R$ 3 bilhões, sim — mas não são R$ 3 bilhões do BNDES
Manaus está diante de um dos maiores ciclos de expansão de esgotamento sanitário já executados na Região Norte. O plano de investimentos apoiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social prevê R$ 3,08 bilhões entre 2023 e 2033, com aproximadamente 2.335 quilômetros de redes coletoras, 157 quilômetros de interceptores, 248 estações elevatórias e implantação ou reforma de 29 estações de tratamento de esgoto.
Mas há uma precisão importante para quem trabalha com infraestrutura e financiamento: não se trata de R$ 3 bilhões de financiamento direto do BNDES.
Pelas informações oficiais do banco, o apoio estruturado pelo BNDES totaliza R$ 1,5 bilhão, equivalente a aproximadamente 49% do plano. São R$ 255 milhões via BNDES Finem e R$ 1,245 bilhão por meio de debêntures incentivadas cuja emissão foi coordenada pelo banco. Os R$ 3,08 bilhões correspondem ao investimento total planejado pela concessionária.
Há outro detalhe relevante. O projeto voltou ao noticiário em setembro de 2026, após apresentação de Aloizio Mercadante na Federação das Indústrias do Estado do Amazonas, mas a estrutura de apoio de R$ 1,5 bilhão já havia sido anunciada oficialmente pelo BNDES em fevereiro de 2025. Portanto, o encontro de 2026 recolocou o investimento em evidência; não deve ser interpretado automaticamente como uma nova liberação adicional de R$ 3 bilhões.
Para os profissionais do saneamento, entretanto, a discussão mais importante começa justamente depois do financiamento: como transformar bilhões de reais em ligações efetivas, vazão tratada, redução de carga poluidora e recuperação dos igarapés?
É aí que o caso de Manaus se torna particularmente interessante.
Esgoto em Manaus saiu de cerca de 30% para mais de 40%
Quando o BNDES anunciou a operação, a cobertura de esgotamento sanitário em Manaus estava próxima de 30%. Dados do Ranking do Saneamento 2026, baseados no SINISA de 2024, registraram 32,35% de atendimento total de esgoto e colocaram Manaus na 82ª posição entre os 100 municípios mais populosos analisados.
O cenário, porém, está mudando rapidamente. A concessionária Águas de Manaus informa atualmente cobertura superior a 40%, mais de mil quilômetros de redes coletoras, mais de 130 ETEs e 107 estações elevatórias. O sistema trata mais de 62 milhões de litros de esgoto por dia.
A evolução também aparece em registros públicos. A Prefeitura de Manaus informava cobertura superior a 35% em setembro de 2025 e projetava aproximadamente 40% ao final daquele ano. Com a primeira etapa da nova ETE da Raiz, o Governo do Amazonas informou a ampliação para cerca de 40%.
Em 2025, segundo a concessionária, foram investidos mais de R$ 430 milhões, enquanto a cobertura chegou a 40% e o abastecimento de água permaneceu acima de 99%.
O desafio agora é muito maior: sair desse patamar para 90% de coleta e tratamento até 2033.
Esse é exatamente o tipo de transição em que dinheiro disponível não garante, isoladamente, universalização.
O tamanho da engenharia que está por trás dos R$ 3,08 bilhões
O plano apoiado pelo BNDES oferece uma boa dimensão física do problema. Não se trata apenas de construir estações de tratamento.
A infraestrutura prevista inclui aproximadamente 2.335 km de redes coletoras, 157 km de interceptores, 147 km de redes pressurizadas, 248 estações elevatórias e 29 ETEs novas ou reformadas.
Uma rede coletora recebe o esgoto das edificações. Coletores de maior porte e interceptores concentram as vazões de diferentes áreas. Quando a topografia não permite transportar o esgoto apenas por gravidade, entram as estações elevatórias, que bombeiam o efluente até outro trecho do sistema ou até uma ETE.
Essa sequência parece convencional em um projeto de esgotamento sanitário. Em Manaus, entretanto, sua implantação encontra características urbanas e ambientais muito particulares.
A cidade se desenvolveu em torno de extensa rede de igarapés, apresenta diferenças acentuadas de nível, áreas densamente urbanizadas, ocupações informais, becos e comunidades em regiões sujeitas às variações do ciclo das águas. A própria concessionária cita a existência de palafitas e rip-raps entre os desafios para expandir os serviços.
É justamente por isso que replicar simplesmente o modelo de uma cidade plana e densamente servida por grandes sistemas centralizados pode ser inadequado.
Microbacias mudam a lógica do esgotamento
Uma das principais soluções adotadas pelo programa Trata Bem Manaus é a organização do sistema por microbacias de esgotamento.
Os estudos divulgados pela Águas de Manaus consideraram a topografia e os corpos hídricos da cidade e concluíram que a divisão do território em microbacias permitiria acelerar a expansão. Nesse modelo, diferentes áreas podem contar com ETEs de vários portes, reduzindo a necessidade de conduzir todo o esgoto por enormes distâncias até poucas estações centralizadas.
Igarapés como Quarenta, Cachoeira Grande, Tarumã, Passarinhos, Goiabinha, Gigante, Bindá, Franceses e Mindu aparecem entre os corpos hídricos considerados no planejamento divulgado pela concessionária.
É uma escolha particularmente interessante para profissionais que trabalham com cidades cortadas por córregos, vales e sub-bacias.
Em vez de perguntar apenas “onde construir a ETE?”, o planejamento passa a perguntar qual é a rota hidráulica mais eficiente para impedir que o esgoto daquela microbacia chegue ao curso d’água.
Isso muda o foco do empreendimento.
A unidade de tratamento continua importante, mas interceptores, coletores, elevatórias, ligações domiciliares e eliminação de lançamentos clandestinos tornam-se tão estratégicos quanto a própria ETE.
Os números do projeto precisam ser lidos com cuidado
A apuração também revela algo importante para profissionais que analisam investimentos: existem números diferentes circulando sobre a infraestrutura prevista.
O plano divulgado pelo BNDES fala em 29 ETEs implantadas ou reformadas e 2.335 km de redes coletoras. Já comunicações do Trata Bem Manaus mencionaram aproximadamente 2,7 mil quilômetros de redes e construção ou ampliação de cerca de 70 ETEs. O inventário operacional atual divulgado pela empresa, por sua vez, registra mais de 130 unidades de tratamento.
Isso não significa necessariamente que uma das informações esteja errada.
Os documentos podem estar tratando de escopos, períodos e classificações de unidades diferentes. Pequenas ETEs descentralizadas, sistemas existentes, unidades reformadas e novos ativos podem aparecer de maneira distinta em cada programa.
A lição para gestores é simples: ao analisar grandes anúncios de saneamento, não basta perguntar quantos bilhões serão investidos. É necessário identificar qual é exatamente o perímetro do projeto, qual período está sendo considerado e quais ativos integram aquele CAPEX.
Construir rede não significa universalizar o serviço
Existe outro ponto menos visível e talvez ainda mais relevante para a gestão comercial.
Uma rua pode possuir rede coletora e continuar despejando esgoto em fossa, drenagem ou igarapé caso os imóveis não estejam efetivamente interligados.
Por isso, o avanço físico precisa ser acompanhado de conversão de disponibilidade em atendimento real.
A Lei nº 11.445/2007 determina que edificações permanentes urbanas sejam conectadas às redes públicas disponíveis. A legislação também prevê que o regulador ou titular estabeleça prazo para a conexão e admite mecanismos específicos para famílias de baixa renda.
Essa etapa exige competências muito além da engenharia.
É necessário cadastrar imóveis, identificar ligações factíveis, realizar comunicação antecipada, orientar adaptações internas, tratar situações de vulnerabilidade, resolver irregularidades, acompanhar recusas de conexão e atualizar o cadastro comercial.
Consequentemente, a universalização do esgoto é também um projeto comercial e de relacionamento com clientes.
Um investimento bilionário pode produzir uma extensa infraestrutura subutilizada se a estratégia de adesão for deixada para depois.
O próprio Plano de Manaus aponta para esse desafio
Os documentos produzidos na atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico trazem propostas que vão nessa direção.
Entre os projetos prioritários estudados estão a interceptação de descargas nos igarapés, regularização de ligações e adesão ao sistema, eliminação de lançamentos em tempo seco, interligação de sub-bacias, automação de estações elevatórias críticas e programas de manutenção integrada das redes.
Essa combinação é tecnicamente coerente porque enfrenta diferentes pontos da cadeia.
Não adianta ampliar somente a capacidade de tratamento se o esgoto não chegar à ETE.
Da mesma forma, instalar quilômetros de rede sem eliminar conexões clandestinas com a drenagem pode continuar levando carga orgânica aos igarapés.
E construir centenas de elevatórias sem telemetria, manutenção preventiva, redundância elétrica e disponibilidade adequada de bombas cria um novo risco operacional para o futuro.
O benchmark brasileiro: o BNDES já testou outra combinação de dívida e mercado
O financiamento de Manaus também mostra uma transformação importante na forma de financiar o saneamento brasileiro.
Um caso comparável é o projeto Águas do Rio. Em 2022, o BNDES aprovou até R$ 19,3 bilhões para investimentos dos blocos 1 e 4 da concessão de saneamento fluminense, utilizando uma estrutura de project finance e combinando financiamento bancário, mercado de capitais e outros credores.
Em 2023, o próprio BNDES subscreveu R$ 1,9 bilhão em uma oferta pública de R$ 5,5 bilhões de debêntures da Águas do Rio. Segundo o banco, sua presença ajudou a atrair investidores e reduzir as taxas finais da operação.
A comparação é relevante porque Águas do Rio e Águas de Manaus pertencem ao grupo Aegea.
Manaus está utilizando uma lógica semelhante em menor escala: crédito de longo prazo somado ao mercado de capitais para suportar uma fase excepcionalmente intensiva em investimentos.
Esse modelo reduz a dependência de uma única fonte financeira e ajuda a adequar os prazos da dívida à maturação da infraestrutura.
Mas também aumenta a importância de disciplina financeira, cumprimento das metas contratuais, previsibilidade regulatória e geração de caixa.
Medellín mostra que sanear o rio exige muito mais que uma grande ETE
No cenário internacional, Medellín oferece uma comparação particularmente útil por envolver a recuperação de um sistema hídrico urbano.
A Empresas Públicas de Medellín estruturou durante décadas um sistema formado por redes secundárias, coletores implantados junto aos cursos d’água, grandes interceptores e estações de tratamento.
A concessionária colombiana informa cobertura superior a 96% na coleta e tratamento superior a 84% dos efluentes dos usuários do Valle de Aburrá.
Um dos principais ativos é a planta Aguas Claras, com capacidade média de tratamento de 5 m³/s. O empreendimento custou aproximadamente 1,6 trilhão de pesos colombianos e contou com financiamento de US$ 450 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Com Aguas Claras e San Fernando, a EPM passou a tratar cerca de 84% das águas residuais da região metropolitana.
A experiência oferece uma mensagem clara para Manaus: recuperar igarapés exige enxergar o sistema de esgotamento como uma cadeia hidráulica completa.
Medellín não resolveu sua poluição simplesmente construindo uma estação. Construiu redes, coletores e interceptores para retirar progressivamente as descargas dos cursos d’água e conduzi-las às plantas.
Há também uma advertência. A operação da Aguas Claras enfrentou problemas de odores, exigindo dezenas de medidas corretivas e acompanhamento com comunidade e autoridades.
Ou seja: desempenho ambiental dentro da estação e convivência urbana no entorno precisam ser planejados conjuntamente.
Manila mostra por que obras urbanas podem atrasar até grandes projetos
Metro Manila, nas Filipinas, apresenta outra referência útil.
A expansão do esgotamento utiliza uma combinação de redes, interceptores, estações de bombeamento, ETEs e soluções de manejo de fossas sépticas. Em 2025, o Asian Development Bank investiu US$ 145 milhões na Maynilad para apoiar expansão e modernização de água e wastewater.
Em 2025, a Maynilad informava aproximadamente 26,5% de cobertura de rede de esgoto, além de serviços de saneamento descentralizado. A empresa investiu ₱26,9 bilhões naquele ano em infraestrutura de água e esgoto.
O aprendizado mais interessante, entretanto, está nos problemas enfrentados durante a construção.
Relatórios do Banco Mundial documentaram atrasos causados por restrições para escavação em vias, interferências com propriedades privadas, limitações de horário de obra, dificuldade de obtenção de faixa de passagem, ligações elétricas atrasadas e infiltração de água em solos próximos a córregos.
São problemas extremamente familiares para qualquer profissional envolvido em expansão de redes em grandes cidades.
O projeto pode estar financeiramente estruturado e ambientalmente licenciado, mas alguns metros de tubulação sem autorização, uma elevatória sem energia ou um trecho sem direito de passagem podem impedir que milhões investidos a montante entrem efetivamente em operação.
Impacto operacional: Manaus criará um sistema muito maior para manter
Existe um risco frequentemente subestimado em ciclos acelerados de investimentos: todo CAPEX de hoje se transforma em OPEX amanhã.
Centenas de elevatórias exigirão energia elétrica, inspeção, bombas reserva, painéis, automação, proteção contra transientes, limpeza, desobstrução e equipes preparadas para ocorrências.
Milhares de quilômetros adicionais de redes significam maior necessidade de cadastro técnico, inspeção, manutenção preventiva, hidrojateamento, combate a infiltrações e controle de lançamentos inadequados.
Novas ETEs exigem operadores, laboratórios, controle de processo, destinação de lodo, manutenção eletromecânica e atendimento às licenças ambientais.
Portanto, o sucesso do programa não deverá ser medido apenas pela quantidade de quilômetros inaugurados em 2033.
Precisará ser avaliado pela capacidade de operar esses ativos de maneira sustentável durante décadas.
Impacto urbano: a recomposição das ruas também é saneamento
Manaus já oferece um exemplo importante sobre esse ponto.
No balanço de fiscalização de 2025, a Ageman informou que a Águas de Manaus recebeu 124 notificações e 19 autos de infração. Cinquenta e sete notificações estavam relacionadas à qualidade da recomposição asfáltica após obras de expansão do esgotamento sanitário.
Esse dado merece atenção.
Para a população, a percepção sobre um grande programa de saneamento não ocorre somente quando a ETE entra em funcionamento.
Ela acontece diariamente diante de ruas interditadas, trânsito alterado, poeira, ruído, acesso a imóveis e qualidade da pavimentação reconstruída.
A engenharia subterrânea precisa caminhar junto com engenharia de tráfego, fiscalização, gestão de contratos e relacionamento comunitário.
O que gestores e profissionais devem acompanhar
Para empresas que pretendem executar programas semelhantes, o caso do esgoto em Manaus sugere acompanhar simultaneamente:
- Cobertura versus atendimento efetivo: rede disponível não deve ser confundida com imóvel conectado.
- Vazão encaminhada às ETEs: quilômetros de rede precisam produzir crescimento correspondente na vazão efetivamente tratada.
- Conexões factíveis: identificar imóveis com rede disponível, mas ainda não interligados, deve ser rotina comercial.
- Disponibilidade das elevatórias: redundância, telemetria, energia e manutenção precisam acompanhar a expansão.
- Descargas nos corpos hídricos: georreferenciar e eliminar progressivamente lançamentos permite medir o benefício ambiental real.
- Qualidade da recomposição urbana: prazo de obra, pavimento, mobilidade e reclamações devem integrar os indicadores do programa.
- Capacidade futura de operação: o planejamento financeiro precisa incorporar manutenção, energia, pessoal, lodo e renovação dos ativos, e não somente o investimento inicial.
Tecnologia pode fazer diferença no próximo salto
A escala do programa abre espaço para digitalização intensiva.
Estações elevatórias podem ser monitoradas remotamente por sensores de nível, corrente elétrica, temperatura e vibração. Sistemas supervisórios podem identificar falhas antes que o extravasamento aconteça.
GIS e cadastro técnico georreferenciado podem integrar redes, poços de visita, ligações, reclamações, extravasamentos e lançamentos nos igarapés.
Modelos hidráulicos podem apoiar o dimensionamento das expansões e identificar regiões com risco de sobrecarga.
Ferramentas de manutenção preditiva podem priorizar equipamentos pelo risco operacional e não simplesmente por calendários fixos.
E dados comerciais podem identificar bairros onde a expansão física não está se convertendo em adesão dos imóveis.
A tecnologia, nesse contexto, não substitui a obra. Ela ajuda a proteger bilhões de reais investidos na obra.
Oportunidade ambiental: medir a recuperação dos igarapés
Manaus tem uma oportunidade adicional que nem todas as grandes cidades possuem: transformar o avanço do esgoto em Manaus em um programa de recuperação ambiental mensurável.
O novo planejamento municipal propõe interceptação de lançamentos, monitoramento dos cursos d’água e interligação de sub-bacias aos sistemas de tratamento.
Isso permite ir além do indicador tradicional de “percentual de cobertura”.
Podem ser acompanhados carga orgânica removida, oxigênio dissolvido, demanda bioquímica de oxigênio, coliformes, número de descargas eliminadas, extensão de igarapés recuperada e redução de extravasamentos.
Para a sociedade, esses resultados são muitas vezes mais perceptíveis do que quilômetros de tubulação enterrados.
Para os profissionais, representam uma mudança importante de paradigma: medir saneamento pelo resultado ambiental entregue, não apenas pelo ativo construído.
Lições para quem trabalha no saneamento
O investimento de Manaus ensina que universalização é essencialmente um problema multidisciplinar.
Engenheiros precisam entender financiamento e operação futura.
Profissionais comerciais precisam compreender hidráulica, disponibilidade de rede e ligações factíveis.
Equipes sociais precisam participar antes da escavação, e não apenas quando aparecem reclamações.
Reguladores precisam acompanhar cobertura, atendimento, qualidade das obras e sustentabilidade econômico-financeira.
Gestores de contratos precisam olhar prazo, produtividade e recomposição urbana.
Operadores precisam ser envolvidos enquanto os ativos ainda estão sendo projetados.
E a alta gestão precisa acompanhar não somente CAPEX executado, mas o resultado final produzido por esse investimento.
É justamente essa integração que separa uma grande obra de infraestrutura de um verdadeiro programa de universalização.
Conclusão: o dinheiro resolve o financiamento, não a universalização
Os R$ 3,08 bilhões associados ao plano de expansão do esgoto em Manaus representam um avanço extraordinariamente relevante para a maior cidade da Amazônia.
O financiamento está estruturado, as obras estão avançando e a cobertura já ultrapassou o patamar registrado quando o projeto foi anunciado. A meta de 90% em 2033 aproxima Manaus do padrão estabelecido pelo Marco Legal do Saneamento, que exige 99% de atendimento com água e 90% com coleta e tratamento de esgoto.
Mas o maior aprendizado para o setor talvez seja outro.
Universalizar não significa construir quilômetros de rede.
Significa fazer o esgoto sair do imóvel, entrar corretamente no sistema, atravessar redes e elevatórias confiáveis, chegar à estação, ser tratado dentro dos padrões, retornar ao meio ambiente em condições adequadas e produzir melhoria ambiental perceptível à população.
O financiamento torna essa transformação possível.
A engenharia, a operação, a regulação, a gestão comercial, o relacionamento com clientes e a competência dos profissionais serão responsáveis por fazê-la realmente acontecer.
E será justamente essa capacidade de transformar bilhões investidos em resultados operacionais e ambientais que determinará se Manaus chegará a 2033 apenas com uma infraestrutura muito maior — ou com uma cidade efetivamente mais saneada.
Fontes e referências
BNDES — Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
“Com R$ 1,5 bi, BNDES apoia plano para universalizar cobertura de esgoto em Manaus”
3 de fevereiro de 2025; atualização em 15 de maio de 2026.
Acessar fonte do BNDES
BNC Amazonas
“BNDES financia saneamento, balsas e aeroportos no Amazonas”
10 de setembro de 2026.
Acessar reportagem original
Federação das Indústrias do Estado do Amazonas — FIEAM
“FIEAM aproxima setor produtivo do BNDES em busca de crédito para indústria e desenvolvimento do Amazonas”
10 de setembro de 2026.
Acessar publicação da FIEAM
Águas de Manaus
“Esgotamento Sanitário” — dados atuais do sistema, cobertura, redes e unidades operacionais.
Acessar informações da concessionária
Águas de Manaus
“Trata Bem Manaus: Águas de Manaus lança programa com foco na universalização do serviço de esgoto”
Acessar informações sobre o Trata Bem Manaus
Prefeitura de Manaus / Ageman
“Manaus deve fechar o ano com aproximadamente 40% de cobertura do serviço de esgotamento sanitário”
26 de setembro de 2025.
Acessar publicação oficial
Prefeitura de Manaus / Ageman
“Ageman amplia fiscalização em 2025”
Balanço de notificações, autos de infração e fiscalização das obras de esgotamento.
Acessar balanço da Ageman
Plano Municipal de Saneamento Básico de Manaus
Diagnóstico e Prognóstico de Esgotamento Sanitário — programas de interceptação, ligações, sub-bacias, elevatórias e manutenção.
Acessar documento técnico
Instituto Trata Brasil / GO Associados
Ranking do Saneamento 2026 — dados SINISA, ano-base 2024.
Acessar Ranking do Saneamento 2026
Presidência da República
Lei nº 11.445/2007, atualizada pela Lei nº 14.026/2020 — diretrizes nacionais, universalização e conexão às redes públicas.
Acessar legislação consolidada
Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico — ANA
Norma de Referência nº 8/2024 — metas progressivas e indicadores de universalização.
10 de maio de 2024.
Acessar publicação da ANA
BNDES — Águas do Rio
“BNDES aprova financiamento de R$ 19,3 bilhões aos blocos 1 e 4 do Leilão da Cedae”
12 de dezembro de 2022.
Acessar benchmark brasileiro
EPM — Empresas Públicas de Medellín
“EPM inauguró Aguas Claras, la planta de tratamiento de aguas residuales más grande y moderna del país”
4 de junho de 2019.
Acessar benchmark de Medellín
Banco Mundial
Metro Manila Wastewater Management Project — Implementation Status & Results Report.
Acessar relatório do projeto de Metro Manila
Asian Development Bank — ADB
“ADB Invests $145 Million to Improve Water Infrastructure in the Philippines”
7 de novembro de 2025.
Acessar publicação do ADB



