Redução de perdas de água avança em Piracicaba

Piracicaba instala 739 novos registros na rede de água

O Programa de Redução de Perdas desenvolvido pelo Semae de Piracicaba alcançou uma etapa importante. Até 29 de julho de 2026, o município havia concluído a instalação de 739 novos registros em diferentes regiões da cidade.

O número representa 73,9% da meta de implantação de 1.000 equipamentos. Portanto, ainda restavam 261 registros para a conclusão dessa etapa do projeto.

A iniciativa faz parte de um investimento de aproximadamente R$ 9 milhões, que não contempla apenas a colocação dos registros. O contrato também inclui a substituição de equipamentos antigos, a setorização da rede e a instalação de Válvulas Reguladoras de Pressão, conhecidas pela sigla VRP. (Portal do Município de Piracicaba⁠)

A redução de perdas de água em Piracicaba ganha relevância porque o município ainda apresenta indicadores elevados. Dados do SINISA 2024 apontam índice de perdas na distribuição de 50,9%, enquanto documentos mais recentes do planejamento municipal trabalham com um patamar de aproximadamente 54,4%. A diferença pode estar relacionada ao ano de referência, à atualização dos volumes e à metodologia utilizada em cada levantamento. (Semae Piracicaba⁠)

O que são os registros instalados na rede?

Os registros são equipamentos utilizados para abrir, fechar ou controlar a passagem da água em determinados trechos da rede de distribuição. Na prática, funcionam como pontos de isolamento hidráulico.

Quando uma tubulação rompe ou apresenta vazamento, o fechamento dos registros permite interromper o abastecimento somente na área necessária para a manutenção. Entretanto, quando existem poucos equipamentos, quando sua localização não está cadastrada ou quando os registros não vedam corretamente, uma área muito maior pode precisar ficar sem água.

Além disso, registros antigos podem apresentar corrosão, travamento, vazamento e falhas de vedação. Em algumas situações, o operador acredita ter isolado um trecho, porém a água continua passando pelo equipamento. Consequentemente, a escavação permanece alagada, o reparo demora mais e o volume perdido aumenta.

Em Piracicaba, parte dos novos equipamentos está substituindo registros de manobra antigos e danificados. Essa atualização cria condições para que a redução de perdas de água seja acompanhada por melhorias na operação e na manutenção da rede.

Setorização divide a rede em áreas menores

A instalação dos registros está diretamente ligada à setorização do sistema de abastecimento. A setorização consiste na divisão de uma rede extensa e complexa em áreas hidráulicas menores, com pontos de entrada e saída conhecidos.

Em vez de operar a cidade como uma grande malha interligada e difícil de controlar, o prestador passa a administrar setores menores. Cada setor pode apresentar características diferentes de consumo, pressão, vazão, altitude, quantidade de ligações e estado das tubulações.

Dessa forma, a equipe consegue comparar o volume de água que entra no setor com o consumo registrado pelos hidrômetros. Quando a diferença aumenta de forma anormal, pode existir vazamento, fraude, erro cadastral, submedição ou alguma falha operacional.

A setorização também reduz o impacto das manutenções. O próprio Semae apresentou o exemplo de uma ocorrência na avenida Cruzeiro do Sul. Sem a divisão adequada da rede, grande parte do bairro Nova Piracicaba poderia ter o abastecimento interrompido. Com os novos setores, a paralisação pode ficar limitada a apenas algumas ruas próximas ao problema. (Portal do Município de Piracicaba⁠)

Assim, a redução de perdas de água passa a gerar benefícios que vão além da economia do recurso hídrico. A estratégia melhora a continuidade do abastecimento, diminui o número de consumidores afetados e facilita a atuação das equipes de campo.

Qual é a função das válvulas reguladoras de pressão?

As Válvulas Reguladoras de Pressão são instaladas em pontos estratégicos para manter a pressão da rede dentro de limites operacionais adequados.

Em áreas mais baixas, por exemplo, a pressão tende a ser maior devido à diferença de altitude. Caso não exista controle, essa pressão elevada aumenta o volume perdido pelos vazamentos e eleva o esforço sobre tubulações, conexões, ramais, registros e demais componentes.

As VRPs reduzem a pressão de entrada e mantêm uma pressão de saída mais estável. Dependendo do projeto, a regulagem pode ser fixa, variável conforme o horário ou comandada por sistemas eletrônicos.

Entretanto, o controle não significa simplesmente baixar a pressão de toda a rede. A operação precisa garantir pressão suficiente para atender imóveis, reservatórios, pontos mais altos e situações de maior demanda.

Referências técnicas da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos destacam que o gerenciamento de pressão deve considerar pressões mínimas e máximas em diferentes condições de consumo. A medida pode contribuir para reduzir perdas, rompimentos, consumo de energia e riscos relacionados à operação da rede. (US EPA⁠)

Por isso, a instalação das VRPs fortalece o programa de redução de perdas de água, mas exige estudos hidráulicos, monitoramento, manutenção preventiva e acompanhamento dos indicadores.

Perdas de água em Piracicaba continuam elevadas

Dados baseados no SINISA 2024 indicam que Piracicaba apresentava índice de perdas na distribuição de 50,9%. No mesmo levantamento, a média do estado de São Paulo era de 33,6%, enquanto a média brasileira aparecia em 36,2%. (IAS – Instituto Água e Saneamento⁠)

O Plano Municipal de Saneamento Básico adotou como referência um indicador atualizado de 54,4% e estabeleceu metas progressivas. A previsão é atingir 39,3% até 2029 e 25% até 2033. (Semae Piracicaba⁠)

Apesar de percentuais serem importantes para comunicação e planejamento, a gestão técnica não deve utilizar apenas esse indicador. O percentual pode variar conforme o consumo da população, mesmo quando o volume físico perdido permanece praticamente igual.

Por esse motivo, a redução de perdas de água também deve ser acompanhada por indicadores como:

  • Litros perdidos por ligação por dia;
  • Perdas em metros cúbicos por quilômetro de rede;
  • Vazão mínima noturna;
  • Número de rompimentos por quilômetro;
  • Tempo médio de reparo;
  • Pressão média e pressão máxima dos setores;
  • Volume de água produzido;
  • Volume macromedido;
  • Volume micromedido;
  • Consumo autorizado não faturado;
  • Índice de perdas de faturamento;
  • Custo da água produzida e não recuperada.

Essa combinação permite identificar se a melhoria ocorreu por redução real de vazamentos ou apenas por alteração no consumo e nos volumes utilizados no cálculo.

Instalação de registros não resolve o problema isoladamente

A implantação de 1.000 registros representa uma ação estruturante. No entanto, somente a presença física dos equipamentos não garante a redução de perdas de água.

Para que o investimento produza resultados, os setores precisam estar corretamente delimitados. Além disso, os registros devem apresentar vedação adequada, permanecer acessíveis e ter sua localização atualizada no cadastro técnico.

Também é necessário instalar macromedidores nas entradas dos setores. Sem a medição do volume fornecido, torna-se difícil calcular o balanço hídrico de cada área e identificar onde estão as maiores perdas.

Por outro lado, a leitura dos dados deve ser contínua. Sistemas de telemetria podem enviar informações de vazão e pressão para um Centro de Controle Operacional. Desse modo, alterações bruscas podem gerar alarmes e direcionar equipes para investigação.

O Ministério das Cidades destaca que programas de controle de perdas precisam integrar balanço hídrico, controle de pressão, gerenciamento de dados, indicadores de desempenho e análise econômica dos projetos. (Serviços e Informações do Brasil⁠)

Portanto, a setorização deve trabalhar em conjunto com pesquisa de vazamentos não visíveis, substituição de redes, controle de pressão, atualização cadastral, gestão de hidrômetros e combate a irregularidades.

Evolução das instalações mostra ganho de ritmo

Em agosto de 2025, aproximadamente 80 registros já tinham sido instalados, beneficiando inicialmente 15 bairros. Em 16 de junho de 2026, o total havia chegado a 675 equipamentos. Posteriormente, em 29 de julho, foram contabilizados 739 registros. (Portal do Município de Piracicaba⁠)

Entre 16 de junho e 29 de julho de 2026, foram instalados outros 64 equipamentos. O avanço demonstra continuidade das obras, embora o resultado final dependa da conclusão dos setores e da entrada efetiva das estruturas em operação.

Além disso, o projeto possui duração contratual de dois anos. A execução precisa considerar escavações, condições das redes existentes, profundidade das tubulações, interferências com outros serviços, sinalização, recomposição do pavimento e impactos temporários no abastecimento.

Consequentemente, o acompanhamento da redução de perdas de água não deve observar apenas a quantidade de registros instalados. Deve-se verificar quantos setores foram efetivamente concluídos, testados, medidos e incorporados à rotina operacional.

Investimento não pode ser dividido apenas pela quantidade de registros

O investimento divulgado é de aproximadamente R$ 9 milhões. Entretanto, não seria tecnicamente correto dividir esse valor por 1.000 e concluir que cada registro custa R$ 9 mil.

O contrato envolve diferentes atividades, como fornecimento de materiais, mobilização de equipes, escavação, instalação, substituição de registros antigos, implantação de VRPs, testes, sinalização, recomposição de vias e outras intervenções necessárias à setorização.

Além disso, os equipamentos podem apresentar diâmetros, materiais, classes de pressão e condições de instalação diferentes. Um registro instalado em uma tubulação de pequeno diâmetro possui custo muito diferente de um equipamento aplicado em uma rede de maior porte.

A análise econômica da redução de perdas de água precisa comparar o investimento com os benefícios gerados ao longo da vida útil do projeto. Entre os ganhos potenciais estão a economia de energia, produtos químicos, mão de obra emergencial e água bruta captada.

Também podem ocorrer redução dos rompimentos, melhoria da receita, diminuição das reclamações e adiamento de investimentos para ampliar a produção de água.

O Banco Mundial destaca que a gestão da água não faturada pode melhorar a prestação do serviço, fortalecer o desempenho financeiro, reduzir o consumo de energia e aumentar a resiliência das cidades. (World Bank Blogs⁠)

Piracicaba combina setorização com outros investimentos

O programa de registros faz parte de um conjunto maior de investimentos realizados pelo município. Entre 2025 e 2026, os investimentos próprios em saneamento ultrapassaram R$ 120 milhões, segundo informações divulgadas pela administração municipal.

As ações incluem modernização de estações de tratamento, novas adutoras, construção de reservatórios, substituição de redes antigas, ampliação da ETA Capim Fino e implantação de sistemas inteligentes de controle operacional. (Portal do Município de Piracicaba⁠)

Na região de Santa Teresinha, por exemplo, está prevista a substituição de 19,7 quilômetros de redes e adutoras, além de mais de 2.000 ramais domiciliares. O investimento informado é de R$ 25,3 milhões, com cerca de 80 mil moradores beneficiados.

Também foram anunciadas obras na Vila Independência, com investimento de R$ 17,26 milhões e previsão de atendimento a aproximadamente 90 mil moradores. (Portal do Município de Piracicaba⁠)

Essa integração é fundamental porque uma estratégia sustentável de redução de perdas de água não depende de uma única solução. Redes deterioradas precisam ser substituídas, vazamentos precisam ser localizados rapidamente e os volumes precisam ser medidos com confiabilidade.

Quais resultados devem ser acompanhados pelo Semae?

Após a conclusão das instalações, o Semae deverá acompanhar resultados operacionais antes e depois das intervenções. A comparação permitirá verificar se os novos setores estão entregando os benefícios esperados.

Entre os principais resultados estão:

  1. Redução da vazão mínima noturna;
  2. Diminuição da pressão média sem prejudicar o abastecimento;
  3. Redução do número de rompimentos;
  4. Menor tempo para localizar vazamentos;
  5. Menor quantidade de consumidores afetados durante manutenções;
  6. Redução do volume distribuído por ligação;
  7. Diminuição das reclamações por falta de água;
  8. Redução do custo de energia por metro cúbico;
  9. Aumento do volume de água faturado;
  10. Redução das perdas reais e aparentes.

Piracicaba já registrou redução de 54% nas reclamações por falta de água ao comparar o primeiro semestre de 2024 com o mesmo período de 2026. Foram 2.773 ocorrências no primeiro semestre de 2024, 2.130 em 2025 e 1.278 em 2026. (Portal do Município de Piracicaba⁠)

Embora esse indicador não comprove isoladamente a redução das perdas físicas, ele demonstra uma melhoria percebida na continuidade do abastecimento e na prestação do serviço.

O que o projeto ensina aos profissionais do saneamento?

A experiência de Piracicaba reforça que a redução de perdas de água deve ser tratada como um programa permanente, e não como uma obra isolada.

Primeiramente, torna-se necessário conhecer a rede. Em seguida, deve-se atualizar o cadastro, definir setores, instalar registros confiáveis, implantar macromedição e controlar as pressões.

Posteriormente, os dados precisam ser integrados ao planejamento operacional. Setores com aumento de vazão noturna devem receber pesquisa de vazamentos. Áreas com recorrência de rompimentos devem ser priorizadas nos planos de substituição de redes.

Da mesma forma, os gestores comerciais devem acompanhar hidrômetros, consumos não autorizados, ligações inativas, inconsistências cadastrais e volumes não faturados. Afinal, nem toda perda registrada no balanço ocorre por vazamento.

Por fim, a comunicação com a população também se torna indispensável. As instalações podem exigir interrupções temporárias, escavações e mudanças na rotina das ruas. A divulgação antecipada reduz reclamações e melhora a compreensão sobre a importância das intervenções.

Redução de perdas exige continuidade e gestão de dados

A instalação de 739 novos registros demonstra um avanço concreto na modernização da rede de Piracicaba. Entretanto, o maior desafio será transformar os equipamentos em resultados mensuráveis.

A redução de perdas de água dependerá da conclusão dos setores, da instalação das VRPs, da macromedição, do monitoramento de pressão, da pesquisa de vazamentos e da manutenção adequada dos ativos.

Com indicadores superiores a 50%, o município ainda possui um caminho relevante até alcançar a meta de 25%. Contudo, a combinação entre setorização, renovação das redes, controle operacional e planejamento de longo prazo cria uma base técnica capaz de melhorar a eficiência do abastecimento.

Mais do que instalar registros, Piracicaba está implantando pontos de controle que poderão tornar a rede mais conhecida, previsível e gerenciável. Esse é um dos princípios fundamentais para qualquer programa moderno de redução de perdas de água.

Fontes