Valor 1000: Sabesp é campeã do setor de Água, Saneamento e Serviços Ambientais em 2026

A Sabesp no Valor 1000 de 2026 chega ao primeiro lugar do setor de Água, Saneamento e Serviços Ambientais depois de um ano em que investiu R$ 15,2 bilhões, mais que o dobro de 2024, elevou o EBITDA ajustado para R$ 13,2 bilhões e reduziu seus custos e despesas ajustados em aproximadamente 13%. Mas, para quem trabalha no saneamento, a informação mais importante não é o troféu.


Carlos Piani, CEO da Sabesp Gabriel Reis / Valor

É o que vem depois dele.

A companhia pretende investir cerca de R$ 70 bilhões entre 2024 e 2029 para antecipar a universalização dos serviços em quatro anos. Ao mesmo tempo, os resultados do segundo trimestre de 2026 já mostram aumento de custos, crescimento do endividamento e pressão sobre a rentabilidade. Ou seja: a capacidade financeira para acelerar investimentos está sendo demonstrada; agora, o desafio é transformar Capex em redes operacionais, ligações efetivas, esgoto tratado, redução de perdas, segurança hídrica, confiabilidade e uma experiência melhor para milhões de clientes. 

É justamente nesse ponto que a vitória da Sabesp no Valor 1000 deixa de ser apenas uma notícia empresarial e se transforma em um caso relevante de gestão para todo o saneamento brasileiro.

O que aconteceu

A Sabesp foi anunciada em 8 de setembro como campeã do setor de Água, Saneamento e Serviços Ambientais no Valor 1000 de 2026.

Entretanto, existe uma distinção essencial para interpretar corretamente o reconhecimento: o Valor 1000 não é um ranking de qualidade do serviço de água e esgoto.

O regulamento da edição de 2026 estabelece que 70% da nota setorial resulta de seis critérios econômico-financeiros: receita líquida, margem EBITDA, rentabilidade do patrimônio líquido, crescimento médio da receita nos cinco anos anteriores, alavancagem financeira e cobertura de juros.

Os outros 30% decorrem da avaliação ESG das empresas mais bem classificadas financeiramente, incluindo aspectos ambientais, sociais e de governança. 

Portanto, dizer que a Sabesp foi considerada a melhor empresa do setor pelo Valor 1000 é correto.

Seria diferente afirmar que ela possui, necessariamente, o melhor abastecimento, o menor índice de perdas, o melhor atendimento, a maior satisfação do cliente ou o melhor tratamento de esgoto do Brasil. O prêmio não mede exclusivamente esses resultados operacionais.

Essa diferença é particularmente relevante para profissionais do saneamento.

O regulamento também mostra que a edição de 2026 recebeu demonstrações contábeis referentes a 2024 e 2025. Para empresas com exercício social coincidente com o ano civil, como a Sabesp, o componente econômico-financeiro da premiação anunciada em 2026 reflete essencialmente os resultados de 2025. 

Assim, a Sabesp no Valor 1000 deve ser analisada principalmente como o reconhecimento de um desempenho empresarial ocorrido no primeiro ano-calendário completo após a desestatização.

E esse desempenho merece atenção.

R$ 15,2 bilhões mudam a dimensão da discussão

A Sabesp investiu R$ 15,202 bilhões em 2025, contra R$ 6,911 bilhões no ano anterior. Foi um aumento de 120%.

Do total de 2025, aproximadamente R$ 4,9 bilhões foram destinados a água e R$ 10,3 bilhões a esgoto. O investimento em esgotamento sanitário avançou 155,7% na comparação anual. 

O número precisa ser colocado em perspectiva.

Em seu Relatório de Sustentabilidade, a Sabesp informa que a média anual de investimentos entre 2019 e 2023 havia ficado em cerca de R$ 5,2 bilhões. Portanto, o Capex realizado em 2025 foi próximo de três vezes aquela média histórica anual

Para uma companhia de saneamento, aumentar investimento nessa velocidade não significa apenas disponibilizar recursos.

Significa multiplicar projetos, licitações, desapropriações, licenças ambientais, contratos, frentes de obra, fiscalizações, medições, materiais, interferências urbanas, testes, comissionamentos, cadastros técnicos e, finalmente, ativos incorporados à operação.

É aí que o desafio muda.

Contratar R$ 15 bilhões em investimentos é diferente de transformar R$ 15 bilhões em sistemas funcionando adequadamente durante décadas.

Para engenheiros, fiscais de contratos, operadores, equipes comerciais, gestores ambientais, especialistas em regulação e profissionais de planejamento, essa diferença é fundamental.

O resultado financeiro também chama atenção

A aceleração do Capex ocorreu simultaneamente a uma melhora expressiva dos indicadores ajustados.

Em 2025, a receita operacional líquida ajustada ficou em R$ 22,213 bilhões, aumento de apenas 2,2% sobre 2024.

Já o EBITDA ajustado subiu 16,6%, para R$ 13,221 bilhões, enquanto a margem EBITDA ajustada passou de 52% para aproximadamente 60%.

O lucro líquido ajustado chegou a R$ 6,318 bilhões, avanço de 22,1%. 

Existe uma informação gerencial particularmente interessante nesses números.

A receita cresceu 2,2%, mas o EBITDA aumentou 16,6%.

Isso indica que o salto da geração operacional de resultado não pode ser explicado apenas por crescimento de faturamento. Ganhos de eficiência e redução de custos tiveram papel relevante. Essa é uma interpretação dos números, coerente com as explicações apresentadas pela própria companhia.

Os custos, despesas administrativas e comerciais ajustados recuaram de aproximadamente R$ 10,4 bilhões para R$ 9 bilhões.

Houve redução em despesas com pessoal, materiais gerais, energia elétrica, despesas gerais e perdas estimadas com créditos de liquidação duvidosa. Ao mesmo tempo, os gastos com serviços cresceram. 

A Sabesp atribuiu parte dos ganhos à redução de despesas administrativas, reorganização do quadro de pessoal, migração de consumo de energia para o mercado livre e menor PECLD — a perda esperada com clientes inadimplentes.

No fim de 2025, a empresa tinha 8.717 empregados, contra 10.552 um ano antes, redução de 17,4%. 

Esse número, porém, merece interpretação cuidadosa.

Reduzir estrutura pode aumentar produtividade financeira. Entretanto, em saneamento, conhecimento operacional acumulado também é um ativo. Redes antigas, mananciais, sistemas elevatórios, estações, particularidades municipais, modelagem hidráulica e rotinas comerciais possuem enorme componente de conhecimento tácito.

Portanto, produtividade não pode ser medida simplesmente por número de empregados.

Uma transformação sustentável precisa mostrar que digitalização, automação, novos processos, contratação de serviços e desenvolvimento das equipes conseguem preservar ou aumentar capacidade técnica, segurança e qualidade.

Sabesp no Valor 1000 e o verdadeiro teste de 2029

A transformação ganha dimensão maior quando se observa o contrato.

A universalização foi antecipada de 2033 para 31 de dezembro de 2029 nas áreas abrangidas pelo novo modelo contratual.

A própria Sabesp estima aproximadamente R$ 70 bilhões de investimentos entre 2024 e 2029. Atualmente, informa atender 376 municípios, abastecendo 30,6 milhões de pessoas com água e atendendo 27,7 milhões com coleta de esgoto. 

Isso coloca o caso paulista entre as maiores experiências contemporâneas de expansão acelerada do saneamento.

Mas o contrato criou algo ainda mais relevante: a universalização não foi tratada apenas como promessa institucional.

Existem indicadores de cobertura e perdas, o chamado Fator U, indicadores de qualidade associados ao Fator Q e previsão de verificação independente. O desempenho pode produzir reflexos tarifários. 

Esse desenho importa para o restante do Brasil.

Ele aproxima investimento, execução física, regulação e resultado econômico.

Em outras palavras: não deveria bastar demonstrar quanto foi investido. É necessário demonstrar o que aquele investimento efetivamente entregou.

Um detalhe dos indicadores merece acompanhamento

A Sabesp informou em seu resultado de 2025 ter cumprido antecipadamente as metas de economias incrementais do Fator U referentes ao período 2024-2025.

Entretanto, o painel de universalização atualizado até julho de 2026 apresenta uma fotografia mais detalhada. Nele, as economias residenciais urbanas de água atingem 112,68% da meta e as urbanas de esgoto, 104,30%. Já alguns recortes específicos aparecem abaixo de 100%, como água em áreas informais e rurais, esgoto nesses territórios e economias relacionadas ao tratamento. A própria página informa que os dados ainda serão validados pela Arsesp e pelo órgão verificador. 

Não existe necessariamente contradição.

Metas contratuais podem possuir agregações, períodos e regras específicas distintas da simples leitura isolada de cada indicador publicado.

Mas a situação demonstra algo importante para qualquer companhia submetida a regulação por desempenho: governança de dados passa a ter valor financeiro.

Cadastro comercial, georreferenciamento, economias ativas, situação das ligações, disponibilidade de rede, tratamento efetivo e informação operacional deixam de ser somente dados técnicos.

Podem influenciar diretamente avaliação regulatória e receita.

2026 mostra que a segunda etapa será mais difícil

A vitória da Sabesp no Valor 1000 não significa que 2026 esteja apresentando uma trajetória linear de expansão de margens.

No segundo trimestre deste ano, a companhia investiu R$ 3,731 bilhões. No primeiro semestre, o Capex chegou a R$ 7,458 bilhões, 15,6% acima do mesmo período de 2025.

A administração informou continuar trabalhando com expectativa de aproximadamente R$ 20 bilhões em Capex durante 2026

Ao mesmo tempo, apareceram pressões.

Os custos e despesas ajustados do segundo trimestre aumentaram 24,5%. O EBITDA ajustado caiu 3,2%, para R$ 3,503 bilhões, e o lucro líquido ajustado recuou 41,2%, para R$ 1,150 bilhão.

A dívida líquida citada pela companhia passou de aproximadamente R$ 23 bilhões no 2T25 para R$ 34 bilhões no 2T26

Isso não significa, isoladamente, deterioração estrutural.

Um ciclo extraordinário de investimentos naturalmente exige financiamento e pode elevar endividamento. Além disso, comparações trimestrais sofrem efeitos pontuais.

Mas existe uma lição importante: universalização acelerada precisa equilibrar três velocidades ao mesmo tempo — investimento, geração de caixa e capacidade de execução.

Se uma delas se distancia excessivamente das outras, aparecem riscos.

A experiência do cliente entrou na conta

Existe outro movimento pouco percebido quando se olha apenas para obras.

No 2T26, a Sabesp associou parte do aumento das despesas com serviços a novas lojas e reformas, mudança de fornecedor de central de atendimento, implantação de equipe dedicada à experiência do cliente, comunicação e outras iniciativas de relacionamento.

Somente as despesas com serviços aumentaram 39% na comparação anual. 

Isso demonstra uma mudança relevante no conceito de universalização.

Não basta conectar uma residência.

Depois da ligação aparecem leitura, faturamento, cobrança, vazamentos, reclamações, segunda via, negociação, alteração cadastral, atendimento digital, pressão, continuidade, qualidade da água e compreensão da conta.

Consequentemente, universalização física sem preparação comercial pode transferir o gargalo da engenharia para o relacionamento com o cliente.

Para áreas comerciais de outras companhias, essa talvez seja uma das lições menos evidentes do caso paulista.

Cada milhão de novas economias significa também milhões de novas faturas, leituras, registros cadastrais, contatos, pagamentos e potenciais ocorrências ao longo dos anos seguintes.

O que a Copasa mostra sobre investimento e perdas

A Sabesp não está sozinha na aceleração dos investimentos.

A Copasa informou ter investido R$ 2,9 bilhões em 2025, crescimento de 32%. Sua cobertura de esgoto passou de 77,3% para 80,1%.

Ao mesmo tempo, a companhia informou redução das perdas na distribuição de 38,1% para 35,6%, embora parte da variação também esteja relacionada à alteração metodológica do indicador regulatório.

Entre as ações operacionais citadas estão substituição de mais de 730 mil hidrômetros, uso de inteligência artificial e imagens de satélite para identificação de vazamentos, renovação de redes e automação. 

O aprendizado é relevante.

Capex de expansão e Capex de eficiência não deveriam competir permanentemente.

Uma empresa pode ampliar cobertura e, simultaneamente, atacar água não faturada, micromedição, confiabilidade e produtividade.

Para o resultado econômico da universalização, isso é decisivo. Construir novas redes enquanto se mantém um sistema com perdas elevadas aumenta a quantidade de infraestrutura necessária para produzir, transportar e distribuir água que nunca será faturada.

A Sanepar mostra outro equilíbrio possível

A Sanepar investiu aproximadamente R$ 2,65 bilhões em 2025, alta de 38,8%.

Parte relevante do programa foi direcionada à expansão de sistemas de esgotamento sanitário, incluindo estações, interceptores, redes coletoras e ligações prediais. 

Ao mesmo tempo, a companhia informou alavancagem medida por dívida líquida/EBITDA de aproximadamente 0,6 vez ao final de 2025. 

A comparação com a Sabesp não deve ser feita mecanicamente, porque escala, modelo regulatório, estrutura societária, contratos e necessidades de investimento são diferentes.

Entretanto, os casos revelam uma mesma questão de gestão: qual é a velocidade máxima de investimento que uma utility consegue sustentar sem comprometer equilíbrio financeiro, qualidade da execução e eficiência operacional?

Essa pergunta será cada vez mais importante no Brasil até 2033.

Aegea reforça a importância do comercial

O setor privado também oferece um benchmarking interessante.

A Aegea informou que, no primeiro semestre de 2026, seu ecossistema alcançou R$ 9,2 bilhões de receita líquida, EBITDA recorrente de R$ 5,9 bilhões e R$ 3,8 bilhões em investimentos.

Nos seis primeiros meses, foram conectadas 593 mil novas economias. 

No primeiro trimestre, a companhia havia destacado crescimento de aproximadamente R$ 700 milhões na arrecadação e anunciado um programa de revisão de investimentos, custos e despesas operacionais com meta de redução anual de R$ 1,25 bilhão ao longo dos cinco anos seguintes. 

Novamente, não se trata de afirmar que um modelo é superior ao outro.

A lição está na conexão entre expansão e gestão comercial.

Nova rede gera valor econômico somente quando o cliente é conectado, cadastrado corretamente, medido, faturado e paga pelo serviço — respeitadas as políticas tarifárias e sociais.

Por isso, universalização é também uma agenda comercial.

O que a Inglaterra e o País de Gales ensinam

O benchmarking internacional ajuda a colocar a Sabesp no Valor 1000 em perspectiva.

Na Inglaterra e no País de Gales, o regulador Ofwat aprovou para o período 2025-2030 um programa de aproximadamente £104 bilhões em investimentos, quase o dobro do ciclo anterior.

Entretanto, a regulação não acompanha apenas quanto as companhias gastam.

Existem 24 compromissos comuns de desempenho, envolvendo resultados de serviço e experiência do cliente. Indicadores como C-MeX transformam satisfação e atendimento em incentivos financeiros. 

Além disso, em 2026 a Ofwat avançou com a exigência de planos de entrega e relatórios anuais de progresso com asseguração independente para acompanhar se o enorme programa de investimentos está realmente sendo executado. 

O sistema britânico também oferece um alerta.

Mesmo depois de décadas de forte participação privada e regulação econômica sofisticada, o setor ainda enfrenta críticas relativas a vazamentos, poluição, satisfação dos consumidores e capacidade financeira de determinadas companhias.

Portanto, capital disponível não substitui gestão operacional nem regulação eficaz.

Essa talvez seja a comparação internacional mais útil para o Brasil.

O objetivo não deveria ser celebrar Capex por si só, mas desenvolver mecanismos capazes de acompanhar a cadeia:

dinheiro → obra → ativo operacional → serviço → resultado para o cliente.

O que muda na prática para as empresas de saneamento

A vitória da Sabesp no Valor 1000 chama atenção porque evidencia uma transformação que tende a alcançar praticamente todas as áreas das utilities.

Para a engenharia, o problema passa a ser aumentar produção de projetos e obras sem perder qualidade.

Para a operação, significa incorporar rapidamente milhares de quilômetros de ativos e novas instalações, mantendo confiabilidade.

Para as áreas de perdas, universalização aumenta a importância de setorização, pressão, macromedição, micromedição e balanço hídrico.

Para o comercial, significa converter disponibilidade em ligação ativa, aumentar adesão ao esgoto, manter cadastro confiável, controlar inadimplência e preparar atendimento.

Para tecnologia, significa integrar GIS, cadastro comercial, telemetria, sensores, sistemas corporativos e dados regulatórios.

Para finanças, significa preservar capacidade de financiamento enquanto o Capex cresce.

E para a regulação, significa verificar resultados físicos de uma forma suficientemente robusta para produzir consequências tarifárias legítimas.

O que gestores deveriam acompanhar

Mais do que o valor anual investido, companhias submetidas a grandes ciclos de expansão deveriam acompanhar conjuntamente:

  • Capex contratado, executado e efetivamente colocado em operação, evitando confundir desembolso com entrega;
  • evolução física de água, coleta e tratamento de esgoto por território;
  • ligações disponíveis versus ligações efetivamente conectadas e faturadas;
  • perdas de água, pressão, continuidade e qualidade;
  • arrecadação, inadimplência, PECLD e recuperação de receitas;
  • satisfação, reclamações, reincidência e tempo de solução do cliente;
  • endividamento, cobertura de juros, geração de caixa e capacidade futura de investimento;
  • produtividade de contratos, atrasos, aditivos, segurança do trabalho e capacidade da cadeia de fornecedores;
  • qualidade cadastral e rastreabilidade dos dados enviados ao regulador;
  • manutenção preventiva e renovação de ativos existentes, para que a corrida por expansão não produza um passivo de manutenção.

Esse painel é mais útil do que observar isoladamente o orçamento de investimentos.

O risco escondido da velocidade

O maior risco de um programa dessa magnitude pode não ser a falta de dinheiro.

Pode ser a capacidade de execução.

Quando dezenas de bilhões de reais entram simultaneamente em obras, surge disputa por empresas qualificadas, engenheiros, técnicos, equipamentos, tubulações, válvulas, bombas, produtos químicos, licenciamento e capacidade de fiscalização.

Além disso, projetos acelerados aumentam a exposição a aditivos, pleitos, interferências não identificadas, problemas geotécnicos, falhas de projeto e atrasos.

Existe ainda um risco organizacional.

Quanto maior a velocidade de mudança, maior a necessidade de profissionais capazes de conectar especialidades diferentes.

Não basta o projeto hidráulico funcionar se o cadastro comercial não receber corretamente os novos clientes. Não basta concluir uma rede coletora se as ligações prediais não forem efetivadas. Não basta implantar telemetria se ninguém transformar os dados em decisão operacional.

Essa integração é uma competência cada vez mais valiosa no saneamento moderno.

A principal lição para quem trabalha no setor

O caso da Sabesp no Valor 1000 mostra que o profissional de saneamento está deixando de trabalhar apenas dentro de sua especialidade.

Um gerente de operação precisa compreender impacto financeiro.

Um gestor comercial precisa compreender disponibilidade de infraestrutura.

Um engenheiro precisa conhecer metas contratuais.

Uma equipe de tecnologia precisa entender processo operacional.

Um regulador precisa conhecer as limitações reais de uma obra.

E executivos precisam compreender que uma melhoria de EBITDA não substitui melhoria de serviço.

É nesse ponto que o conhecimento técnico das equipes ganha ainda mais importância.

Um programa de R$ 70 bilhões só produz resultado porque milhares de decisões menores são tomadas diariamente por profissionais que projetam, fiscalizam, operam, cadastram, medem, faturam, atendem, analisam dados e resolvem problemas no campo.

O capital permite acelerar.

A capacidade técnica transforma capital em saneamento.

A vitória é relevante — mas 2029 será o verdadeiro placar

A conquista da Sabesp no Valor 1000 merece reconhecimento. O ano de 2025 reuniu indicadores empresariais difíceis de ignorar: investimento recorde, crescimento expressivo do EBITDA ajustado, aumento do lucro ajustado e forte redução de custos.

Mas a própria escala dessa transformação eleva o padrão pelo qual a companhia deverá ser avaliada no futuro.

O teste definitivo não será quantos bilhões foram investidos.

Será quantas pessoas passaram a receber efetivamente o serviço, quanto esgoto adicional passou a ser tratado, quanto a confiabilidade aumentou, como as perdas evoluíram, como os clientes perceberam a transformação e se o desempenho poderá ser sustentado financeiramente depois do grande ciclo de obras.

Os resultados do primeiro semestre de 2026 mostram por que essa segunda fase merece atenção: o Capex continua acelerado, enquanto custos e endividamento aumentam e a companhia passa a investir mais fortemente também em atendimento e experiência do cliente.

Para o saneamento brasileiro, essa experiência pode se tornar um laboratório em escala inédita.

Se o modelo conseguir combinar investimento, eficiência, regulação por desempenho, capacidade técnica e experiência do cliente, poderá oferecer aprendizados importantes para empresas públicas e privadas.

Se houver dificuldade em transformar Capex em resultado operacional, a lição será igualmente relevante.

Por isso, a principal pergunta provocada pela Sabesp no Valor 1000 não é apenas por que a companhia venceu em 2026.

É outra:

como transformar a maior capacidade de investimento da história da empresa em serviços melhores, mensuráveis e sustentáveis até 2029?

É essa resposta — muito mais do que qualquer prêmio — que poderá influenciar o futuro da gestão do saneamento no Brasil.

Fontes e referências

Valor EconômicoValor 1000: Sabesp é campeã do setor de Água, Saneamento e Serviços Ambientais em 2026 — 8 de setembro de 2026. Acessar publicação⁠

Serasa Experian / Valor Econômico / FGVcefRegulamento do Prêmio Anuário Valor 1000 – Edição 2026 — junho de 2026. Acessar regulamento oficial⁠

SabespRelease de Resultados 4T25 e 2025 — 16 de março de 2026. Acessar release oficial⁠

SabespRelease de Resultados 2T26 — 12 de agosto de 2026. Acessar release oficial⁠

Sabesp Relações com InvestidoresPerfil Corporativo — consultado em setembro de 2026. Acessar página oficial⁠

Sabesp Relações com InvestidoresIndicadores de Universalização — Fator U — atualização de julho de 2026. Acessar indicadores⁠

SabespRelatório de Sustentabilidade 2024 — publicado em 2025. Acessar relatório⁠

Governo do Estado de São Paulo / SemilContrato de Concessão dos Serviços de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário da Sabesp. Acessar contrato⁠

Arsesp — Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São PauloNota Técnica do 1º Reajuste Tarifário da Sabesp — Tarifa de Equilíbrio URAE-1. Acessar nota técnica⁠

CopasaCom investimento recorde de quase R$ 3 bi, Copasa supera metas de 2025 e amplia cobertura de esgoto para 80% — 26 de fevereiro de 2026. Acessar publicação oficial⁠

SaneparInvestimentos — resultados de 2025 — 2026. Acessar documento oficial⁠

AegeaAegea eleva EBITDA para R$ 5,9 bi no primeiro semestre — 11 de agosto de 2026. Acessar publicação oficial⁠

OfwatPR24 Reconciliations — programa regulatório 2025-2030 para Inglaterra e País de Gales. Acessar página oficial⁠

OfwatMeasures of Experience 2025-2030 — indicadores regulatórios de experiência do cliente. Acessar página oficial⁠

OfwatPR24 Delivery Plans Assessment Framework — 14 de maio de 2026. Acessar documento oficial⁠