10 ferramentas essenciais para liderar o saneamento

A gestão de uma companhia de saneamento envolve redes subterrâneas, estações de tratamento, reservatórios, elevatórias, milhares de equipamentos, equipes distribuídas, contratos, obras, atendimento ao cliente, faturamento e obrigações regulatórias.

Além disso, grande parte dessas atividades precisa funcionar durante 24 horas por dia, inclusive diante de falta de energia, falhas de comunicação, eventos climáticos, rompimentos, extravasamentos e crescimento acelerado das cidades.

Por essa razão, já não é suficiente administrar o saneamento apenas com planilhas, relatórios mensais, informações transmitidas por e-mail e reuniões baseadas em dados desatualizados.

Quando a informação chega tarde, a gestão normalmente toma conhecimento do problema depois que o reservatório esvaziou, o esgoto extravasou, o cliente reclamou, o equipamento parou ou a meta regulatória foi descumprida.

A tecnologia passa, portanto, a cumprir três funções estratégicas. Primeiramente, mostra o que está acontecendo. Em seguida, ajuda a explicar por que determinada ocorrência aconteceu. Por fim, permite recomendar ou automatizar as ações necessárias para evitar que o problema se repita.

Embora o saneamento básico também envolva drenagem urbana e manejo de resíduos sólidos, as ferramentas apresentadas possuem aplicação especialmente relevante na gestão dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

Entretanto, nenhuma plataforma resolve todos os problemas de forma isolada. As companhias mais estruturadas combinam sistemas de inteligência de negócios, geoprocessamento, automação, gestão de ativos, modelagem hidráulica, mobilidade, relacionamento com clientes e inteligência artificial.

Consequentemente, o verdadeiro salto de desempenho acontece quando essas soluções compartilham dados e passam a trabalhar de forma integrada.

Os custos apresentados ao longo do conteúdo representam faixas de referência para planejamento. Os valores reais dependem do número de usuários, tamanho da rede, quantidade de ativos, integrações, infraestrutura, segurança, licenciamento, treinamento e necessidade de customização.

Portanto, as estimativas não substituem estudos técnicos, termos de referência, levantamentos de mercado nem propostas comerciais.

1. Power BI e Qlik Sense para transformar dados em decisões

Como essas ferramentas funcionam

Power BI e Qlik Sense são plataformas de inteligência de negócios, também conhecidas como ferramentas de Business Intelligence ou simplesmente BI.

Essas soluções conectam bancos de dados, planilhas, sistemas comerciais, sistemas de manutenção, plataformas de atendimento e diversas outras fontes para criar indicadores, gráficos, mapas, relatórios automáticos e alertas.

O valor dessas ferramentas não está apenas na apresentação visual dos dados. O principal benefício consiste em reunir informações que, anteriormente, estavam fragmentadas em diferentes áreas e sistemas.

Um gestor pode, por exemplo, visualizar no mesmo painel a quantidade de ordens de serviço, o prazo de atendimento, a reincidência, o custo da equipe, o volume faturado, a arrecadação e as reclamações recebidas.

No saneamento, uma plataforma de BI pode acompanhar:

  • índice de perdas na distribuição;
  • volume produzido, distribuído, consumido e faturado;
  • arrecadação e inadimplência;
  • produtividade das equipes;
  • ligações, cortes e religações;
  • retificações de contas;
  • consumo de energia;
  • reclamações e prazos regulatórios;
  • contratos e saldos orçamentários;
  • desempenho por município;
  • desempenho por unidade regional;
  • serviços acumulados;
  • reincidências;
  • metas operacionais e comerciais.

Power BI ou Qlik Sense: qual escolher?

O Power BI costuma ter maior facilidade de integração com Excel, Microsoft 365, SharePoint, Teams, Azure e outros produtos da Microsoft.

Além disso, o Power BI Desktop pode ser utilizado gratuitamente para a criação local de relatórios. Entretanto, o compartilhamento corporativo, a atualização automática e a distribuição dos painéis normalmente exigem licenças pagas.

O Qlik Sense também possui grande capacidade de integração e análise. A plataforma se destaca pelo chamado modelo associativo, que permite explorar os dados por diferentes perspectivas sem ficar restrito a relatórios previamente definidos.

A escolha entre as plataformas deve considerar:

  • ferramentas já utilizadas pela companhia;
  • capacidade da equipe interna;
  • custo de licenciamento;
  • volume de dados;
  • necessidade de atualização em tempo real;
  • integrações necessárias;
  • infraestrutura disponível;
  • governança e segurança.

Quanto custa implantar

O custo não se limita às licenças. Também devem ser considerados desenvolvimento, integração, tratamento dos dados, treinamento, suporte e manutenção.

Um projeto-piloto simples pode variar entre R$ 20 mil e R$ 150 mil.

Já uma estrutura corporativa, com data warehouse, integração entre várias diretorias, regras de governança e atualização quase em tempo real, pode ultrapassar R$ 1 milhão.

Como implantar corretamente

A implantação não deve começar pela aparência do painel. Antes de qualquer gráfico, precisa ser definida a decisão que será melhorada.

Em seguida, devem ser identificadas:

  • a fonte de cada informação;
  • a regra oficial de cálculo;
  • a frequência de atualização;
  • o responsável pela qualidade do dado;
  • a ação esperada quando o indicador sair da meta.

Um projeto inicial pode seguir as seguintes etapas:

  1. Selecionar entre cinco e dez indicadores críticos.
  2. Documentar as fórmulas oficiais.
  3. Conectar as fontes sem depender de digitação manual.
  4. Validar os números com as áreas responsáveis.
  5. Estabelecer uma rotina de análise e tomada de decisão.
  6. Criar alertas para desvios relevantes.
  7. Registrar os planos de ação resultantes.

Aplicação real em companhia de saneamento

A Copasa documentou o uso do Power BI no acompanhamento de infrações e fraudes confirmadas.

A iniciativa também incorporou inteligência artificial para selecionar imóveis com maior possibilidade de irregularidade, tornar as fiscalizações mais assertivas e integrar os resultados ao sistema comercial.

Esse caso demonstra que o BI gera maior valor quando deixa de funcionar apenas como relatório executivo e passa a orientar a operação diária.

2. ArcGIS e QGIS para enxergar o saneamento no território

QGIS

Como funciona o geoprocessamento

Praticamente tudo no saneamento possui localização.

Redes, ligações, hidrômetros, válvulas, reservatórios, poços, estações, vazamentos, reclamações, obras, extravasamentos e equipes estão distribuídos no território.

Por isso, o Sistema de Informação Geográfica, conhecido pelas siglas GIS ou SIG, constitui uma das principais estruturas tecnológicas de uma companhia.

O GIS permite representar as redes em mapas inteligentes. Além de mostrar onde cada ativo está localizado, o sistema pode armazenar informações como:

  • material;
  • diâmetro;
  • profundidade;
  • idade;
  • data de instalação;
  • data da última manutenção;
  • condição operacional;
  • histórico de falhas;
  • criticidade;
  • ligação com outros ativos.

Principais aplicações no saneamento

O geoprocessamento pode ser utilizado para:

  • cadastrar redes de água e esgoto;
  • delimitar setores de abastecimento;
  • localizar válvulas e registros;
  • analisar áreas com falta d’água;
  • identificar concentrações de vazamentos;
  • planejar expansão;
  • cruzar renda, consumo e inadimplência;
  • criar rotas para equipes;
  • inspecionar ativos;
  • acompanhar obras;
  • priorizar a substituição de redes antigas;
  • identificar imóveis potencialmente factíveis;
  • analisar ocorrências por bairro ou município;
  • integrar dados comerciais e operacionais.

ArcGIS ou QGIS

O ArcGIS é uma plataforma comercial desenvolvida pela Esri. A solução possui versões em nuvem, aplicações móveis, ferramentas de análise e estruturas voltadas especificamente para redes de serviços públicos.

O QGIS, por sua vez, é uma plataforma gratuita e de código aberto.

Entretanto, a gratuidade do software não significa que todo o projeto será gratuito. Ainda serão necessários banco de dados geográfico, servidores ou nuvem, treinamento, suporte, integração, levantamento de campo e manutenção cadastral.

O ArcGIS pode ser mais adequado para companhias que buscam uma plataforma completa, com suporte empresarial, aplicativos integrados e funcionalidades avançadas para redes.

Já o QGIS pode ser uma alternativa eficiente para projetos com menor orçamento, equipes tecnicamente capacitadas ou necessidade de maior independência tecnológica.

Quanto custa

Um projeto-piloto territorial pode variar entre R$ 80 mil e R$ 400 mil.

Uma implantação corporativa, envolvendo milhões de objetos, migração de cadastros, imagens, servidores, aplicativos móveis e integração com sistemas legados, pode alcançar vários milhões de reais.

Como implantar

O primeiro passo consiste em definir um modelo de dados corporativo.

Uma rede não pode ser cadastrada por uma unidade como “PVC 100” e por outra como “tubo PVC DN 100”. A falta de padronização impede análises em escala e prejudica a confiabilidade do cadastro.

Depois disso, recomenda-se:

  1. Escolher uma área-piloto.
  2. Importar os cadastros existentes.
  3. Corrigir coordenadas e inconsistências.
  4. Criar regras de validação.
  5. Integrar o GIS ao sistema comercial.
  6. Permitir a atualização pelas equipes de campo.
  7. Estabelecer responsáveis pela manutenção cadastral.
  8. Realizar auditorias periódicas de qualidade.

Aplicação em grandes companhias

A Sabesp já apresentou publicamente iniciativas relacionadas ao uso do ArcGIS e mantém painéis geográficos para acompanhamento de intervenções e obras.

Isso demonstra que o geoprocessamento pode ser utilizado não apenas no cadastro técnico, mas também no planejamento, na transparência e na comunicação com a sociedade.

3. SCADA, telemetria e PIMS para controlar a operação

Como funcionam

SCADA é a sigla de Supervisory Control and Data Acquisition, traduzida como sistema de supervisão, controle e aquisição de dados.

Essa plataforma recebe informações de sensores, medidores, controladores e equipamentos instalados nas unidades operacionais.

Em uma companhia de saneamento, o SCADA pode acompanhar:

  • nível dos reservatórios;
  • vazão instantânea;
  • pressão da rede;
  • funcionamento de bombas;
  • corrente elétrica;
  • consumo de energia;
  • turbidez;
  • concentração de cloro;
  • abertura e fechamento de válvulas;
  • falhas de equipamentos;
  • risco de extravasamento;
  • funcionamento de elevatórias.

A telemetria permite transmitir informações de unidades remotas para centros de controle.

Já o PIMS, sigla para Plant Information Management System, armazena grandes volumes de dados históricos dos processos operacionais.

Com isso, torna-se possível analisar tendências, comparar unidades, investigar falhas e identificar alterações de comportamento.

A importância da automação local

Uma arquitetura de automação segura normalmente é dividida em três níveis:

  1. Sensores e atuadores.
  2. Controle local.
  3. Supervisão e armazenamento.

A lógica principal de controle deve permanecer nos controladores locais.

Isso permite que bombas, válvulas e equipamentos continuem funcionando mesmo quando houver falha na comunicação com o centro de controle.

Dessa forma, a automação aumenta a resiliência do saneamento, em vez de criar dependência total de internet ou conexão permanente.

Quanto custa

Não existe um preço único para um sistema SCADA.

O software representa apenas uma parte do investimento. Também são necessários:

  • sensores;
  • medidores;
  • controladores programáveis;
  • painéis elétricos;
  • fontes;
  • nobreaks;
  • modems;
  • rede de comunicação;
  • servidores;
  • licenças;
  • engenharia;
  • programação;
  • instalação;
  • comissionamento.

Como referência:

  • uma unidade remota simples pode exigir de R$ 100 mil a R$ 500 mil;
  • uma estação de porte médio pode superar R$ 1 milhão;
  • um centro de controle integrado pode atingir vários milhões de reais.

Como implantar

A implantação deve começar pela definição das variáveis realmente necessárias.

Instalar sensores sem saber como os dados serão utilizados gera despesas de manutenção, mas produz pouco valor gerencial.

O projeto precisa considerar:

  • redundância;
  • operação manual de emergência;
  • disponibilidade de comunicação;
  • calibração;
  • manutenção dos instrumentos;
  • gestão de alarmes;
  • armazenamento histórico;
  • segurança cibernética;
  • segregação entre rede corporativa e operacional;
  • plano de contingência.

Aplicação em companhias brasileiras

A Copasa desenvolveu o Copasis, um sistema integrado de supervisão utilizado para monitorar redes, reservatórios, bombeamentos e elevatórias.

Em unidades de esgoto, sensores podem enviar alertas aos empregados e aos centros de controle, reduzindo o risco de falhas e extravasamentos.

A Sanepar também possui diretrizes estruturadas para automação, SCADA, controladores e integração ao PIMS corporativo.

4. SAP e IBM Maximo para gestão de ativos e manutenção

Como funcionam

Uma companhia de saneamento possui bombas, motores, painéis, transformadores, sopradores, válvulas, veículos, geradores, laboratórios e milhares de outros ativos.

Sem um sistema estruturado, a manutenção tende a ser reativa. O equipamento quebra, a operação é afetada e somente depois disso o reparo é iniciado.

As plataformas de Enterprise Asset Management, conhecidas pela sigla EAM, organizam o ciclo de vida dos equipamentos.

SAP Asset Management e IBM Maximo estão entre as soluções mais conhecidas do mercado.

Essas ferramentas permitem:

  • cadastrar ativos;
  • criar hierarquias;
  • abrir ordens de manutenção;
  • planejar intervenções preventivas;
  • registrar falhas;
  • acompanhar mão de obra;
  • reservar materiais;
  • calcular custos;
  • controlar estoque;
  • medir disponibilidade;
  • acompanhar o tempo médio entre falhas;
  • planejar substituições.

SAP ou IBM Maximo

O SAP possui como vantagem a forte integração com finanças, compras, contabilidade, contratos, recursos humanos e materiais.

O IBM Maximo apresenta forte especialização em ativos, manutenção, inspeção e equipes de campo.

A melhor escolha depende da arquitetura já utilizada pela companhia, da maturidade dos processos e do nível de integração desejado.

Quanto custa

Uma implantação inicial pode variar entre R$ 300 mil e R$ 3 milhões.

Projetos corporativos, especialmente quando envolvem migração de ERP, inventário completo, integração com compras, estoque e aplicativos móveis, podem superar amplamente essa faixa.

Como implantar

A maior dificuldade geralmente não está na instalação do software, mas no cadastro dos ativos.

Bombas sem identificação, equipamentos duplicados e ausência de hierarquia tornam qualquer sistema pouco confiável.

A implantação deve incluir:

  1. Inventário físico.
  2. Definição da hierarquia dos ativos.
  3. Classificação de criticidade.
  4. Criação de planos preventivos.
  5. Cadastro de listas de materiais.
  6. Definição de falhas padronizadas.
  7. Integração com compras e estoque.
  8. Aplicativo móvel para manutenção.
  9. Criação de indicadores.
  10. Treinamento das equipes.

Aplicação em grandes empresas

Registros públicos demonstram a utilização do SAP em processos corporativos da Sabesp, incluindo controles de acesso, segregação de funções e transações específicas.

Essa integração permite relacionar manutenção, orçamento, compras, materiais e planejamento em um mesmo ambiente.

5. EPANET e WaterGEMS para modelagem hidráulica

Como funcionam

A modelagem hidráulica cria uma representação digital da rede de abastecimento.

O modelo recebe informações sobre:

  • tubulações;
  • cotas;
  • consumos;
  • bombas;
  • válvulas;
  • reservatórios;
  • pressões;
  • vazões.

Em seguida, o sistema simula como a água se movimenta pela rede.

O EPANET é gratuito e amplamente utilizado para dimensionamento de redes, avaliação de pressões, estudo de bombas, análise de qualidade da água e planejamento de emergências.

O WaterGEMS é uma solução comercial que oferece recursos adicionais de integração, calibração, análise de cenários e apoio à operação.

Aplicações no saneamento

A modelagem permite responder perguntas que seriam caras ou arriscadas de testar diretamente na rede:

  • O que acontece se determinada bomba parar?
  • Qual área será afetada pelo fechamento de uma válvula?
  • Onde existem pressões excessivas?
  • Qual reservatório precisa ser ampliado?
  • Uma nova adutora resolverá o problema?
  • Qual operação reduz o consumo de energia?
  • Como o crescimento urbano afetará o abastecimento?
  • Qual intervenção deve ser priorizada?

Quanto custa

Um estudo para um sistema pequeno pode variar entre R$ 50 mil e R$ 200 mil.

Modelos metropolitanos, com campanhas de medição, integração em tempo real e operação assistida, podem superar R$ 1 milhão.

Como implantar

O software não corrige um cadastro ruim.

Por isso, é necessário reunir informações do GIS, medições de vazão, pressão, níveis dos reservatórios, curvas das bombas e padrões de consumo.

Depois, o modelo precisa ser calibrado.

Calibrar significa comparar os resultados simulados com as pressões e vazões medidas em campo.

Um modelo sem calibração pode apresentar gráficos visualmente convincentes, mas gerar conclusões tecnicamente incorretas.

6. Sistemas de serviços de campo para comandar a execução

Como funcionam

Os sistemas de Field Service Management organizam e distribuem serviços para equipes externas.

Um fluxo típico funciona da seguinte forma:

  1. O cliente ou sistema abre uma ocorrência.
  2. A ordem recebe uma prioridade.
  3. O sistema identifica a equipe adequada.
  4. A rota é definida.
  5. O técnico recebe o serviço no celular.
  6. Fotografias, materiais, horários e coordenadas são registrados.
  7. A conclusão atualiza o sistema comercial.
  8. Os dados alimentam os indicadores gerenciais.

Entre as opções disponíveis estão Dynamics 365 Field Service, Salesforce Field Service, ArcGIS Field Maps e plataformas desenvolvidas especificamente para empresas de saneamento.

Principais benefícios

Esses sistemas permitem:

  • controlar serviços em campo;
  • acompanhar produtividade;
  • reduzir deslocamentos;
  • registrar fotos;
  • obter geolocalização;
  • confirmar materiais utilizados;
  • identificar reincidências;
  • medir tempos de execução;
  • controlar improcedências;
  • trabalhar em áreas sem conexão;
  • integrar equipes próprias e contratadas.

Quanto custa

Um piloto com aplicativo, integração e treinamento pode variar entre R$ 100 mil e R$ 800 mil.

A quantidade de equipes, o número de usuários e a complexidade do sistema comercial influenciam diretamente o custo.

Como implantar

A digitalização não deve simplesmente copiar um formulário em papel.

O processo precisa ser redesenhado.

Devem ser definidos:

  • tipos de serviço;
  • prioridades;
  • habilidades exigidas;
  • tempos-padrão;
  • materiais;
  • evidências fotográficas;
  • coordenadas;
  • motivos de improcedência;
  • necessidade de retorno;
  • critérios de aceite;
  • responsabilidade de cada equipe.

Aplicação no saneamento brasileiro

A Copasa divulgou a modernização do processo de leitura com georreferenciamento dos leituristas e registro de fotografias.

A companhia também iniciou projetos de telemetria para enviar informações dos hidrômetros diretamente ao sistema comercial.

Essas iniciativas mostram como a mobilidade pode aumentar a rastreabilidade e a confiabilidade dos serviços.

7. CRM para organizar o relacionamento com o cliente

Como funciona

CRM significa gestão do relacionamento com o cliente.

No saneamento, o CRM não substitui necessariamente o sistema comercial, responsável por cadastro, leitura, faturamento, arrecadação e cobrança.

O CRM funciona como uma camada de relacionamento que reúne os contatos e organiza a jornada do usuário.

A plataforma pode consolidar:

  • atendimento presencial;
  • telefone;
  • aplicativo;
  • WhatsApp;
  • e-mail;
  • redes sociais;
  • ouvidoria;
  • reclamações;
  • serviços solicitados;
  • histórico de interrupções;
  • acordos e negociações.

Quando integrado ao sistema comercial, ao GIS e ao Field Service, o CRM permite que o atendente compreenda rapidamente o contexto do cliente.

Em vez de informar apenas que existe uma ordem aberta, o sistema pode mostrar:

  • a equipe designada;
  • a previsão de atendimento;
  • a causa provável;
  • outros clientes afetados;
  • o histórico da ocorrência;
  • os contatos anteriores.

Quanto custa

Um CRM corporativo pode custar de algumas centenas de milhares a vários milhões de reais.

O investimento será maior quando houver integração com:

  • telefonia;
  • sistema comercial;
  • chatbot;
  • portal;
  • aplicativo;
  • base de conhecimento;
  • equipes de campo;
  • ferramentas de cobrança.

Como implantar

A implantação deve começar pelo desenho da jornada do cliente, e não pela compra da licença.

É necessário mapear os canais, identificar repetições, eliminar exigências desnecessárias e definir o responsável por cada etapa.

Também precisam ser estabelecidos:

  • prazos;
  • níveis de prioridade;
  • regras de encaminhamento;
  • mensagens automáticas;
  • procedimentos de retorno;
  • indicadores de satisfação;
  • critérios de encerramento.

8. Planner, Project e Jira para transformar decisões em execução

Como funcionam

Grande parte dos problemas de gestão não decorre da ausência de reuniões, mas da falta de acompanhamento das decisões tomadas.

Os sistemas de gerenciamento de projetos registram:

  • responsáveis;
  • prazos;
  • dependências;
  • riscos;
  • prioridades;
  • situação das entregas;
  • evidências de conclusão.

No saneamento, essas plataformas podem ser utilizadas em:

  • planos de ação;
  • projetos de redução de perdas;
  • implantação de telemetria;
  • obras;
  • licitações;
  • respostas a auditorias;
  • adequação regulatória;
  • treinamentos;
  • gestão de contratos;
  • acompanhamento de metas.

O Microsoft Planner possui integração com o Microsoft 365.

O Microsoft Project é mais robusto para cronogramas, dependências e projetos complexos.

O Jira possui forte aplicação em tecnologia e métodos ágeis, mas também pode organizar projetos de melhoria, solicitações internas, incidentes e fluxos.

Como implantar

A companhia deve evitar criar uma ferramenta paralela para cada área.

O ideal é estabelecer um padrão mínimo com:

  • nome da entrega;
  • responsável;
  • prazo;
  • prioridade;
  • situação;
  • evidência da conclusão;
  • risco;
  • dependências;
  • resultado esperado.

O custo das licenças normalmente é menor do que o custo da falta de disciplina.

Sem uma rotina de atualização, análise e cobrança, qualquer ferramenta se transforma em um mural digital desatualizado.

9. SharePoint, SEI e BPM para documentos e processos

Como funcionam

Companhias de saneamento produzem contratos, ofícios, pareceres, projetos, normas, laudos, notificações, relatórios, medições e processos administrativos.

Quando esses documentos ficam dispersos em computadores, e-mails e pastas individuais, surgem riscos de perda, duplicidade e uso de versões incorretas.

O SharePoint organiza:

  • bibliotecas de documentos;
  • permissões;
  • versões;
  • metadados;
  • pesquisa;
  • colaboração;
  • fluxos de aprovação.

O Sistema Eletrônico de Informações, conhecido como SEI, é amplamente utilizado em instituições públicas para a tramitação de processos.

Já as plataformas de BPM permitem desenhar fluxos com tarefas, prazos, decisões, aprovações e alertas.

Aplicações no saneamento

Essas soluções podem ser utilizadas em:

  • gestão de contratos;
  • processos de retificação;
  • aprovação de projetos;
  • solicitações de compras;
  • respostas a agências reguladoras;
  • notificações de contratadas;
  • fiscalização de obras;
  • procedimentos internos;
  • registro de decisões;
  • controle de normas;
  • tramitação de processos administrativos.

Quanto custa

Projetos menores podem começar entre R$ 50 mil e R$ 300 mil.

Estruturas corporativas com migração de acervo, assinatura eletrônica, BPM e integrações podem ultrapassar R$ 1 milhão.

Como implantar

Não basta digitalizar documentos.

O processo precisa ser classificado, padronizado e simplificado.

A implantação deve estabelecer:

  • plano de classificação;
  • padrões de nomes;
  • responsáveis;
  • controle de acesso;
  • prazo de retenção;
  • fluxo de aprovação;
  • assinatura;
  • rastreabilidade;
  • integração com outros sistemas.

10. Inteligência artificial e automação para ampliar a gestão

Como funcionam

A inteligência artificial pode analisar padrões, documentos, imagens e séries históricas.

Já as ferramentas de automação conectam sistemas e executam tarefas repetitivas sem intervenção manual.

Entre as plataformas possíveis estão:

  • Microsoft Copilot;
  • Power Automate;
  • modelos empresariais de inteligência artificial;
  • n8n;
  • Qlik Automate;
  • soluções desenvolvidas internamente.

Principais aplicações no saneamento

A inteligência artificial pode ser utilizada para:

  • prever demanda;
  • identificar consumo anormal;
  • selecionar imóveis para fiscalização;
  • priorizar vazamentos;
  • prever falhas;
  • analisar documentos;
  • classificar reclamações;
  • gerar relatórios;
  • revisar contratos;
  • criar assistentes internos;
  • responder solicitações iniciais;
  • automatizar notificações;
  • localizar padrões de fraude;
  • apoiar decisões comerciais e operacionais.

Aplicação real

A Copasa associou inteligência artificial, Power BI e dados cadastrais para aumentar a precisão na seleção de imóveis com possíveis irregularidades.

Além disso, a companhia integrou a contestação digital ao sistema comercial e treinou centenas de colaboradores envolvidos no processo.

O caso demonstra que a inteligência artificial pode gerar resultados concretos quando está conectada a processos, dados confiáveis e equipes capacitadas.

Quanto custa

Um projeto-piloto pode variar entre R$ 30 mil e R$ 300 mil.

Soluções integradas a sistemas críticos, com grande volume de dados, segurança avançada e operação contínua, podem superar R$ 1 milhão.

Como implantar com segurança

A inteligência artificial não deve receber acesso indiscriminado a dados pessoais, documentos sigilosos ou comandos operacionais.

A implantação exige:

  • ambiente corporativo aprovado;
  • controle de acesso;
  • proteção de dados;
  • registro das ações;
  • validação humana;
  • política de uso;
  • avaliação de vieses;
  • teste de precisão;
  • plano de contingência;
  • conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados.

Como as ferramentas devem se conectar

Uma arquitetura tecnológica moderna pode ser dividida em cinco camadas.

Primeira camada: sistemas de registro

Nessa camada ficam:

  • sistema comercial;
  • ERP;
  • sistema de manutenção;
  • CRM;
  • GIS;
  • gestão de contratos.

Esses sistemas armazenam clientes, faturas, redes, equipamentos, contratos e ordens de serviço.

Segunda camada: sistemas operacionais

Nessa camada ficam:

  • SCADA;
  • telemetria;
  • sensores;
  • automação;
  • PIMS.

Esses sistemas mostram o comportamento da operação.

Terceira camada: integração e dados

Nessa camada ficam:

  • APIs;
  • barramento de serviços;
  • banco de dados corporativo;
  • data warehouse;
  • lakehouse;
  • ferramentas de qualidade.

Essa estrutura permite que os sistemas compartilhem informações.

Quarta camada: análise e inteligência

Nessa camada ficam:

  • Power BI;
  • Qlik Sense;
  • modelos hidráulicos;
  • inteligência artificial;
  • análise preditiva.

Essas ferramentas transformam dados em conhecimento.

Quinta camada: execução e relacionamento

Nessa camada ficam:

  • aplicativos de campo;
  • central de atendimento;
  • portal;
  • aplicativo do cliente;
  • painéis gerenciais;
  • alertas automáticos.

Essa é a camada na qual a informação se transforma em ação.

Quando essas estruturas não se comunicam, surgem várias versões da verdade.

O sistema comercial informa determinado número de clientes, o GIS apresenta outro valor e a unidade operacional mantém uma planilha paralela.

Consequentemente, o gestor passa a discutir qual dado está correto, em vez de decidir o que precisa ser feito.

O que as principais companhias de saneamento demonstram

As informações públicas disponíveis permitem identificar alguns padrões entre as maiores companhias brasileiras.

Sabesp

A Sabesp possui registros públicos de utilização do ArcGIS em iniciativas geográficas e painéis.

Também existem documentos relacionados ao uso do SAP em processos corporativos, controles de acesso e governança.

Copasa

A Copasa apresenta iniciativas envolvendo:

  • Power BI;
  • inteligência artificial;
  • combate a fraudes;
  • supervisão operacional;
  • georreferenciamento de leitura;
  • telemetria;
  • integração com o sistema comercial.

Sanepar

A Sanepar possui uma arquitetura estruturada envolvendo:

  • sensores;
  • controladores;
  • SCADA;
  • centros de controle;
  • PIMS;
  • segurança;
  • interoperabilidade.

A ausência de divulgação pública sobre determinada marca não significa que uma companhia não utilize a ferramenta.

Muitas informações sobre arquitetura, licenciamento e segurança são mantidas internamente.

Ainda assim, os documentos disponíveis demonstram que as maiores prestadoras trabalham com ecossistemas integrados, e não com uma única aplicação.

Roteiro para implantar tecnologia no saneamento

1. Identificar um problema mensurável

O projeto deve começar com uma dor clara, como:

  • excesso de vazamentos;
  • baixa produtividade;
  • extravasamentos;
  • demora no atendimento;
  • falhas de equipamentos;
  • ausência de rastreabilidade;
  • crescimento da inadimplência.

2. Definir a situação atual

Antes da implantação, precisam ser medidos:

  • custo;
  • prazo;
  • quantidade de ocorrências;
  • retrabalho;
  • produtividade;
  • desempenho;
  • impacto sobre os clientes.

Sem uma linha de base, não será possível demonstrar o retorno.

3. Realizar um piloto controlado

Uma regional, estação, setor de abastecimento ou tipo de serviço deve ser selecionado.

O piloto precisa ser grande o suficiente para demonstrar valor, mas pequeno o suficiente para permitir ajustes.

4. Integrar desde o início

Mesmo o piloto deve considerar como os dados chegarão aos sistemas corporativos.

Soluções isoladas podem funcionar durante a demonstração, mas normalmente enfrentam dificuldades durante a expansão.

5. Tratar dados e processos

Cadastros duplicados, regras diferentes e informações incorretas não desaparecem com a compra de uma ferramenta.

Pelo contrário, tornam-se ainda mais visíveis.

6. Capacitar gestores e equipes

O treinamento não deve se limitar a ensinar onde clicar.

É necessário explicar:

  • por que o processo mudou;
  • quais indicadores serão acompanhados;
  • como o trabalho será avaliado;
  • quais resultados são esperados;
  • como as informações devem ser registradas.

7. Medir o retorno

O retorno pode ocorrer por meio de:

  • redução de perdas;
  • menor consumo de energia;
  • aumento de arrecadação;
  • diminuição de deslocamentos;
  • prevenção de falhas;
  • redução de extravasamentos;
  • atendimento mais rápido;
  • redução de retrabalho.

8. Expandir com governança

Depois do piloto, devem ser definidos:

  • padrões corporativos;
  • responsáveis;
  • orçamento;
  • suporte;
  • segurança;
  • atualização tecnológica;
  • regras de integração;
  • indicadores de resultado.

Erros que mais desperdiçam dinheiro

O primeiro erro consiste em comprar uma plataforma antes de definir o problema.

O segundo erro é tentar implantar todas as soluções ao mesmo tempo.

O terceiro é subestimar a baixa qualidade dos dados.

O quarto é manter a área operacional distante do projeto.

O quinto é ignorar integração, segurança e treinamento.

Também é comum medir apenas a entrega do software.

Uma implantação não deve ser considerada bem-sucedida apenas porque um painel foi publicado ou um aplicativo foi instalado.

O resultado aparece quando:

  • vazamentos diminuem;
  • equipamentos falham menos;
  • equipes produzem mais;
  • clientes recebem respostas melhores;
  • perdas são reduzidas;
  • decisões passam a ser tomadas com antecedência.

A transformação do saneamento depende de integração

A modernização do saneamento não começa pela ferramenta mais cara nem pela tecnologia mais sofisticada.

Ela começa por uma gestão capaz de transformar problemas operacionais e comerciais em projetos mensuráveis.

Power BI e Qlik Sense mostram o desempenho.

ArcGIS e QGIS revelam onde o problema está.

SCADA e telemetria mostram o que acontece em tempo real.

SAP e IBM Maximo organizam os ativos.

EPANET e WaterGEMS simulam cenários.

Os sistemas de Field Service levam a decisão para a rua.

O CRM organiza o relacionamento com o cliente.

Planner, Project e Jira acompanham as entregas.

SharePoint, SEI e BPM garantem rastreabilidade.

Por fim, a inteligência artificial e a automação ampliam a velocidade de análise e execução.

Entretanto, o maior diferencial não está em possuir dez ferramentas.

O verdadeiro avanço acontece quando dados, pessoas e processos estão conectados para transformar informação em ação.

No saneamento moderno, a tecnologia não deve ser tratada apenas como despesa de informática.

Ela representa infraestrutura de gestão, continuidade operacional, capacidade de investimento, eficiência comercial e cumprimento das metas de atendimento à população.

Fontes consultadas