O rompimento de adutora em Manaus registrado em 16 de setembro de 2026 deixou um alerta que vai muito além das horas necessárias para reparar uma tubulação. Duas ocorrências na zona Oeste provocaram paralisações no sistema, alterações no trânsito e impactos no abastecimento que, segundo informações preliminares levadas ao Ministério Público do Amazonas, podem ter alcançado cerca de 157 localidades, em diferentes intensidades.
Uma das tubulações rompidas, localizada na avenida Coronel Teixeira, tinha 500 milímetros de diâmetro. O reparo foi concluído na madrugada do dia 17. A manutenção na rua Guanapuri, na região do Ipase/Compensa, terminou na manhã seguinte, e a concessionária informou que a recuperação completa do abastecimento poderia levar até 48 horas após a conclusão dos serviços. (Prefeitura de Manaus)
Mas o problema central não é o tempo de conserto.
O ponto que merece atenção dos profissionais de saneamento é outro: por que rompimentos continuam ocorrendo em um corredor que já possui histórico documentado de falhas e que chegou a ter substituição de adutora prevista em planejamento anterior?
É justamente essa pergunta que agora entrou oficialmente na agenda do Ministério Público.
MP investiga por que os rompimentos se repetem
Em 17 de setembro, o Ministério Público do Amazonas instaurou o Inquérito Civil nº 06.2026.00000841-3 para apurar os rompimentos recorrentes na região da avenida Coronel Teixeira.
A investigação vai além do reparo executado. O MPAM solicitou à Águas de Manaus o histórico das ocorrências, características das tubulações, idade, materiais, vida útil estimada, estado de conservação, investimentos realizados, obras previstas, registros de inspeções e manutenções, análise das causas fundamentais das falhas e o mapa georreferenciado das adutoras da região.
Também foram requisitados o plano de contingência e a relação das localidades e unidades consumidoras afetadas. À Ageman caberá apresentar seus próprios registros e uma avaliação técnica independente sobre causas, qualidade dos reparos e suficiência das medidas adotadas. (MPAM)
Essa abordagem é importante porque existe uma diferença enorme entre causa imediata e causa-raiz.
Uma queda de energia pode explicar o momento em que uma tubulação rompe. Não explica, sozinha, por que determinada tubulação não conseguiu suportar o evento hidráulico.
A hipótese inicial: energia e transitório hidráulico
A Ageman informou que dados preliminares apontavam uma instabilidade no fornecimento de energia no Complexo da Ponta do Ismael.
Segundo a explicação divulgada pela agência, a redução de energia teria alterado o funcionamento das bombas e, com a recuperação da carga, o sistema teria voltado a operar, provocando sobrecarga e rompimentos em tubulações.
Essa ainda é uma hipótese preliminar. Não existe, até a publicação desta reportagem, conclusão técnica definitiva sobre a causa-raiz dos rompimentos. (Prefeitura de Manaus)
Do ponto de vista da engenharia hidráulica, entretanto, uma perturbação elétrica associada à parada, desaceleração ou retomada de bombas pode produzir aquilo que os especialistas chamam de transitório hidráulico.
O termo popularmente conhecido como golpe de aríete descreve oscilações rápidas de pressão provocadas por mudanças bruscas na velocidade da água. Desligamento de bombas, retorno de equipamentos, abertura ou fechamento rápido de válvulas e atuação de válvulas de retenção podem gerar ondas de pressão positivas e negativas que se propagam pela tubulação.
A American Water Works Association destaca justamente o desligamento de bombas e o fechamento rápido de válvulas entre os fenômenos que devem ser avaliados por meio de modelagem de transientes hidráulicos para identificar ondas potencialmente danosas e dimensionar mecanismos de proteção. (American Water Works Association)
Portanto, a pergunta tecnicamente correta não é simplesmente:
“A queda de energia rompeu a adutora?”
A pergunta deveria ser:
“Qual foi o comportamento hidráulico do sistema durante a perturbação elétrica e por que as proteções e a infraestrutura existentes não impediram a ruptura?”
Essa mudança de pergunta altera completamente a investigação.
Dois rompimentos podem indicar um problema sistêmico?
A ocorrência de mais de uma ruptura em uma mesma região após uma perturbação operacional é compatível com a possibilidade de um evento hidráulico sistêmico.
Mas isso ainda não constitui prova.
Uma investigação de causa-raiz precisa separar pelo menos quatro componentes: o evento desencadeador, como a perturbação elétrica; o fenômeno hidráulico decorrente; as vulnerabilidades físicas dos tubos; e o desempenho dos dispositivos destinados a proteger o sistema.
Por exemplo, uma onda de pressão que permaneceria dentro dos limites de projeto de uma tubulação nova pode provocar ruptura em um trecho previamente enfraquecido por corrosão, perda de espessura, juntas deterioradas, fadiga, reparos anteriores, problemas de apoio ou movimentação do solo.
Da mesma maneira, uma adutora estruturalmente íntegra pode falhar caso seja submetida a pressões transitórias superiores às condições consideradas em projeto.
O trabalho técnico consiste justamente em descobrir qual combinação ocorreu.
O histórico muda o nível de preocupação
O histórico da avenida Coronel Teixeira torna a situação particularmente relevante.
Em abril de 2020, relatório da Ageman registrou o rompimento de uma adutora de 1.000 milímetros na avenida Coronel Teixeira, com desabastecimento nas zonas Oeste e Norte.
Em dezembro de 2024, outro rompimento de adutora de grande porte ocorreu no mesmo corredor, exigindo paralisação das duas estações de tratamento de água do Complexo da Ponta do Ismael. Na ocasião, a Prefeitura informou que pelo menos 30% da capital havia sido afetada pelo desabastecimento. (Prefeitura de Manaus)
Em março de 2025 houve nova ocorrência na avenida Coronel Teixeira, desta vez após um blecaute. A própria Ageman classificou publicamente a situação como recorrente e solicitou à concessionária informações sobre os equipamentos de proteção existentes na linha. (Prefeitura de Manaus)
Em maio de 2026, a agência voltou a notificar a Águas de Manaus após novo vazamento envolvendo uma adutora na Coronel Teixeira. (Prefeitura de Manaus)
Ou seja: o rompimento de adutora em Manaus de setembro de 2026 aparece dentro de uma sequência de ocorrências documentadas no mesmo corredor urbano — ainda que os registros não permitam afirmar que todos os eventos ocorreram exatamente na mesma tubulação.
Uma obra já havia sido planejada para a região
Há outro ponto que deverá receber atenção na investigação.
Em janeiro de 2025, durante a apresentação do Plano Anual de Exploração de Serviços de 2025, a Ageman informou que uma das ações prioritárias da Águas de Manaus seria a substituição da adutora da avenida Coronel Teixeira no trecho entre o Porão do Alemão e o Carrefour.
Segundo a publicação oficial, a rede possuía histórico de rompimentos e as obras estavam previstas para começar no segundo semestre de 2025. A concessionária informou, naquele momento, que os insumos necessários já haviam sido adquiridos. (Prefeitura de Manaus)
Na pesquisa realizada para esta reportagem, não foi localizada publicação oficial que permitisse confirmar a conclusão integral daquela substituição antes da ocorrência de setembro de 2026.
Isso não significa que a obra não tenha sido executada, total ou parcialmente. Significa apenas que, com as fontes públicas consultadas, não foi possível estabelecer essa conclusão.
A resposta deverá surgir dos documentos solicitados pelo Ministério Público, que incluem justamente os investimentos, obras e substituições executados ou previstos para o sistema.
Para gestores de saneamento, essa é uma lição importante: um plano de investimento não reduz risco por existir no papel. É necessário conectar planejamento, execução física, atualização cadastral, avaliação pós-obra e reclassificação do risco residual.
Causa-raiz exige reconstruir o evento segundo a segundo
Uma análise robusta do rompimento de adutora em Manaus deveria reconstruir a sequência operacional praticamente segundo a segundo.
Registros do SCADA podem indicar quando a alimentação elétrica oscilou, quais bombas desligaram, quanto tempo permaneceram paradas e em que sequência voltaram a operar. Transmissores de pressão e vazão podem mostrar a amplitude da onda hidráulica. Curvas das bombas e dados de inversores de frequência ou soft-starters ajudam a determinar a velocidade da retomada.
Também devem ser avaliadas válvulas de retenção, ventosas, válvulas de alívio ou antecipadoras de onda, reservatórios hidropneumáticos e demais dispositivos eventualmente existentes.
Depois disso, o modelo hidráulico deve reproduzir o evento observado.
Se uma simulação indicar que o sistema poderia atingir, por exemplo, pressões muito superiores ou inferiores às condições normais de operação, a análise passa a avaliar se os dispositivos de proteção foram corretamente dimensionados, se estavam operacionais e se sua manutenção estava adequada.
A investigação estrutural vem em paralelo: idade da tubulação, material, classe de pressão, espessura de parede, histórico de reparos, corrosão, qualidade das juntas, carregamentos externos e condições do solo.
Sem esse conjunto de evidências, atribuir o acidente exclusivamente à energia elétrica seria prematuro.
Gestão de ativos: parar de esperar o tubo romper
A recorrência também remete a um problema clássico de infraestrutura: manutenção baseada no rompimento.
Em sistemas maduros de gestão de ativos, adutoras críticas são avaliadas pela combinação entre probabilidade de falha e consequência da falha.
Uma tubulação que atende milhares de consumidores, atravessa avenida de tráfego intenso, possui pouca redundância hidráulica e pode atingir imóveis em caso de ruptura deve receber prioridade muito superior a uma rede com consequências pequenas.
A Water Research Foundation desenvolveu trabalhos específicos para linhas de grande diâmetro defendendo justamente a combinação de avaliação de condição, inspeções e decisões de reabilitação ou substituição baseadas em risco. Em pesquisa concluída em 2026, a instituição tratou da monetização das consequências das falhas para apoiar decisões de inspeção, monitoramento e reabilitação. (The Water Research Foundation)
A lógica deixa de ser “qual tubo é mais antigo?” e passa a ser:
“Qual falha representa o maior risco para continuidade, segurança, clientes e patrimônio?”
Manaus já testou tecnologia capaz de simular rompimentos
Existe um aspecto particularmente interessante no próprio histórico de Manaus.
A International Water Association registra que Aegea e a operação de Manaus implantaram, em 2021, um projeto-piloto da plataforma OpenFlows WaterSight no Distrito de Medição e Controle São Jorge, envolvendo aproximadamente 10 mil clientes e 61,4 quilômetros de rede.
A tecnologia integrava informações de SCADA, GIS, modelagem hidráulica e dados comerciais. Entre as aplicações descritas estava justamente a simulação de rompimentos de tubulações, desligamentos de bombas e operações de válvulas, permitindo antecipar impactos e melhorar o tempo de resposta aos eventos. (IWA Network)
Não há evidência nas fontes consultadas de que esse piloto estivesse aplicado à adutora rompida em setembro de 2026 ou permanecesse operando exatamente com aquela configuração.
Ainda assim, o caso mostra algo importante: a tecnologia necessária para uma operação orientada por dados não é desconhecida pelo setor — e, em Manaus, já foi experimentada.
O próximo estágio é transformar pilotos digitais em processos permanentes de gestão de ativos críticos.
Como outras companhias brasileiras estão avançando
A Iguá Rio anunciou a instalação de 250 medidores de pressão conectados ao seu Centro de Controle Operacional. O objetivo é identificar alterações do sistema remotamente e subsidiar decisões de melhoria operacional. (Iguá SA)
Em Sergipe, após rompimento de uma adutora e impactos de abastecimento, a Iguá informou ter mobilizado 60 caminhões-pipa e utilizado seu CCO para acompanhamento em tempo real de pressões e vazões, direcionando recursos para as regiões mais afetadas. (Iguá SA)
Esses exemplos mostram que resposta a uma grande ruptura possui dois componentes igualmente importantes: corrigir fisicamente a infraestrutura e gerenciar a continuidade do serviço.
O cliente não avalia apenas quanto tempo a equipe demorou para soldar ou substituir um trecho. Ele avalia quanto tempo ficou sem água.
O benchmark internacional: detectar antes da ruptura
Um dos casos mais interessantes vem dos Estados Unidos.
A WSSC Water, que atende Maryland, utiliza cabos de fibra óptica acústica para monitorar tubulações de grande diâmetro construídas em concreto protendido. Em 2026, a companhia informava possuir 110 milhas — cerca de 177 quilômetros — de tubulações monitoradas continuamente com a tecnologia.
O sistema detecta a ruptura de fios estruturais internos antes que o tubo necessariamente sofra uma falha catastrófica. (WSSC Water)
Em 2024, essa tecnologia identificou a deterioração de um trecho de uma adutora de 36 polegadas instalada em 1968. Em vez de esperar o rompimento, a concessionária programou a substituição preventiva do segmento.
A operação exigiu restrição temporária do uso da água para aproximadamente 110 mil moradores, mas permitiu intervir antes de uma falha não controlada. (WSSC Water)
É uma mudança profunda de filosofia operacional:
de detectar rompimentos para detectar condições que podem produzir rompimentos.
Naturalmente, fibra óptica acústica não serve para todos os materiais de tubulação. A própria WSSC informa que sua aplicação está associada especificamente às suas linhas de concreto protendido. O princípio, entretanto, é transferível: selecionar tecnologias de inspeção conforme material, criticidade e mecanismo de falha.
Outro modelo: inspecionar e reparar onde o risco está
A Great Lakes Water Authority, nos Estados Unidos, estruturou o Linear System Integrity Program para avaliação e renovação proativa de grandes adutoras e interceptores.
A primeira fase do programa prevê avaliar e reabilitar mais de 100 milhas de adutoras de água. Em vez de substituir quilômetros apenas com base na idade, o programa utiliza avaliação de condição e risco para direcionar recursos. (Great Lakes Water Authority)
Esse conceito é particularmente relevante para companhias brasileiras com grande volume de infraestrutura enterrada e orçamento limitado.
Substituir todas as adutoras antigas pode ser economicamente inviável.
Não saber quais estão próximas de falhar é operacionalmente perigoso.
Entre os dois extremos existe a gestão de ativos baseada em risco.
A recuperação do abastecimento também precisa ser gerenciada
Após grandes rompimentos, o desafio não termina quando a peça é instalada.
A rede precisa voltar a ser pressurizada gradualmente, reservatórios precisam recuperar nível e regiões elevadas normalmente recebem água depois das áreas mais baixas. Foi exatamente essa sequência informada pela Águas de Manaus após os reparos de setembro. (Águas de Manaus)
Há também a dimensão sanitária.
A Portaria GM/MS nº 888 determina que a rede de distribuição seja operada com pressão positiva, regularidade de fornecimento e práticas de desinfecção em eventos de troca de seções de tubulação.
A perda de pressão é relevante porque pode criar condições para entrada de água externa através de falhas ou juntas. Por isso, retomada operacional, descarga da rede e controle da qualidade da água devem fazer parte do protocolo pós-ruptura. (BVSMS)
O impacto comercial é maior do que parece
Grandes rompimentos também são eventos comerciais.
O MPAM determinou que sejam levantados pedidos de ressarcimento e indenização relacionados a imóveis, veículos, estabelecimentos comerciais, equipamentos, mercadorias e períodos prolongados de falta d’água.
Isso significa que a consequência financeira de uma ruptura não deveria ser calculada apenas como:
custo da peça + escavação + equipe + recomposição do asfalto.
Uma avaliação completa deveria incorporar água perdida, mobilização emergencial, caminhões-pipa, horas extras, recomposição viária, interrupção do serviço, danos a terceiros, indenizações, fiscalização, multas, perda de receita e desgaste reputacional. (MPAM)
Quando esse custo completo é incorporado à gestão de ativos, projetos de monitoramento, proteção contra transientes e substituição preventiva frequentemente se tornam economicamente muito mais justificáveis.
Regulação: continuidade é parte da qualidade do serviço
A Lei nº 11.445/2007 estabelece segurança, qualidade, regularidade e continuidade entre os princípios fundamentais da prestação do saneamento. O artigo 43 também exige condições adequadas de operação e manutenção dos sistemas. (Portal da Câmara dos Deputados)
Mais recentemente, a Norma de Referência ANA nº 15/2025 passou a tratar da gestão de perdas de água e determinou que os planos estejam articulados com a manutenção da continuidade do abastecimento e da pressão mínima adequada.
A mesma norma inclui macromedição, indicadores de perdas e índice de intermitência entre os instrumentos de diagnóstico. (Serviços e Informações do Brasil)
A tendência regulatória, portanto, é clara: não basta expandir redes e produzir água.
Será cada vez mais necessário demonstrar como os ativos são monitorados, mantidos e operados para entregar continuidade.
O que gestores deveriam fazer depois de um evento como esse
Um rompimento recorrente não deveria gerar apenas uma ordem de serviço maior. Deveria produzir um programa de redução de risco.
- Executar análise formal de causa-raiz, reunindo operação, manutenção, engenharia hidráulica, elétrica, automação, gestão de ativos e equipes de campo.
- Reconstruir o transitório hidráulico, utilizando registros reais de pressão, vazão, rotação das bombas e sequência de válvulas.
- Reavaliar os dispositivos de proteção, incluindo válvulas de retenção, ventosas, sistemas anti-surge, reservatórios hidropneumáticos e estratégias de partida e parada.
- Criar ranking de criticidade das adutoras, combinando probabilidade de falha e consequência de falha.
- Inspecionar trechos críticos antes da ruptura, escolhendo ultrassom, inspeção eletromagnética, acústica ou outra tecnologia compatível com o material existente.
- Revisar substituições planejadas versus executadas, documentando claramente quais quilômetros foram renovados e qual risco permaneceu.
- Fortalecer contingência e redundância, prevendo setorização, reservação, rotas alternativas de abastecimento e atendimento prioritário a hospitais e outros serviços críticos.
- Transformar cada falha em dado, atualizando GIS, cadastro técnico, histórico de manutenção, modelo hidráulico e curva de risco do ativo.
O último item talvez seja o mais negligenciado.
Se um trecho rompe, é reparado e volta a operar sem alterar a inteligência sobre o ativo, a organização perdeu uma oportunidade de aprender.
O que pode dar errado
Também existe risco de reagir ao episódio com uma solução excessivamente simples.
Trocar exclusivamente o pedaço rompido pode manter vulnerabilidades ao lado.
Trocar toda a tubulação sem avaliar a hidráulica pode instalar uma adutora nova dentro de um sistema ainda sujeito a transientes inadequados.
Instalar sensores sem criar pessoas, processos e responsabilidades para interpretar os dados transforma tecnologia em painel decorativo.
E atribuir tudo a um evento externo — como uma queda de energia — pode impedir que fragilidades internas sejam identificadas.
Por isso, a causa-raiz precisa unir engenharia hidráulica + integridade estrutural + operação + manutenção + automação + gestão.
Profissionais são a principal barreira contra a repetição
Sistemas complexos de abastecimento nunca estarão completamente livres de falhas.
A diferença entre uma organização reativa e uma organização resiliente está na capacidade de aprender com cada ocorrência.
O operador que percebe uma alteração incomum de pressão, o eletricista que identifica comportamento irregular de uma bomba, o técnico que registra corretamente o material encontrado em campo, o engenheiro que atualiza o modelo hidráulico, o analista que identifica padrões de rompimento e o gestor que consegue converter esses sinais em investimento estão todos atuando na mesma cadeia de prevenção.
Gestão de ativos não começa em um software.
Começa na qualidade da informação produzida por profissionais.
A grande lição do rompimento de adutora em Manaus
O rompimento de adutora em Manaus oferece uma lição aplicável a praticamente todas as companhias de saneamento do país.
Grandes tubulações não deveriam ser administradas apenas como quilômetros enterrados. São ativos críticos cuja falha pode interromper abastecimento, bloquear cidades, atingir propriedades, gerar perdas de água, comprometer indicadores regulatórios e produzir elevados custos financeiros e reputacionais.
O reparo emergencial realizado em setembro resolveu a falha imediata.
O desafio agora é descobrir se o sistema foi tornado menos propenso ao próximo rompimento.
É essa resposta que diferencia manutenção corretiva de gestão de ativos.
E talvez seja justamente essa a principal oportunidade aberta pela investigação do MPAM: transformar um problema recorrente em um ponto de inflexão para inspeção baseada em risco, proteção contra transientes, monitoramento contínuo e decisões de investimento orientadas pela consequência das falhas.
Para qualquer companhia que possua grandes adutoras, a pergunta mais importante não deveria ser “quando o próximo tubo vai romper?”.
Deveria ser:
“O sistema possui informação suficiente para descobrir qual tubo precisa de intervenção antes que ele rompa?”
Essa é a pergunta que pode evitar o próximo rompimento de adutora em Manaus — e também centenas de ocorrências semelhantes em sistemas de abastecimento de água do Brasil.
Fontes e referências
Ministério Público do Estado do Amazonas — MPAM
“MP do Amazonas investiga rompimentos recorrentes de adutoras em Manaus”
17 de setembro de 2026
Acessar fonte oficial do MPAM
Prefeitura de Manaus / Ageman
“Recuperação de adutora de 500 milímetros”
17 de setembro de 2026
Acessar nota oficial da Prefeitura
Prefeitura de Manaus / Ageman
“Prefeitura e Ageman monitoram ação emergencial em tubulações e apuram causa de rompimento na zona Oeste”
16 de setembro de 2026
Acessar publicação oficial
Águas de Manaus
“Manutenção emergencial nas Avs. Coronel Teixeira e Ipase”
16 de setembro de 2026
Acessar comunicado da concessionária
Águas de Manaus
“Manutenção emergencial na Compensa é concluída e abastecimento começa a ser restabelecido”
17 de setembro de 2026
Acessar comunicado da concessionária
Prefeitura de Manaus / Ageman
“Ageman e Conselho de Regulação avaliam o Plano de Expansão dos Serviços de Água e Esgoto para 2025”
13 de janeiro de 2025
Acessar planejamento oficial
Prefeitura de Manaus / Ageman
“Ageman notifica Águas de Manaus para esclarecer novo rompimento de adutora na zona Oeste”
8 de março de 2025
Acessar publicação oficial
Prefeitura de Manaus / Ageman
“Ageman notifica Águas de Manaus após vazamento de adutora na zona Oeste”
4 de maio de 2026
Acessar publicação oficial
Prefeitura de Manaus / Ageman
“Ageman aguarda conclusão de relatório para identificar causas do rompimento de adutora na zona Oeste”
11 de dezembro de 2024
Acessar publicação oficial
Câmara dos Deputados — Lei nº 11.445/2007 atualizada
Diretrizes nacionais para o saneamento básico
Consultar legislação atualizada
Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico — ANA
Resolução ANA nº 275/2025 — Norma de Referência nº 15/2025 sobre redução e controle de perdas
18 de dezembro de 2025
Consultar a Norma de Referência nº 15/2025
Ministério da Saúde
Portaria GM/MS nº 888/2021 — controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano
Consultar Portaria GM/MS nº 888/2021
American Water Works Association — AWWA
“Engineering Modeling Applications — Transient Modeling”
Acessar referência técnica da AWWA
The Water Research Foundation — WRF
“Managing Prestressed Concrete Cylinder Pipe to Extend Asset Life”
Projeto concluído em 2026
Acessar pesquisa da Water Research Foundation
International Water Association — IWA
“DTHub: OpenFlows WaterSight” — aplicação piloto em Manaus
10 de agosto de 2021
Acessar estudo de caso da IWA
International Water Association — IWA
“Condition Assessment of Large Water Mains”
2026
Acessar referência sobre inspeção de grandes adutoras
Iguá Rio
“Pressão na rede de abastecimento de água será monitorada em tempo real”
13 de janeiro de 2022
Acessar experiência da Iguá Rio
Iguá Sergipe
Mobilização operacional e monitoramento em tempo real após rompimento de adutora
Acessar experiência da Iguá Sergipe
WSSC Water — Estados Unidos
“Acoustic Fiber Optic Monitoring System”
Atualizado em 2026
Conhecer o programa de monitoramento de adutoras
WSSC Water — Estados Unidos
Monitoramento identificou falha iminente em adutora de 36 polegadas antes da ruptura
3 de setembro de 2024
Acessar o caso da intervenção preventiva
Great Lakes Water Authority — Estados Unidos
“Linear System Integrity Program”
Conhecer o programa de integridade de adutoras
U.S. Environmental Protection Agency — EPA
“Drinking Water Distribution System Tools and Resources” — pressão, rompimentos e qualidade da água
Acessar referência da EPA



