Cobertura de esgoto da Corsan: avanço chega a 99,4 p.p.

Municípios atendidos pela Corsan estão registrando uma transformação expressiva no esgotamento sanitário do Rio Grande do Sul. Desde junho de 2023, algumas cidades avançaram mais de 60 pontos percentuais na disponibilidade do serviço, enquanto Aceguá chegou a 99,4% de cobertura, Pedras Altas atingiu 97,4% e Esteio alcançou 100%. O movimento chama atenção porque ocorre em um setor no qual ampliar redes coletoras, estações elevatórias e estações de tratamento exige grandes investimentos, planejamento de longo prazo e elevada capacidade técnica.

Entretanto, o dado mais importante não está apenas nos municípios que já se aproximam da universalização. A cobertura de esgoto da Corsan também cresceu em localidades que praticamente não possuíam infraestrutura disponível três anos atrás. Santana da Boa Vista saiu de zero para 67,7%, Trindade do Sul chegou a 65% e Carazinho passou de zero para 24%.

Os números mostram a velocidade de expansão da infraestrutura. Ao mesmo tempo, revelam um segundo desafio para o setor: transformar rede disponível em imóvel efetivamente conectado e, consequentemente, em esgoto realmente coletado e tratado.

Essa diferença será cada vez mais importante na corrida pela universalização até 2033.

Principais números da expansão

O levantamento divulgado pela companhia em 25 de agosto de 2026 mostra avanços relevantes em diferentes regiões do Rio Grande do Sul.

Município

Cobertura anterior

Cobertura atual

Avanço

Aceguá

0%

99,4%

+99,4 p.p.

Pedras Altas

0%

97,4%

+97,4 p.p.

Santana da Boa Vista

0%

67,7%

+67,7 p.p.

Trindade do Sul

0%

65%

+65 p.p.

Esteio

66,2%

100%

+33,8 p.p.

São Borja

21,5%

49,1%

+27,6 p.p.

Carazinho

0%

24%

+24 p.p.

Gramado

40%

59%

+19 p.p.

Ijuí

30,1%

48,2%

+18,1 p.p.

Além disso, outros municípios já apresentam índices elevados. Cachoeirinha chegou a 87,5%, Torres a 87,1%, Quaraí a 81,9% e Santa Maria a 81,7%.

Portanto, o avanço da cobertura de esgoto da Corsan não está concentrado em apenas um perfil de município. Existem cidades praticamente universalizadas, localidades em estágio intermediário e municípios que começaram recentemente a estruturar seus sistemas.

O que significa avançar 99,4 pontos percentuais?

A expressão “pontos percentuais” merece atenção.

Quando uma cidade sai de 0% para 99,4% de cobertura, o avanço corresponde a 99,4 pontos percentuais. Da mesma forma, quando Esteio passa de 66,2% para 100%, o crescimento é de 33,8 pontos percentuais.

Essa maneira de apresentar o indicador é diferente de calcular crescimento percentual.

Embora a diferença pareça apenas matemática, utilizar o conceito corretamente é importante para profissionais do saneamento, reguladores, gestores públicos e responsáveis pela comunicação das companhias. Indicadores de universalização precisam ser apresentados de maneira precisa para permitir comparações consistentes entre municípios e períodos.

Cobertura não significa necessariamente ligação ativa

Esse talvez seja o ponto técnico mais importante para interpretar os números.

O indicador utilizado pela Corsan considera sistemas concluídos e disponíveis para atendimento. Consequentemente, quando uma rede coletora chega a determinada rua e está operacional, os imóveis localizados naquela área passam a ter infraestrutura disponível.

Entretanto, o benefício ambiental completo somente ocorre quando o imóvel é efetivamente conectado.

Por isso, aumentar a cobertura de esgoto da Corsan representa uma etapa fundamental, mas não encerra o processo.

Um sistema de esgotamento sanitário depende de uma cadeia completa:

rede coletora → ligação predial → estações elevatórias → linhas de recalque → estação de tratamento → tratamento adequado → disposição ou reúso do efluente.

Se o imóvel continuar utilizando uma solução inadequada ou lançando esgoto irregularmente mesmo após a disponibilidade da rede pública, parte do investimento realizado permanece subutilizada.

Esse problema é conhecido em diferentes regiões brasileiras como desafio da adesão, conexão ou ociosidade das redes de esgoto.

Mais de 284 mil novas conexões

A expansão da infraestrutura já está sendo acompanhada pela entrada de novos usuários no sistema.

Segundo a Corsan, nos últimos três anos foram realizadas mais de 284 mil novas conexões, beneficiando aproximadamente 852 mil pessoas.

Além disso, a companhia estima que essas novas ligações evitam que um volume anual de efluentes equivalente a mais de 7 mil piscinas olímpicas seja lançado sem tratamento nos mananciais.

Na prática, esse é um dos indicadores que melhor demonstra por que o saneamento precisa ser analisado além dos quilômetros de tubulação instalados.

Uma rede enterrada é infraestrutura. Uma residência conectada transforma essa infraestrutura em serviço público efetivamente utilizado.

Um ponto percentual pode representar cerca de 80 mil pessoas

A dimensão da operação da Corsan ajuda a explicar por que pequenos avanços percentuais podem representar grandes resultados.

A companhia atende 317 dos 497 municípios do Rio Grande do Sul e mais de 7 milhões de pessoas.

A previsão divulgada é elevar a cobertura média de esgoto de aproximadamente 30% para 31% entre agosto e dezembro de 2026.

Visualmente, passar de 30% para 31% pode parecer pouco.

Entretanto, a companhia calcula que apenas um ponto percentual adicional de cobertura de esgoto da Corsan corresponde a uma população próxima de 80 mil habitantes — aproximadamente o tamanho de municípios como Ijuí, Santo Ângelo ou Cachoeira do Sul.

Por isso, indicadores estaduais ou regionais precisam ser interpretados considerando a quantidade absoluta de pessoas beneficiadas.

O desafio aumenta à medida que a cobertura cresce

A universalização também possui uma característica importante: os últimos percentuais tendem a ser mais difíceis e caros.

Inicialmente, redes podem ser construídas em áreas com maior densidade populacional, nas quais muitos imóveis são atendidos por cada quilômetro implantado.

Posteriormente, a expansão começa a alcançar bairros periféricos, áreas com ocupação dispersa, terrenos com topografia desfavorável ou locais que exigem travessias especiais, estações elevatórias e extensas linhas de recalque.

Consequentemente, elevar uma cidade de 20% para 40% pode apresentar desafios completamente diferentes daqueles encontrados para avançar de 80% para 90%.

Esse aspecto deverá ser acompanhado de perto na evolução da cobertura de esgoto da Corsan.

Crescimento populacional também pressiona o indicador

Existe ainda outro fator pouco percebido fora do setor.

A universalização não é uma meta estática.

Enquanto novas redes são construídas, novos loteamentos surgem, imóveis são edificados e a população se desloca dentro dos municípios. Assim, uma companhia não precisa apenas atender o déficit existente.

Também precisa acompanhar continuamente o crescimento urbano.

Uma cidade que tenha atingido 90% pode voltar para menos de 90% se a quantidade de novos domicílios crescer mais rapidamente do que a infraestrutura disponível.

Portanto, universalizar exige planejamento permanente de expansão de redes, atualização cadastral, integração com municípios e acompanhamento das autorizações de novos empreendimentos.

R$ 15 bilhões previstos até 2033

A escala financeira do desafio também é significativa.

Desde a transferência do controle da Corsan para a Aegea, concluída em julho de 2023, foi estruturado um plano de investimentos de aproximadamente R$ 15 bilhões até 2033 para ampliar e modernizar os sistemas de água e, principalmente, expandir o esgotamento sanitário.

O planejamento divulgado pela companhia prevê aproximadamente:

  • 18 mil quilômetros de novas redes coletoras;
  • mais de 300 estações de tratamento de esgoto;
  • aproximadamente 3,1 mil estações elevatórias;
  • cerca de 2,2 milhões de residências adicionais com acesso ao sistema;
  • potencial de beneficiar aproximadamente 5,4 milhões de pessoas.

Somente em 2026, a companhia trabalha com um ritmo de investimentos da ordem de R$ 1,5 bilhão a R$ 1,6 bilhão.

Esses valores demonstram que a expansão da cobertura de esgoto da Corsan representa um dos maiores programas de infraestrutura sanitária atualmente em execução no país.

A meta de 2033 coloca pressão sobre a execução

O Marco Legal do Saneamento estabelece que os contratos devem buscar atendimento de 99% da população com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 31 de dezembro de 2033.

Além disso, a Norma de Referência nº 8 da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico reforçou critérios para acompanhamento das metas progressivas.

Isso significa que não basta anunciar investimentos.

Será necessário demonstrar avanço por meio de indicadores mensuráveis de cobertura e atendimento.

Nesse contexto, o crescimento da cobertura de esgoto da Corsan ganha relevância regulatória, contratual, operacional e financeira.

Cada obra concluída precisa entrar em operação. Cada rede disponível precisa gerar conexões. Cada conexão precisa direcionar o esgoto para um sistema com capacidade adequada de transporte e tratamento.

A infraestrutura de tratamento precisa acompanhar as redes

Expandir redes coletoras sem aumentar adequadamente a capacidade de bombeamento e tratamento pode transferir o problema de um ponto para outro.

Por isso, a engenharia de esgotamento sanitário precisa analisar o sistema de maneira integrada.

Entre os principais pontos técnicos estão:

Capacidade das ETEs: as estações precisam receber o crescimento projetado da vazão sem comprometer a eficiência do tratamento.

Estações elevatórias: sistemas extensos dependem de bombeamento confiável, redundância de equipamentos, energia de emergência e manutenção preventiva.

Infiltração e entrada indevida de água pluvial: redes com problemas de vedação podem receber volumes muito superiores aos previstos durante períodos chuvosos.

Gestão de lodo: quanto maior o volume tratado, maior será a necessidade de tratamento, transporte e destinação dos resíduos gerados.

Controle operacional: supervisão remota, automação, telemetria e centros de controle tornam-se essenciais para operações envolvendo centenas de municípios.

A ampliação da cobertura de esgoto da Corsan, portanto, exigirá crescimento proporcional da capacidade operacional.

O desafio comercial passa a ser tão importante quanto a obra

Depois que uma rede é concluída, começa uma nova fase.

Equipes comerciais precisam identificar os imóveis atendíveis, atualizar cadastros, orientar clientes, comunicar a disponibilidade do serviço e acompanhar as ligações.

Em determinados casos, também será necessário compreender por que usuários permanecem desconectados.

Entre as causas possíveis estão dificuldades financeiras para executar instalações internas, desconhecimento sobre a disponibilidade da rede, inadequações hidráulicas dos imóveis e resistência à cobrança da tarifa de esgoto.

Consequentemente, programas de ligação intradomiciliar, comunicação comunitária, tarifa social e facilidades para famílias vulneráveis podem se tornar instrumentos importantes para elevar o atendimento efetivo.

Essa integração entre engenharia, operação e gestão comercial será decisiva para que a cobertura de esgoto da Corsan resulte em utilização real da infraestrutura.

Os profissionais do saneamento sustentam a expansão

Os números apresentados são grandes, porém cada ponto percentual resulta do trabalho de milhares de profissionais.

Engenheiros elaboram projetos e dimensionam redes. Técnicos acompanham obras e fiscalizam contratos. Operadores mantêm estações funcionando continuamente. Eletricistas e equipes de manutenção garantem a disponibilidade das elevatórias. Laboratórios monitoram a qualidade do efluente tratado.

Ao mesmo tempo, equipes comerciais cadastram imóveis, executam ligações, atendem clientes e ajudam a transformar rede disponível em serviço utilizado.

Profissionais ambientais acompanham licenciamento e condicionantes. Especialistas em automação monitoram sistemas. Equipes de segurança do trabalho protegem quem atua nos canteiros, nas redes e nas unidades operacionais.

Por isso, investimentos bilionários não universalizam o saneamento sozinhos.

A infraestrutura somente gera resultado quando existem profissionais capacitados para projetar, implantar, operar, manter, fiscalizar e melhorar continuamente os sistemas.

O que o setor deve acompanhar até 2033

Nos próximos anos, alguns indicadores serão especialmente importantes para avaliar a evolução da cobertura de esgoto da Corsan:

  1. percentual de cobertura por município;
  2. percentual de imóveis efetivamente conectados;
  3. número de novas economias de esgoto;
  4. quilômetros de redes colocadas em operação;
  5. capacidade adicional de tratamento implantada;
  6. volume efetivamente coletado e tratado;
  7. índice de ociosidade das redes disponíveis;
  8. eficiência das estações de tratamento;
  9. ocorrências de extravasamentos;
  10. custo operacional por volume tratado;
  11. energia consumida por metro cúbico;
  12. crescimento populacional das áreas atendidas.

Dessa maneira, será possível distinguir expansão física de desempenho efetivo.

O avanço é relevante, mas a universalização ainda exige escala

Aceguá com 99,4%, Pedras Altas com 97,4% e Esteio com 100% mostram que índices compatíveis ou superiores à meta de universalização já podem ser alcançados em municípios atendidos pela companhia.

Ao mesmo tempo, cidades como São Borja, Ijuí, Gramado e Carazinho demonstram que ainda existe um caminho considerável de expansão.

Além disso, a média da área atendida pela empresa permanece próxima de 30%, enquanto a meta contratual e legal para 2033 é de 90%.

Portanto, apesar dos avanços locais expressivos, o maior desafio será transformar experiências bem-sucedidas em expansão de grande escala.

A cobertura de esgoto da Corsan terá de crescer simultaneamente em dezenas de municípios, mantendo qualidade das obras, capacidade de tratamento, sustentabilidade financeira, segurança operacional e conexão dos usuários.

É justamente nessa combinação entre investimento, engenharia, gestão e execução que estará uma das principais experiências brasileiras de universalização do saneamento nesta década.

Perguntas frequentes

Qual é a meta de esgoto da Corsan para 2033?

A meta é chegar a pelo menos 90% de atendimento com coleta e tratamento de esgoto, alinhada às exigências do Marco Legal do Saneamento.

Qual município apresentou o maior avanço divulgado?

Aceguá saiu de cobertura praticamente inexistente para 99,4%, representando avanço de 99,4 pontos percentuais desde 2023.

Qual município chegou a 100%?

Esteio atingiu 100% de cobertura, após registrar 66,2% anteriormente.

Cobertura significa que todos os imóveis estão ligados?

Não. A cobertura considera a infraestrutura concluída e disponível. Para o esgoto ser efetivamente coletado e tratado, os imóveis precisam estar conectados à rede.

Quantas novas conexões foram feitas?

A Corsan informa mais de 284 mil novas conexões nos últimos três anos, alcançando aproximadamente 852 mil pessoas.

Quanto será investido até 2033?

O plano relacionado à operação da Corsan prevê aproximadamente R$ 15 bilhões em investimentos até 2033.

Por que os profissionais são fundamentais para a universalização?

Porque redes, elevatórias e estações precisam ser projetadas, construídas, fiscalizadas, operadas, mantidas e monitoradas continuamente. Além disso, a universalização depende do trabalho comercial e social necessário para conectar efetivamente os imóveis às novas redes.

Fontes consultadas

Corsan — Municípios avançam até 99 pontos percentuais em cobertura de esgoto, publicação de 25 de agosto de 2026.
Acessar a publicação da Corsan

Corsan — Informações institucionais sobre o plano de expansão do esgotamento sanitário.
Acessar dados sobre esgotamento sanitário

Corsan Relações com Investidores — Perfil corporativo e área de atendimento.
Acessar perfil corporativo da Corsan

Corsan Relações com Investidores — Estratégia e expansão do esgotamento sanitário.
Acessar estratégia da companhia

Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico — Norma de Referência sobre universalização.
Acessar informações da ANA

Ministério das Cidades — Marco Legal do Saneamento.
Acessar informações do Ministério das Cidades

Presidência da República — Lei nº 11.445/2007, atualizada pela Lei nº 14.026/2020.
Acessar a legislação federal

Governo do Rio Grande do Sul — informações sobre a transferência da Corsan e compromissos de universalização.
Acessar informações do Governo do RS