modificação e das características da água tratada. (Revista TAE⁠)

Entre as principais formas de modificação estão:

Ativação com cloreto de sódio

A zeólita pode ser tratada com solução de cloreto de sódio para aumentar a disponibilidade de íons de sódio em sua estrutura. Posteriormente, esses íons podem ser trocados por ferro, manganês e outros cátions presentes na água.

Um estudo indexado pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos observou melhora na remoção simultânea de ferro e manganês após a modificação da zeólita com cloreto de sódio. No experimento, a remoção de ferro aumentou 13,81%, enquanto a de manganês cresceu 26,4% nas condições avaliadas. Esses percentuais representam um resultado experimental específico e não uma eficiência garantida para qualquer instalação. (HERO⁠)

Ativação ácida

O tratamento com ácido pode remover impurezas, alterar a razão entre silício e alumínio e expor regiões internas do material. Dessa forma, a área disponível para interação com os contaminantes pode aumentar.

Contudo, uma ativação excessiva também pode danificar a estrutura. Portanto, concentração, tempo de contato, temperatura e método de lavagem precisam ser cuidadosamente controlados.

Revestimento com óxidos metálicos

Outra estratégia consiste em recobrir a zeólita com óxidos de ferro ou manganês. Esses compostos oferecem sítios adicionais de adsorção e podem favorecer reações de oxidação.

Uma zeólita revestida com dióxido de manganês, por exemplo, pode ajudar a transformar o manganês dissolvido em uma forma oxidada e insolúvel. Depois disso, o próprio leito pode reter as partículas formadas.

Pesquisas acadêmicas também identificaram potencial de materiais à base de clinoptilolita modificada para a remoção de Mn²⁺. Em condições laboratoriais específicas, foram observadas capacidades relevantes de retenção, demonstrando que o desempenho está relacionado ao pH, à concentração inicial e à preparação do adsorvente. (ScienceDirect⁠)

Tratamento térmico

O aquecimento pode remover água e compostos voláteis, além de desobstruir parte dos canais internos. A reportagem analisada menciona tratamentos entre 300 °C e 600 °C, dependendo do objetivo e da estabilidade do material. (Revista TAE⁠)

Entretanto, temperaturas elevadas também podem provocar alterações irreversíveis. Por essa razão, o tratamento térmico deve ser definido a partir da composição mineralógica da zeólita e das propriedades desejadas.

Ajuste granulométrico e peletização

A moagem aumenta a área superficial disponível. Porém, partículas muito finas podem ser arrastadas, provocar elevada perda de carga e dificultar a retrolavagem.

A peletização transforma o material fino em grânulos mais estáveis. Dessa maneira, torna-se possível melhorar o comportamento hidráulico do leito, reduzir perdas de material e facilitar a aplicação em filtros pressurizados ou por gravidade.

Como ocorre a remoção de ferro e manganês?

A remoção pode acontecer por quatro mecanismos principais.

1. Troca iônica

Os íons Fe²⁺ e Mn²⁺ presentes na água ocupam posições anteriormente preenchidas por sódio, cálcio ou outros cátions da zeólita. Portanto, os metais ficam retidos no interior da estrutura.

A eficiência depende da capacidade de troca catiônica e da competição com outros elementos. Águas com concentrações elevadas de cálcio, magnésio, amônio ou outros cátions podem consumir parte dos sítios disponíveis.

2. Adsorção

Na adsorção, os contaminantes ficam aderidos à superfície externa ou interna do material. Esse fenômeno ocorre por atração eletrostática, formação de complexos e outras interações químicas.

Estudos com zeólita Y demonstraram potencial de adsorção simultânea de ferro e manganês presentes em águas subterrâneas. Todavia, o desempenho variou conforme o pH, o tempo de contato, a dosagem de material e a concentração dos metais. (MDPI⁠)

3. Oxidação catalítica

Quando a superfície contém óxidos ativos, a zeólita pode acelerar a conversão de ferro e manganês dissolvidos em formas insolúveis. Posteriormente, essas partículas são retidas por filtração.

O ferro costuma ser mais fácil de oxidar. Já o manganês exige condições mais controladas e, em processos convencionais, frequentemente necessita de pH mais elevado, maior tempo de contato ou oxidantes mais fortes.

Por isso, a presença de um revestimento catalítico pode ser especialmente útil para o manganês.

4. Filtração física

Depois da oxidação, os precipitados formados precisam ser removidos. O leito granular atua, então, como barreira física, retendo flocos e partículas.

Na prática, os mecanismos podem ocorrer simultaneamente. A água pode sofrer pré-oxidação, adsorção, troca iônica e retenção física ao longo do mesmo sistema.

Onde as zeólitas modificadas podem ser aplicadas?

As zeólitas modificadas apresentam maior potencial em situações nas quais ferro e manganês aparecem de forma recorrente e bem caracterizada.

Entre as aplicações possíveis estão:

  • Estações de Tratamento de Água de pequeno e médio porte;
  • sistemas abastecidos por poços;
  • unidades compactas;
  • condomínios e loteamentos;
  • comunidades rurais;
  • indústrias de alimentos e bebidas;
  • indústrias farmacêuticas;
  • pré-tratamento de membranas;
  • tratamento de efluentes de mineração;
  • polimento de água industrial;
  • filtros multicamadas;
  • sistemas descentralizados de saneamento.

A Revista TAE aponta que o material pode ser instalado em filtros pressurizados, filtros por gravidade, unidades de fluxo ascendente e leitos compostos por diferentes meios filtrantes. Também pode atuar como etapa de proteção antes da osmose reversa, reduzindo depósitos e incrustações nas membranas. (Revista TAE⁠)

Como integrar a tecnologia a uma ETA?

A zeólita modificada não precisa substituir todo o tratamento existente. Em muitos casos, sua função mais adequada será reforçar uma etapa crítica.

Uma linha de tratamento pode seguir a sequência:

Captação → aeração ou pré-oxidação → correção de pH → tempo de contato → filtração com zeólita modificada → desinfecção → reservação

Quando a água apresenta turbidez e matéria orgânica, podem ser necessárias etapas adicionais de coagulação, floculação e decantação.

Em sistemas de saneamento já existentes, a adoção pode ocorrer por substituição parcial do leito, instalação de filtro complementar ou construção de unidade de polimento. Essa abordagem reduz a necessidade de grandes intervenções civis, desde que as condições hidráulicas sejam compatíveis.

Além disso, a zeólita pode ser combinada com:

  • areia;
  • antracito;
  • carvão ativado;
  • membranas;
  • biofiltração;
  • ozônio;
  • hipoclorito;
  • dióxido de cloro;
  • permanganato de potássio.

A associação entre oxidação e filtração é particularmente relevante. O oxidante converte as formas dissolvidas em partículas, enquanto o leito remove os precipitados. Entretanto, a dosagem deve ser controlada, pois o excesso de permanganato, por exemplo, pode provocar coloração residual.

Quais parâmetros precisam ser avaliados?

Antes da implantação, recomenda-se caracterizar a água durante diferentes períodos operacionais. Uma amostra isolada pode não representar as variações do manancial.

Os principais parâmetros são:

  • ferro total e dissolvido;
  • manganês total e dissolvido;
  • pH;
  • alcalinidade;
  • oxigênio dissolvido;
  • potencial de oxirredução;
  • turbidez;
  • cor;
  • matéria orgânica;
  • cálcio;
  • magnésio;
  • amônio;
  • sulfeto;
  • vazão;
  • temperatura;
  • presença de microrganismos.

O fracionamento entre metal dissolvido e particulado é essencial. Quando o contaminante já está precipitado, o problema é predominantemente de filtração. Quando está dissolvido, será necessária oxidação, troca iônica, adsorção ou uma combinação desses mecanismos.

Eficiência superior a 95% é possível?

A reportagem analisada informa que sistemas adequadamente configurados podem alcançar remoção superior a 95%. Entretanto, esse número deve ser interpretado como potencial técnico, não como resultado automático. (Revista TAE⁠)

Em outro estudo com água natural, uma zeólita comercial apresentou remoção aproximada de 74% para ferro e 66% para manganês. Após o tratamento, as concentrações ficaram abaixo dos limites considerados pela legislação brasileira utilizada na pesquisa. (ScienceDirect⁠)

A diferença entre os resultados evidencia a importância das condições operacionais. Uma tecnologia pode apresentar excelente desempenho em determinado manancial e eficiência insuficiente em outro.

Portanto, o setor de saneamento deve exigir ensaios de bancada, testes em coluna e operação-piloto antes de definir o dimensionamento definitivo.

Como desenvolver um projeto-piloto?

A primeira etapa consiste em levantar o histórico de qualidade da água. Em seguida, deve-se selecionar o material com especificações comprovadas de composição, granulometria, densidade, resistência mecânica e capacidade de troca.

Posteriormente, o ensaio em coluna pode avaliar:

  • altura do leito;
  • taxa de filtração;
  • tempo de contato;
  • perda de carga;
  • duração da carreira;
  • volume tratado até a saturação;
  • qualidade do efluente;
  • frequência de retrolavagem;
  • consumo de água;
  • necessidade de regeneração;
  • comportamento do material após sucessivos ciclos.

É recomendável testar mais de uma configuração. Uma coluna pode operar apenas com zeólita, enquanto outra pode utilizar pré-oxidação. Uma terceira pode combinar zeólita, areia e antracito.

O acompanhamento deve incluir ferro, manganês, turbidez, cor, pH e perda de carga. Além disso, torna-se necessário observar se ocorre liberação de partículas do meio filtrante.

Retrolavagem, regeneração e descarte

A retrolavagem remove sólidos acumulados e reorganiza o leito. Sua frequência depende da perda de carga e da qualidade do efluente.

Caso o processo se baseie principalmente em filtração catalítica, a lavagem pode recuperar parte do desempenho. Entretanto, quando os sítios de troca iônica e adsorção ficam saturados, pode ser necessária a regeneração química ou a substituição do material.

A regeneração com solução salina pode deslocar os íons retidos e restaurar parte da capacidade. Porém, gera-se um efluente concentrado em ferro, manganês e sais. Esse líquido não deve ser descartado sem avaliação.

Da mesma forma, a zeólita exaurida precisa ser caracterizada. Dependendo dos contaminantes retidos e da aplicação, o material poderá exigir destinação controlada. Portanto, o custo do ciclo completo deve incluir compra, transporte, regeneração, tratamento dos resíduos e substituição.

Quais são os principais desafios?

A variabilidade das zeólitas naturais é um dos principais obstáculos. Depósitos distintos podem produzir materiais com teores diferentes de clinoptilolita, argila, quartzo e outros minerais.

Além disso, existem outros desafios:

Competição iônica

Cálcio, magnésio, amônio e outros cátions podem ocupar os sítios destinados ao ferro e ao manganês. Consequentemente, a capacidade útil pode ser menor do que a indicada em ensaios realizados com água sintética.

Matéria orgânica

A matéria orgânica pode revestir a superfície, bloquear poros e reduzir o desempenho. Nesses casos, um pré-tratamento pode ser indispensável.

Perda de carga

Uma granulometria inadequada pode elevar rapidamente a perda de carga. Por outro lado, partículas muito grandes reduzem a área de contato.

Falta de padronização

O fornecedor deve apresentar especificações técnicas, controle de qualidade, origem do material, método de modificação, resistência à abrasão e resultados de lixiviação.

Operação inadequada

Sem controle de vazão, pH, oxidante e retrolavagem, até mesmo um meio de alta eficiência poderá apresentar falhas.

Impactos operacionais e financeiros

Quando corretamente aplicada, a tecnologia pode reduzir o consumo de produtos químicos, aumentar a duração das carreiras de filtração e diminuir o volume utilizado nas retrolavagens.

Para o saneamento, a economia de água de lavagem possui efeito duplo. Primeiramente, reduz-se o volume descartado ou recirculado. Além disso, aumenta-se a parcela da água captada que pode ser efetivamente disponibilizada para abastecimento.

Outros ganhos possíveis incluem:

  • menor frequência de limpeza dos reservatórios;
  • redução das descargas na rede;
  • diminuição de reclamações;
  • proteção de membranas;
  • menor formação de depósitos;
  • aumento da vida útil de equipamentos;
  • maior estabilidade da qualidade da água.

Todavia, a análise econômica deve considerar o custo por metro cúbico tratado, e não apenas o preço de compra da zeólita. Um material mais caro pode ser vantajoso caso apresente maior vida útil, menor perda de carga e menor demanda de reagentes.

O que os gestores de saneamento devem exigir?

A decisão de implantação deve estar fundamentada em evidências. Por isso, recomenda-se exigir:

  1. caracterização mineralógica e química;
  2. capacidade de troca catiônica;
  3. distribuição granulométrica;
  4. densidade aparente;
  5. resistência mecânica;
  6. limites de operação;
  7. testes de lixiviação;
  8. estudos com água semelhante à do sistema;
  9. curva de saturação;
  10. protocolo de regeneração;
  11. condições de retrolavagem;
  12. destinação do material exaurido;
  13. garantia de fornecimento;
  14. suporte técnico;
  15. referências operacionais comprováveis.

Também é necessário estabelecer indicadores antes da implantação. A comparação deve envolver qualidade da água, consumo de oxidante, água de lavagem, energia, horas de operação, frequência de manutenção e número de reclamações.

Zeólitas modificadas podem substituir o tratamento convencional?

Na maioria dos casos, não se recomenda tratar a tecnologia como substituta universal de todas as etapas. Sua função mais provável é intensificar o tratamento.

Isso significa melhorar o desempenho de uma barreira, reduzir a dosagem química, proteger equipamentos ou executar um polimento final. Em determinadas unidades compactas, a zeólita poderá ocupar posição central. Em sistemas complexos, contudo, funcionará melhor integrada a outros processos.

Essa abordagem é coerente com o conceito de múltiplas barreiras adotado no saneamento. Nenhuma etapa deve concentrar sozinha toda a responsabilidade pela qualidade da água.

Perspectivas para o saneamento brasileiro

A ampliação do abastecimento por poços, a busca por unidades compactas e a necessidade de reduzir perdas de água no tratamento criam um ambiente favorável às zeólitas modificadas.

Além disso, o avanço dos materiais produzidos a partir de resíduos industriais pode contribuir para a economia circular. Pesquisas já avaliaram zeólitas sintetizadas a partir de resíduos para remover alumínio, ferro e manganês, com resultados promissores em condições experimentais. (PubMed⁠)

Entretanto, o avanço comercial deverá ser acompanhado por padronização, estudos de longo prazo e protocolos de controle. O setor precisa diferenciar soluções tecnicamente comprovadas de promessas baseadas apenas em resultados laboratoriais isolados.

Para as companhias de saneamento, o caminho mais seguro envolve caracterização detalhada, projeto-piloto, monitoramento contínuo e avaliação do custo do ciclo de vida.

Conclusão

As zeólitas modificadas apresentam potencial relevante para aumentar a eficiência da remoção de ferro e manganês. A combinação de troca iônica, adsorção, ação catalítica e filtração permite tratar águas subterrâneas e superficiais sob diferentes configurações.

Entretanto, a eficiência depende do ajuste entre material, água bruta e operação. Não existe uma zeólita universal para todos os sistemas. A presença de cálcio, magnésio, matéria orgânica e outros contaminantes pode alterar significativamente o desempenho.

Portanto, a tecnologia deve ser implantada com critérios de engenharia. Ensaios de bancada, testes em coluna e unidades-piloto são fundamentais para definir granulometria, altura de leito, taxa de filtração, pré-oxidação, retrolavagem e regeneração.

Quando corretamente selecionadas, as zeólitas modificadas podem contribuir para um saneamento mais eficiente, reduzir o consumo de reagentes, preservar água de lavagem, diminuir reclamações e proteger equipamentos. Assim, consolidam-se como uma ferramenta de intensificação do tratamento, especialmente em sistemas abastecidos por poços e em ETAs de pequeno e médio porte.

Fontes