Um problema originado fora das estações de tratamento de água chegou diretamente à rotina das companhias de saneamento. A escassez nacional de ácido fluossilícico, um dos principais produtos utilizados na fluoretação da água, reduziu estoques, ampliou prazos de entrega e pressionou preços, levando a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) a publicar uma orientação específica aos prestadores no fim de setembro de 2026. (ABES)
A situação merece atenção porque o ácido fluossilícico não é apenas mais um item da lista de produtos químicos de uma ETA. Sua disponibilidade está ligada a uma política pública de prevenção da cárie, amparada por legislação federal. Ao mesmo tempo, sua falta temporária não significa automaticamente que a água deixou de ser potável — desde que todos os demais parâmetros legais de qualidade continuem atendidos. (ABES)
É justamente essa combinação que torna o episódio relevante para gestores: um produto de participação relativamente pequena no custo do tratamento pode gerar um problema operacional, sanitário, jurídico e reputacional muito maior do que seu peso financeiro sugere.
A principal pergunta, portanto, não é apenas onde comprar ácido fluossilícico. É outra: quantas companhias tratam seus insumos químicos críticos com a mesma disciplina aplicada a energia elétrica, reservação, bombas, adutoras e sistemas de automação?
O que aconteceu com o ácido fluossilícico
A Nota Técnica Orientativa publicada pela ABES informa que a cadeia nacional de fornecimento passou por uma situação excepcional associada à interrupção da produção industrial. Como consequência, houve aumento dos prazos de entrega, forte pressão sobre preços e redução dos estoques disponíveis entre prestadores de saneamento. (ABES)
A AESBE, Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento, já discutia a questão desde julho. A entidade relatou ruptura na produção nacional, levantou consumo e demanda entre as associadas e iniciou articulações com órgãos federais, empresas do setor e fornecedores internacionais. A AESBE também relacionou a situação à interrupção do fornecimento nacional em um contexto de elevação internacional do preço do enxofre, matéria-prima relevante para a cadeia industrial da qual o ácido fluossilícico é subproduto. (AESBE)
Esse detalhe é importante.
A fluoretação da água passou a depender, nesse caso, de uma cadeia que não existe exclusivamente para atender ao saneamento. O ácido fluossilícico pode ser obtido como subproduto da indústria de fertilizantes fosfatados. Assim, uma companhia de água pode sofrer consequências de movimentos ocorridos em outro mercado industrial, mesmo mantendo sua ETA perfeitamente operável.
Trata-se de um exemplo clássico de risco de cadeia de suprimentos.
A orientação da ABES: interrupção é exceção
A ABES adota uma posição cuidadosa. A interrupção da fluoretação não deve ser uma escolha administrativa voluntária simplesmente porque o produto ficou mais caro ou mais difícil de adquirir.
Segundo a Nota Técnica, uma eventual interrupção deve estar associada à indisponibilidade comprovada de produto adequado e devidamente qualificado, com registro das tentativas de aquisição e comunicação aos órgãos competentes. (ABES)
A orientação inclui controle dos estoques e da autonomia restante, documentação dos processos de compra, comunicação à Vigilância Sanitária, à entidade reguladora e ao titular do serviço, além de informação transparente à população.
Quando o fornecimento for restabelecido, a retomada também não deve ser automática. É preciso verificar produto, concentração, condições de armazenamento, sistema de dosagem e calibração dos equipamentos. A ABES recomenda ainda intensificar inicialmente o monitoramento da concentração de fluoreto. (ABES)
Essa sequência aparentemente simples revela uma importante lição de gestão: a crise começa antes de o tanque ficar vazio e termina depois que o caminhão volta a entregar o produto.
Fluoretação da água: o que realmente está em jogo
A fluoretação consiste na adição controlada de compostos de flúor à água tratada para manter uma concentração capaz de contribuir para a prevenção da cárie dentária.
Ela normalmente ocorre nas etapas finais do tratamento. Isso significa que deve ser diferenciada de processos cuja interrupção pode comprometer imediatamente a segurança microbiológica da água, como a desinfecção.
Por isso, a ABES ressalta que a falta temporária da adição de fluoreto, isoladamente, não caracteriza perda automática da potabilidade, desde que os demais requisitos de qualidade previstos na legislação continuem atendidos. (ABES)
Essa distinção precisa chegar também ao atendimento ao cliente.
Uma comunicação mal elaborada dizendo simplesmente que “a ETA ficou sem produto químico” pode ser interpretada pela população como se estivesse sendo distribuída água sem tratamento. Não é isso que a orientação técnica afirma.
Ao mesmo tempo, minimizar a interrupção seria igualmente inadequado.
O Ministério da Saúde destaca a fluoretação como estratégia de saúde pública e aponta que seus benefícios dependem da continuidade e da manutenção de concentrações adequadas. A edição de 2026 do Guia de Recomendações para o Uso de Fluoretos no Brasil indica que faixas em torno de 0,6 a 0,9 mg/L são utilizadas como referência de benefício e risco conforme condições regionais, enquanto o valor máximo permitido para fluoreto na água para consumo humano é de 1,5 mg/L. (Biblioteca Virtual em Saúde MS)
Portanto, dois erros precisam ser evitados: transformar uma interrupção temporária em uma falsa crise de potabilidade ou tratá-la como evento sem relevância sanitária.
O benefício não desaparece de um dia para o outro — mas a continuidade importa
Um dos cuidados editoriais e técnicos necessários ao analisar essa crise é evitar alarmismo.
Não há fundamento para afirmar que alguns dias de interrupção produzirão imediatamente uma explosão de casos de cárie. O efeito da fluoretação é populacional e cumulativo.
Entretanto, a literatura reunida pelo Ministério da Saúde mostra que a ausência prolongada da medida reduz sua proteção ao longo do tempo. O Guia de 2026 destaca estudos brasileiros e internacionais que encontram menor ocorrência de cárie em populações expostas à água adequadamente fluoretada, mesmo na era de ampla utilização de creme dental com flúor. (Biblioteca Virtual em Saúde MS)
O próprio documento cita estimativas brasileiras segundo as quais populações privadas da fluoretação podem apresentar indicadores de cárie significativamente piores após períodos prolongados. Esses números, entretanto, não devem ser usados para prever o efeito de uma interrupção de poucos dias ou semanas, porque refletem exposições de duração muito maior. (Biblioteca Virtual em Saúde MS)
Para o gestor de saneamento, a mensagem é mais simples: existe diferença enorme entre uma contingência curta, documentada e rapidamente solucionada e uma perda recorrente de continuidade que passa a fazer parte da operação normal.
O que a legislação brasileira estabelece
A base normativa da fluoretação da água no Brasil remonta à Lei Federal nº 6.050, de 24 de maio de 1974, regulamentada pelo Decreto nº 76.872/1975. Posteriormente, a Política Nacional de Saúde Bucal, instituída pela Lei nº 14.572/2023, reforçou a previsão de implementação e manutenção da vigilância sanitária da fluoretação das águas de abastecimento público. (Planalto)
A Portaria GM/MS nº 888/2021 integra o arcabouço de controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano. Para sistemas que realizam fluoretação ou desfluoretação, o controle do parâmetro fluoreto na saída do tratamento possui frequência definida na norma. (BVS Saúde)
Isso gera uma consequência importante durante a crise de insumos: a Nota Técnica da ABES não substitui a legislação nem cria uma dispensa automática da obrigação de fluoretar.
Ela estabelece uma orientação de como o prestador deve agir diante de uma situação excepcional e comprovada.
Essa diferença jurídica é relevante. Entidades do setor chegaram a solicitar ao Ministério da Saúde medidas temporárias diante da indisponibilidade do produto e preocupação com eventual responsabilização dos prestadores. A AESBE e a ABCON SINDCON levaram o tema formalmente ao Ministério em julho de 2026, alertando que a normalização da produção nacional ou das importações poderia levar meses. (AESBE)
Pedido setorial, entretanto, não deve ser confundido com autorização geral.
Como companhias brasileiras estão reagindo
Os efeitos da crise já aparecem em situações concretas.
Em Santa Catarina, o SAMAE de Tijucas informou que o estoque de produto para fluoretação se esgotou temporariamente em alguns sistemas. Segundo comunicado da autarquia, a adição deixou de ocorrer no sistema de Itinga a partir de 25 de setembro e nos sistemas Oliveira e Nova Descoberta a partir de 26 de setembro de 2026. Os demais processos de tratamento continuaram sendo executados e a autarquia informou que mantinha o monitoramento da água enquanto trabalhava para restabelecer o fornecimento. (Samae Tijucas)
O caso torna a crise concreta. Não se trata apenas de uma discussão entre associações, fornecedores e ministérios.
No Paraná, documentos públicos da Sanepar mostram movimentação relevante para aquisição do produto. Um processo homologado em 22 de setembro envolveu 342 mil quilos de ácido fluossilícico fornecidos em bombonas, no valor de R$ 4,104 milhões. Outros processos de aquisição foram publicados no mesmo período, inclusive com diferentes quantidades e modalidades de fornecimento. (Sanepar Licitações)
O valor desse contrato não deve ser tratado como preço nacional de referência. Condições de embalagem, quantidade, transporte, local de entrega e especificações contratuais alteram significativamente a comparação entre aquisições.
Mas o exemplo mostra outra lição: em uma crise de suprimentos, flexibilidade logística pode ser tão importante quanto preço.
Comprar a granel, em contêineres ou em bombonas pode exigir estratégias diferentes de transporte, armazenamento, descarga e dosagem.
Trocar de produto parece simples. Na prática, não é
Quando falta um insumo químico, a primeira reação intuitiva pode ser procurar outro composto capaz de entregar o mesmo elemento ativo.
Existem diferentes produtos utilizados internacionalmente para fluoretação, entre eles ácido fluossilícico, fluoreto de sódio e fluossilicato de sódio. (CDC)
Mas uma ETA não deve tratar esses produtos como peças intercambiáveis.
A ABES alerta que alterações de composto ou de concentração podem exigir mudanças nos sistemas de armazenamento e dosagem, revisão de procedimentos e capacitação dos operadores. Além disso, qualquer produto utilizado precisa atender aos requisitos técnicos e documentais aplicáveis. (ABES)
A quantidade adicionada também muda conforme concentração e características químicas do produto.
Portanto, improvisar uma substituição para evitar uma interrupção formal pode produzir um risco maior do que a própria contingência.
É justamente nessas situações que o conhecimento da equipe de operação ganha importância. Engenheiros, químicos, operadores e profissionais de segurança precisam avaliar compatibilidade de materiais, bombas dosadoras, tanques, tubulações, condições de recebimento e proteção ocupacional antes de uma mudança.
O benchmark internacional: controle não termina na bomba dosadora
Os Estados Unidos oferecem um benchmark interessante principalmente na gestão e rastreabilidade.
O Centers for Disease Control and Prevention (CDC) mantém o Water Fluoridation Reporting System, utilizado para acompanhar informações dos sistemas públicos de abastecimento. O modelo combina dados operacionais, medições de fluoreto e informações de controle, criando uma estrutura padronizada de acompanhamento. (CDC)
O CDC também recomenda medição rotineira pelos sistemas e verificação periódica por laboratórios certificados, além de disponibilizar treinamento específico sobre operação, aditivos, segurança e supervisão de programas de fluoretação. (CDC)
O aprendizado para o Brasil não está em copiar integralmente um modelo estrangeiro.
Está na lógica gerencial.
Um bom sistema de fluoretação da água precisa acompanhar simultaneamente concentração na água, desempenho da dosagem, conformidade do produto, qualificação do operador e disponibilidade de estoque.
A crise brasileira acrescenta agora uma sexta variável: risco de abastecimento do insumo.
Pequeno peso no custo, grande impacto na gestão
O Guia do Ministério da Saúde de 2026 apresenta estudos econômicos segundo os quais a fluoretação historicamente representou uma parcela muito pequena do custo total de tratamento, especialmente em sistemas de maior porte. Estudos citados no documento apontaram proporções entre aproximadamente 0,2% e 0,6% do custo do tratamento em municípios com mais de 30 mil habitantes. (Biblioteca Virtual em Saúde MS)
Esses percentuais derivam de estudos anteriores e não representam os preços do ácido fluossilícico durante a crise de 2026.
Ainda assim, revelam uma aparente contradição extremamente útil para gestores: baixo peso financeiro não significa baixa criticidade operacional.
Quando uma companhia classifica seus materiais apenas pelo valor gasto, pode deixar um produto crítico fora dos níveis mais elevados de governança de suprimentos.
O ácido fluossilícico mostra por que matrizes de criticidade precisam considerar não apenas despesa, mas prazo de reposição, concentração de fornecedores, possibilidade de substituição, exigência regulatória, impacto sobre saúde pública e dificuldade logística.
Impactos para as empresas de saneamento
Operacionalmente, o primeiro impacto é óbvio: a autonomia dos estoques passa a condicionar a continuidade da fluoretação. Mas os efeitos se espalham por praticamente toda a organização.
Compras e suprimentos precisam localizar fornecedores, analisar documentação, antecipar processos e avaliar alternativas de transporte. Operação precisa saber exatamente quantos dias de produto ainda existem. Laboratórios precisam manter o controle de qualidade. Regulação e jurídico devem acompanhar os registros e as comunicações formais.
Ao mesmo tempo, atendimento, comunicação e áreas comerciais precisam explicar a situação aos clientes sem gerar uma percepção equivocada sobre a qualidade da água.
Financeiramente, podem surgir aumento de preço, fretes diferenciados, importações, mudança de embalagem e necessidade de adaptações temporárias ou permanentes.
E há um impacto menos visível: confiança.
Se a comunicação ocorrer apenas quando o produto acabar, a companhia estará explicando uma crise. Se ocorrer dentro de um plano de contingência previamente estruturado, estará demonstrando gestão.
O que gestores e profissionais devem observar
A própria Nota Técnica da ABES pode ser transformada em um roteiro gerencial. Para companhias que desejam ir além da resposta imediata, sete ações merecem atenção:
- Transformar estoque em dias de autonomia. Saber que existem 15 toneladas no tanque diz pouco sem conhecer o consumo médio diário e a data provável de ruptura. A ABES trabalha inclusive com referências de alerta associadas à autonomia.
- Definir níveis de alerta antes da crise. Compras não deveria começar quando o estoque chega ao mínimo operacional. Prazos de licitação, fabricação, transporte e qualificação precisam entrar no cálculo.
- Pré-qualificar fornecedores e alternativas. A crise é o pior momento para descobrir quais documentos, certificações ou adaptações são necessários para utilizar outro produto.
- Criar rastreabilidade das tentativas de aquisição. E-mails, licitações, consultas de mercado, respostas de fornecedores, preços e prazos devem integrar um único histórico de contingência.
- Desenhar previamente o fluxo de comunicação. Vigilância Sanitária, regulador, titular, gestão interna e população precisam receber informações coerentes, tecnicamente corretas e no momento adequado.
- Planejar a retomada como uma operação específica. Produto novo ou fornecedor diferente exige confirmação de concentração, compatibilidade, recalibração e monitoramento reforçado.
- Tratar produtos químicos críticos como risco corporativo. O painel da alta gestão deveria enxergar autonomia de insumos essenciais da mesma forma que acompanha níveis de reservatórios, energia e continuidade operacional.
O que pode dar errado
O maior erro talvez seja acreditar que o problema pertence exclusivamente à área de suprimentos.
Se compras descobrir a escassez sem que operação conheça a autonomia real, haverá perda de tempo. Se operação substituir o produto sem engenharia e segurança, poderá criar riscos técnicos. Se o jurídico souber da contingência somente depois de uma fiscalização, a documentação provavelmente será incompleta.
Outro erro é tentar resolver a crise por meio de produtos sem a qualificação necessária.
A ABES é explícita ao recomendar que não sejam utilizados produtos químicos sem documentação, qualificação e certificação adequadas. (ABES)
Também seria inadequado constituir estoques excessivos sem análise da infraestrutura. O ácido fluossilícico é um produto que exige instalações apropriadas, segurança operacional e controle no armazenamento.
A resposta correta, portanto, não é simplesmente “comprar muito mais”.
É dimensionar estoque de segurança de acordo com consumo, prazo de reposição, capacidade física, risco de mercado e estratégia de contingência.
Uma oportunidade pouco percebida: digitalizar o risco de insumos
A crise abre espaço para uma aplicação relativamente simples de tecnologia.
Muitas companhias já possuem centros de controle que acompanham pressão, vazão, reservatórios, bombeamento, cloro residual e consumo de energia em tempo real.
O mesmo raciocínio pode ser aplicado à cadeia de químicos.
Um painel corporativo poderia integrar nível do tanque, consumo médio, dias de autonomia, pedidos emitidos, prazo previsto de entrega, situação de fornecedores e classificação de risco.
Com histórico suficiente, modelos analíticos poderiam ainda detectar aumento de consumo, atraso recorrente de fornecedores ou tendência de redução da autonomia.
Não é necessário começar com inteligência artificial.
A primeira inovação é transformar estoque em informação de decisão.
O setor também precisa discutir resiliência de fornecedores
Existe ainda uma dimensão maior.
Se um produto usado em uma política nacional de saúde pública depende de uma cadeia produtiva vulnerável a paralisações industriais e flutuações de outro mercado, a discussão deixa de ser exclusivamente empresarial.
A atuação conjunta da AESBE, ABCON SINDCON, Ministério da Saúde, Ministério das Cidades, órgãos de governo e potenciais fornecedores internacionais sinaliza que a solução pode exigir coordenação setorial. (AESBE)
Isso pode estimular debates sobre diversificação de fornecedores, mecanismos de importação, estoques estratégicos, contratação conjunta, padronização de requisitos técnicos e alternativas tecnológicas.
Não significa que todas essas medidas sejam necessariamente economicamente vantajosas.
Significa que o custo da resiliência precisa ser comparado ao custo da interrupção.
Lições para quem trabalha no saneamento
A crise do ácido fluossilícico ensina algo que vale para muito além da fluoretação da água.
Uma ETA é uma combinação de infraestrutura, energia, pessoas, produtos químicos, laboratórios, sistemas de controle e cadeias logísticas. A instalação pode estar em perfeito estado e, ainda assim, uma dependência externa interromper uma etapa do processo.
Isso amplia o papel do profissional de saneamento.
Conhecer apenas a dosagem já não é suficiente. É preciso entender autonomia, especificação do produto, cadeia de fornecedores, normas, riscos, contratos, comunicação e contingência.
Da mesma forma, a capacidade do gestor não pode ser medida apenas pela reação quando o estoque chega ao fim. Gestão madura é identificar a vulnerabilidade enquanto ainda existe tempo para agir.
Nesse aspecto, o episódio valoriza competências que muitas vezes permanecem pouco visíveis: o operador que percebe variações de consumo, o químico que rejeita um produto inadequado, o comprador que identifica um fornecedor alternativo, o laboratório que garante rastreabilidade, o engenheiro que avalia a adaptação de dosagem e o gestor que transforma todas essas informações em uma decisão coordenada.
Conclusão: a crise deixa uma pergunta para cada ETA
A atual pressão sobre a fluoretação da água não deve ser analisada apenas como uma falta temporária de ácido fluossilícico.
Ela expõe uma fragilidade de gestão de risco.
A ABES oferece uma resposta imediata tecnicamente consistente: comprovar a indisponibilidade, registrar estoques e tentativas de compra, comunicar autoridades, preservar os demais controles de qualidade, evitar improvisações, informar a população corretamente e restabelecer a fluoretação assim que houver produto adequado. (ABES)
Mas a principal oportunidade aparece depois da contingência.
Companhias de saneamento podem revisar quais produtos químicos realmente são críticos, quantos dias de autonomia possuem, quanto tempo precisam para repô-los, quantos fornecedores estão qualificados e quais adaptações seriam necessárias para utilizar alternativas.
A crise de 2026 mostra que segurança operacional não termina na saída da ETA.
Ela começa muito antes, na cadeia de suprimentos.
E talvez a pergunta mais importante para cada gestor seja extremamente simples: se amanhã outro insumo essencial deixar de chegar, quantos dias a operação tem para encontrar uma solução?
Responder a essa pergunta antes da próxima ruptura pode valer muito mais do que qualquer compra emergencial.
Fontes e referências
ABES — Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental
Fluoretação da água: ABES orienta prestadores diante da falta de insumo
30 de setembro de 2026.
Acessar publicação da ABES
ABES — Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental
Nota Técnica Orientativa — Fluoretação da água: orientações aos prestadores diante da indisponibilidade temporária de ácido fluossilícico
Agosto de 2026.
Acessar Nota Técnica da ABES
AESBE — Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento
Câmara Técnica de Logística e Suprimentos debate crise no fornecimento de produtos químicos para tratamento de água
9 de julho de 2026.
Acessar publicação da AESBE
AESBE — Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento
Aesbe e Abcon levam ao Ministério da Saúde preocupação com escassez de ácido fluossilícico
26 de julho de 2026.
Acessar publicação da AESBE
AESBE — Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento
Publicação sobre a interrupção do fornecimento nacional de ácido fluossilícico e os efeitos da alta internacional do enxofre.
21 de julho de 2026.
Acessar publicação da AESBE
Ministério da Saúde
Guia de Recomendações para o Uso de Fluoretos no Brasil — 2ª edição
2026.
Acessar o Guia do Ministério da Saúde
Presidência da República
Lei nº 6.050, de 24 de maio de 1974 — dispõe sobre a fluoretação da água em sistemas de abastecimento
24 de maio de 1974.
Acessar a Lei nº 6.050/1974
Presidência da República
Lei nº 14.572, de 8 de maio de 2023 — institui a Política Nacional de Saúde Bucal
8 de maio de 2023.
Acessar a Lei nº 14.572/2023
Ministério da Saúde
Portaria GM/MS nº 888, de 4 de maio de 2021 — procedimentos de controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano
4 de maio de 2021.
Acessar a Portaria GM/MS nº 888/2021
Sanepar — Companhia de Saneamento do Paraná
Processo de aquisição de 342 mil kg de ácido fluossilícico em bombonas — Pregão Eletrônico nº 1426/2026.
Homologado em 22 de setembro de 2026.
Consultar processo da Sanepar
SAMAE Tijucas
Comunicado — Fluoretação da água
Informação sobre interrupção temporária da adição de fluoreto em sistemas do município em setembro de 2026.
Acessar comunicado do SAMAE
Centers for Disease Control and Prevention — CDC
Water Fluoridation Data and Statistics
15 de maio de 2024.
Acessar dados e orientações do CDC
Centers for Disease Control and Prevention — CDC
Water Fluoridation Reporting System — WFRS
Informações sobre monitoramento, registro e controle da fluoretação nos Estados Unidos.
Acessar informações sobre o WFRS
Centers for Disease Control and Prevention — CDC
Fluoridation Learning Online
Recursos técnicos e treinamento para operadores e gestores de programas de fluoretação.
Acessar recursos de capacitação do CDC



