Rio+Saneamento amplia o programa Trata Óleo para 81 Pontos

O saneamento moderno não acontece apenas dentro de Estações de Tratamento de Água, Estações de Tratamento de Esgoto, elevatórias ou quilômetros de tubulações. Cada vez mais, profissionais do setor atuam também antes que determinados problemas cheguem à infraestrutura.

Um exemplo concreto vem da Rio+Saneamento, que ampliou o programa Trata Óleo para 81 Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) distribuídos pelos municípios atendidos pela concessionária.

Criada em 2023, a iniciativa já recolheu mais de 2 mil litros de óleo de cozinha usado. O material, que poderia ser descartado em pias, redes de esgoto, solos ou corpos hídricos, passa a seguir uma rota ambientalmente adequada até cooperativas parceiras, onde é preparado para posterior utilização na fabricação de biodiesel.

Segundo os indicadores divulgados pelo programa, a destinação correta de aproximadamente 2,1 mil litros de óleo teria contribuído para evitar cerca de 7,2 mil quilos de CO₂ equivalente e preservar aproximadamente 53 milhões de litros de água.

Entretanto, existe outro resultado que merece atenção especial dos profissionais do saneamento: cada litro que deixa de entrar indevidamente no sistema representa uma oportunidade de reduzir problemas operacionais nas redes e instalações de esgoto.

Por trás dos 81 pontos do Trata Óleo, portanto, existe mais do que uma campanha ambiental.

Existe trabalho técnico.

Existe planejamento.

Existe educação ambiental.

Existe articulação com municípios e instituições.

Existe atendimento à população.

E, principalmente, existem profissionais do saneamento transformando uma ação aparentemente simples em prevenção operacional e proteção ambiental.

De pontos de coleta para uma estratégia de saneamento

O crescimento do Trata Óleo mostra como uma companhia de saneamento pode atuar diretamente na origem de um problema.

Em vez de esperar que o óleo seja descartado na pia, percorra os ramais internos dos imóveis e eventualmente alcance a rede pública, cria-se um caminho alternativo antes que isso aconteça.

Atualmente, existem 81 PEVs, considerando pontos instalados em lojas de atendimento, unidades operacionais e locais viabilizados por meio de parcerias.

Além disso, a iniciativa foi ampliada com a participação de escolas, prefeituras, unidades administrativas e outros espaços acessíveis à população.

Municípios como Vassouras, Paracambi, Carmo, Sumidouro e Bom Jardim possuem ações com instalação de pontos de entrega em prédios públicos e instituições.

Já em cidades como Itaguaí e Piraí, equipes da concessionária também participam de eventos municipais para recolher o óleo utilizado durante a preparação de alimentos.

Em 2024, por exemplo, mais de 200 litros foram arrecadados durante a Expo Itaguaí.

Esse modelo mostra algo importante para o setor: a infraestrutura de saneamento pode começar antes da rede coletora.

Quando uma companhia cria mecanismos para evitar que resíduos inadequados entrem no sistema, também está praticando gestão preventiva.

Os profissionais são a infraestrutura humana do Trata Óleo

Um Ponto de Entrega Voluntária pode parecer simples para quem observa apenas o recipiente onde o óleo é depositado.

Entretanto, transformar 81 pontos em uma rede funcional exige organização.

É necessário definir locais.

Estabelecer parcerias.

Orientar usuários.

Organizar a coleta.

Garantir armazenamento adequado.

Controlar a destinação.

Articular cooperativas.

Comunicar a população.

Acompanhar resultados.

Além disso, é necessário relacionar a iniciativa aos objetivos ambientais e operacionais da empresa.

Nesse processo, diferentes competências do saneamento precisam trabalhar de maneira integrada.

Profissionais das áreas ambiental, operacional, atendimento, comunicação, sustentabilidade, gestão e relacionamento institucional tornam-se parte de uma mesma cadeia.

Por isso, iniciativas como o Trata Óleo também ajudam a demonstrar uma realidade que nem sempre fica visível para a sociedade.

O profissional de saneamento não atua somente quando existe rompimento de rede, vazamento, falta de água ou extravasamento de esgoto.

Há milhares de profissionais trabalhando diariamente para que esses problemas simplesmente não aconteçam.

Prevenção também é saneamento.

O programa começou em 2023 e ganhou escala

Quando o Trata Óleo foi lançado, em junho de 2023, sedes administrativas e lojas de atendimento da Rio+Saneamento passaram a funcionar como pontos para recebimento do óleo vegetal usado.

A proposta inicial já apresentava uma visão interessante: utilizar estruturas que fazem parte da rotina da concessionária para oferecer também um serviço ambiental à população.

Assim, um cliente que já conhecia determinada loja de atendimento poderia também utilizá-la como ponto de entrega.

O crescimento posterior para 81 PEVs mostra a importância da escala.

Poucos pontos de coleta podem funcionar como projeto demonstrativo.

Entretanto, dezenas de pontos distribuídos em diversos municípios começam a criar uma verdadeira rede de capilaridade ambiental.

Além disso, quanto mais próximo o ponto estiver das pessoas, menor tende a ser a barreira para o descarte correto.

Esse talvez seja um dos maiores aprendizados do Trata Óleo para outras companhias brasileiras: educação ambiental funciona melhor quando a orientação vem acompanhada de uma solução prática.

Não basta dizer que o óleo não deve ser lançado na pia.

É necessário responder à próxima pergunta do consumidor:

onde ele deve ser entregue?

Por que o óleo de cozinha preocupa quem opera redes de esgoto?

O óleo utilizado para frituras apresenta características que tornam seu lançamento na rede indesejável.

Depois de descartado inadequadamente, ele pode aderir a superfícies, interagir com outras gorduras e se associar a resíduos presentes nas tubulações.

Progressivamente, podem surgir depósitos capazes de reduzir a seção útil disponível para passagem do esgoto.

Além disso, gorduras podem se agregar a cabelos, fibras, resíduos sólidos e outros materiais descartados incorretamente.

Consequentemente, aumenta o risco de formação de obstruções.

Esse problema é tão conhecido internacionalmente que o setor utiliza frequentemente a expressão FOG, abreviação de Fats, Oils and Grease — gorduras, óleos e graxas.

Portanto, aquilo que dentro de uma residência parece ser apenas uma pequena quantidade de óleo pode adquirir outra dimensão quando se considera uma cidade inteira.

Milhares de pequenos descartes somados todos os dias podem representar um volume significativo chegando ao sistema.

É justamente nesse ponto que programas preventivos ganham relevância.

Cada recipiente recebido pelo Trata Óleo representa material que deixa de seguir pelo caminho inadequado.

Menos óleo na rede pode significar menos manutenção corretiva

Para equipes responsáveis por redes coletoras, uma obstrução nunca representa somente um tubo parcialmente fechado.

Uma ocorrência pode desencadear uma sequência de atividades.

Pode haver abertura de chamado.

Deslocamento de equipe.

Inspeção.

Desobstrução.

Hidrojateamento.

Sucção.

Limpeza.

Verificação posterior.

Em determinadas situações, pode ocorrer ainda retorno de esgoto para imóveis ou extravasamento em vias públicas.

Consequentemente, surgem impactos operacionais, ambientais e de relacionamento com o cliente.

Além disso, cada intervenção exige profissionais, equipamentos, veículos e tempo.

Por isso, impedir a entrada de resíduos inadequados pode representar ganho de eficiência.

O Trata Óleo deve ser observado também por esse ângulo.

Embora o principal objetivo divulgado esteja associado à educação ambiental, sustentabilidade e destinação adequada do resíduo, a lógica preventiva possui conexão direta com a operação do esgotamento sanitário.

O óleo descartado corretamente pode virar biodiesel

Um dos aspectos mais interessantes do programa está no destino dado ao material.

O óleo recolhido é encaminhado para cooperativas parceiras, responsáveis pela preparação e filtragem do resíduo para posterior utilização na fabricação de biodiesel.

Assim, ocorre uma mudança importante de perspectiva.

Aquilo que poderia se transformar em problema para uma tubulação passa a ser matéria-prima.

O resíduo deixa de representar exclusivamente um passivo e entra em uma cadeia de reaproveitamento.

Esse conceito está diretamente relacionado à economia circular.

Na lógica linear tradicional, um produto é utilizado e posteriormente descartado.

Na economia circular, busca-se prolongar o valor dos materiais, inserindo resíduos novamente em cadeias produtivas sempre que técnica e ambientalmente possível.

Consequentemente, o Trata Óleo conecta saneamento, gestão de resíduos e sustentabilidade.

53 milhões de litros de água preservados: como interpretar o indicador

Segundo informações divulgadas pelo programa, a destinação ambientalmente correta de aproximadamente 2,1 mil litros de óleo teria contribuído para preservar cerca de 53 milhões de litros de água, volume comparado pela iniciativa a aproximadamente 18 piscinas olímpicas.

Esse indicador ajuda na comunicação ambiental porque transforma o volume coletado em uma dimensão de fácil compreensão.

Entretanto, profissionais do saneamento devem interpretar equivalências desse tipo com critério técnico.

Não existe necessariamente uma relação universal em que um determinado volume de óleo sempre contaminará exatamente a mesma quantidade de água em qualquer situação.

Os impactos dependem de condições ambientais, concentração, características do corpo hídrico, composição do óleo e diferentes variáveis.

Por isso, o dado deve ser apresentado como indicador divulgado pelo programa, e não como uma constante científica aplicável a qualquer cenário.

A mensagem técnica mais relevante permanece a mesma: óleo usado não deve ser despejado em sistemas de esgotamento sanitário, solos ou recursos hídricos.

Educação ambiental também é ferramenta de eficiência operacional

Existe uma tendência de tratar educação ambiental como atividade separada da operação.

Entretanto, no saneamento, as duas áreas estão profundamente conectadas.

Quando um profissional explica corretamente quais materiais não devem entrar na rede, pode estar contribuindo para reduzir uma futura ocorrência de manutenção.

Quando uma escola recebe um ponto de entrega de óleo, também pode estar ajudando a formar futuros usuários mais conscientes da infraestrutura pública.

Quando uma prefeitura participa da instalação de um PEV, amplia-se a capacidade de prevenção.

Assim, uma ação educativa pode produzir reflexos sobre indicadores operacionais.

Essa visão precisa ganhar espaço nas companhias brasileiras.

Programas como o Trata Óleo mostram que o relacionamento com a população também pode ser utilizado como ferramenta de gestão dos sistemas.

Escolas e prefeituras ampliam o alcance do programa

A presença de pontos de entrega em escolas e estruturas públicas merece atenção especial.

Uma escola possui capacidade multiplicadora.

O conhecimento adquirido por um estudante pode chegar à residência e influenciar o comportamento de toda a família.

Além disso, o PEV cria uma ação prática.

A família não recebe apenas uma recomendação para não despejar óleo na pia. Existe um local para encaminhar o material.

As parcerias com prefeituras seguem lógica semelhante.

Prédios públicos costumam ter localização conhecida e grande circulação de pessoas.

Por isso, podem funcionar como estruturas importantes para ampliar a capilaridade da coleta.

O Trata Óleo, dessa forma, cria uma rede que ultrapassa as instalações próprias da concessionária.

Esse conceito pode ser replicado em praticamente qualquer região do Brasil.

Companhias de saneamento podem mapear onde o problema é maior

O próximo avanço de programas desse tipo pode estar nos dados.

Companhias normalmente já possuem informações sobre ordens de serviço relacionadas a entupimentos e desobstruções.

Quando esses dados possuem localização geográfica, torna-se possível identificar bairros ou trechos com maior reincidência.

A partir daí, pode-se cruzar essas informações com regiões de grande concentração de restaurantes, bares, hotéis, mercados, cozinhas industriais e outros geradores.

Surge, então, a possibilidade de direcionar ações educativas para locais onde elas podem produzir maior impacto.

Além disso, novos PEVs podem ser planejados com base na demanda.

Em vez de distribuir os pontos somente pela conveniência física, uma companhia pode utilizar dados operacionais para decidir onde a coleta é mais necessária.

Assim, programas inspirados no Trata Óleo podem evoluir para estratégias de saneamento orientadas por dados.

Quais indicadores poderiam ser acompanhados?

Uma iniciativa moderna de coleta de óleo pode acompanhar indicadores ambientais e operacionais simultaneamente.

Entre eles:

  • volume mensal de óleo coletado;
  • número de PEVs ativos;
  • quantidade média recebida por ponto;
  • número de pessoas alcançadas por campanhas;
  • escolas participantes;
  • municípios parceiros;
  • grandes geradores envolvidos;
  • ocorrências de obstrução relacionadas a gordura;
  • reincidência de entupimentos por região;
  • gastos com desobstrução;
  • horas de equipes mobilizadas;
  • volume encaminhado para reaproveitamento;
  • emissões evitadas segundo metodologia definida.

Essa abordagem permite demonstrar de maneira mais clara o valor gerado pelo programa.

Além disso, ajuda a administração da companhia a identificar quais ações apresentam melhor resultado.

Um modelo que pode inspirar outras companhias

O Trata Óleo possui características que tornam sua experiência interessante para o setor brasileiro.

Primeiro, trabalha na origem do problema.

Segundo, utiliza instalações da própria concessionária.

Terceiro, amplia a rede por meio de parcerias.

Quarto, aproxima escolas e prefeituras.

Quinto, conecta o resíduo a uma cadeia de reaproveitamento.

Sexto, gera indicadores ambientais que podem ser comunicados à sociedade.

E, finalmente, valoriza a atuação preventiva.

Outras empresas podem adaptar esse modelo às características de suas concessões ou áreas de prestação.

Não necessariamente seria preciso começar com dezenas de pontos.

Uma companhia poderia iniciar em regiões com maior incidência de obstruções e posteriormente medir os resultados antes da expansão.

O importante é integrar educação, operação, sustentabilidade e gestão.

Prevenir também é cuidar dos profissionais

Existe ainda um benefício que merece atenção especial.

Reduzir obstruções significa potencialmente reduzir intervenções em redes de esgoto.

Essas intervenções exigem profissionais preparados e procedimentos rigorosos de saúde e segurança.

São trabalhadores que enfrentam calor, chuva, trânsito, espaços operacionais complexos e ambientes que exigem cuidados específicos.

Portanto, prevenir ocorrências desnecessárias também contribui para direcionar melhor o trabalho dessas equipes.

Essa percepção é essencial.

A população normalmente percebe o profissional de saneamento quando uma equipe chega para solucionar um problema.

Entretanto, uma grande parte do trabalho de excelência acontece justamente quando o problema é evitado.

Por trás do funcionamento silencioso das cidades existem operadores, técnicos, engenheiros, equipes ambientais, profissionais de atendimento, manutenção, planejamento e diversas outras especialidades.

São esses profissionais que transformam projetos em serviços reais.

Os 81 pontos representam mais do que recipientes de coleta

O número de 81 Pontos de Entrega Voluntária chama atenção.

Contudo, o verdadeiro valor do programa não está apenas na quantidade de recipientes instalados.

Está na estrutura criada ao redor deles.

O Trata Óleo mostra como uma companhia de saneamento pode ocupar um espaço mais amplo dentro das cidades: não apenas tratar os efeitos dos problemas ambientais, mas contribuir para evitar que eles ocorram.

Mais de 2 mil litros já foram retirados de uma possível rota inadequada de descarte.

Esse óleo passou a seguir uma cadeia organizada de coleta e reaproveitamento.

Ao mesmo tempo, cidadãos foram envolvidos.

Escolas participaram.

Prefeituras tornaram-se parceiras.

Eventos receberam ações de coleta.

Cooperativas entraram na cadeia.

E profissionais do saneamento fizeram a engrenagem funcionar.

Esse talvez seja o principal aprendizado do programa.

Saneamento de excelência começa antes da tubulação

Universalizar o saneamento brasileiro exigirá bilhões de reais em investimentos, novas redes, estações, reservatórios, elevatórias e tecnologia.

Entretanto, infraestrutura sozinha não será suficiente.

Também será necessário cuidar melhor dos ativos existentes.

Nesse cenário, prevenir o lançamento inadequado de resíduos torna-se uma estratégia de eficiência.

O Trata Óleo demonstra que uma companhia pode trabalhar simultaneamente com sustentabilidade, educação ambiental, prevenção e economia circular.

Além disso, demonstra que saneamento é construído por pessoas.

São profissionais que identificam problemas, planejam soluções, criam parcerias, orientam a população e mantêm sistemas funcionando todos os dias.

Quando 81 pontos de coleta impedem que óleo usado siga para o destino errado, existe uma cadeia de trabalho por trás desse resultado.

Valorizar essa cadeia significa reconhecer que o saneamento vai muito além de obras.

Ele também acontece na prevenção.

Acontece na educação.

Acontece no relacionamento com a população.

E acontece diariamente por meio dos profissionais que ajudam a transformar pequenas atitudes em grandes resultados para as cidades.

Fontes

Revista TAE — O descarte irregular de óleo de cozinha pode contaminar rios, solos e redes de esgoto
Publicada em 6 de agosto de 2026. Fonte principal para os dados atualizados sobre os 81 PEVs, volume coletado, municípios envolvidos, parcerias, destinação para biodiesel e indicadores ambientais do Trata Óleo.

Rio+Saneamento — lançamento do Programa Trata Óleo
Informações sobre o início da iniciativa em junho de 2023, funcionamento dos pontos de coleta e objetivos ambientais e operacionais.

Prefeitura de Nova Friburgo — implantação de PEVs do Trata Óleo
Referência sobre a utilização de escolas, universidades, prédios públicos e ações de educação ambiental para ampliar o alcance dos pontos de entrega.

US Environmental Protection Agency — gestão de gorduras, óleos e graxas em sistemas de esgoto
Referência técnica internacional para os impactos associados a FOG, obstruções e problemas operacionais em redes de esgotamento sanitário.

Water Research Foundation — estudos sobre gorduras, óleos e graxas em redes de esgoto
Referência técnica sobre formação de depósitos e consequências para sistemas de coleta.